portugal dos pequeninos: LOUVOR E SIMPLIFICAÇÃO DE JOÃO GALAMBA

31-05-2010
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Vou lendo isto a partir daqui e reparo que, apesar de tanta "erudição", o deputado sublima a graça e supera-se.«-Chamou "filho da puta" a João Gonçalves, por causa do que ele escreveu acerca de João Constâncio. ("Este é filho do outro. Expele exactamente o mesmo estilo de flatulência política do papá.") Foi um gesto impulsivo e irreflectido?- Quando vi aquilo escrito sobre o João Constâncio, de quem sou amigo, e depois de ter estado até de madrugada a tentar convencê-lo a publicar um texto no blogue, dizendo-lhe que não tinha de temer e que as pessoas eram civilizadas, aquilo causou-me uma enorme indignação. Reagi a quente. Não sei se me arrependo. Aquilo era exactamente o que escrevi: uma filha da putice. Era inaceitável que alguém tivesse aquele tipo de registo num debate político que se quer civilizado. Trazer à luz a condição de alguém ser filho de outro é uma canalhice.»Noto o upgrade vocabular. De "filho da puta" a "uma filha da putice", coisa mais séria e adequada a quem já leu Flaubert, Saramago (percebido só mais tarde) e Baudelaire entre pranchadas de bodyboard e "usos privados e públicos" de tal literatura. Rimbaud, porém, não temos a certeza que tivesse lido porque levava soberana e manifestamente no cu e, sobretudo, era um poeta, um usador de palavras fundador de uma palavra só, dessas que nos distinguem, diz o deputado lambuzando-se com Ricoeur, dos animais. É mesmo levado do caralho, este deputado. Ou será da falta dele? Tudo visto, um pouco de Sena dedicado - de Dedicácias porque sou obsessivo - à deputacional figura cuja reputação é imaculada (cuidado, diz o Sena que não consta do "cânone" pittico do deputado, «com a segunda e a terceira sílabas daquela palvra tão honrada como as outras, nestes tempos em que tais luxos de honra se vão perdendo no universo.»)«Que estes senhores possam finalmente realizarsem literatura a sua vocação: e gemam sóprofissionalmente para maior satisfação do freguês.»


Vou lendo isto a partir daqui e reparo que, apesar de tanta "erudição", o deputado sublima a graça e supera-se.«-Chamou "filho da puta" a João Gonçalves, por causa do que ele escreveu acerca de João Constâncio. ("Este é filho do outro. Expele exactamente o mesmo estilo de flatulência política do papá.") Foi um gesto impulsivo e irreflectido?- Quando vi aquilo escrito sobre o João Constâncio, de quem sou amigo, e depois de ter estado até de madrugada a tentar convencê-lo a publicar um texto no blogue, dizendo-lhe que não tinha de temer e que as pessoas eram civilizadas, aquilo causou-me uma enorme indignação. Reagi a quente. Não sei se me arrependo. Aquilo era exactamente o que escrevi: uma filha da putice. Era inaceitável que alguém tivesse aquele tipo de registo num debate político que se quer civilizado. Trazer à luz a condição de alguém ser filho de outro é uma canalhice.»Noto o upgrade vocabular. De "filho da puta" a "uma filha da putice", coisa mais séria e adequada a quem já leu Flaubert, Saramago (percebido só mais tarde) e Baudelaire entre pranchadas de bodyboard e "usos privados e públicos" de tal literatura. Rimbaud, porém, não temos a certeza que tivesse lido porque levava soberana e manifestamente no cu e, sobretudo, era um poeta, um usador de palavras fundador de uma palavra só, dessas que nos distinguem, diz o deputado lambuzando-se com Ricoeur, dos animais. É mesmo levado do caralho, este deputado. Ou será da falta dele? Tudo visto, um pouco de Sena dedicado - de Dedicácias porque sou obsessivo - à deputacional figura cuja reputação é imaculada (cuidado, diz o Sena que não consta do "cânone" pittico do deputado, «com a segunda e a terceira sílabas daquela palvra tão honrada como as outras, nestes tempos em que tais luxos de honra se vão perdendo no universo.»)«Que estes senhores possam finalmente realizarsem literatura a sua vocação: e gemam sóprofissionalmente para maior satisfação do freguês.»

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