Risco de confronto entre capacetes azuis e partidários de Gbagbo na Costa do Marfim

22-12-2010
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Milhares de pessoas têm estado a fugir para países vizinhos, por temerem que se tenha entrado num "caminho da perdição, sem retorno"

O Conselho de Segurança mandatou o secretário-geral Ban Ki-moon para, em caso de necessidade, enviar mais tropas das Nações Unidas para a Costa do Marfim. Mas o chefe das operações da ONU para a manutenção da paz, Alain Le Roy, admitiu o risco de um confronto "perigoso" com os partidários do Presidente cessante Laurent Gbagbo, que não as querem lá.

Emile Guirieoulou, o ministro do Interior do Governo recentemente designado por Gbagbo, afirmou que não haverá qualquer cooperação com a Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI), por ela se manter no país contra a vontade do Presidente cessante.

"Se escolhem ter autoridades que não são as legais, tornam-se parte da rebelião", disse o ministro, que entretanto desmentiu as notícias de que teria sido encontrada uma vala comum na cidade de Abidjan.

Gbagbo poderá jogar a política do "quanto pior melhor", escreveu ontem o site da revista francesa Jeune Afrique, depois de um especialista português em questões da África Ocidental, Eduardo Costa Dias, ter dito ao PÚBLICO: "Gbagbo entrou, empurrado pelas suas sucessivas inabilidades desde as semanas que antecederam a segunda volta, no "caminho da perdição", sem retorno".

"Provavelmente acabará preso, como qualquer salteador de estrada, ou atirado para uma pilha de mortos", afirmou aquele investigador do Centro de Estudos Africanos do ISCTE, de Lisboa.

No entanto, um antigo Presidente do Gana, Jerry Rawlings, pediu a todas as partes contenção e maturidade: "A perda de vidas, na sequência de manifestações de rua e do alegado rapto e execução de civis, não deverá derivar para um conflito total."

Já o ex-Presidente marfinense Henri Konan Bédié, que governou de 1993 a 1992, pediu a "aliança" das Forças de Defesa e Segurança a Ouattara e exortou Gbagbo a ceder o lugar que ocupa há dez anos.

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Segundo Bédié, líder do Partido Democrático da Costa do Marfim (PDCI), que de 1960 a 1990 foi o único com existência legal, "nenhuma ambição política justifica o sacrifício inconsiderado de vidas humanas".

Na semana passada, o antigo Presidente senegalês Abou Diouf, agora secretário-geral da Francofonia, dissera que Gbagbo, fundador da Frente Popular Marfinense (FPI), poderia ser mais receptivo a uma retirada, com garantias, do que alguns dos que o rodeiam. Entre outros, a sua mulher, Simone, vice-presidente da FPI.

Entretanto, o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) está preparado para receber na Libéria e na República da Guiné 30.000 das pessoas que estão a fugir da Costa do Marfim, com receio de um agravamento da situação.

Milhares de pessoas têm estado a fugir para países vizinhos, por temerem que se tenha entrado num "caminho da perdição, sem retorno"

O Conselho de Segurança mandatou o secretário-geral Ban Ki-moon para, em caso de necessidade, enviar mais tropas das Nações Unidas para a Costa do Marfim. Mas o chefe das operações da ONU para a manutenção da paz, Alain Le Roy, admitiu o risco de um confronto "perigoso" com os partidários do Presidente cessante Laurent Gbagbo, que não as querem lá.

Emile Guirieoulou, o ministro do Interior do Governo recentemente designado por Gbagbo, afirmou que não haverá qualquer cooperação com a Operação das Nações Unidas na Costa do Marfim (ONUCI), por ela se manter no país contra a vontade do Presidente cessante.

"Se escolhem ter autoridades que não são as legais, tornam-se parte da rebelião", disse o ministro, que entretanto desmentiu as notícias de que teria sido encontrada uma vala comum na cidade de Abidjan.

Gbagbo poderá jogar a política do "quanto pior melhor", escreveu ontem o site da revista francesa Jeune Afrique, depois de um especialista português em questões da África Ocidental, Eduardo Costa Dias, ter dito ao PÚBLICO: "Gbagbo entrou, empurrado pelas suas sucessivas inabilidades desde as semanas que antecederam a segunda volta, no "caminho da perdição", sem retorno".

"Provavelmente acabará preso, como qualquer salteador de estrada, ou atirado para uma pilha de mortos", afirmou aquele investigador do Centro de Estudos Africanos do ISCTE, de Lisboa.

No entanto, um antigo Presidente do Gana, Jerry Rawlings, pediu a todas as partes contenção e maturidade: "A perda de vidas, na sequência de manifestações de rua e do alegado rapto e execução de civis, não deverá derivar para um conflito total."

Já o ex-Presidente marfinense Henri Konan Bédié, que governou de 1993 a 1992, pediu a "aliança" das Forças de Defesa e Segurança a Ouattara e exortou Gbagbo a ceder o lugar que ocupa há dez anos.

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Segundo Bédié, líder do Partido Democrático da Costa do Marfim (PDCI), que de 1960 a 1990 foi o único com existência legal, "nenhuma ambição política justifica o sacrifício inconsiderado de vidas humanas".

Na semana passada, o antigo Presidente senegalês Abou Diouf, agora secretário-geral da Francofonia, dissera que Gbagbo, fundador da Frente Popular Marfinense (FPI), poderia ser mais receptivo a uma retirada, com garantias, do que alguns dos que o rodeiam. Entre outros, a sua mulher, Simone, vice-presidente da FPI.

Entretanto, o Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) está preparado para receber na Libéria e na República da Guiné 30.000 das pessoas que estão a fugir da Costa do Marfim, com receio de um agravamento da situação.

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