Por trás de uma moeda rara há sempre uma boa história. É o que parece mostrar a colecção do médico-cirurgião lisboeta Elmano da Costa, que hoje e amanhã é leiloada pela Numisma, no Tiara Park Hotel, em Lisboa, com sessões a partir das 17h00. São 534 lotes de uma colecção que abrange praticamente toda a história do país (desde os romanos à República, incluindo as antigas colónias, principalmente o Brasil e a Índia), avaliada em dois milhões de euros.
É o caso da moeda de 500 reais, de Filipe I (1580-1598), único exemplar conhecido, na colecção há cerca de 25 anos. A base de licitação é de 90 mil euros e o que a distingue das outras cunhagens conhecidas é o facto de a legenda do anverso ser interrompida pela coroa. É a primeira moeda de ouro que correu durante o domínio filipino (1580-1640), com numeral romano a seguir ao nome do rei.
Um dos directores da Numisma, Javier Sáez Salgado, diz que não há certeza se esta moeda foi vendida em Paris, em Outubro de 1875. O comprador dessa moeda em Paris tê-la-á oferecido a uma enfermeira espanhola, que o acompanhou e tratou até ao fim da vida. Um comerciante comprou-a depois à enfermeira ou a alguém da família e trouxe-a para Portugal.
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Salgado conta outra peripécia sobre outra das moedas raras deste leilão, do tempo de D. José (1750-1777), uma peça 1762, cunhada no Brasil. O coleccionador Elmano Costa regressava a Lisboa vindo de Londres, onde participara num leilão na Sotheby"s. Percebeu que lhe faltava essa moeda. "Teria ficado no avião? Teria caído na viagem? Um telefonema da leiloeira resolveu o enigma: a moeda ficara es- quecida em Londres. Hoje, é um dos 534 lotes deste leilão."
Mas a moeda com a maior base de licitação neste leilão - 100 mil euros - é um justo de D. João II (1481-1495). "Extremamente rara" e "uma das mais difíceis de encontrar", é em ou- ro e foi mandada emitir pelo rei em pequena quantidade. Mostra de um lado o escudo real e, do outro, o rei armado e sentado na cadeira real com o ceptro na mão. D. João II mandou cunhar a moeda, maior do que as da época, para que isso lhe trouxesse glória, explica Salgado.
A leilão vão também outras moedas mandadas cunhar pelo Príncipe Perfeito conhecidas por meio-justo ou espadim. E ainda moedas raras de D. João IV, D. Pedro, Príncipe Regente, D. João V, D. João VI, D. Maria II e D. Luís I. Há também uma pequena barra em ouro - eram conhecidas por "barrinhas" - feita na casa de Sabará, em 1809. Cada barrinha é peça única e circulou como moeda. Há hoje cerca de 500 barrinhas em museus do Brasil e não costumam aparecer à venda. A base de licitação é de 35 mil euros e a peça é leiloada amanhã. Isabel Coutinho
Por trás de uma moeda rara há sempre uma boa história. É o que parece mostrar a colecção do médico-cirurgião lisboeta Elmano da Costa, que hoje e amanhã é leiloada pela Numisma, no Tiara Park Hotel, em Lisboa, com sessões a partir das 17h00. São 534 lotes de uma colecção que abrange praticamente toda a história do país (desde os romanos à República, incluindo as antigas colónias, principalmente o Brasil e a Índia), avaliada em dois milhões de euros.
É o caso da moeda de 500 reais, de Filipe I (1580-1598), único exemplar conhecido, na colecção há cerca de 25 anos. A base de licitação é de 90 mil euros e o que a distingue das outras cunhagens conhecidas é o facto de a legenda do anverso ser interrompida pela coroa. É a primeira moeda de ouro que correu durante o domínio filipino (1580-1640), com numeral romano a seguir ao nome do rei.
Um dos directores da Numisma, Javier Sáez Salgado, diz que não há certeza se esta moeda foi vendida em Paris, em Outubro de 1875. O comprador dessa moeda em Paris tê-la-á oferecido a uma enfermeira espanhola, que o acompanhou e tratou até ao fim da vida. Um comerciante comprou-a depois à enfermeira ou a alguém da família e trouxe-a para Portugal.
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Salgado conta outra peripécia sobre outra das moedas raras deste leilão, do tempo de D. José (1750-1777), uma peça 1762, cunhada no Brasil. O coleccionador Elmano Costa regressava a Lisboa vindo de Londres, onde participara num leilão na Sotheby"s. Percebeu que lhe faltava essa moeda. "Teria ficado no avião? Teria caído na viagem? Um telefonema da leiloeira resolveu o enigma: a moeda ficara es- quecida em Londres. Hoje, é um dos 534 lotes deste leilão."
Mas a moeda com a maior base de licitação neste leilão - 100 mil euros - é um justo de D. João II (1481-1495). "Extremamente rara" e "uma das mais difíceis de encontrar", é em ou- ro e foi mandada emitir pelo rei em pequena quantidade. Mostra de um lado o escudo real e, do outro, o rei armado e sentado na cadeira real com o ceptro na mão. D. João II mandou cunhar a moeda, maior do que as da época, para que isso lhe trouxesse glória, explica Salgado.
A leilão vão também outras moedas mandadas cunhar pelo Príncipe Perfeito conhecidas por meio-justo ou espadim. E ainda moedas raras de D. João IV, D. Pedro, Príncipe Regente, D. João V, D. João VI, D. Maria II e D. Luís I. Há também uma pequena barra em ouro - eram conhecidas por "barrinhas" - feita na casa de Sabará, em 1809. Cada barrinha é peça única e circulou como moeda. Há hoje cerca de 500 barrinhas em museus do Brasil e não costumam aparecer à venda. A base de licitação é de 35 mil euros e a peça é leiloada amanhã. Isabel Coutinho