O mecanismo à portuguesa

11-05-2018
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Mais dois ministros dos Governos de José Sócrates estão envolvidos noutro caso judicial. Quem se lembra do caso das PPP rodoviárias? Bem, segundo a revista “Sábado”, a investigação está prestes a terminar e dela fazem parte escutas e informações recolhidas em buscas às casas e escritórios de Mário Lino (ministro das Obras Públicas entre 2005 e 2009), António Mendonça (seu sucessor entre 2009 e 2011) e Paulo Campos (secretário de Estado das Obras Públicas do XVII Governo Constitucional).

Na edição que hoje chegou às bancas, a “Sábado” noticia que dentro das próximas semanas serão constituídos vários arguidos por corrupção e gestão danosa, tráfico de influências e branqueamento de capitais. O caso é investigado há sete anos. Além desta investigação do Ministério Público, em maio de 2012 tinha sido constituída uma comissão parlamentar de inquérito “à contratualização, renegociação e gestão de todas as PPP do sector rodoviário e ferroviário”, segundo noticiou a Lusa na altura. Essa comissão resultava de iniciativas do PSD/CDS e do BE. Em setembro desse mesmo ano, era noticiado que também tinham sido feitas buscas na casa de uma vogal do conselho de administração das Estradas de Portugal e ex-adjunta de António Mendonça.

Em causa estarão a construção e concessão de 11 auto-estradas entre as quais as dos Alto Douro, Trás-os-Montes, Litoral Oeste e Baixo Alentejo e ainda o processo de portagens das SCUTs (sem custos para o utilizador) da Grande Lisboa assinados em 2009 e 2011. A notícia sobre esta investigação da “Sábado” foi ontem à noite divulgada pela SIC. Ao inquérito judicial foi junto um relatório do Tribunal de Contas que demonstrava a impossibilidade daqueles contratos respeitarem o interesse público e a CREDIP, uma comissão pública formada para acompanhar aqueles processos, garantia que a Estradas de Portugal não tinha capacidade para assumir os encargos das PPP ao longo de 30 anos. Uma carta de conforto de José Sócrates assumiu que o Estado português ajudaria a Estradas de Portugal a pagar. Em breve existirão arguidos, ainda que a investigação hoje divulgada não revele quais.

Vale a pena lembrar que nos últimos dias vários dirigentes do PS se descolaram do processo em que está envolvido o ex-primeiro-ministro, como foi o caso do líder da bancada parlamentar Carlos César e do presidente da Câmara de Lisboa Fernando Medina, de Jorge Seguro Sanches, secretário de Estado da Energia, Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta e do deputado João Galamba e que culminaram na desfiliação do PS de José Sócrates que quis colocar um ponto final num “embaraço mútuo”. Também o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, se revelou “não só embaraçado como traído”, em declarações à revista “Visão”, caso se provem os comportamentos criminosos.

O timing escolhido para esta decisão, quando nenhum dado novo foi acrescentado, era misterioso ainda que Carlos César tenha admitido que com o caso de Manuel Pinho se “adensou o nível de intolerância”. Com a notícia de hoje, a intolerância voltou a “adensar-se”.

Também o “misterioso” discurso do Presidente da República nas celebrações do 25 de Abril parece ganhar uma nova luz com estas revelações. No Parlamento, Marcelo Rebelo de Sousa alertou para uma realidade – que a “a corrupção se tenha entranhado” - sem que “a classe política tenha interesse em a travar”. Naquele mesmo dia, o primeiro-ministro António Costa disse, ao comentar o discurso do Presidente, que “nem sempre é possível interpretar os discursos modernos”.

Neste Expresso Curto vale ainda antecipar a seção O QUE ANDO A VER. A série “O Mecanismo”, realizada por José Padilha (“Tropa de Elite”, “Narcos”, “Autocarro 174”), em que o caso Lava Jato é tratado como uma doença endémica do Brasil. Esqueça as fantasias de “A Casa de Papel”.

O som não é excelente mas as legendas em português podem ajudar a perceber o que se passa entre governantes e um consórcio de construtores civis que manietaram todo um país. A cena que eventualmente é mais relevante sucede não com Lula, Dilma, dirigentes partidários (de qualquer cor) ou mesmo com os poderosos construtores civis do Brasil. Acontece quando o polícia-herói pretende contratar alguém para consertar um cano de esgoto e percebe que a corrupção alastrou a todas as classes sociais levando consigo a separação entre o poder político e o poder judicial.

Ontem, Manuela Moura Guedes, na SIC Notícias, voltou para triunfar. Falou das investigações a José Sócrates em que se envolveu enquanto jornalista – sendo por isso afastada - e de outras como o caso dos submarinos e dos sobreiros. E acusou Pinto Monteiro, o PGR que teve à sua responsabilidade o arquivamento de vários casos em que José Sócrates esteve envolvido. Para avisar: “tenho medo que queiram pôr os patins a Joana Marques Vidal”.

Mais dois ministros dos Governos de José Sócrates estão envolvidos noutro caso judicial. Quem se lembra do caso das PPP rodoviárias? Bem, segundo a revista “Sábado”, a investigação está prestes a terminar e dela fazem parte escutas e informações recolhidas em buscas às casas e escritórios de Mário Lino (ministro das Obras Públicas entre 2005 e 2009), António Mendonça (seu sucessor entre 2009 e 2011) e Paulo Campos (secretário de Estado das Obras Públicas do XVII Governo Constitucional).

Na edição que hoje chegou às bancas, a “Sábado” noticia que dentro das próximas semanas serão constituídos vários arguidos por corrupção e gestão danosa, tráfico de influências e branqueamento de capitais. O caso é investigado há sete anos. Além desta investigação do Ministério Público, em maio de 2012 tinha sido constituída uma comissão parlamentar de inquérito “à contratualização, renegociação e gestão de todas as PPP do sector rodoviário e ferroviário”, segundo noticiou a Lusa na altura. Essa comissão resultava de iniciativas do PSD/CDS e do BE. Em setembro desse mesmo ano, era noticiado que também tinham sido feitas buscas na casa de uma vogal do conselho de administração das Estradas de Portugal e ex-adjunta de António Mendonça.

Em causa estarão a construção e concessão de 11 auto-estradas entre as quais as dos Alto Douro, Trás-os-Montes, Litoral Oeste e Baixo Alentejo e ainda o processo de portagens das SCUTs (sem custos para o utilizador) da Grande Lisboa assinados em 2009 e 2011. A notícia sobre esta investigação da “Sábado” foi ontem à noite divulgada pela SIC. Ao inquérito judicial foi junto um relatório do Tribunal de Contas que demonstrava a impossibilidade daqueles contratos respeitarem o interesse público e a CREDIP, uma comissão pública formada para acompanhar aqueles processos, garantia que a Estradas de Portugal não tinha capacidade para assumir os encargos das PPP ao longo de 30 anos. Uma carta de conforto de José Sócrates assumiu que o Estado português ajudaria a Estradas de Portugal a pagar. Em breve existirão arguidos, ainda que a investigação hoje divulgada não revele quais.

Vale a pena lembrar que nos últimos dias vários dirigentes do PS se descolaram do processo em que está envolvido o ex-primeiro-ministro, como foi o caso do líder da bancada parlamentar Carlos César e do presidente da Câmara de Lisboa Fernando Medina, de Jorge Seguro Sanches, secretário de Estado da Energia, Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta e do deputado João Galamba e que culminaram na desfiliação do PS de José Sócrates que quis colocar um ponto final num “embaraço mútuo”. Também o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, se revelou “não só embaraçado como traído”, em declarações à revista “Visão”, caso se provem os comportamentos criminosos.

O timing escolhido para esta decisão, quando nenhum dado novo foi acrescentado, era misterioso ainda que Carlos César tenha admitido que com o caso de Manuel Pinho se “adensou o nível de intolerância”. Com a notícia de hoje, a intolerância voltou a “adensar-se”.

Também o “misterioso” discurso do Presidente da República nas celebrações do 25 de Abril parece ganhar uma nova luz com estas revelações. No Parlamento, Marcelo Rebelo de Sousa alertou para uma realidade – que a “a corrupção se tenha entranhado” - sem que “a classe política tenha interesse em a travar”. Naquele mesmo dia, o primeiro-ministro António Costa disse, ao comentar o discurso do Presidente, que “nem sempre é possível interpretar os discursos modernos”.

Neste Expresso Curto vale ainda antecipar a seção O QUE ANDO A VER. A série “O Mecanismo”, realizada por José Padilha (“Tropa de Elite”, “Narcos”, “Autocarro 174”), em que o caso Lava Jato é tratado como uma doença endémica do Brasil. Esqueça as fantasias de “A Casa de Papel”.

O som não é excelente mas as legendas em português podem ajudar a perceber o que se passa entre governantes e um consórcio de construtores civis que manietaram todo um país. A cena que eventualmente é mais relevante sucede não com Lula, Dilma, dirigentes partidários (de qualquer cor) ou mesmo com os poderosos construtores civis do Brasil. Acontece quando o polícia-herói pretende contratar alguém para consertar um cano de esgoto e percebe que a corrupção alastrou a todas as classes sociais levando consigo a separação entre o poder político e o poder judicial.

Ontem, Manuela Moura Guedes, na SIC Notícias, voltou para triunfar. Falou das investigações a José Sócrates em que se envolveu enquanto jornalista – sendo por isso afastada - e de outras como o caso dos submarinos e dos sobreiros. E acusou Pinto Monteiro, o PGR que teve à sua responsabilidade o arquivamento de vários casos em que José Sócrates esteve envolvido. Para avisar: “tenho medo que queiram pôr os patins a Joana Marques Vidal”.

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