Em Maio, a região vai retirar rochas que se desagregaram nas praias do Barlavento nos últimos meses, colocando ao mesmo tempo a sinalização de perigo
a Tal como no resto do país, todos os anos, a cada inverno que passa, a costa algarvia muda de figura, e os mais de 1,1 milhões de metros cúbicos de areias que se movem de Vilamoura até ao Garrão (Quinta do Lago) até davam para construir uma cidade. Mas foram as arribas que mais sofreram na época das chuvas. Segundo a Administração da Região Hidrográfica do Algarve (ARH) os desmoronamentos foram este ano, em número, "três vezes superior ao número médio anual". Os investigadores alertam para a "aceleração da erosão". O Algarve das praias com arribas pode ser sedutor, mas não é seguro para quem gosta de se deitar à sombra dos rochedos.
Durante esta semana, quando o sol deu ares da sua graça, a Praia Maria Luísa, onde em Agosto de 2009 morreram cinco pessoas sob uma rocha que se despreendeu, voltou a ser o alvo da curiosidade populares.
João Manuel Henriques chega acompanhado da mulher. Ela, madeirense, ele nascido em Rio Maior, pretendiam concretizar dois desejos antes do regresso de uma semana de férias. Ela "conhecer" a casa de Luís Figo, ele "ver com os próprios olhos, onde se deu a tragédia". "Está-se mesmo a ver que a falésia cai, pois isto é barro", vaticina, apalpando no rochedo, João Henriques.
Alice sente os sapatos a afundarem-se na areia, diminui a passada e fica à conversa com a comadre, que a acompanha. "A casa do Figo deve ser aquela ali em cima [da arriba]." A relva do quintal, observam, está já a cair para a praia. "Mais dia, menos vem por aí abaixo", comentam, sem perceberem ainda que a casa do ex-futebolista fica mais para os lados da praia de Santa Eulália.
Já o penedo cuja queda parcial causou os cinco mortos ganhou forma oval. Depois do acidente, a intervenção feita com uma máquina para lhe rapar as partes mais frágeis descaracterizou a rocha. "Asneira", comenta o investigador Alveirinho Dias, do Centro de Investigação Marítima e Ambiental, acrescentando que este tipo de trabalhos "só vai acelerar o processo de erosão". Situação semelhante verificou-se na praia de Santa Eulália, após uma queda inesperada numa arriba no final do Verão.
Há que tomar atenção
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"Os desmoronamentos fazem parte do ciclo natural de evolução das arribas", lembra, por seu lado, o director do departamento do litoral da ARH, Sebastião Teixeira. E sublinha: "O risco de as arribas caírem está sempre presente." O que pode o cidadão fazer? "Ter cuidado, tomar atenção ao perigo", acrescenta Alveirinho Dias. E deixa o alerta: "O cidadão tem de ser responsável." O papel que cabe ao Estado é "fornecer informação correcta sobre os perigos das arribas, não é transformar os cidadãos em mentecaptos".
Durante o próximo mês a Administração da Região Hidrográfica vai executar várias acções, sobretudo nas praias do Barlavento para retirar as rochas que se desagregaram nos últimos meses, colocando ao mesmo tempo a sinalização de perigo que falta nas praias. Quanto ao que mais contribui para derrubar as falésias, o professor universitário lembra que não é só o mar que precipita as derrocadas. "Relvados nas falésias e ocupação com construção são factores que aumentam a erosão." Destaca ainda um outro aspecto - circulação de viaturas nas proximidades, "principalmente a trepidação causada pela passagem de camiões".
Uma das maiores derrocadas, verificadas durante o Inverno, teve lugar na praia D. Ana (Lagos). Prevê-se que antes da época balnear a ARH restabeleça o acesso. Na praia do Forte Novo (Quarteira) a arriba sofreu mais uma grande queda. "Não há arribas estáveis", sublinha Alveirinho Dias. Sebastião Teixeira mostra confiança na acção pedagógica. "Há 15 anos, quando foram colocadas as primeiras placas de perigo nas praias, os concessionários e alguns autarcas, diziam: "Tire essa placa daí." Roubavam e destruíam. Actualmente, pedem mais sinalização."
Em Maio, a região vai retirar rochas que se desagregaram nas praias do Barlavento nos últimos meses, colocando ao mesmo tempo a sinalização de perigo
a Tal como no resto do país, todos os anos, a cada inverno que passa, a costa algarvia muda de figura, e os mais de 1,1 milhões de metros cúbicos de areias que se movem de Vilamoura até ao Garrão (Quinta do Lago) até davam para construir uma cidade. Mas foram as arribas que mais sofreram na época das chuvas. Segundo a Administração da Região Hidrográfica do Algarve (ARH) os desmoronamentos foram este ano, em número, "três vezes superior ao número médio anual". Os investigadores alertam para a "aceleração da erosão". O Algarve das praias com arribas pode ser sedutor, mas não é seguro para quem gosta de se deitar à sombra dos rochedos.
Durante esta semana, quando o sol deu ares da sua graça, a Praia Maria Luísa, onde em Agosto de 2009 morreram cinco pessoas sob uma rocha que se despreendeu, voltou a ser o alvo da curiosidade populares.
João Manuel Henriques chega acompanhado da mulher. Ela, madeirense, ele nascido em Rio Maior, pretendiam concretizar dois desejos antes do regresso de uma semana de férias. Ela "conhecer" a casa de Luís Figo, ele "ver com os próprios olhos, onde se deu a tragédia". "Está-se mesmo a ver que a falésia cai, pois isto é barro", vaticina, apalpando no rochedo, João Henriques.
Alice sente os sapatos a afundarem-se na areia, diminui a passada e fica à conversa com a comadre, que a acompanha. "A casa do Figo deve ser aquela ali em cima [da arriba]." A relva do quintal, observam, está já a cair para a praia. "Mais dia, menos vem por aí abaixo", comentam, sem perceberem ainda que a casa do ex-futebolista fica mais para os lados da praia de Santa Eulália.
Já o penedo cuja queda parcial causou os cinco mortos ganhou forma oval. Depois do acidente, a intervenção feita com uma máquina para lhe rapar as partes mais frágeis descaracterizou a rocha. "Asneira", comenta o investigador Alveirinho Dias, do Centro de Investigação Marítima e Ambiental, acrescentando que este tipo de trabalhos "só vai acelerar o processo de erosão". Situação semelhante verificou-se na praia de Santa Eulália, após uma queda inesperada numa arriba no final do Verão.
Há que tomar atenção
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"Os desmoronamentos fazem parte do ciclo natural de evolução das arribas", lembra, por seu lado, o director do departamento do litoral da ARH, Sebastião Teixeira. E sublinha: "O risco de as arribas caírem está sempre presente." O que pode o cidadão fazer? "Ter cuidado, tomar atenção ao perigo", acrescenta Alveirinho Dias. E deixa o alerta: "O cidadão tem de ser responsável." O papel que cabe ao Estado é "fornecer informação correcta sobre os perigos das arribas, não é transformar os cidadãos em mentecaptos".
Durante o próximo mês a Administração da Região Hidrográfica vai executar várias acções, sobretudo nas praias do Barlavento para retirar as rochas que se desagregaram nos últimos meses, colocando ao mesmo tempo a sinalização de perigo que falta nas praias. Quanto ao que mais contribui para derrubar as falésias, o professor universitário lembra que não é só o mar que precipita as derrocadas. "Relvados nas falésias e ocupação com construção são factores que aumentam a erosão." Destaca ainda um outro aspecto - circulação de viaturas nas proximidades, "principalmente a trepidação causada pela passagem de camiões".
Uma das maiores derrocadas, verificadas durante o Inverno, teve lugar na praia D. Ana (Lagos). Prevê-se que antes da época balnear a ARH restabeleça o acesso. Na praia do Forte Novo (Quarteira) a arriba sofreu mais uma grande queda. "Não há arribas estáveis", sublinha Alveirinho Dias. Sebastião Teixeira mostra confiança na acção pedagógica. "Há 15 anos, quando foram colocadas as primeiras placas de perigo nas praias, os concessionários e alguns autarcas, diziam: "Tire essa placa daí." Roubavam e destruíam. Actualmente, pedem mais sinalização."