Linha do Horizonte: Exigência nas universidades

19-12-2009
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Relativamente à questão do elevado insucesso escolar universitário, não podemos esquecer as raízes culturais e sociais da população portuguesa. Na esmagadora maioria dos casos, os actuais estudantes universitários são os primeiros da sua família a frequentar o ensino superior e os seus pais apresentam níveis de escolaridade muito baixos com profissões indiferenciadas. O estudo e o trabalho intelectual são uma novidade com que estas famílias têm que aprender a conviver, o que muitas vezes não é fácil, sobretudo quando desde cedo os jovens são estimulados a ir "trabalhar", como fizeram os seus pais e irmãos. Por outro lado, outras famílias, diríamos nós numa primeira impressão, mais esclarecidas, oferecem aos filhos todas as condições e estímulos para se concentrarem no curso universitário. No entanto, em muitos casos, esse empenho esforçado é o reflexo de um certo deslumbramento com o ensino superior, que tenta, a todo o custo, criar um "doutor" na expectativa, totalmente ilusória mas que infelizmente ainda subsiste, de prestígio social e desafogo económico, levando os incautos a ingressar em cursos sem futuro.O panorama actual coloca-nos perante o paradoxo da exigência/abandono escolar. Não esqueçamos que Portugal apresenta os níveis europeus mais elevados de abandono escolar no ensino secundário. A sua redução imediata só é possível através de uma diminuição da exigência. Medidas sociais e económicas só serão visíveis a médio e a longo prazo. O país ainda está a atravessar uma fase de alfabetização generalizada que terminará dentro de uma geração. A ideia de que nem todos os alunos podem frequentar o ensino superior, por incapacidade intelectual não me parece de todo correcta. Se é certo que alguns estudantes têm mais vocação para uma carreira profissional mais prática e menos intelectual, também é verdade que o povo português não apresenta taxas de prevalência de oligofrenia superiores às dos outros países desenvolvidos.A questão que eu considero mais preocupante não é tanto o mau desempenho académico que se verifica numa grande parte dos estudantes desinteressados ou mal preparados mas sim qual a preparação que as universidades portuguesas proporcionam aos melhores alunos.


Relativamente à questão do elevado insucesso escolar universitário, não podemos esquecer as raízes culturais e sociais da população portuguesa. Na esmagadora maioria dos casos, os actuais estudantes universitários são os primeiros da sua família a frequentar o ensino superior e os seus pais apresentam níveis de escolaridade muito baixos com profissões indiferenciadas. O estudo e o trabalho intelectual são uma novidade com que estas famílias têm que aprender a conviver, o que muitas vezes não é fácil, sobretudo quando desde cedo os jovens são estimulados a ir "trabalhar", como fizeram os seus pais e irmãos. Por outro lado, outras famílias, diríamos nós numa primeira impressão, mais esclarecidas, oferecem aos filhos todas as condições e estímulos para se concentrarem no curso universitário. No entanto, em muitos casos, esse empenho esforçado é o reflexo de um certo deslumbramento com o ensino superior, que tenta, a todo o custo, criar um "doutor" na expectativa, totalmente ilusória mas que infelizmente ainda subsiste, de prestígio social e desafogo económico, levando os incautos a ingressar em cursos sem futuro.O panorama actual coloca-nos perante o paradoxo da exigência/abandono escolar. Não esqueçamos que Portugal apresenta os níveis europeus mais elevados de abandono escolar no ensino secundário. A sua redução imediata só é possível através de uma diminuição da exigência. Medidas sociais e económicas só serão visíveis a médio e a longo prazo. O país ainda está a atravessar uma fase de alfabetização generalizada que terminará dentro de uma geração. A ideia de que nem todos os alunos podem frequentar o ensino superior, por incapacidade intelectual não me parece de todo correcta. Se é certo que alguns estudantes têm mais vocação para uma carreira profissional mais prática e menos intelectual, também é verdade que o povo português não apresenta taxas de prevalência de oligofrenia superiores às dos outros países desenvolvidos.A questão que eu considero mais preocupante não é tanto o mau desempenho académico que se verifica numa grande parte dos estudantes desinteressados ou mal preparados mas sim qual a preparação que as universidades portuguesas proporcionam aos melhores alunos.

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