A sorte de Costa foi não ter Susana pela frente

05-07-2016
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O PSOE teve um resultado miserável nas eleições espanholas – muito abaixo do PS português que também foi uma enorme desilusão eleitoral ao ficar atrás da coligação que governou o país nos últimos 4 anos. Mas a sorte de António Costa – além da inteligência com que conseguiu o que ninguém nunca tinha conseguido – foi não ter no PS alguém como Susana Díaz.

Se isso acontecesse, não haveria governo de esquerda – o destino de Sánchez está traçado e a reunião dos barões do PSOE marcada para hoje tem todos os ingredientes para correr muito mal. A ideia de Sánchez de arranjar uma “solução à portuguesa” pode ficar pelo caminho.

Mas quem é Susana Díaz? É uma mulher com poder efectivo, presidente da Andaluzia, que se opõe à estratégia de Sánchez. Em Portugal, ninguém com poder efectivo se opôs à estratégia de Costa. Assis, o diletante profissional, ainda ameaçou uma “corrente alternativa” mas, cumprindo um destino muito seu, desapareceu sem deixar rasto quando percebeu que não tinha tropas. O “jantar dos leitões” parecia um jantar

de viúvos solitários.

António Galamba, um dos homens-fortes de António José Seguro, foi abandonado pelos outros críticos quando chegou a hora da Comissão Política dar o mandato a António Costa para começar a negociar com o Bloco e o PCP. Ficou sozinho a votar contra. O resto dos críticos (também são poucos) desertou. Álvaro Beleza afirmou numa manhã que era candidato à sucessão de Costa, de tarde que só seria se ninguém melhor aparecesse e à noite esqueceu-se do que tinha dito antes. Dias depois já apelava à “unidade do PS”.

O que sobra dos críticos de António Costa no PS são meia-dúzia de membros do “grupo excursionista os Amigos de Francisco” e, aliás, uma grande parte dos participantes no jantar dos leitões já foi conquistada. Entre a diletância de Assis e os restos pouco credíveis da oposição interna, Costa está à vontade. Sánchez tem Susana pela frente, Costa acabou por ter, afinal, uma passadeira vermelha.

ana.lopes@ionline.pt

O PSOE teve um resultado miserável nas eleições espanholas – muito abaixo do PS português que também foi uma enorme desilusão eleitoral ao ficar atrás da coligação que governou o país nos últimos 4 anos. Mas a sorte de António Costa – além da inteligência com que conseguiu o que ninguém nunca tinha conseguido – foi não ter no PS alguém como Susana Díaz.

Se isso acontecesse, não haveria governo de esquerda – o destino de Sánchez está traçado e a reunião dos barões do PSOE marcada para hoje tem todos os ingredientes para correr muito mal. A ideia de Sánchez de arranjar uma “solução à portuguesa” pode ficar pelo caminho.

Mas quem é Susana Díaz? É uma mulher com poder efectivo, presidente da Andaluzia, que se opõe à estratégia de Sánchez. Em Portugal, ninguém com poder efectivo se opôs à estratégia de Costa. Assis, o diletante profissional, ainda ameaçou uma “corrente alternativa” mas, cumprindo um destino muito seu, desapareceu sem deixar rasto quando percebeu que não tinha tropas. O “jantar dos leitões” parecia um jantar

de viúvos solitários.

António Galamba, um dos homens-fortes de António José Seguro, foi abandonado pelos outros críticos quando chegou a hora da Comissão Política dar o mandato a António Costa para começar a negociar com o Bloco e o PCP. Ficou sozinho a votar contra. O resto dos críticos (também são poucos) desertou. Álvaro Beleza afirmou numa manhã que era candidato à sucessão de Costa, de tarde que só seria se ninguém melhor aparecesse e à noite esqueceu-se do que tinha dito antes. Dias depois já apelava à “unidade do PS”.

O que sobra dos críticos de António Costa no PS são meia-dúzia de membros do “grupo excursionista os Amigos de Francisco” e, aliás, uma grande parte dos participantes no jantar dos leitões já foi conquistada. Entre a diletância de Assis e os restos pouco credíveis da oposição interna, Costa está à vontade. Sánchez tem Susana pela frente, Costa acabou por ter, afinal, uma passadeira vermelha.

ana.lopes@ionline.pt

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