PONTE DO SOR: VAMOS TODOS PARTICIPAR... [ II ]

19-12-2009
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ESTÁ AÍ ALGUÉM ?Sejamos francos. Portugal está metido numa das suas maiores batalhas políticas dos últimos 10 anos. Por mais que os objectivos do Governo sejam indispensáveis e inclusivamente justos, o facto é que não lhe basta decretar as medidas de combate ao défice para dar a volta à situação. A sua maioria absoluta só lhe serve para o parlamento.A sua maioria absoluta não é um adquirido burocrático que lhe permita governar exclusivamente por decreto.O Governo deve compreender que recebeu dos eleitores confiança e esperança e não uma procuração sem limite para tratar do expediente. Todos os dias o Governo deve fazer pedagogia junto dos grupos sociais atingidos. Por cada greve de polícias, por cada greve dos professores, por cada greve de enfermeiros, o Governo deve sair à rua e voltar a explicar as razões da política, pedir e agradecer o esforço de todos os grupos sociais atingidos, explicar até à exaustão, com rigor e sem demagogia, os seus argumentos e estar disponível para provocar ajustamentos e atender aos mais desfavorecidos. O Governo deve envolver e conquistar os portugueses para a sua estratégia como se em campanha eleitoral estivesse. Porque fácil é conquistar o poder e difícil é merecer conservá-lo.Porém, o Governo tem um extraordinário jeito para considerar que a política se resume a esquemas de gabinete e corredores e que tudo o resto, desde a imprensa às manifestações, já não é país mas ruído de fundo. O Governo reage com desdém aos protestos daqueles que, com muita ou pouca razão, irão pagar de facto a factura da crise das finanças públicas e da desaceleração económica.Porque verdadeiramente há um avolumar de vozes angustiadas que cresce e todos os dias ganha adeptos. As manifestações e greves a que temos assistido não são passeatas pela Avenida da Liberdade em comemoração do 25 de Abril onde se trocam cumprimentos e sorrisos. Repare-se como hoje o discurso da Oposição já é ouvido quando em Abril ninguém se interessava por ele. Repare-se que até a Conferência Episcopal Portuguesa junta a sua voz ao coro de alertas e decidiu emitir uma nota pastoral «económica» propondo «Um olhar de responsabilidade e de esperança sobre a crise financeira do país».Se não fosse esta mentalidade de gabinete e corredor, tendo pela frente a batalha decisiva das finanças públicas, das eleições autárquicas, das eleições presidenciais, da crise europeia e a sua desistência de referendar o Tratado constitucional, da urgência de lutar pelo seu plano tecnológico, pelo crescimento económico e pela criação de empregos, porque reavançaria agora o Governo para novo referendo sobre o aborto? Apenas um mês depois de Jorge Sampaio o ter considerado inoportuno?Referendo que todos percebemos que, independentemente da opinião de cada um, servirá para crispar ainda mais a sociedade portuguesa, para a dividir em vez de a unir.Proposta de lei de referendo que altera datas legais de forma a ajeitar a situação para o Go verno. Proposta de referendo que mais parece uma fuga para a frente de quem não tem resposta para as exigências do dia a dia.Eduardo Moura

ESTÁ AÍ ALGUÉM ?Sejamos francos. Portugal está metido numa das suas maiores batalhas políticas dos últimos 10 anos. Por mais que os objectivos do Governo sejam indispensáveis e inclusivamente justos, o facto é que não lhe basta decretar as medidas de combate ao défice para dar a volta à situação. A sua maioria absoluta só lhe serve para o parlamento.A sua maioria absoluta não é um adquirido burocrático que lhe permita governar exclusivamente por decreto.O Governo deve compreender que recebeu dos eleitores confiança e esperança e não uma procuração sem limite para tratar do expediente. Todos os dias o Governo deve fazer pedagogia junto dos grupos sociais atingidos. Por cada greve de polícias, por cada greve dos professores, por cada greve de enfermeiros, o Governo deve sair à rua e voltar a explicar as razões da política, pedir e agradecer o esforço de todos os grupos sociais atingidos, explicar até à exaustão, com rigor e sem demagogia, os seus argumentos e estar disponível para provocar ajustamentos e atender aos mais desfavorecidos. O Governo deve envolver e conquistar os portugueses para a sua estratégia como se em campanha eleitoral estivesse. Porque fácil é conquistar o poder e difícil é merecer conservá-lo.Porém, o Governo tem um extraordinário jeito para considerar que a política se resume a esquemas de gabinete e corredores e que tudo o resto, desde a imprensa às manifestações, já não é país mas ruído de fundo. O Governo reage com desdém aos protestos daqueles que, com muita ou pouca razão, irão pagar de facto a factura da crise das finanças públicas e da desaceleração económica.Porque verdadeiramente há um avolumar de vozes angustiadas que cresce e todos os dias ganha adeptos. As manifestações e greves a que temos assistido não são passeatas pela Avenida da Liberdade em comemoração do 25 de Abril onde se trocam cumprimentos e sorrisos. Repare-se como hoje o discurso da Oposição já é ouvido quando em Abril ninguém se interessava por ele. Repare-se que até a Conferência Episcopal Portuguesa junta a sua voz ao coro de alertas e decidiu emitir uma nota pastoral «económica» propondo «Um olhar de responsabilidade e de esperança sobre a crise financeira do país».Se não fosse esta mentalidade de gabinete e corredor, tendo pela frente a batalha decisiva das finanças públicas, das eleições autárquicas, das eleições presidenciais, da crise europeia e a sua desistência de referendar o Tratado constitucional, da urgência de lutar pelo seu plano tecnológico, pelo crescimento económico e pela criação de empregos, porque reavançaria agora o Governo para novo referendo sobre o aborto? Apenas um mês depois de Jorge Sampaio o ter considerado inoportuno?Referendo que todos percebemos que, independentemente da opinião de cada um, servirá para crispar ainda mais a sociedade portuguesa, para a dividir em vez de a unir.Proposta de lei de referendo que altera datas legais de forma a ajeitar a situação para o Go verno. Proposta de referendo que mais parece uma fuga para a frente de quem não tem resposta para as exigências do dia a dia.Eduardo Moura

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