A estratégia sucialista radical podia ter em vista uma tomada do poder abrangente, modificando os esteios da sociedade, como se está a fazer em Espanha com uma certa eficácia. Mas onde os espanhóis, para mal dos seus pecados, têm Zapatero, os sucialistas portugueses têm Alberto Martins, Ana Gomes, ou Sérgio Não Sei Quê. E onde os espanhóis têm Rajoy, para mal dos seus pecados, nós temos Cavaco. Os bonecreiros da Loja não devem estar muito satisfeitos com estes títeres de meia tigela. E os que contam, como Sócrates, António Costa e Vitorino, pragmáticos que são, não vêem nas medidas radicais senão um expediente para serenar as suas clientelas do Bairro Alto.É por isso que a nova lei do divórcio podia passar por entre o barulho das luzes, mas colocou-se afinal ruidosamente na ribalta. Supostamente visando derrubar mais um esteio da moral católica, e consagrar «o direito a decidir da própria vida», «quando o amor termina», tinha o rabo de fora, porque atirava às feras a parte mais fraca - a mulher, pois claro -, quando a outra parte decidia mudar de vida. Entretanto, porque é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma, mudou um aspectozito 180º, em cima do joelho, como sempre: agora, se se provar que a parte mais fraca abdicou da carreira para se dedicar ao casamento, deverá ser devidamente ressarcida. Como? Como se fazem as contas? Como se conseguirá que os tribunais não entupam ainda mais com os novos processos que aí vêm? E como evitar que os divórcios, em vez de actos administrativos, como se pretendia, não se transformem ainda mais em duelos sanguinolentos?O que vale é que há Cavaco. Como já disse antes, ele é o dique que contém a enxurrada de fanatismo religioso sucialista. As suas objecções, contrariamente à bacoca réplica de Vitalino Canas, mantiveram-se impecavelmente fora do terreno ideológico e religioso. Como Presidente de Todos os Portugueses, veio simplesmente, ele sim, defender os portugueses mais fracos neste particular. Não foi por acaso que eu e outros o pusemos lá, não para evitar votar no emplastro do Santana - razão última da vitória de Sócrates -, mas com grande convicção, para contrabalançar o poder medíocre e ditatorial desta maioria. Sr. Presidente, faça o que tem a fazer . Vete.
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A estratégia sucialista radical podia ter em vista uma tomada do poder abrangente, modificando os esteios da sociedade, como se está a fazer em Espanha com uma certa eficácia. Mas onde os espanhóis, para mal dos seus pecados, têm Zapatero, os sucialistas portugueses têm Alberto Martins, Ana Gomes, ou Sérgio Não Sei Quê. E onde os espanhóis têm Rajoy, para mal dos seus pecados, nós temos Cavaco. Os bonecreiros da Loja não devem estar muito satisfeitos com estes títeres de meia tigela. E os que contam, como Sócrates, António Costa e Vitorino, pragmáticos que são, não vêem nas medidas radicais senão um expediente para serenar as suas clientelas do Bairro Alto.É por isso que a nova lei do divórcio podia passar por entre o barulho das luzes, mas colocou-se afinal ruidosamente na ribalta. Supostamente visando derrubar mais um esteio da moral católica, e consagrar «o direito a decidir da própria vida», «quando o amor termina», tinha o rabo de fora, porque atirava às feras a parte mais fraca - a mulher, pois claro -, quando a outra parte decidia mudar de vida. Entretanto, porque é preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma, mudou um aspectozito 180º, em cima do joelho, como sempre: agora, se se provar que a parte mais fraca abdicou da carreira para se dedicar ao casamento, deverá ser devidamente ressarcida. Como? Como se fazem as contas? Como se conseguirá que os tribunais não entupam ainda mais com os novos processos que aí vêm? E como evitar que os divórcios, em vez de actos administrativos, como se pretendia, não se transformem ainda mais em duelos sanguinolentos?O que vale é que há Cavaco. Como já disse antes, ele é o dique que contém a enxurrada de fanatismo religioso sucialista. As suas objecções, contrariamente à bacoca réplica de Vitalino Canas, mantiveram-se impecavelmente fora do terreno ideológico e religioso. Como Presidente de Todos os Portugueses, veio simplesmente, ele sim, defender os portugueses mais fracos neste particular. Não foi por acaso que eu e outros o pusemos lá, não para evitar votar no emplastro do Santana - razão última da vitória de Sócrates -, mas com grande convicção, para contrabalançar o poder medíocre e ditatorial desta maioria. Sr. Presidente, faça o que tem a fazer . Vete.