Suspensão do primeiro troço do TGV comprometida

05-05-2010
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O CDS-PP vai propor a cessação da vigência do decreto-lei que aprova as bases de concessão da ligação Poceirão-Caia e Lisboa-Madrid. Se fosse aprovada a cessação, dia 28 no Parlamento, o diploma ficaria sem efeito e só poderia voltar a estar em vigor na próxima sessão legislativa, ou seja, em Setembro. Mas essa "coligação negativa" para travar o TGV é um cenário que se afigura difícil: se o PSD parece inclinar-se a estar ao lado dos centristas, já o BE não votará a favor. A chave está no PCP que, ontem, ainda não tinha definido posição sobre a votação. Mas o secretário-geral, Jerónimo de Sousa, tem rejeitado suspender grandes obras públicas como o TGV.

No pedido de apreciação parlamentar que ontem deu entrada no Parlamento, o CDS aponta o agravamento das circunstâncias económicas e financeiras do país, citando os números da dívida pública, do défice e do escasso crescimento económico para justificar a necessidade de reavaliar o projecto. E lembra que isto é um encargo para as gerações futuras numa lógica de argumentação que foi uma das traves-mestras do discurso da ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, desde que foi eleita.

"O CDS sente que está a cumprir a sua obrigação. Temos falado sobre o problema do endividamento e uma obra como esta vai esgotar o crédito das pequenas e médias empresas nos próximos anos com reflexos no emprego", afirma o líder parlamentar Pedro Mota Soares. E é com alguns destes argumentos que o CDS vai tentar sensibilizar os partidos mais à esquerda, já que o PSD pode estar ao lado dos centristas nesta questão.

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Contactado pelo PÚBLICO, o deputado do PSD Jorge Costa reafirma que o Governo "deveria suspender os grandes investimentos públicos". Ainda sem conhecer o texto do pedido de apreciação parlamentar, Jorge Costa refere que "poderá vir a recolher o apoio do PSD se for no sentido da cessação da vigência". Já o mesmo não diz a deputada Helena Pinto, do BE. "Não iremos acompanhar. Sempre fomos favoráveis à ligação Lisboa-Madrid", sublinha a deputada bloquista.

O PCP ontem não tinha ainda posição definida sobre a votação desta apreciação parlamentar mas o secretário-geral foi claro na passada quinta-feira.

"Temos de continuar ligados à Europa, numa perspectiva de desenvolvimento e crescimento. Essas obras públicas devem ser feitas", defendeu Jerónimo de Sousa em conferência de imprensa, sublinhando, no entanto, que devem existir "cautelas" e não fazer-se "o projecto pelo projecto". Sofia Rodrigues

O CDS-PP vai propor a cessação da vigência do decreto-lei que aprova as bases de concessão da ligação Poceirão-Caia e Lisboa-Madrid. Se fosse aprovada a cessação, dia 28 no Parlamento, o diploma ficaria sem efeito e só poderia voltar a estar em vigor na próxima sessão legislativa, ou seja, em Setembro. Mas essa "coligação negativa" para travar o TGV é um cenário que se afigura difícil: se o PSD parece inclinar-se a estar ao lado dos centristas, já o BE não votará a favor. A chave está no PCP que, ontem, ainda não tinha definido posição sobre a votação. Mas o secretário-geral, Jerónimo de Sousa, tem rejeitado suspender grandes obras públicas como o TGV.

No pedido de apreciação parlamentar que ontem deu entrada no Parlamento, o CDS aponta o agravamento das circunstâncias económicas e financeiras do país, citando os números da dívida pública, do défice e do escasso crescimento económico para justificar a necessidade de reavaliar o projecto. E lembra que isto é um encargo para as gerações futuras numa lógica de argumentação que foi uma das traves-mestras do discurso da ex-líder do PSD, Manuela Ferreira Leite, desde que foi eleita.

"O CDS sente que está a cumprir a sua obrigação. Temos falado sobre o problema do endividamento e uma obra como esta vai esgotar o crédito das pequenas e médias empresas nos próximos anos com reflexos no emprego", afirma o líder parlamentar Pedro Mota Soares. E é com alguns destes argumentos que o CDS vai tentar sensibilizar os partidos mais à esquerda, já que o PSD pode estar ao lado dos centristas nesta questão.

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Contactado pelo PÚBLICO, o deputado do PSD Jorge Costa reafirma que o Governo "deveria suspender os grandes investimentos públicos". Ainda sem conhecer o texto do pedido de apreciação parlamentar, Jorge Costa refere que "poderá vir a recolher o apoio do PSD se for no sentido da cessação da vigência". Já o mesmo não diz a deputada Helena Pinto, do BE. "Não iremos acompanhar. Sempre fomos favoráveis à ligação Lisboa-Madrid", sublinha a deputada bloquista.

O PCP ontem não tinha ainda posição definida sobre a votação desta apreciação parlamentar mas o secretário-geral foi claro na passada quinta-feira.

"Temos de continuar ligados à Europa, numa perspectiva de desenvolvimento e crescimento. Essas obras públicas devem ser feitas", defendeu Jerónimo de Sousa em conferência de imprensa, sublinhando, no entanto, que devem existir "cautelas" e não fazer-se "o projecto pelo projecto". Sofia Rodrigues

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