Burocrata do Kremlin toma rédeas de Moscovo

23-10-2010
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Serguei Sobianin recebeu a tarefa de controlar a capital russa para as legislativas de 2011

O folhetim da câmara de Moscovo chegou ontem ao fim, com a aprovação pela assembleia municipal por quase unanimidade (32 votos a favor, dois contra) do nomeado pelo Kremlin, Serguei Sobianin, para suceder ao ex-presidente e governador da capital russa, Iuri Luzhkov, caído em desgraça por ter criticado o chefe de Estado, Dmitri Medvedev.

"Nos anos mais recentes foram perdidas muitas oportunidades. O ritmo de desenvolvimento desacelerou", avaliou o novo homem-forte da capital russa, sublinhando que "a corrupção e a burocracia ameaçam desvalorizar muito, se não mesmo todas, as vantagens competitivas de Moscovo". A cidade, com 10,5 milhões de habitantes, é um caso exemplar do paradigma russo de crescimento rápido aliado à corrupção galopante do período pós-soviético, alimentado pelo boom do petróleo.

Serguei Sobianin, de 52 anos, é um burocrata do aparelho de poder consolidado por Putin ao longo da última década. Oriundo da Sibéria, tornou-se num dos mais próximos conselheiros do ex-Presidente e agora chefe do Governo, mas fizera a maior parte da sua carreira bem longe de Moscovo, na remota região autónoma de Khanti-Mansik.

"É um funcionário do círculo mais próximo de Putin, não um homem político. E foi escolhido com um único objectivo: tornar Moscovo mais controlável e assegurar as futuras eleições", avaliava à agência noticiosa francesa AFP o sociólogo russo Lev Gudkov, do think tank Centro Levada, numa referência ao sufrágio legislativo na Rússia no próximo ano.

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Tem um passado soviético como operário qualificado numa fábrica de tubagens e canalizações e desempenhou funções ao longo de vários anos na Juventude Comunista e, depois, no Partido Comunista russo. Foi chamado em 2000 ao Kremlin e ascendeu à chefia do gabinete presidencial cinco anos mais tarde, substituindo então nesse cargo Medvedev, o qual por sua vez começou aí a ser preparado para suceder a Putin.

Sobianin é descrito como um homem muito racional, pragmático e determinado. "Até impiedoso", avançava o semanário de oposição anglófono New Times, quando o seu nome foi divulgado há uma semana como a escolha de Medvedev. "Não tem raízes petersburguesas [alusão a São Peterburgo, de onde são oriundos a maior parte dos homens de poder de Putin e Medvedev] e também parece não ter quaisquer ligações aos serviços secretos. Nesse aspecto Sobianin é uma excepção na equipa de Putin", ele mesmo um silovik, explicava ainda aquele jornal.

A chefia da câmara da capital russa, que acumula com as funções de governador da região de Moscovo, é um cargo de nomeação directa do Kremlin - desde a reforma do sistema político feita por Putin em 2004 -, depois sujeito a confirmação pela assembleia municipal: um caso único na Europa e com paralelo em Pequim, cujo presidente da câmara também não é eleito por voto directo. Em Moscovo, como na quase totalidade das regiões russas, o poder local está sob o domínio do Rússia Unida, partido liderado pelo primeiro-ministro.

Serguei Sobianin recebeu a tarefa de controlar a capital russa para as legislativas de 2011

O folhetim da câmara de Moscovo chegou ontem ao fim, com a aprovação pela assembleia municipal por quase unanimidade (32 votos a favor, dois contra) do nomeado pelo Kremlin, Serguei Sobianin, para suceder ao ex-presidente e governador da capital russa, Iuri Luzhkov, caído em desgraça por ter criticado o chefe de Estado, Dmitri Medvedev.

"Nos anos mais recentes foram perdidas muitas oportunidades. O ritmo de desenvolvimento desacelerou", avaliou o novo homem-forte da capital russa, sublinhando que "a corrupção e a burocracia ameaçam desvalorizar muito, se não mesmo todas, as vantagens competitivas de Moscovo". A cidade, com 10,5 milhões de habitantes, é um caso exemplar do paradigma russo de crescimento rápido aliado à corrupção galopante do período pós-soviético, alimentado pelo boom do petróleo.

Serguei Sobianin, de 52 anos, é um burocrata do aparelho de poder consolidado por Putin ao longo da última década. Oriundo da Sibéria, tornou-se num dos mais próximos conselheiros do ex-Presidente e agora chefe do Governo, mas fizera a maior parte da sua carreira bem longe de Moscovo, na remota região autónoma de Khanti-Mansik.

"É um funcionário do círculo mais próximo de Putin, não um homem político. E foi escolhido com um único objectivo: tornar Moscovo mais controlável e assegurar as futuras eleições", avaliava à agência noticiosa francesa AFP o sociólogo russo Lev Gudkov, do think tank Centro Levada, numa referência ao sufrágio legislativo na Rússia no próximo ano.

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Tem um passado soviético como operário qualificado numa fábrica de tubagens e canalizações e desempenhou funções ao longo de vários anos na Juventude Comunista e, depois, no Partido Comunista russo. Foi chamado em 2000 ao Kremlin e ascendeu à chefia do gabinete presidencial cinco anos mais tarde, substituindo então nesse cargo Medvedev, o qual por sua vez começou aí a ser preparado para suceder a Putin.

Sobianin é descrito como um homem muito racional, pragmático e determinado. "Até impiedoso", avançava o semanário de oposição anglófono New Times, quando o seu nome foi divulgado há uma semana como a escolha de Medvedev. "Não tem raízes petersburguesas [alusão a São Peterburgo, de onde são oriundos a maior parte dos homens de poder de Putin e Medvedev] e também parece não ter quaisquer ligações aos serviços secretos. Nesse aspecto Sobianin é uma excepção na equipa de Putin", ele mesmo um silovik, explicava ainda aquele jornal.

A chefia da câmara da capital russa, que acumula com as funções de governador da região de Moscovo, é um cargo de nomeação directa do Kremlin - desde a reforma do sistema político feita por Putin em 2004 -, depois sujeito a confirmação pela assembleia municipal: um caso único na Europa e com paralelo em Pequim, cujo presidente da câmara também não é eleito por voto directo. Em Moscovo, como na quase totalidade das regiões russas, o poder local está sob o domínio do Rússia Unida, partido liderado pelo primeiro-ministro.

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