BRITEIROS: ...canices

10-11-2018
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O primeiro-ministro, José Sócrates, gastou ontem hora e meia a elogiar a "gestão competente e rigorosa do PS" e a explicar aos dirigentes socialistas que é preciso "compreensão e paciência" para lidar com as adversidades do momento. Críticas não houve, embora teoricamente pudesse ter havido. Mas os elogios sobraram.

Aliás, como bem explicou Vitalino Canas: "Quando se fazem balanços, certamente aquilo que se realça é o que fizemos bem. E como fizemos muitas coisas bem, não temos de perder tempo com aquilo que fizemos mal." Doce e cego engano: mesmo que tivessem feito muitas coisas bem, o que é duvidoso, até pelos resultados que se conhecem, podiam aplaudi-las em cinco minutos e ocupar o resto do tempo a perceber o que correra mal e porquê. Seria mais desconfortável, mas mais útil.

Porém, o PS que idolatra o Governo não perde tempo com desconfortos. Auto-elogia-se em privado e reúne-se sábado em comício numa sala pequenina, não vá sofrer apupos.

Os eleitores, mesmo os socialistas, são mal agradecidos. E, pior do que isso, são muitos.

[Nuno Pacheco, Jornal Público, 13.03.2008]

O primeiro-ministro, José Sócrates, gastou ontem hora e meia a elogiar a "gestão competente e rigorosa do PS" e a explicar aos dirigentes socialistas que é preciso "compreensão e paciência" para lidar com as adversidades do momento. Críticas não houve, embora teoricamente pudesse ter havido. Mas os elogios sobraram.

Aliás, como bem explicou Vitalino Canas: "Quando se fazem balanços, certamente aquilo que se realça é o que fizemos bem. E como fizemos muitas coisas bem, não temos de perder tempo com aquilo que fizemos mal." Doce e cego engano: mesmo que tivessem feito muitas coisas bem, o que é duvidoso, até pelos resultados que se conhecem, podiam aplaudi-las em cinco minutos e ocupar o resto do tempo a perceber o que correra mal e porquê. Seria mais desconfortável, mas mais útil.

Porém, o PS que idolatra o Governo não perde tempo com desconfortos. Auto-elogia-se em privado e reúne-se sábado em comício numa sala pequenina, não vá sofrer apupos.

Os eleitores, mesmo os socialistas, são mal agradecidos. E, pior do que isso, são muitos.

[Nuno Pacheco, Jornal Público, 13.03.2008]

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