Golos de Coentrão e Javi tornam difícil recuperação de um FC Porto batido no campo e no quadro táctico
O Benfica pode continuar a 11 pontos do FC Porto no campeonato, mas ontem provou no Dragão que já foi resgatado do fundo do armário, reivindicando o estatuto de campeão. Urgido pela necessidade, recuperou todas as suas essências e saiu com uma vantagem (2-0) enorme da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, após um duelo intenso, mas vulgar. O FC Porto pareceu uma réplica baça da equipa que já foi. Por culpa própria e mérito de Jorge Jesus. Vale a pena tomar nota do resultado porque o segundo jogo é dentro de 77 dias...
Pouco antes do início, os écrãs gigantes mostraram os cinco golos com que o Benfica saiu vergado do Dragão, em Novembro. Mas o efeito psicológico esteve longe de ser o desejado e tinham passados apenas seis minutos até que Fábio Coentrão (que havia recuperado a bola e iniciado o contra-ataque) aproveitou uma assistência de Saviola e deixou os adeptos portistas à beira de um ataque de nervos. Justificados, porque ficou a ideia que Maicon ficou confundido com o passe do argentino para as suas costas, mas também que terá tido mais do que tempo para anular um lance em que faltou o entendimento com Helton.
A aselhice de Maicon pareceu ter contagiado toda a equipa do FC Porto, que rapidamente confirmou ter perdido poder de intimidação. E, pouco a pouco, foi mostrando também que não entrou com um plano de jogo. Ou, se o tinha, não foi capaz de o aplicar, submetido que foi pelo adversário à condição de vítima dócil e impotente. Uma incapacidade que resultou em boa parte das surpresas guardadas por Jorge Jesus. Já se tinha percebido, no final do jogo com o Desp. Aves, que o técnico andava a ensaiar um desenho táctico diferente. E, de facto, o Benfica começou distribuído num 4x4x2 clássico, mas com César Peixoto na mesma linha de Javi, em vez do anunciado Airton. Uma alteração que, apesar de mais ou menos anunciada, não pareceu prevista no guião de Villas-Boas.
O treinador portista perdeu em toda a linha, até nos mind games: Falcao não estava apto e ficou de fora. Também discutível foi a aposta em Sereno como lateral-esquerdo em vez de Fucile. Com Sapunaru do outro lado, nenhum dos laterais funcionava como mais-valia em termos de profundidade ofensiva.
Os reflexos da estratégia de Jorge Jesus no jogo portista foram rápidos e evidentes: o duplo pivot não deixava espaço nem tempo para que João Moutinho e Belluschi burilassem o jogo e o FC Porto acusava deficiências pouco habituais na zona de construção. Atacou mal, defendeu pior - nada funcionou. Ao invés, no Benfica, a utilização de dois médios defensivos trouxe outro tipo de ganhos, porque Salvio e Gaitán se deram bem com um modelo em que sentiam as costas mais defendidas. Importante foi também a capacidade de defender alto. Jesus aprendeu a lição dos 5-0 e soube retirar vantagem do caos que produziu no adversário.
De resto, foi surpreendente a incapacidade de o FC Porto se manter firme num momento adverso. Ainda não se lhe tinha visto tal esta época, mesmo na derrota caseira com o Nacional. Os portistas mostraram-se pela primeira vez aos 17", mas numa recarga e depois de um livre de Hulk, que foi tentando o impossível, como naquele remate portentoso de longe, aos 45", defendido por Júlio César. Pelo meio houve um desperdício escandaloso de James, após uma tabela deliciosa entre Sapunaru e Varela. Pouco, demasiado pouco, até porque o Benfica só não aproveitou uma displicência de Helton (20") porque Cardozo tem aquela faceta de precisar de pedir licença a um pé para mexer o outro. O segundo golo acabou por surgir com naturalidade aos 26", num bom remate de meia-distância de Javi García.
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Ao intervalo era evidente que o FC Porto precisava mudar muita coisa, a começar pelo posicionamento de Hulk, que percebe melhor as movimentações que se exigem a um ponta-de-lança, mas continua a render mais partindo das alas. Mas como fazê-lo, se Walter nem sequer teve direito a sentar-se no banco e não havia alternativa disponível?
Entrou Rodríguez e o FC Porto melhorou em termos de posse de bola, passando a jogar mais no meio campo de um Benfica que lutou pela vitória em cada metro do campo, principalmente após Fábio Coentrão ter visto o segundo amarelo. E o melhor que o FC Porto conseguiu foi um livre relativamente perigoso marcado por Belluschi. Ao invés, o Benfica só não marcou o terceiro golo porque Helton aproveitou um remate de Cardozo para brilhar.
O FC Porto continua a ter 11 pontos de vantagem na Liga, mas que parecem valer menos depois da noite de ontem. Por culpa própria e muito mérito do Benfica.
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Golos de Coentrão e Javi tornam difícil recuperação de um FC Porto batido no campo e no quadro táctico
O Benfica pode continuar a 11 pontos do FC Porto no campeonato, mas ontem provou no Dragão que já foi resgatado do fundo do armário, reivindicando o estatuto de campeão. Urgido pela necessidade, recuperou todas as suas essências e saiu com uma vantagem (2-0) enorme da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, após um duelo intenso, mas vulgar. O FC Porto pareceu uma réplica baça da equipa que já foi. Por culpa própria e mérito de Jorge Jesus. Vale a pena tomar nota do resultado porque o segundo jogo é dentro de 77 dias...
Pouco antes do início, os écrãs gigantes mostraram os cinco golos com que o Benfica saiu vergado do Dragão, em Novembro. Mas o efeito psicológico esteve longe de ser o desejado e tinham passados apenas seis minutos até que Fábio Coentrão (que havia recuperado a bola e iniciado o contra-ataque) aproveitou uma assistência de Saviola e deixou os adeptos portistas à beira de um ataque de nervos. Justificados, porque ficou a ideia que Maicon ficou confundido com o passe do argentino para as suas costas, mas também que terá tido mais do que tempo para anular um lance em que faltou o entendimento com Helton.
A aselhice de Maicon pareceu ter contagiado toda a equipa do FC Porto, que rapidamente confirmou ter perdido poder de intimidação. E, pouco a pouco, foi mostrando também que não entrou com um plano de jogo. Ou, se o tinha, não foi capaz de o aplicar, submetido que foi pelo adversário à condição de vítima dócil e impotente. Uma incapacidade que resultou em boa parte das surpresas guardadas por Jorge Jesus. Já se tinha percebido, no final do jogo com o Desp. Aves, que o técnico andava a ensaiar um desenho táctico diferente. E, de facto, o Benfica começou distribuído num 4x4x2 clássico, mas com César Peixoto na mesma linha de Javi, em vez do anunciado Airton. Uma alteração que, apesar de mais ou menos anunciada, não pareceu prevista no guião de Villas-Boas.
O treinador portista perdeu em toda a linha, até nos mind games: Falcao não estava apto e ficou de fora. Também discutível foi a aposta em Sereno como lateral-esquerdo em vez de Fucile. Com Sapunaru do outro lado, nenhum dos laterais funcionava como mais-valia em termos de profundidade ofensiva.
Os reflexos da estratégia de Jorge Jesus no jogo portista foram rápidos e evidentes: o duplo pivot não deixava espaço nem tempo para que João Moutinho e Belluschi burilassem o jogo e o FC Porto acusava deficiências pouco habituais na zona de construção. Atacou mal, defendeu pior - nada funcionou. Ao invés, no Benfica, a utilização de dois médios defensivos trouxe outro tipo de ganhos, porque Salvio e Gaitán se deram bem com um modelo em que sentiam as costas mais defendidas. Importante foi também a capacidade de defender alto. Jesus aprendeu a lição dos 5-0 e soube retirar vantagem do caos que produziu no adversário.
De resto, foi surpreendente a incapacidade de o FC Porto se manter firme num momento adverso. Ainda não se lhe tinha visto tal esta época, mesmo na derrota caseira com o Nacional. Os portistas mostraram-se pela primeira vez aos 17", mas numa recarga e depois de um livre de Hulk, que foi tentando o impossível, como naquele remate portentoso de longe, aos 45", defendido por Júlio César. Pelo meio houve um desperdício escandaloso de James, após uma tabela deliciosa entre Sapunaru e Varela. Pouco, demasiado pouco, até porque o Benfica só não aproveitou uma displicência de Helton (20") porque Cardozo tem aquela faceta de precisar de pedir licença a um pé para mexer o outro. O segundo golo acabou por surgir com naturalidade aos 26", num bom remate de meia-distância de Javi García.
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Ao intervalo era evidente que o FC Porto precisava mudar muita coisa, a começar pelo posicionamento de Hulk, que percebe melhor as movimentações que se exigem a um ponta-de-lança, mas continua a render mais partindo das alas. Mas como fazê-lo, se Walter nem sequer teve direito a sentar-se no banco e não havia alternativa disponível?
Entrou Rodríguez e o FC Porto melhorou em termos de posse de bola, passando a jogar mais no meio campo de um Benfica que lutou pela vitória em cada metro do campo, principalmente após Fábio Coentrão ter visto o segundo amarelo. E o melhor que o FC Porto conseguiu foi um livre relativamente perigoso marcado por Belluschi. Ao invés, o Benfica só não marcou o terceiro golo porque Helton aproveitou um remate de Cardozo para brilhar.
O FC Porto continua a ter 11 pontos de vantagem na Liga, mas que parecem valer menos depois da noite de ontem. Por culpa própria e muito mérito do Benfica.