Pulo do Lobo: Duas coisas

04-08-2010
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Uma vantagem indiscutível de Cavaco Silva sobre os outros candidatos é o ele ser o único que pode, sem calar o que quer que seja, falar de todos os argumentos que pesaram na sua deliberação privada em ser candidato à Presidência da República. Não se trata, é claro, de uma vantagem moral: trata-se de uma vantagem política. Os outros candidatos dividem-se claramente em dois grupos: Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, os candidatos tribunícios (como muito bem os designou Pacheco Pereira), e os efectivos, Mário Soares e Manuel Alegre. Os primeiros têm que fingir que não sabem que sabemos: que não são a sério. Para Jerónimo de Sousa o problema não é grave, já que se trata de uma velha tradição do PCP, e a tradição confere uma espécie de legitimidade que se não espera ver discutida. Para Louçã também não, porque não é politicamente sensível à questão; dito de outra maneira: a única coisa que lhe interessa é falar, e falar, e falar... É o que, dentro da decência, dele se pode dizer. Sensíveis à questão são Mário Soares e Manuel Alegre. Porque não se trata apenas de se definirem contra Cavaco, o que já em si é um defeito, embora não grave. Grave é o definirem-se igualmente por uma guerra intestina dentro do PS, sem muito de ideológico e com muito de pessoal. Quer dizer: os argumentos que pesaram na sua deliberação privada são, em cada um, de espécie diversa, e alguns só podem ser ditos por alusão, anunciando para o futuro a bem-vinda (e pouco interessante) elucidação. Ora, Cavaco Silva está, por mérito próprio, livre destes problemas. Fazer desta liberdade o bom uso pode ser-lhe precioso.Outra coisa, que tem directamente a ver com a anterior. A situação dos outros candidatos, e sobretudo dos seus apoiantes mais vocais, leva-os - em parte pelo que foi dito atrás, em parte por fidelidade a antigos costumes - a gracinhas, graçolas e insultos. Não é, é claro, grave. Há coisas, no entanto, que surpreendem. Será natural que no site oficial de Mário Soares haja uma coluna anónima (assinada “Sirius”) dedicada a atacar Cavaco num estilo que não se via desde os tempos de 75? A última que eu li acabava assim: “O lobo vestiu-se de cordeiro mas a garra do lobo ficou de fora…” O estilo é péssimo, mas é mesmo a coisa do anonimato – no site oficial do candidato, repito – que surpreende. E promete.

Uma vantagem indiscutível de Cavaco Silva sobre os outros candidatos é o ele ser o único que pode, sem calar o que quer que seja, falar de todos os argumentos que pesaram na sua deliberação privada em ser candidato à Presidência da República. Não se trata, é claro, de uma vantagem moral: trata-se de uma vantagem política. Os outros candidatos dividem-se claramente em dois grupos: Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã, os candidatos tribunícios (como muito bem os designou Pacheco Pereira), e os efectivos, Mário Soares e Manuel Alegre. Os primeiros têm que fingir que não sabem que sabemos: que não são a sério. Para Jerónimo de Sousa o problema não é grave, já que se trata de uma velha tradição do PCP, e a tradição confere uma espécie de legitimidade que se não espera ver discutida. Para Louçã também não, porque não é politicamente sensível à questão; dito de outra maneira: a única coisa que lhe interessa é falar, e falar, e falar... É o que, dentro da decência, dele se pode dizer. Sensíveis à questão são Mário Soares e Manuel Alegre. Porque não se trata apenas de se definirem contra Cavaco, o que já em si é um defeito, embora não grave. Grave é o definirem-se igualmente por uma guerra intestina dentro do PS, sem muito de ideológico e com muito de pessoal. Quer dizer: os argumentos que pesaram na sua deliberação privada são, em cada um, de espécie diversa, e alguns só podem ser ditos por alusão, anunciando para o futuro a bem-vinda (e pouco interessante) elucidação. Ora, Cavaco Silva está, por mérito próprio, livre destes problemas. Fazer desta liberdade o bom uso pode ser-lhe precioso.Outra coisa, que tem directamente a ver com a anterior. A situação dos outros candidatos, e sobretudo dos seus apoiantes mais vocais, leva-os - em parte pelo que foi dito atrás, em parte por fidelidade a antigos costumes - a gracinhas, graçolas e insultos. Não é, é claro, grave. Há coisas, no entanto, que surpreendem. Será natural que no site oficial de Mário Soares haja uma coluna anónima (assinada “Sirius”) dedicada a atacar Cavaco num estilo que não se via desde os tempos de 75? A última que eu li acabava assim: “O lobo vestiu-se de cordeiro mas a garra do lobo ficou de fora…” O estilo é péssimo, mas é mesmo a coisa do anonimato – no site oficial do candidato, repito – que surpreende. E promete.

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