Mais pelo Minho: Silêncio

03-07-2011
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Fará sentido ter um bar a funcionar até altas horas da madrugada no rés-do-chão de um edifício habitacional quando não estão reunidas as devidas condições de isolamento acústico? E se for uma discoteca? A resposta, a ambas as questões, é apenas uma: não. Como explicar, então, o que se vê um pouco por todo o lado, inclusivamente em Paredes de Coura?Veja-se, por exemplo, a recente abertura da antiga discoteca Albergaria, que funciona principalmente aos fins-de-semana, encerrando perto das quatro horas da manhã. Faria sentido se estivéssemos a falar de um equipamento devidamente insonorizado, ou em alternativa afastado das habitações de modo a não incomodar quem procura dormir a horas decentes. Não é, contudo, o que se verifica.Que o digam, por exemplo, todos os que, de Dezembro a esta parte, têm dormido na única residencial da vila ao fim-de-semana. Bem…, dormido é como quem diz, porque só se consegue silêncio depois daquele estabelecimento de diversão encerrar. E quem paga? Paga quem lá tem de dormir por não ter outra opção. Paga o proprietário da residencial que, semana após semana, vê os clientes fugirem… do barulho.E aqui levanta-se a questão em torno da qual tudo gira: quem é que licenciou, ou eventualmente deixou por licenciar, o funcionamento duma discoteca naquelas condições? Pois… quem tem competência nessa matéria, a respectiva Câmara Municipal. A mesma Câmara Municipal que tem a seu cargo a fiscalização do ruído e autoriza a abertura de bares e similares até às 4 horas da manhã, em zonas residenciais e, em muitos casos, mesmo por debaixo de habitações. De que vale, depois, chamar a GNR para se queixar do barulho se o mesmo foi praticamente autorizado pela autarquia?É claro que o município pode sempre argumentar que recebeu a "batata quente" (da fiscalização) das mãos de um Governo que lhe deu essa competência e esqueceu-se de lhe dar os meios para o fazer. Pois, aí até terá razão. Inclusivamente, num caso verificado no passado, a autarquia chegou mesmo a dizer que teriam de ser os moradores a pedir uma medição do ruído, porque a Câmara não teria verba para tal. No caso da discoteca, contudo, nem isso serve de desculpa, até porque já terá sido feita essa medição a pedido da autarquia. Só que, três meses volvidos, ainda não são conhecidos os resultados. Ou seja, os números da medição continuam desconhecidos, a discoteca continua a funcionar…A finalizar, uma questão: será que o concelho ganha mais em ter uma discoteca aberta nos moldes em que esta se encontra, e acreditar que a mesma está licenciada, ou por outro lado, será que tem mais vantagens em manter em funcionamento a única residencial que se oferece a quem visita a vila?


Fará sentido ter um bar a funcionar até altas horas da madrugada no rés-do-chão de um edifício habitacional quando não estão reunidas as devidas condições de isolamento acústico? E se for uma discoteca? A resposta, a ambas as questões, é apenas uma: não. Como explicar, então, o que se vê um pouco por todo o lado, inclusivamente em Paredes de Coura?Veja-se, por exemplo, a recente abertura da antiga discoteca Albergaria, que funciona principalmente aos fins-de-semana, encerrando perto das quatro horas da manhã. Faria sentido se estivéssemos a falar de um equipamento devidamente insonorizado, ou em alternativa afastado das habitações de modo a não incomodar quem procura dormir a horas decentes. Não é, contudo, o que se verifica.Que o digam, por exemplo, todos os que, de Dezembro a esta parte, têm dormido na única residencial da vila ao fim-de-semana. Bem…, dormido é como quem diz, porque só se consegue silêncio depois daquele estabelecimento de diversão encerrar. E quem paga? Paga quem lá tem de dormir por não ter outra opção. Paga o proprietário da residencial que, semana após semana, vê os clientes fugirem… do barulho.E aqui levanta-se a questão em torno da qual tudo gira: quem é que licenciou, ou eventualmente deixou por licenciar, o funcionamento duma discoteca naquelas condições? Pois… quem tem competência nessa matéria, a respectiva Câmara Municipal. A mesma Câmara Municipal que tem a seu cargo a fiscalização do ruído e autoriza a abertura de bares e similares até às 4 horas da manhã, em zonas residenciais e, em muitos casos, mesmo por debaixo de habitações. De que vale, depois, chamar a GNR para se queixar do barulho se o mesmo foi praticamente autorizado pela autarquia?É claro que o município pode sempre argumentar que recebeu a "batata quente" (da fiscalização) das mãos de um Governo que lhe deu essa competência e esqueceu-se de lhe dar os meios para o fazer. Pois, aí até terá razão. Inclusivamente, num caso verificado no passado, a autarquia chegou mesmo a dizer que teriam de ser os moradores a pedir uma medição do ruído, porque a Câmara não teria verba para tal. No caso da discoteca, contudo, nem isso serve de desculpa, até porque já terá sido feita essa medição a pedido da autarquia. Só que, três meses volvidos, ainda não são conhecidos os resultados. Ou seja, os números da medição continuam desconhecidos, a discoteca continua a funcionar…A finalizar, uma questão: será que o concelho ganha mais em ter uma discoteca aberta nos moldes em que esta se encontra, e acreditar que a mesma está licenciada, ou por outro lado, será que tem mais vantagens em manter em funcionamento a única residencial que se oferece a quem visita a vila?

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