Pela manhã, em Belém, o Presidente recebe os três partidos do "arco da governabilidade" - PS, PSD e CDS-PP - com a crise orçamental na agenda. A avaliar pelo tom das audiências de ontem, com os partidos da esquerda (PEV, PCP e BE), o PSD de Pedro Passos Coelho será o centro de todas as pressões. Para dar o seu acordo ao Orçamento em nome do interesse nacional. Embora o PS seja tudo menos imune às palavras do Presidente, que nas últimas semanas vincou que é ao Governo que cabe apresentar o Orçamento. E Cavaco Silva vai auscultar os três partidos sobre todos os cenários de um "chumbo" do Orçamento, incluindo a demissão do Governo. Embora, sabe o PÚBLICO, a aposta do Presidente seja um acordo PS-PSD.
Noutra frente, a governamental, o executivo dá hoje passos decisivos para a definição do Orçamento. Os ministros foram convocados para hoje à tarde, devendo debater no Conselho os grandes números e as principais estratégicas do documento. Indo ao encontro da receita esta semana apresentada pela OCDE no seu relatório sobre Portugal, o Executivo vai incluir um aumento de impostos, de acordo com a RTPN, entre as medidas com as quais pretende reduzir o défice público de 2011 para 4,6 por cento.
Ontem, porém, logo na primeira audiência, com "Os Verdes" (PEV), ficou claro para a deputada Heloísa Apolónia que Cavaco ficara "profundamente preocupado" com as declarações de Silva Pereira, ministro da Presidência, na semana passada, em que ameaçava com a demissão do Governo se não fosse aprovado o OE, no dia em que se soube que tinha falhado a negociação prévia do documento entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho. Por causa do aumento dos impostos, que o executivo admite, mas o PSD recusa.
Afinal, as palavras de Silva Pereira, corroboradas por Sócrates em Nova Iorque, foram entendidas como uma ameaça real em Belém. O que levou Cavaco, sabe o PÚBLICO, a questionar os partidos sobre esse cenário. Ontem, todas as delegações que foram a Belém concordaram que o duelo verbal entre o PS e o PSD é uma "zanga de comadres", na definição de Heloísa Apolónia, ou "uma chantagem", segundo Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, ou "zaragatas", nas palavras de Francisco Louçã, líder do BE.
O PÚBLICO sabe que o Presidente traçou uma situação catastrófica se o OE for "chumbado". As pressões externas são muitas, desde o sistema financeiro aos parceiros europeus, para a aprovação do OE e fazem-se sentir em Belém. Fora dos corredores do palácio, multiplicaram-se as pressões sobre o PSD para viabilizar o OE.
O ministro que há menos de uma semana ameaçou com a demissão do Governo, Silva Pereira, ontem fez uma espécie de apelo ao PSD, colocando-o como "parceiro natural" num acordo no OE, que tem de ser entregue no Parlamento até 15 de Outubro.
O que fica claro da ronda de ontem das audiências em Belém é que há poucas chances de os três partidos de esquerda participarem na grande coligação orçamental. Embora o tenham dito de forma diplomática, depois do encontro com Cavaco. O PEV lembra que foi o próprio ministro das Finanças a dizer que não dialogava com "Os Verdes". O PCP diz que "não está interessado numa crise política, mas numa mudança de políticas". E o Bloco prometeu que tudo fará para evitar uma crise política, embora diga que apresentará propostas na discussão do Orçamento de uma "política socialista" e de combate, por exemplo, ao desemprego.
A crise volta hoje a Belém: Cavaco reúne-se com o CDS, o PSD e o PS, numa delegação liderada por Almeida Santos e que não inclui o líder socialista. Sócrates encontra-se com Cavaco na habitual reunião semanal. A sós e na sexta-feira.
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Pela manhã, em Belém, o Presidente recebe os três partidos do "arco da governabilidade" - PS, PSD e CDS-PP - com a crise orçamental na agenda. A avaliar pelo tom das audiências de ontem, com os partidos da esquerda (PEV, PCP e BE), o PSD de Pedro Passos Coelho será o centro de todas as pressões. Para dar o seu acordo ao Orçamento em nome do interesse nacional. Embora o PS seja tudo menos imune às palavras do Presidente, que nas últimas semanas vincou que é ao Governo que cabe apresentar o Orçamento. E Cavaco Silva vai auscultar os três partidos sobre todos os cenários de um "chumbo" do Orçamento, incluindo a demissão do Governo. Embora, sabe o PÚBLICO, a aposta do Presidente seja um acordo PS-PSD.
Noutra frente, a governamental, o executivo dá hoje passos decisivos para a definição do Orçamento. Os ministros foram convocados para hoje à tarde, devendo debater no Conselho os grandes números e as principais estratégicas do documento. Indo ao encontro da receita esta semana apresentada pela OCDE no seu relatório sobre Portugal, o Executivo vai incluir um aumento de impostos, de acordo com a RTPN, entre as medidas com as quais pretende reduzir o défice público de 2011 para 4,6 por cento.
Ontem, porém, logo na primeira audiência, com "Os Verdes" (PEV), ficou claro para a deputada Heloísa Apolónia que Cavaco ficara "profundamente preocupado" com as declarações de Silva Pereira, ministro da Presidência, na semana passada, em que ameaçava com a demissão do Governo se não fosse aprovado o OE, no dia em que se soube que tinha falhado a negociação prévia do documento entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho. Por causa do aumento dos impostos, que o executivo admite, mas o PSD recusa.
Afinal, as palavras de Silva Pereira, corroboradas por Sócrates em Nova Iorque, foram entendidas como uma ameaça real em Belém. O que levou Cavaco, sabe o PÚBLICO, a questionar os partidos sobre esse cenário. Ontem, todas as delegações que foram a Belém concordaram que o duelo verbal entre o PS e o PSD é uma "zanga de comadres", na definição de Heloísa Apolónia, ou "uma chantagem", segundo Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, ou "zaragatas", nas palavras de Francisco Louçã, líder do BE.
O PÚBLICO sabe que o Presidente traçou uma situação catastrófica se o OE for "chumbado". As pressões externas são muitas, desde o sistema financeiro aos parceiros europeus, para a aprovação do OE e fazem-se sentir em Belém. Fora dos corredores do palácio, multiplicaram-se as pressões sobre o PSD para viabilizar o OE.
O ministro que há menos de uma semana ameaçou com a demissão do Governo, Silva Pereira, ontem fez uma espécie de apelo ao PSD, colocando-o como "parceiro natural" num acordo no OE, que tem de ser entregue no Parlamento até 15 de Outubro.
O que fica claro da ronda de ontem das audiências em Belém é que há poucas chances de os três partidos de esquerda participarem na grande coligação orçamental. Embora o tenham dito de forma diplomática, depois do encontro com Cavaco. O PEV lembra que foi o próprio ministro das Finanças a dizer que não dialogava com "Os Verdes". O PCP diz que "não está interessado numa crise política, mas numa mudança de políticas". E o Bloco prometeu que tudo fará para evitar uma crise política, embora diga que apresentará propostas na discussão do Orçamento de uma "política socialista" e de combate, por exemplo, ao desemprego.
A crise volta hoje a Belém: Cavaco reúne-se com o CDS, o PSD e o PS, numa delegação liderada por Almeida Santos e que não inclui o líder socialista. Sócrates encontra-se com Cavaco na habitual reunião semanal. A sós e na sexta-feira.