Alegre tem duas características negativas, notam alguns dos apoiantes da candidatura de 2006 ouvidos pelo P2: é desistente em termos de trabalho; e dificilmente mostra afectividade. Outros apoiantes, contudo, relevam apenas o "homem de honra, de ideais e grande poeta", como nota Teresa Rita Lopes, escritora, professora universitária e mandatária nacional em 2006. Há algumas semanas foi ela quem leu poemas dele num jantar em Paris, que reuniu apoiantes do candidato. "Sem critérios de retrosaria", diz, "acho que ele é o melhor poeta vivo. É um extraordinário trabalhador da palavra, tem todo esse fermento de ideal que faz com que as pessoas se identifiquem." Uma outra escritora, Inês Pedrosa, porta-voz da candidatura de 2006, já não faz parte da lista de apoiantes deste ano. Em entrevista à LER (Junho de 2010) afirmou que não se arrependeu de ter trabalhado na campanha, mas aquilo que aprendeu foi "decepcionante". "Digamos que os políticos profissionais... Ou seja, fazer da política profissão exige uma série de qualidades com uma elasticidade de comportamentos e de atitudes que não é compatível comigo." Também Ana Sara Brito, directora operacional há cinco anos, socialista e antiga vereadora da Câmara de Lisboa, não está desta vez com Alegre. Ao P2 justificou que "a organização de campanhas partidárias tem uma estrutura que não se coaduna" com a sua "linha", notando que também não cumpriu as orientações do partido quando decidiu militar activamente na candidatura independente de Alegre. Só lamenta que o Bloco de Esquerda (BE), "agora tão envolvido nesta campanha", não tenha apoiado o poeta há cinco anos: "Com o BE poderíamos ter ido a uma segunda volta."
A aproximação do BE a Alegre ocorreu em 2008 e traduziu-se, publicamente, num comício (e mais tarde num colóquio) que juntou, no Teatro Trindade, em Lisboa, bloquistas, renovadores comunistas e alguns socialistas. O escritor criticou então as políticas do Executivo de Sócrates e defendeu a aliança das esquerdas. Foram quebrados "os tabus e os preconceitos de que as esquerdas não podem reunir-se ou que só podem fazer o que lhes ditam os bem-pensantes do politicamente correcto", disse.
Uma nova candidatura à Presidência e um segundo combate com Cavaco Silva estava já na mente do socialista. E dos bloquistas. Desta vez, tentando evitar o que se passara em 2005 e não dando tempo ao PS para apresentar um outro candidato, Alegre anunciou que estava disponível logo em Janeiro de 2010, em Portimão. Francisco Louçã, do BE, apressou-se a apoiar formalmente a candidatura, mas os socialistas optaram por manifestar a sua surpresa por Alegre verbalizar a sua intenção tão cedo. Sócrates fê-lo esperar por um apoio formal do PS até Maio. E Mário Soares, no mesmo mês, consumou a ruptura: por uma "questão de consciência" não votará em Alegre, o candidato apoiado pelo PS e pelo BE.
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Alegre tem duas características negativas, notam alguns dos apoiantes da candidatura de 2006 ouvidos pelo P2: é desistente em termos de trabalho; e dificilmente mostra afectividade. Outros apoiantes, contudo, relevam apenas o "homem de honra, de ideais e grande poeta", como nota Teresa Rita Lopes, escritora, professora universitária e mandatária nacional em 2006. Há algumas semanas foi ela quem leu poemas dele num jantar em Paris, que reuniu apoiantes do candidato. "Sem critérios de retrosaria", diz, "acho que ele é o melhor poeta vivo. É um extraordinário trabalhador da palavra, tem todo esse fermento de ideal que faz com que as pessoas se identifiquem." Uma outra escritora, Inês Pedrosa, porta-voz da candidatura de 2006, já não faz parte da lista de apoiantes deste ano. Em entrevista à LER (Junho de 2010) afirmou que não se arrependeu de ter trabalhado na campanha, mas aquilo que aprendeu foi "decepcionante". "Digamos que os políticos profissionais... Ou seja, fazer da política profissão exige uma série de qualidades com uma elasticidade de comportamentos e de atitudes que não é compatível comigo." Também Ana Sara Brito, directora operacional há cinco anos, socialista e antiga vereadora da Câmara de Lisboa, não está desta vez com Alegre. Ao P2 justificou que "a organização de campanhas partidárias tem uma estrutura que não se coaduna" com a sua "linha", notando que também não cumpriu as orientações do partido quando decidiu militar activamente na candidatura independente de Alegre. Só lamenta que o Bloco de Esquerda (BE), "agora tão envolvido nesta campanha", não tenha apoiado o poeta há cinco anos: "Com o BE poderíamos ter ido a uma segunda volta."
A aproximação do BE a Alegre ocorreu em 2008 e traduziu-se, publicamente, num comício (e mais tarde num colóquio) que juntou, no Teatro Trindade, em Lisboa, bloquistas, renovadores comunistas e alguns socialistas. O escritor criticou então as políticas do Executivo de Sócrates e defendeu a aliança das esquerdas. Foram quebrados "os tabus e os preconceitos de que as esquerdas não podem reunir-se ou que só podem fazer o que lhes ditam os bem-pensantes do politicamente correcto", disse.
Uma nova candidatura à Presidência e um segundo combate com Cavaco Silva estava já na mente do socialista. E dos bloquistas. Desta vez, tentando evitar o que se passara em 2005 e não dando tempo ao PS para apresentar um outro candidato, Alegre anunciou que estava disponível logo em Janeiro de 2010, em Portimão. Francisco Louçã, do BE, apressou-se a apoiar formalmente a candidatura, mas os socialistas optaram por manifestar a sua surpresa por Alegre verbalizar a sua intenção tão cedo. Sócrates fê-lo esperar por um apoio formal do PS até Maio. E Mário Soares, no mesmo mês, consumou a ruptura: por uma "questão de consciência" não votará em Alegre, o candidato apoiado pelo PS e pelo BE.