Defensor Moura, o deputado do PS que ontem se posicionou para entrar na corrida das presidenciais, desvalorizou o eventual embaraço que possa causar ao secretário-geral do partido, que já decidiu apoiar o histórico Manuel Alegre. "José Sócrates já tem experiência de uma situação igual, há cinco anos", declarou ao PÚBLICO. Sem o explicitar, o ex-presidente da Câmara de Viana do Castelo revisitava, assim, acidamente, as circunstâncias das últimas presidenciais quando Alegre avançou, apesar de o PS ter em Mário Soares o seu candidato oficial.
A hipótese de candidatura foi recebida com sorrisos e silêncio pelo PS. Tão-pouco a candidatura de Manuel Alegre disse uma palavra. Alguns dirigentes BE, que estão ao lado de Alegre, também não quiseram comentar. Defensor Moura parece mesmo correr em pista própria, sustentado em "sugestões e incentivos" que diz ter recebido de "vários quadrantes dentro e fora do PS". Os apoios terão começado a chegar depois de o deputado, numa reunião do grupo parlamentar, ter advertido para o facto de a candidatura de Manuel Alegre "não cobrir o centro-esquerda", o que teoricamente favorece a vitória do candidato apoiado pelo PSD e CDS. Ou seja, Cavaco Silva, cuja recandidatura é cada vez mais dada como certa, teria mais hipóteses de vencer à primeira volta. Esse é o argumento que o deputado Ricardo Gonçalves, eleito por Braga, subscreve. "A candidatura de Defensor Moura pode potenciar os votos à esquerda, o que interessa é a segunda volta", afirma, sem se comprometer com o seu apoio. Mas vai dizendo que "está tudo em aberto". Prometendo uma decisão "o mais breve possível", Defensor Moura diz que "está a fazer contactos para avaliar se tem condições materiais e humanas" para avançar.
A incerteza que se desenha à esquerda é acompanhada pelo alvoroço que se instalou à direita, com uma possível alternativa a Cavaco Silva. Depois de um movimento de mulheres católicas ter apelado à candidatura de Bagão Félix à Presidência da República, "em defesa dos valores da família", os bispos católicos demarcaram-se ontem dessa tomada de posição. "Não gostaria de ouvir o nome "católico" nessas coisas", afirmou o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, em Fátima, no final das jornadas pastorais do episcopado.
Apelando ao bom-senso, o presidente do Conselho Nacional do CDS, António Pires de Lima, avisou para o perigo da dispersão de votos. E disse esperar que "pessoas" do seu partido, ligadas ao lado do CDS mais militantemente católico, não estejam "por trás" de movimentações para encontrar uma alternativa a Cavaco Silva. Ao PÚBLICO, o líder do CDS Paulo Portas assegura que mantém a mesma posição: apoiará Cavaco Silva se este for candidato e só abriria uma excepção para Bagão Félix, mas a hipótese não se coloca. com N.S./S.F./A.M.
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Defensor Moura, o deputado do PS que ontem se posicionou para entrar na corrida das presidenciais, desvalorizou o eventual embaraço que possa causar ao secretário-geral do partido, que já decidiu apoiar o histórico Manuel Alegre. "José Sócrates já tem experiência de uma situação igual, há cinco anos", declarou ao PÚBLICO. Sem o explicitar, o ex-presidente da Câmara de Viana do Castelo revisitava, assim, acidamente, as circunstâncias das últimas presidenciais quando Alegre avançou, apesar de o PS ter em Mário Soares o seu candidato oficial.
A hipótese de candidatura foi recebida com sorrisos e silêncio pelo PS. Tão-pouco a candidatura de Manuel Alegre disse uma palavra. Alguns dirigentes BE, que estão ao lado de Alegre, também não quiseram comentar. Defensor Moura parece mesmo correr em pista própria, sustentado em "sugestões e incentivos" que diz ter recebido de "vários quadrantes dentro e fora do PS". Os apoios terão começado a chegar depois de o deputado, numa reunião do grupo parlamentar, ter advertido para o facto de a candidatura de Manuel Alegre "não cobrir o centro-esquerda", o que teoricamente favorece a vitória do candidato apoiado pelo PSD e CDS. Ou seja, Cavaco Silva, cuja recandidatura é cada vez mais dada como certa, teria mais hipóteses de vencer à primeira volta. Esse é o argumento que o deputado Ricardo Gonçalves, eleito por Braga, subscreve. "A candidatura de Defensor Moura pode potenciar os votos à esquerda, o que interessa é a segunda volta", afirma, sem se comprometer com o seu apoio. Mas vai dizendo que "está tudo em aberto". Prometendo uma decisão "o mais breve possível", Defensor Moura diz que "está a fazer contactos para avaliar se tem condições materiais e humanas" para avançar.
A incerteza que se desenha à esquerda é acompanhada pelo alvoroço que se instalou à direita, com uma possível alternativa a Cavaco Silva. Depois de um movimento de mulheres católicas ter apelado à candidatura de Bagão Félix à Presidência da República, "em defesa dos valores da família", os bispos católicos demarcaram-se ontem dessa tomada de posição. "Não gostaria de ouvir o nome "católico" nessas coisas", afirmou o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Jorge Ortiga, em Fátima, no final das jornadas pastorais do episcopado.
Apelando ao bom-senso, o presidente do Conselho Nacional do CDS, António Pires de Lima, avisou para o perigo da dispersão de votos. E disse esperar que "pessoas" do seu partido, ligadas ao lado do CDS mais militantemente católico, não estejam "por trás" de movimentações para encontrar uma alternativa a Cavaco Silva. Ao PÚBLICO, o líder do CDS Paulo Portas assegura que mantém a mesma posição: apoiará Cavaco Silva se este for candidato e só abriria uma excepção para Bagão Félix, mas a hipótese não se coloca. com N.S./S.F./A.M.