In Público (4/12/2009)Por Inês Boaventura «O vereador Nunes da Silva considera "ridículas" as críticas feitas pela oposição camarária aos protocolos que a autarquia firmou com a Administração do Porto de Lisboa (APL) e a Liscont, comparando-os com uma vulgar relação contratual entre um senhorio e um inquilino. Sublinha ainda que "é a primeira vez em que o Estado aceita transferir domínio público portuário para a cidade de Lisboa". O vereador, especialista em transportes, opositor da prorrogação da concessão do terminal de contentores à Liscont, explicou que anteontem votou favoravelmente os dois protocolos porque fez parte da comissão que os negociou. "E sei muito bem as dificuldades que houve", disse, lembrando que caso não venha a ser revogado o decreto-lei que permitiu ampliar o terminal e prolongar a concessão, "até 2015 a Liscont é concessionária e pode fazer o que quiser".Na reunião camarária de anteontem foi aprovada, à semelhança do que tinha acontecido na Assembleia Municipal, com a abstenção dos vereadores do PS, uma moção a solicitar ao Governo e à Assembleia da República a revogação do decreto-lei no centro de toda a polémica. Os vereadores do PS abstiveram-se em ambos os pontos porque, justificou António Costa, "sendo matéria exclusivamente da competência do Estado não cabe ao município pronunciar-se".»...Só que o busílis é realmente o porquê de ali estarem actualmente os contentores. Na época em que foi permitido à APL pôr e dispor daquele local, a CML nada fez, e então teria sido fácil evitar tudo o resto que agora se discute (e antes de muitos dos que agora falam da triplicação dos contentores, já aqui tínhamos levantado a lebre), pela simples razão que já naquela época tudo aquilo cheirava a esturro.O que a CML deve fazer agora é, claramente, garantir que daqui a 25 anos os manuais da hitória da cidade não se lhe refiram como quem autorizou que uma actividade que devia estar longe de Alcântara (e só não o está porque este país é preguiçoso e gosta das soluções fáceis) se mantenha, mesmo que ineficiente, só porque "sim".Sejamos claros, os contentores, triplicados ou não, nunca deviam estar ali.E outra coisa, Lisboa é uma cidade portuária, mas não só o porto tem outras actividades que não receber e mover contentores, como Lisboa actualmente está muito para lá do seu limites de concelho; i.e, falar-se de Lisboa, hoje, é falar-se de Almada, da Trafaria e por aí fora. E não aproveitar esta oportunidade de pôr dali (Alcântara) para fora os contentores é continuarmos a ter o que sempre tivemos: visões curtas.Por outro lado, há que ir ao dicionário ver o significado de "praça". Aquela zona actualmente verde e PÚBLICA, ocupada hoje com estacionamento à superfície e estacionamento anárquico desde há uns 10 anos, nunca será praça, o mais que pode ser é o que lá está hoje.Por sua vez, o tal ganho em frente da Gare Marítima de Alcântara não o é pelo simples facto de que foi uma obra feita pela APL chamada aterro.Investimento em Alcântara e na cidade era (seria) requalificar as gares de Alcântara e da Rocha de Conde d'Óbidos, introduzindo-lhe as valências que a APL, tão "bem intencionada" continua a justificar como imprescindíveis para o turismo de cruzeiros. O resto (edifícios da chamada Doca do Hespanhol, etc.) devia ser reconvertido para aquilo que realmente pode ser uma mais-valia para a cidade: lazer, desportos náuticos, turismo.Por último: não tem andado a CML a propalar uma tal passagem aérea, vulgo ponte, que ligue a gare da Rocha de Conde d'Óbidos até ao Museu de Arte Antiga, para mais "depressa" (o mesmo conceito luminário que justifica o terminal de cruzeios em Santa Apolónia, como se alguém fosse a pé desde o paquete para Alfama ...) colocar os turistas nas Janelas Verdes? E então, agora acabou-se a ponte?Este assunto dos contentores é uma profunda baralhação. O pior de tudo é que, pelos vistos, a partir de 2015, voltam a dar de barato um território único da cidade (a APL é muito estimável mas é um organismo do Estado e tem que fazer o que o Estado lhe diz para fazer, e quem diz Estado diz cidadãos) aos contentores, sabendo que é uma asneira.
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In Público (4/12/2009)Por Inês Boaventura «O vereador Nunes da Silva considera "ridículas" as críticas feitas pela oposição camarária aos protocolos que a autarquia firmou com a Administração do Porto de Lisboa (APL) e a Liscont, comparando-os com uma vulgar relação contratual entre um senhorio e um inquilino. Sublinha ainda que "é a primeira vez em que o Estado aceita transferir domínio público portuário para a cidade de Lisboa". O vereador, especialista em transportes, opositor da prorrogação da concessão do terminal de contentores à Liscont, explicou que anteontem votou favoravelmente os dois protocolos porque fez parte da comissão que os negociou. "E sei muito bem as dificuldades que houve", disse, lembrando que caso não venha a ser revogado o decreto-lei que permitiu ampliar o terminal e prolongar a concessão, "até 2015 a Liscont é concessionária e pode fazer o que quiser".Na reunião camarária de anteontem foi aprovada, à semelhança do que tinha acontecido na Assembleia Municipal, com a abstenção dos vereadores do PS, uma moção a solicitar ao Governo e à Assembleia da República a revogação do decreto-lei no centro de toda a polémica. Os vereadores do PS abstiveram-se em ambos os pontos porque, justificou António Costa, "sendo matéria exclusivamente da competência do Estado não cabe ao município pronunciar-se".»...Só que o busílis é realmente o porquê de ali estarem actualmente os contentores. Na época em que foi permitido à APL pôr e dispor daquele local, a CML nada fez, e então teria sido fácil evitar tudo o resto que agora se discute (e antes de muitos dos que agora falam da triplicação dos contentores, já aqui tínhamos levantado a lebre), pela simples razão que já naquela época tudo aquilo cheirava a esturro.O que a CML deve fazer agora é, claramente, garantir que daqui a 25 anos os manuais da hitória da cidade não se lhe refiram como quem autorizou que uma actividade que devia estar longe de Alcântara (e só não o está porque este país é preguiçoso e gosta das soluções fáceis) se mantenha, mesmo que ineficiente, só porque "sim".Sejamos claros, os contentores, triplicados ou não, nunca deviam estar ali.E outra coisa, Lisboa é uma cidade portuária, mas não só o porto tem outras actividades que não receber e mover contentores, como Lisboa actualmente está muito para lá do seu limites de concelho; i.e, falar-se de Lisboa, hoje, é falar-se de Almada, da Trafaria e por aí fora. E não aproveitar esta oportunidade de pôr dali (Alcântara) para fora os contentores é continuarmos a ter o que sempre tivemos: visões curtas.Por outro lado, há que ir ao dicionário ver o significado de "praça". Aquela zona actualmente verde e PÚBLICA, ocupada hoje com estacionamento à superfície e estacionamento anárquico desde há uns 10 anos, nunca será praça, o mais que pode ser é o que lá está hoje.Por sua vez, o tal ganho em frente da Gare Marítima de Alcântara não o é pelo simples facto de que foi uma obra feita pela APL chamada aterro.Investimento em Alcântara e na cidade era (seria) requalificar as gares de Alcântara e da Rocha de Conde d'Óbidos, introduzindo-lhe as valências que a APL, tão "bem intencionada" continua a justificar como imprescindíveis para o turismo de cruzeiros. O resto (edifícios da chamada Doca do Hespanhol, etc.) devia ser reconvertido para aquilo que realmente pode ser uma mais-valia para a cidade: lazer, desportos náuticos, turismo.Por último: não tem andado a CML a propalar uma tal passagem aérea, vulgo ponte, que ligue a gare da Rocha de Conde d'Óbidos até ao Museu de Arte Antiga, para mais "depressa" (o mesmo conceito luminário que justifica o terminal de cruzeios em Santa Apolónia, como se alguém fosse a pé desde o paquete para Alfama ...) colocar os turistas nas Janelas Verdes? E então, agora acabou-se a ponte?Este assunto dos contentores é uma profunda baralhação. O pior de tudo é que, pelos vistos, a partir de 2015, voltam a dar de barato um território único da cidade (a APL é muito estimável mas é um organismo do Estado e tem que fazer o que o Estado lhe diz para fazer, e quem diz Estado diz cidadãos) aos contentores, sabendo que é uma asneira.