322 personalidades assinam carta aberta que reclama 1% do Orçamento do Estado para a Cultura

20-01-2017
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Um grupo de personalidades (artistas, atores, músicos, realizadores, técnicos ou professores) ligadas à cultura em Portugal entregou esta terça-feira uma carta aberta com o título “1% salva mil cornucópias” a diferentes órgãos de soberania. Nessa carta, defendem a respectiva percentagem do Orçamento do Estado para a Cultura. Pode ler-se no primeiro parágrafo: “Desta vez foi anunciado o fim do Teatro da Cornucópia. Naturalmente, não somos indiferentes a esta decisão e notícia, mas também não ficamos surpreendidos. (…) Quem seguiu o trajecto de desinvestimento público na criação artística sabia bem que os actos resultariam em empobrecedoras consequências, o encerramento da Cornucópia é uma das mais visíveis.” E a afirmação concreta está no mesmo texto: “Então, este apelo é simples: Não há tempo a perder. 1% do Orçamento do Estado salva mil cornucópias. Lutemos por isto. Exijamos este compromisso.”

Ao todo são 322 subscritores que procuram “condições decentes para todas as áreas artísticas”. O dia em que entregam esta carta é a véspera da entrega, à Direção Geral das Artes, dos Planos de Atividades para a extensão dos contratos de apoio às artes. O ator André Albuquerque, presidente do sindicato CENA – estrutura que reúne músicos e trabalhadores do espetáculo e audiovisuais – e um dos mobilizadores da declaração, garante que “o desinvestimento na cultura não é novidade, mas não desistir não é opção”.

Albuquerque confessa que não ficou surpreendido com o fecho da Cornucópia. “Esta iniciativa nasce do episódio do fecho da Cornucópia, principalmente, e como dizemos no comunicado, surge também no seguimento das várias opiniões, quer oficiais quer de trabalhadores das artes cénicas. Achámos que era preciso marcar esta posição, não é nova, mas torna-se cada vez mais evidente que todos querem liberdade na criação artística, esse consenso levou-nos a fazer isto”.

A conclusão do artista e dirigente sindical é esta: se até já a Cornucópia fecha “há algo que não está a ser bem feito”, afirma. E a posição de André Albuquerque, enquanto presidente do CENA, nem sempre é fácil de gerir.

O meu dia-a-dia é ouvir história de trabalhadores que ficaram sem trabalho, estruturas que tiveram que desaparecer, pessoas que emigram. É também para essas que fazemos esta iniciativa, as outras pessoas que participaram pertencem a organizações diferentes que tentam ter uma participação pública nesta área, é algo que nos preocupa”.

Albuquerque sublinha: “O Luís Miguel Cintra disse que eles não conseguem sobreviver com a imposição de um modelo de gestão. O que defendemos é que essa liberdade tem que existir também na estética, há coisas que podem ser feitas com menos dinheiro, não é tanto isso, é a organização e o modelo de gestão. Para se ter um projeto com longevidade é preciso ceder-se a um género de fazer as coisas… e isso não devia acontecer, há um afunilamento do estilo.”

Sobre as expectativas que esta carta aberta pode gerar: “Com esta lista de subscritores, que tem várias pessoas que têm lutado para melhorar a criação artística em Portugal, esperamos que isto possa ter repercussões, como o fim da Cornucópia também vai gerando. Não negamos fazer mais iniciativas depois desta carta”, conclui.

[Leia a carta na íntegra e a lista de subscritores:]

1% salva mil cornucópias

carta aberta

“Desta vez foi anunciado o fim do Teatro da Cornucópia. Naturalmente, não somos indiferentes a esta decisão e notícia, mas também não ficamos surpreendidos. É cada vez mais frequente vermos estruturas e projectos a encerrar ou a prosseguir à custa da descaracterização profunda do seu projecto artístico. Quem seguiu o trajecto de desinvestimento público na criação artística sabia bem que os actos resultariam em empobrecedoras consequências, o encerramento da Cornucópia é uma das mais visíveis.

Entre muitas declarações públicas, ouvimos o Presidente da República, debaixo dos focos da comunicação social, indagar o Ministro da Cultura sobre possíveis soluções para um caso concreto. Preferíamos que o Presidente da República se tivesse indagado publicamente sobre como foi possível, décadas a fio, sucessivos governos desrespeitarem a Constituição e terem activamente contribuído para o definhamento do tecido social da criação artística em Portugal. O esvaziamento contínuo da criação artística conduz a um consequente empobrecimento da sociedade e da sua capacidade de expressão. Contrariar este esvaziamento é garantir-lhe a liberdade a que tem direito.

É preciso manter abertas todas as portas de projectos e estruturas que trabalham por esse país fora e deixar abrir todas as outras que se fecharam ou estão por abrir. Em todo os lugares, em todas as áreas artísticas, os mais diferenciados projectos de criação independente caminham num fino e frágil arame que ao menor deslize se romperá com a garantia certa da irreversibilidade dessa ruptura. São muitos os programas que ficam por cumprir, os espectáculos que têm ficado por fazer, os filmes que não são produzidos, os projectos que não chegam a realizar-se. São muitos os trabalhadores e trabalhadoras que têm ficado sem trabalho, que têm emigrado, que têm desistido de fazer aquilo que sabem fazer. São milhões aqueles que ficam impossibilitados de ver, ouvir, experimentar e sentir de outro modo.

Quando um cada vez maior consenso insiste na necessidade de reforço substancial do financiamento da actividade artística, não o faz por mero capricho. Fá-lo porque sabe que essa é a única forma de garantir que a criação e fruição culturais, tal como o exige a letra da Constituição, são acessíveis a todas as pessoas neste país, independentemente da sua condição social, vivendo nos centros urbanos ou na mais recôndita aldeia, interessadas ou envolvidas nas mais diversas formas de expressão. E é por isso que as estruturas de criação são financiadas: para cumprirem a prestação de um serviço público de qualidade e para que a criação artística seja diversificada e não fique refém da sua mercantilização.

E por mais que haja quem diga que muito há a fazer para lá dos números – e há -, enquanto a questão primordial do financiamento não for resolvida, teremos sempre esse muro imenso a separar-nos da possibilidade de levar a cabo tranquilas e detalhadas análises de fundo que possam lançar as bases para decisões sustentadas e informadas sobre o serviço público de cultura que gostaríamos de ter.

O que nos une não são consensos sobre formas de gestão, muito menos sobre escolhas estéticas. Une-nos sim a complexa mas indispensável garantia da democraticidade e da diversidade cultural e artística. Une-nos a necessidade de manter abertas as portas das estruturas de criação existentes e de criar as condições para o aparecimento de outras portas. Porque são abomináveis os fins prematuros a que temos assistido e a que poderemos continuar a assistir, em que tanta e tanta gente não chega sequer a descobrir o tanto que tinha ainda por dizer.

O apelo que fazemos não é apenas dirigido aos diferentes órgãos de soberania e às entidades públicas que diariamente fazem o Estado funcionar. O apelo que fazemos é dirigido a todas as pessoas que ao lerem esta carta aberta se recusem a aceitar o fim prematuro de tantos projectos artísticos, para que exijam a possibilidade de ver nascer, crescer e consolidar todos os projectos que a arte deste país lhes puder oferecer. Que se recusem a aceitar que a precariedade, os baixos salários, o trabalho não-remunerado e a negação de tantos direitos laborais sejam a forma de sustentar a actividade artística. Que se recusem a aceitar que o país continue a querer desenvolver-se sem respeitar um dos vectores mais decisivos para a sua democratização, a Cultura.

Então, este apelo é simples:

Não há tempo a perder. 1% do Orçamento do Estado salva mil cornucópias. Lutemos por isto. Exijamos este compromisso.”

subscrevem

Alexandra Diogo – actriz

Alexandra Lázaro – psicóloga clínica

Alexandra Lourenço – arquivista

Alexandre Alves – assistente de realização

Alex Cortez – músico

Alfredo Brito – actor e locutor

Alípio Padilha – fotógrafo de cena

Amarílis Felizes – economista

Ana Alves Miguel – funcionária da administração local

Ana Araújo – professora

Ana Brandão – actriz

Ana Caetano – bailarina

Ana Cláudia Serrão – músico

Ana Figueira – directora artística

Ana Filipa Martins – bióloga

Ana Jacobetty – pianista

Ana Lázaro – actriz, dramaturga e encenadora

Ana Nicolau – realizadora

Ana Moura – fadista

Ana Mourato – encenadora e actriz

Ana Paula Santos – professora

Ana Pereira – produtora teatral

André Albuquerque – actor

André Levy – biólogo e actor

André Vazão – estudante

Andreia Bento – actriz

Andreia Salavessa – arquitecta

Ângela Cerveira – técnica de cinema

António Amaro das Neves – historiador

António Durães – actor

António Sousa Dias – compositor e professor

Armando Possante – cantor e professor

Áurea Duarte Ferreira – professora

Beatriz Maia – estudante de teatro

Beatriz Peixoto – estudante

Bruno Raposo Ferreira – psicólogo clínico e investigador

Bruno Schiappa – actor e encenador

Camila Reis – ilustradora

Carla Bolito – actriz

Carla Veloso – actriz

Carlos de Andrade – economista

Carlos Borges – actor

Carlos Costa – dramaturgo, encenador e actor

Carlos Seixas – produtor musical

Carlos Vidal – professor universitário e crítico de arte

Catarina Molder – cantora lírica, gestora cultural, apresentadora

Catarina Moura – cantora

Catarina Mourão – realizadora

Catarina Rôlo Salgueiro – actriz

Cátia Barros – cenógrafa e figurinista

Cátia Pinheiro – encenadora

Célia Machado – produtora executiva

Célia Williams – actriz

Cláudia Dias – coreógrafa

Cláudia Lucas Chéu – dramaturga e encenadora

Cláudia Marisa Oliveira – docente

Cláudia Silvano – produtora

Cristina Maria Figueiredo – professora

Cristina Planas Leitão – coreógrafa

Cristina Santos – professora de dança e gestora cultural

Cucha Carvalheiro – actriz

Custódia Gallego – actriz

Daniel Lima – músico

Daniel Moreira – artista plástico

Daniel Sousa – músico e professor

Deolindo Leal Pessoa – médico

Diana Costa e Silva – actriz

Dörte Schneider – assistente de realização

Edna Geovetty – estudante

Eduardo Carvalho Pacheco – produtor

Eduardo Ribeiro – actor

Eliana Veríssimo – professora e pianista

Elsa Figueiredo – bibliotecária reformada

Elsa Valentim – actriz

Emanuel Arada – actor

Fátima Leal – assistente social

Fátima Rolo Duarte – designer

Fernanda Lapa – actriz e encenadora

Fernando Jorge – actor

Filipa Malva – cénografa e figurinista

Filipa Prates Coelho – produtora

Filipa Vala – bolseira de pós-doutoramento em divulgação e comunicação de ciência

Filipe Melo – músico

Francisco Rebelo – músico

Gil Cabugueira – direcção de produção

Graeme Pulleyn – encenador

Hugo C. Franco – técnico de luz e criador multimédia

Hugo Lemonnier – estudante

Idália Tiago – socióloga

Igor Gandra – director artístico e encenador

Inês Barbedo Maia – produtora de teatro

Inês Lago – actriz e encenadora

Inês Meira – estudante

Inês Gomes – estudante

Inês Gregório – produtora

Íris Reis – assistente de realização

Issac Achega – músico

Isabel Anastácio – reformada

Isabel Casimiro – professora reformada

Isabel Craveiro – actriz e encenadora

Isabel Medina – actriz e encenadora

Isabel Lebre – assistente de realização

Isabel Pereira – secretária

Isilda Sanches – locutora de rádio

Ivo Costa – músico

JP Simões – músico

Joana Almeida – actriz

Joana Brandão – actriz e encenadora

Joana Dourado – bolseira e cantora

Joana Gomes – cenógrafa

Joana Gusmão – produtora

Joana Lourenço Cardoso – directora de arte

Joana Manuel – actriz

Joana von Mayer Trindade – coreógrafa, bailarina e professora

Joana Providência – coréografa

João Barreiros – técnico de luz

João Cabrita – músico

João Castro – actor

João Gesta – programador cultural

João Hasselberg – músico

João de Mello Alvim – encenador

João Monge – autor

João Nuno Martins – produtor

João Paulo Janicas – professor

João Pedro Rodrigues – realizador

João Sotero – escultor

João Sousa – músico

John Havelda – professor universitário

Jonathan de Azevedo – designer de luz

Jorge Cadima – professor universitário

Jorge Ferreira da Costa – assistente de realização

Jorge Louraço Figueira – dramaturgo

Jorge Palinhos – docente

Jorge Silva – actor

José Arruda – antropólogo

José Carlos Faria – cenógrafo

José Carlos Nelas – enfermeiro

José Castela – professor

José Gusmão – economista

José Laginha – bailarino e director artístico

José Leite – actor

José Luís Ferreira – produtor e programador

José Luís Lopes – assistente de realização

José Nunes – encenador

José Peixoto – actor e encenador

José Russo – actor e encenador

Kimi Djabate – músico

Lara Li – cantora

Lígia Roque – actriz e encenadora

Lígia Soares – coreógrafa e actriz

Loubet Simões – técnico de conservação e restauro

Luciana Fina – realizadora

Luísa Ortigoso – actriz

Luís Castro – encenador e investigador

Luís Gaspar – actor

Luís Lopes – músico

Luís Pacheco Cunha – músico

Luís Pedro Madeira – músico

Luís Possolo – poeta

Mafalda Simões – directora de produção e comunicação

Manuel Loff – historiador

Manuel Mendonça – actor

Manuel Rocha – músico e professor

Manuela Pires – jurista

Márcia Lima – actriz

Margarida Madeira – animadora e ilustradora

Margarida Pinheiro – professora e cantora

Margarida Rita – produtora teatral

Margarida Sousa – actriz

Marlene Duarte – podologista

Maria Alice Samara – historiadora

Maria Anadon – cantora

Maria Gusmão – técnia superior da admin. pública

Maria Helena Alves – empregada sindical reformada

Maria João Fura – músico e cantora

Maria João Garcia – produtora

Maria João Luís – actriz e encenadora

Maria João Simões – directora técnica e de cena

Maria de Lurdes Nobre – produtora cultural

Maria Manuel Ferreira de Almeida – técnica superior FLUC

Maria do Mar – músico

Maria Sequeira Mendes – professora de teoria do teatro

Mariana Magalhães – actriz

Mário Afonso – bailarino e coreógrafo

Marlene Cavaco – conservadora restauradora

Marta Bernardes – artista plástica e de cena

Marta Carreiras – cenógrafa e figurinista

Marta Manuel – professora e músico

Marta Pinho Alves – professora do ensino superior politécnico

Marta Silva – bailarina

Matamba Joaquim – actor

Miguel Bonneville – artista

Miguel Gonçalves Mender – realizador

Miguel Moreira – artista

Miguel Oliveira (MOLÉCULA) – rapper

Miguel Pires Ramos – director de programas tv

Mónica Calle – actriz e encenadora

Mónica Garnel – actriz

Mónica Talina – actriz e produtora cultural

Nádia Monteiro – assessora de imprensa

Nélson Duarte (Sr. Alfaiate/DJ Nelassassin) – dj hip hop

Nuno Almeida – assistente administrativo da CML

Nuno Góis – actor

Nuno Grácio – músico

Nuno Machado – actor

Nuno Pinto Custódio – encenador

Nuno Vieira de Almeida – músico

Octávio Gameiro – professor, autor e tradutor

Ofélia Libório – educadora de infância

Olga Roriz – coreógrafa

Orlando Santos – músico

Patrícia Calais Garcia – técnica superior da Seg.Social

Patrícia Santos Pedrosa – arquitecta e investigadora

Paolo Marinou-Blanco – realizador e argumentista

Paula Almeida Silva – assistente de produção

Paulo Capelo Cardoso – artista plástico e cenógrafo

Paulo Montez – produtor

Paulo Moura Lopes – actor

Paulo Raposo – antropólogo e docente universitário

Pedro Barbosa – produtor

Pedro Estorninho – encenador

Pedro Gil – actor

Pedro Jordão – arquitecto

Pedro Lamas – actor e professor de teatro

Pedro Madaleno – músico

Pedro Madeira – assistente de realização

Pedro Penilo – artista plástico

Pedro Pernas – actor

Pedro Pestana – músico

Pedro Pousada – artistas plástico e professor universitário

Pedro Rodrigues – produtor teatral

Pedro Sabino – argumentista

Pedro Sousa Loureiro – actor, encenador e artista plástico

Pedro Vieira – guionista

Rafaela Lacerda – bióloga e encenadora

Raquel Bulha – locutora de rádio e tv

Raquel Castro – actriz

Raquel Castro – investigadora

Renata Sancho – realizadora

Renato Azul – músico e videógrafo

Ricardo Alves – encenador

Ricardo Correia – encenador

Ricardo Neves-Neves – encenador e actor

Ricardo Pinto – músico

Ricardo Vaz Trindade – actor

Rita Cruz – actriz

Rita Maia – dj

Rita Namorado – pianista e professora

Rita Natálio – performer, escritora e investigadora

Rita Santos – produtora

Rita Saraiva Grade – bailarina

Rita Simões – professora

Rodrigo Malvar – actor e artista sonoro

Rogério Nuno Costa – artista

Romeu Costa – actor e encenador

Romeu Runa – bailarino

Rui Alves – músico

Rui Ferreira – criativo

Rui Francisco – arquitecto e cenógrafo

Rui Galveias – músico e artista plástico

Rui Guerra – músico

Rui Júnior – músico

Rui Monteiro – desenhador de luz

Rui Pité (RIOT) – músico

Rui Valente – director técnico

Sandra Cristina Rodrigues – bancária

Sara Barbosa – encenadora e actriz

Sara Carinhas – actriz e encenadora

Sara Gonçalves – actriz e encenadora

Sara Trindade – assistente social

Sara Vaz – bailarina e actriz

Saúl Falcão – professor e músico

Sebastião Faro – publicitário

Sérgio Alves – designer

Sérgio Dias Branco – professor universitário

Sérgio Godinho – músico e escritor

Sérgio Machado Letria – gestor cultural

Sílvia Filipe – actriz

Sónia Arantes – produtora

Sofia Oliveira – directora de produção

Sofia de Portugal – actriz

Sofia Reis – produtora executiva

Susana Bilou Russo – antropóloga

Susana Fonseca – decoração

Susana Moody – músico

Susana de Sousa Dias – realizadora

Tadeu Faustino – actor

Tânia Alves – actriz

Tânia Guerreiro – actriz

Tânia Guerreiro – gestora cultural

Teresa Almeida – administrativa

Teresa Carvalho – artista plástica

Teresa Coutinho – actriz

Teresa Faria – actriz e encenadora

Teresa Lopes – professora

Teresa Miguel – directora de produção

Teresa Sobral – actriz

Thomas Walgrave – director artístico

Tiago Baptista – conservador de cinema

Tiago de Lemos Peixoto – dramaturgo

Tiago Mota Saraiva – arquitecto

Tiago Santos – músico

Tiago Silva – montador de som

Tomás Pimentel – músico

Tó Trips – músico

Vanda Cerejo – actriz

Vânia Couto – cantora, coordenadora de projectos e professora

Vânia Rovisco – coreógrafa e performer

Vasco Araújo – artista plástico

Vasco Nogueira – médico

Vasco Paiva – engenheiro florestal

Vasco Peres – maquinista de cena

Vasco Pimentel – director de som

Vera Marques – produtora

Vera Moura – estudante

Vera Silva – perchista

Vicente Alves do Ó – realizador

Vítor d’Andrade – actor

Vítor da Glória Silva – bancário reformado

Victor Pinto Ângelo – assistente de produção

Zézé Gamboa – realizador

Zillah Branco – socióloga

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Um grupo de personalidades (artistas, atores, músicos, realizadores, técnicos ou professores) ligadas à cultura em Portugal entregou esta terça-feira uma carta aberta com o título “1% salva mil cornucópias” a diferentes órgãos de soberania. Nessa carta, defendem a respectiva percentagem do Orçamento do Estado para a Cultura. Pode ler-se no primeiro parágrafo: “Desta vez foi anunciado o fim do Teatro da Cornucópia. Naturalmente, não somos indiferentes a esta decisão e notícia, mas também não ficamos surpreendidos. (…) Quem seguiu o trajecto de desinvestimento público na criação artística sabia bem que os actos resultariam em empobrecedoras consequências, o encerramento da Cornucópia é uma das mais visíveis.” E a afirmação concreta está no mesmo texto: “Então, este apelo é simples: Não há tempo a perder. 1% do Orçamento do Estado salva mil cornucópias. Lutemos por isto. Exijamos este compromisso.”

Ao todo são 322 subscritores que procuram “condições decentes para todas as áreas artísticas”. O dia em que entregam esta carta é a véspera da entrega, à Direção Geral das Artes, dos Planos de Atividades para a extensão dos contratos de apoio às artes. O ator André Albuquerque, presidente do sindicato CENA – estrutura que reúne músicos e trabalhadores do espetáculo e audiovisuais – e um dos mobilizadores da declaração, garante que “o desinvestimento na cultura não é novidade, mas não desistir não é opção”.

Albuquerque confessa que não ficou surpreendido com o fecho da Cornucópia. “Esta iniciativa nasce do episódio do fecho da Cornucópia, principalmente, e como dizemos no comunicado, surge também no seguimento das várias opiniões, quer oficiais quer de trabalhadores das artes cénicas. Achámos que era preciso marcar esta posição, não é nova, mas torna-se cada vez mais evidente que todos querem liberdade na criação artística, esse consenso levou-nos a fazer isto”.

A conclusão do artista e dirigente sindical é esta: se até já a Cornucópia fecha “há algo que não está a ser bem feito”, afirma. E a posição de André Albuquerque, enquanto presidente do CENA, nem sempre é fácil de gerir.

O meu dia-a-dia é ouvir história de trabalhadores que ficaram sem trabalho, estruturas que tiveram que desaparecer, pessoas que emigram. É também para essas que fazemos esta iniciativa, as outras pessoas que participaram pertencem a organizações diferentes que tentam ter uma participação pública nesta área, é algo que nos preocupa”.

Albuquerque sublinha: “O Luís Miguel Cintra disse que eles não conseguem sobreviver com a imposição de um modelo de gestão. O que defendemos é que essa liberdade tem que existir também na estética, há coisas que podem ser feitas com menos dinheiro, não é tanto isso, é a organização e o modelo de gestão. Para se ter um projeto com longevidade é preciso ceder-se a um género de fazer as coisas… e isso não devia acontecer, há um afunilamento do estilo.”

Sobre as expectativas que esta carta aberta pode gerar: “Com esta lista de subscritores, que tem várias pessoas que têm lutado para melhorar a criação artística em Portugal, esperamos que isto possa ter repercussões, como o fim da Cornucópia também vai gerando. Não negamos fazer mais iniciativas depois desta carta”, conclui.

[Leia a carta na íntegra e a lista de subscritores:]

1% salva mil cornucópias

carta aberta

“Desta vez foi anunciado o fim do Teatro da Cornucópia. Naturalmente, não somos indiferentes a esta decisão e notícia, mas também não ficamos surpreendidos. É cada vez mais frequente vermos estruturas e projectos a encerrar ou a prosseguir à custa da descaracterização profunda do seu projecto artístico. Quem seguiu o trajecto de desinvestimento público na criação artística sabia bem que os actos resultariam em empobrecedoras consequências, o encerramento da Cornucópia é uma das mais visíveis.

Entre muitas declarações públicas, ouvimos o Presidente da República, debaixo dos focos da comunicação social, indagar o Ministro da Cultura sobre possíveis soluções para um caso concreto. Preferíamos que o Presidente da República se tivesse indagado publicamente sobre como foi possível, décadas a fio, sucessivos governos desrespeitarem a Constituição e terem activamente contribuído para o definhamento do tecido social da criação artística em Portugal. O esvaziamento contínuo da criação artística conduz a um consequente empobrecimento da sociedade e da sua capacidade de expressão. Contrariar este esvaziamento é garantir-lhe a liberdade a que tem direito.

É preciso manter abertas todas as portas de projectos e estruturas que trabalham por esse país fora e deixar abrir todas as outras que se fecharam ou estão por abrir. Em todo os lugares, em todas as áreas artísticas, os mais diferenciados projectos de criação independente caminham num fino e frágil arame que ao menor deslize se romperá com a garantia certa da irreversibilidade dessa ruptura. São muitos os programas que ficam por cumprir, os espectáculos que têm ficado por fazer, os filmes que não são produzidos, os projectos que não chegam a realizar-se. São muitos os trabalhadores e trabalhadoras que têm ficado sem trabalho, que têm emigrado, que têm desistido de fazer aquilo que sabem fazer. São milhões aqueles que ficam impossibilitados de ver, ouvir, experimentar e sentir de outro modo.

Quando um cada vez maior consenso insiste na necessidade de reforço substancial do financiamento da actividade artística, não o faz por mero capricho. Fá-lo porque sabe que essa é a única forma de garantir que a criação e fruição culturais, tal como o exige a letra da Constituição, são acessíveis a todas as pessoas neste país, independentemente da sua condição social, vivendo nos centros urbanos ou na mais recôndita aldeia, interessadas ou envolvidas nas mais diversas formas de expressão. E é por isso que as estruturas de criação são financiadas: para cumprirem a prestação de um serviço público de qualidade e para que a criação artística seja diversificada e não fique refém da sua mercantilização.

E por mais que haja quem diga que muito há a fazer para lá dos números – e há -, enquanto a questão primordial do financiamento não for resolvida, teremos sempre esse muro imenso a separar-nos da possibilidade de levar a cabo tranquilas e detalhadas análises de fundo que possam lançar as bases para decisões sustentadas e informadas sobre o serviço público de cultura que gostaríamos de ter.

O que nos une não são consensos sobre formas de gestão, muito menos sobre escolhas estéticas. Une-nos sim a complexa mas indispensável garantia da democraticidade e da diversidade cultural e artística. Une-nos a necessidade de manter abertas as portas das estruturas de criação existentes e de criar as condições para o aparecimento de outras portas. Porque são abomináveis os fins prematuros a que temos assistido e a que poderemos continuar a assistir, em que tanta e tanta gente não chega sequer a descobrir o tanto que tinha ainda por dizer.

O apelo que fazemos não é apenas dirigido aos diferentes órgãos de soberania e às entidades públicas que diariamente fazem o Estado funcionar. O apelo que fazemos é dirigido a todas as pessoas que ao lerem esta carta aberta se recusem a aceitar o fim prematuro de tantos projectos artísticos, para que exijam a possibilidade de ver nascer, crescer e consolidar todos os projectos que a arte deste país lhes puder oferecer. Que se recusem a aceitar que a precariedade, os baixos salários, o trabalho não-remunerado e a negação de tantos direitos laborais sejam a forma de sustentar a actividade artística. Que se recusem a aceitar que o país continue a querer desenvolver-se sem respeitar um dos vectores mais decisivos para a sua democratização, a Cultura.

Então, este apelo é simples:

Não há tempo a perder. 1% do Orçamento do Estado salva mil cornucópias. Lutemos por isto. Exijamos este compromisso.”

subscrevem

Alexandra Diogo – actriz

Alexandra Lázaro – psicóloga clínica

Alexandra Lourenço – arquivista

Alexandre Alves – assistente de realização

Alex Cortez – músico

Alfredo Brito – actor e locutor

Alípio Padilha – fotógrafo de cena

Amarílis Felizes – economista

Ana Alves Miguel – funcionária da administração local

Ana Araújo – professora

Ana Brandão – actriz

Ana Caetano – bailarina

Ana Cláudia Serrão – músico

Ana Figueira – directora artística

Ana Filipa Martins – bióloga

Ana Jacobetty – pianista

Ana Lázaro – actriz, dramaturga e encenadora

Ana Nicolau – realizadora

Ana Moura – fadista

Ana Mourato – encenadora e actriz

Ana Paula Santos – professora

Ana Pereira – produtora teatral

André Albuquerque – actor

André Levy – biólogo e actor

André Vazão – estudante

Andreia Bento – actriz

Andreia Salavessa – arquitecta

Ângela Cerveira – técnica de cinema

António Amaro das Neves – historiador

António Durães – actor

António Sousa Dias – compositor e professor

Armando Possante – cantor e professor

Áurea Duarte Ferreira – professora

Beatriz Maia – estudante de teatro

Beatriz Peixoto – estudante

Bruno Raposo Ferreira – psicólogo clínico e investigador

Bruno Schiappa – actor e encenador

Camila Reis – ilustradora

Carla Bolito – actriz

Carla Veloso – actriz

Carlos de Andrade – economista

Carlos Borges – actor

Carlos Costa – dramaturgo, encenador e actor

Carlos Seixas – produtor musical

Carlos Vidal – professor universitário e crítico de arte

Catarina Molder – cantora lírica, gestora cultural, apresentadora

Catarina Moura – cantora

Catarina Mourão – realizadora

Catarina Rôlo Salgueiro – actriz

Cátia Barros – cenógrafa e figurinista

Cátia Pinheiro – encenadora

Célia Machado – produtora executiva

Célia Williams – actriz

Cláudia Dias – coreógrafa

Cláudia Lucas Chéu – dramaturga e encenadora

Cláudia Marisa Oliveira – docente

Cláudia Silvano – produtora

Cristina Maria Figueiredo – professora

Cristina Planas Leitão – coreógrafa

Cristina Santos – professora de dança e gestora cultural

Cucha Carvalheiro – actriz

Custódia Gallego – actriz

Daniel Lima – músico

Daniel Moreira – artista plástico

Daniel Sousa – músico e professor

Deolindo Leal Pessoa – médico

Diana Costa e Silva – actriz

Dörte Schneider – assistente de realização

Edna Geovetty – estudante

Eduardo Carvalho Pacheco – produtor

Eduardo Ribeiro – actor

Eliana Veríssimo – professora e pianista

Elsa Figueiredo – bibliotecária reformada

Elsa Valentim – actriz

Emanuel Arada – actor

Fátima Leal – assistente social

Fátima Rolo Duarte – designer

Fernanda Lapa – actriz e encenadora

Fernando Jorge – actor

Filipa Malva – cénografa e figurinista

Filipa Prates Coelho – produtora

Filipa Vala – bolseira de pós-doutoramento em divulgação e comunicação de ciência

Filipe Melo – músico

Francisco Rebelo – músico

Gil Cabugueira – direcção de produção

Graeme Pulleyn – encenador

Hugo C. Franco – técnico de luz e criador multimédia

Hugo Lemonnier – estudante

Idália Tiago – socióloga

Igor Gandra – director artístico e encenador

Inês Barbedo Maia – produtora de teatro

Inês Lago – actriz e encenadora

Inês Meira – estudante

Inês Gomes – estudante

Inês Gregório – produtora

Íris Reis – assistente de realização

Issac Achega – músico

Isabel Anastácio – reformada

Isabel Casimiro – professora reformada

Isabel Craveiro – actriz e encenadora

Isabel Medina – actriz e encenadora

Isabel Lebre – assistente de realização

Isabel Pereira – secretária

Isilda Sanches – locutora de rádio

Ivo Costa – músico

JP Simões – músico

Joana Almeida – actriz

Joana Brandão – actriz e encenadora

Joana Dourado – bolseira e cantora

Joana Gomes – cenógrafa

Joana Gusmão – produtora

Joana Lourenço Cardoso – directora de arte

Joana Manuel – actriz

Joana von Mayer Trindade – coreógrafa, bailarina e professora

Joana Providência – coréografa

João Barreiros – técnico de luz

João Cabrita – músico

João Castro – actor

João Gesta – programador cultural

João Hasselberg – músico

João de Mello Alvim – encenador

João Monge – autor

João Nuno Martins – produtor

João Paulo Janicas – professor

João Pedro Rodrigues – realizador

João Sotero – escultor

João Sousa – músico

John Havelda – professor universitário

Jonathan de Azevedo – designer de luz

Jorge Cadima – professor universitário

Jorge Ferreira da Costa – assistente de realização

Jorge Louraço Figueira – dramaturgo

Jorge Palinhos – docente

Jorge Silva – actor

José Arruda – antropólogo

José Carlos Faria – cenógrafo

José Carlos Nelas – enfermeiro

José Castela – professor

José Gusmão – economista

José Laginha – bailarino e director artístico

José Leite – actor

José Luís Ferreira – produtor e programador

José Luís Lopes – assistente de realização

José Nunes – encenador

José Peixoto – actor e encenador

José Russo – actor e encenador

Kimi Djabate – músico

Lara Li – cantora

Lígia Roque – actriz e encenadora

Lígia Soares – coreógrafa e actriz

Loubet Simões – técnico de conservação e restauro

Luciana Fina – realizadora

Luísa Ortigoso – actriz

Luís Castro – encenador e investigador

Luís Gaspar – actor

Luís Lopes – músico

Luís Pacheco Cunha – músico

Luís Pedro Madeira – músico

Luís Possolo – poeta

Mafalda Simões – directora de produção e comunicação

Manuel Loff – historiador

Manuel Mendonça – actor

Manuel Rocha – músico e professor

Manuela Pires – jurista

Márcia Lima – actriz

Margarida Madeira – animadora e ilustradora

Margarida Pinheiro – professora e cantora

Margarida Rita – produtora teatral

Margarida Sousa – actriz

Marlene Duarte – podologista

Maria Alice Samara – historiadora

Maria Anadon – cantora

Maria Gusmão – técnia superior da admin. pública

Maria Helena Alves – empregada sindical reformada

Maria João Fura – músico e cantora

Maria João Garcia – produtora

Maria João Luís – actriz e encenadora

Maria João Simões – directora técnica e de cena

Maria de Lurdes Nobre – produtora cultural

Maria Manuel Ferreira de Almeida – técnica superior FLUC

Maria do Mar – músico

Maria Sequeira Mendes – professora de teoria do teatro

Mariana Magalhães – actriz

Mário Afonso – bailarino e coreógrafo

Marlene Cavaco – conservadora restauradora

Marta Bernardes – artista plástica e de cena

Marta Carreiras – cenógrafa e figurinista

Marta Manuel – professora e músico

Marta Pinho Alves – professora do ensino superior politécnico

Marta Silva – bailarina

Matamba Joaquim – actor

Miguel Bonneville – artista

Miguel Gonçalves Mender – realizador

Miguel Moreira – artista

Miguel Oliveira (MOLÉCULA) – rapper

Miguel Pires Ramos – director de programas tv

Mónica Calle – actriz e encenadora

Mónica Garnel – actriz

Mónica Talina – actriz e produtora cultural

Nádia Monteiro – assessora de imprensa

Nélson Duarte (Sr. Alfaiate/DJ Nelassassin) – dj hip hop

Nuno Almeida – assistente administrativo da CML

Nuno Góis – actor

Nuno Grácio – músico

Nuno Machado – actor

Nuno Pinto Custódio – encenador

Nuno Vieira de Almeida – músico

Octávio Gameiro – professor, autor e tradutor

Ofélia Libório – educadora de infância

Olga Roriz – coreógrafa

Orlando Santos – músico

Patrícia Calais Garcia – técnica superior da Seg.Social

Patrícia Santos Pedrosa – arquitecta e investigadora

Paolo Marinou-Blanco – realizador e argumentista

Paula Almeida Silva – assistente de produção

Paulo Capelo Cardoso – artista plástico e cenógrafo

Paulo Montez – produtor

Paulo Moura Lopes – actor

Paulo Raposo – antropólogo e docente universitário

Pedro Barbosa – produtor

Pedro Estorninho – encenador

Pedro Gil – actor

Pedro Jordão – arquitecto

Pedro Lamas – actor e professor de teatro

Pedro Madaleno – músico

Pedro Madeira – assistente de realização

Pedro Penilo – artista plástico

Pedro Pernas – actor

Pedro Pestana – músico

Pedro Pousada – artistas plástico e professor universitário

Pedro Rodrigues – produtor teatral

Pedro Sabino – argumentista

Pedro Sousa Loureiro – actor, encenador e artista plástico

Pedro Vieira – guionista

Rafaela Lacerda – bióloga e encenadora

Raquel Bulha – locutora de rádio e tv

Raquel Castro – actriz

Raquel Castro – investigadora

Renata Sancho – realizadora

Renato Azul – músico e videógrafo

Ricardo Alves – encenador

Ricardo Correia – encenador

Ricardo Neves-Neves – encenador e actor

Ricardo Pinto – músico

Ricardo Vaz Trindade – actor

Rita Cruz – actriz

Rita Maia – dj

Rita Namorado – pianista e professora

Rita Natálio – performer, escritora e investigadora

Rita Santos – produtora

Rita Saraiva Grade – bailarina

Rita Simões – professora

Rodrigo Malvar – actor e artista sonoro

Rogério Nuno Costa – artista

Romeu Costa – actor e encenador

Romeu Runa – bailarino

Rui Alves – músico

Rui Ferreira – criativo

Rui Francisco – arquitecto e cenógrafo

Rui Galveias – músico e artista plástico

Rui Guerra – músico

Rui Júnior – músico

Rui Monteiro – desenhador de luz

Rui Pité (RIOT) – músico

Rui Valente – director técnico

Sandra Cristina Rodrigues – bancária

Sara Barbosa – encenadora e actriz

Sara Carinhas – actriz e encenadora

Sara Gonçalves – actriz e encenadora

Sara Trindade – assistente social

Sara Vaz – bailarina e actriz

Saúl Falcão – professor e músico

Sebastião Faro – publicitário

Sérgio Alves – designer

Sérgio Dias Branco – professor universitário

Sérgio Godinho – músico e escritor

Sérgio Machado Letria – gestor cultural

Sílvia Filipe – actriz

Sónia Arantes – produtora

Sofia Oliveira – directora de produção

Sofia de Portugal – actriz

Sofia Reis – produtora executiva

Susana Bilou Russo – antropóloga

Susana Fonseca – decoração

Susana Moody – músico

Susana de Sousa Dias – realizadora

Tadeu Faustino – actor

Tânia Alves – actriz

Tânia Guerreiro – actriz

Tânia Guerreiro – gestora cultural

Teresa Almeida – administrativa

Teresa Carvalho – artista plástica

Teresa Coutinho – actriz

Teresa Faria – actriz e encenadora

Teresa Lopes – professora

Teresa Miguel – directora de produção

Teresa Sobral – actriz

Thomas Walgrave – director artístico

Tiago Baptista – conservador de cinema

Tiago de Lemos Peixoto – dramaturgo

Tiago Mota Saraiva – arquitecto

Tiago Santos – músico

Tiago Silva – montador de som

Tomás Pimentel – músico

Tó Trips – músico

Vanda Cerejo – actriz

Vânia Couto – cantora, coordenadora de projectos e professora

Vânia Rovisco – coreógrafa e performer

Vasco Araújo – artista plástico

Vasco Nogueira – médico

Vasco Paiva – engenheiro florestal

Vasco Peres – maquinista de cena

Vasco Pimentel – director de som

Vera Marques – produtora

Vera Moura – estudante

Vera Silva – perchista

Vicente Alves do Ó – realizador

Vítor d’Andrade – actor

Vítor da Glória Silva – bancário reformado

Victor Pinto Ângelo – assistente de produção

Zézé Gamboa – realizador

Zillah Branco – socióloga

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