Depois de um ano difícil, com os sinais de recuperação da economia ainda fracos (o PIB avançou 0,3 por cento no terceiro trimestre face ao anterior), e sendo o mercado de trabalho habitualmente o último a recuperar de um período de crise, as perspectivas para 2011 não são ainda optimistas.
De acordo com os últimos valores divulgados pelo INE, a taxa de desemprego em Portugal atingiu os 10,9 por cento no terceiro trimestre de 2010, agravando-se dos 9,8 por cento observados em igual período do ano passado.
Este valor retomou o ciclo de subidas da taxa de desemprego em Portugal iniciado há dois anos (no segundo trimestre 2008), com o mercado laboral a sofrer os efeitos da crise económica que se alastrou por toda a Europa.
O agravamento do desemprego tem sido o cenário mais provável traçado pelos economistas para o próximo ano, mas, se de um lado, há quem acredite no congelamento do mercado de trabalho, há também quem preveja uma subida da taxa de desemprego, embora a um ritmo menor.
O próprio Governo admite uma deterioração do mercado laboral, ao estimar que no conjunto de 2010 a taxa de desemprego se situe nos 10,6 por cento e em 2011 piore para os 10,8 por cento.
Em declarações à Lusa, o especialista em mercado de trabalho, Pedro Adão Silva, antecipou para 2011 um mercado de trabalho “congelado” em que o número de pessoas com protecção de desemprego deverá diminuir.
“O ritmo de destruição do emprego vai desacelerar e portanto não vamos ter um grande crescimento do desemprego, mas também não vamos ter nenhuma criação de emprego”, disse.
Questionado sobre as recentes medidas anunciadas pelo Governo para aumentar a competitividade do mercado de trabalho, Pedro Adão Silva disse que eram positivas em termos de adaptabilidade e “alguma manutenção dos postos de trabalho”, mas não prevêem a criação de emprego.
Paula Gonçalves, do departamento de estudos económicos do BPI, por sua vez, prevê para o conjunto de 2010 uma taxa de desemprego na ordem dos 10,8 por cento e para 2011 um agravamento para os 11,2 por cento.
“Nesta conjuntura, parece inevitável que o mercado de emprego continue a piorar” e que o número de desempregados apenas desça abaixo dos 600 mil em 2013, sublinhou a economista, admitindo no entanto que em 2012 a taxa de desemprego possa já “recuar ligeiramente” em Portugal.
Relativamente às medidas avançadas pelo Governo, Paula Gonçalves considera-as “favoráveis” para o mercado de trabalho a médio prazo.
Para a economista, medidas como a redução dos custos de despedimento aumentam a capacidade de atracção de investimento directo estrangeiro e contribuem para a queda do desemprego ainda que no curto prazo possam implicar agravamento.
Para o presidente da Associação das Empresas de Trabalho Temporário (APESPE), Marcelino Pena Costa, 2011 será “muito difícil” e “complicado”, não só pela aplicação das medidas inscritas no Orçamento de Estado, mas também pela incerteza sobre se as metas serão cumpridas e se haverá intervenção do FMI.
Para Marcelino Pena Costa, para contrariar esta tendência será necessária a adopção de medidas “de coragem”, que apoiem o trabalho temporário e a contratação a tempo parcial e combatam os falsos recibos verdes, diminuindo o peso do sector informal.
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Depois de um ano difícil, com os sinais de recuperação da economia ainda fracos (o PIB avançou 0,3 por cento no terceiro trimestre face ao anterior), e sendo o mercado de trabalho habitualmente o último a recuperar de um período de crise, as perspectivas para 2011 não são ainda optimistas.
De acordo com os últimos valores divulgados pelo INE, a taxa de desemprego em Portugal atingiu os 10,9 por cento no terceiro trimestre de 2010, agravando-se dos 9,8 por cento observados em igual período do ano passado.
Este valor retomou o ciclo de subidas da taxa de desemprego em Portugal iniciado há dois anos (no segundo trimestre 2008), com o mercado laboral a sofrer os efeitos da crise económica que se alastrou por toda a Europa.
O agravamento do desemprego tem sido o cenário mais provável traçado pelos economistas para o próximo ano, mas, se de um lado, há quem acredite no congelamento do mercado de trabalho, há também quem preveja uma subida da taxa de desemprego, embora a um ritmo menor.
O próprio Governo admite uma deterioração do mercado laboral, ao estimar que no conjunto de 2010 a taxa de desemprego se situe nos 10,6 por cento e em 2011 piore para os 10,8 por cento.
Em declarações à Lusa, o especialista em mercado de trabalho, Pedro Adão Silva, antecipou para 2011 um mercado de trabalho “congelado” em que o número de pessoas com protecção de desemprego deverá diminuir.
“O ritmo de destruição do emprego vai desacelerar e portanto não vamos ter um grande crescimento do desemprego, mas também não vamos ter nenhuma criação de emprego”, disse.
Questionado sobre as recentes medidas anunciadas pelo Governo para aumentar a competitividade do mercado de trabalho, Pedro Adão Silva disse que eram positivas em termos de adaptabilidade e “alguma manutenção dos postos de trabalho”, mas não prevêem a criação de emprego.
Paula Gonçalves, do departamento de estudos económicos do BPI, por sua vez, prevê para o conjunto de 2010 uma taxa de desemprego na ordem dos 10,8 por cento e para 2011 um agravamento para os 11,2 por cento.
“Nesta conjuntura, parece inevitável que o mercado de emprego continue a piorar” e que o número de desempregados apenas desça abaixo dos 600 mil em 2013, sublinhou a economista, admitindo no entanto que em 2012 a taxa de desemprego possa já “recuar ligeiramente” em Portugal.
Relativamente às medidas avançadas pelo Governo, Paula Gonçalves considera-as “favoráveis” para o mercado de trabalho a médio prazo.
Para a economista, medidas como a redução dos custos de despedimento aumentam a capacidade de atracção de investimento directo estrangeiro e contribuem para a queda do desemprego ainda que no curto prazo possam implicar agravamento.
Para o presidente da Associação das Empresas de Trabalho Temporário (APESPE), Marcelino Pena Costa, 2011 será “muito difícil” e “complicado”, não só pela aplicação das medidas inscritas no Orçamento de Estado, mas também pela incerteza sobre se as metas serão cumpridas e se haverá intervenção do FMI.
Para Marcelino Pena Costa, para contrariar esta tendência será necessária a adopção de medidas “de coragem”, que apoiem o trabalho temporário e a contratação a tempo parcial e combatam os falsos recibos verdes, diminuindo o peso do sector informal.