Podia ter sido outro. “Podia vir outra pessoa” reconheceu Rui Rio, mas a escolha para o cabeça de lista do PSD nas eleições europeias acabou por recair, como se previa há muito, sobre Paulo Rangel. Pela terceira vez, depois das eleições de 2009 e 2014. “Face àquilo que são as carateristicas dele e às carateriscticas que nós precisamos, ele pura e simplesmente não é dispensável deste cargo”.
E na sua primeira intervenção na qualidade de cabeça de lista social-democrata, Paulo Rangel aproveitou o enquadramento europeu para fazer um ataque ao Governo PS como raramente - se alguma vez - Rui Rio fez. E com um pormenor, em que se demarcou claramente do líder do partido: se Rio evita ao máximo nomear António Costa e atacá-lo diretamente, Rangel fez tudo diferente: visou o primeiro-ministro em todas as suas críticas, e pronunciou várias vezes o nome de Costa, a quem fez quatro desafios diretos, e responsabilizou pelo que considerou ser a destruição do Estado Social.
“Nunca como hoje esteve tão em crise o Estado social: o Governo Costa, dentro das opções disponíveis, apostou em sacrificar o Estado social: a saúde e a segurança em particular. Que fique claro para todos, isto não é responsabilidade das regras europeias: é uma escolha consciente do Governo do PS”, declarou Rangel, lembrando que este Governo “bateu os recordes de desprezo pelo investimento público”, por opção, e não por imposição europeia.
Os males que a Europa não impôs
“As cirurgias adiadas, as consultas canceladas, os medicamentos em falta, por um lado; a má resposta aos incêndios, o aumento de acidentes, a redução da fiscalização da polícia, por outro lado; os comboios que perdem motores, a estradas que se desmoronam, o papel que falta para os bilhetes do metro, por final; não são responsabilidade da Europa”, insistiu Rangel, elencado todos os males ou falhas da governação. “Nem se resolvem com a feitura de leis de bases ou o anúncio de projectos megalómanos. Não: são responsabilidade das escolhas políticas e orçamentais que fez o Governo, que fez o PS.”
Os quatro desafios a Costa
Nesta estreia, apesar de ser a terceira vez que está neste papel, Rangel lançou quatro desafios a António Costa: quer saber se o chefe do Governo aceita ou veta a proposta da Comissão para o novo quadro financeiro, que retira fundos a Portugal; exige explicações sobre a forma como o ministro Pedro Marques, provável cabeça de lista do PS, estará a usar o cargo para ter ganhos eleitorais; questiona se o Governo é a favor do exército único europeu e quer saber se o Governo aceita o fim do direito de veto dos países em relação à política externa europeia e é favorável ao lançamento de impostos europeus.
Tiro ao alvo: Pedro Marques
Ainda o PS nem confirmou o nome do seu cabeça de lista, e já Rangel lhe fez tiro ao alvo. “Diante do risco de termos tido, nos últimos dois meses, um candidato disfarçado de ministro, e um ministro em campanha dissimulada, desafio o primeiro-ministro António Costa a fazer um esclarecimento”, disparou: “Neste momento, subsiste a legítima suspeita de que houve o aproveitamento de um cargo ministerial para engendrar, lançar e promover um candidato. António Costa tem que esclarecer, quanto antes, se o Governo está a utilizar recursos públicos e aproveitar um cargo ministerial para promover um candidato.”
Mesmo sem essa respostas, Pedro Marques já foi alvo de várias críticas. Por deixar por executar “mais de 80% das obras que estavam previstas” com o apoio de fundos europeus e por ter negociado uma nova proposta de quadro comunitário para 2027 “que prejudica Portugal”.
“Alguém tem de denunciar a passividade, o conformismo, a complacência com que o Governo do PS e o seu ministro do planeamento estão a negociar os fundos de 2020-2027”, insistiu o eurodeputado. A negociação do próximo pacote de apoios europeus foi, de resto, um dos bombos do discurso, assim como a posição nacional perante a hipótese de um exército único europeu ou o lançamento de impostos europeus. “O contraste entre o realismo e pragmatismo do PSD e a utopia demagógica do PS fica bem claro numa bandeira do PSD com mais de 20 anos: a rejeição dos impostos europeus”, frisou Rangel.
O candidato resumiu a posição do PSD sobre a Europa como “europeista e realista”.
Objetivo: ganhar as eleições
Tanto Rio como Rangel colocaram como objetivo para as eleições europeias a vitória. “Pensamos sempre naturalmente na vitória”, assumiu o líder do PSD. “Essa luta começa hoje e vai ser ganha, ao contrário do que muitos entendem”, assegurou o cabeça de lista, no final da sua declaração.
Antes que os jornalistas pudessem fazer perguntas, foi projectado um vídeo, com banda sonora alta, enquanto Rio e Rangel posavam para a fotografia e deixavam o palco onde se lia “Europeias 2019. Primeiro Portugal”.
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Podia ter sido outro. “Podia vir outra pessoa” reconheceu Rui Rio, mas a escolha para o cabeça de lista do PSD nas eleições europeias acabou por recair, como se previa há muito, sobre Paulo Rangel. Pela terceira vez, depois das eleições de 2009 e 2014. “Face àquilo que são as carateristicas dele e às carateriscticas que nós precisamos, ele pura e simplesmente não é dispensável deste cargo”.
E na sua primeira intervenção na qualidade de cabeça de lista social-democrata, Paulo Rangel aproveitou o enquadramento europeu para fazer um ataque ao Governo PS como raramente - se alguma vez - Rui Rio fez. E com um pormenor, em que se demarcou claramente do líder do partido: se Rio evita ao máximo nomear António Costa e atacá-lo diretamente, Rangel fez tudo diferente: visou o primeiro-ministro em todas as suas críticas, e pronunciou várias vezes o nome de Costa, a quem fez quatro desafios diretos, e responsabilizou pelo que considerou ser a destruição do Estado Social.
“Nunca como hoje esteve tão em crise o Estado social: o Governo Costa, dentro das opções disponíveis, apostou em sacrificar o Estado social: a saúde e a segurança em particular. Que fique claro para todos, isto não é responsabilidade das regras europeias: é uma escolha consciente do Governo do PS”, declarou Rangel, lembrando que este Governo “bateu os recordes de desprezo pelo investimento público”, por opção, e não por imposição europeia.
Os males que a Europa não impôs
“As cirurgias adiadas, as consultas canceladas, os medicamentos em falta, por um lado; a má resposta aos incêndios, o aumento de acidentes, a redução da fiscalização da polícia, por outro lado; os comboios que perdem motores, a estradas que se desmoronam, o papel que falta para os bilhetes do metro, por final; não são responsabilidade da Europa”, insistiu Rangel, elencado todos os males ou falhas da governação. “Nem se resolvem com a feitura de leis de bases ou o anúncio de projectos megalómanos. Não: são responsabilidade das escolhas políticas e orçamentais que fez o Governo, que fez o PS.”
Os quatro desafios a Costa
Nesta estreia, apesar de ser a terceira vez que está neste papel, Rangel lançou quatro desafios a António Costa: quer saber se o chefe do Governo aceita ou veta a proposta da Comissão para o novo quadro financeiro, que retira fundos a Portugal; exige explicações sobre a forma como o ministro Pedro Marques, provável cabeça de lista do PS, estará a usar o cargo para ter ganhos eleitorais; questiona se o Governo é a favor do exército único europeu e quer saber se o Governo aceita o fim do direito de veto dos países em relação à política externa europeia e é favorável ao lançamento de impostos europeus.
Tiro ao alvo: Pedro Marques
Ainda o PS nem confirmou o nome do seu cabeça de lista, e já Rangel lhe fez tiro ao alvo. “Diante do risco de termos tido, nos últimos dois meses, um candidato disfarçado de ministro, e um ministro em campanha dissimulada, desafio o primeiro-ministro António Costa a fazer um esclarecimento”, disparou: “Neste momento, subsiste a legítima suspeita de que houve o aproveitamento de um cargo ministerial para engendrar, lançar e promover um candidato. António Costa tem que esclarecer, quanto antes, se o Governo está a utilizar recursos públicos e aproveitar um cargo ministerial para promover um candidato.”
Mesmo sem essa respostas, Pedro Marques já foi alvo de várias críticas. Por deixar por executar “mais de 80% das obras que estavam previstas” com o apoio de fundos europeus e por ter negociado uma nova proposta de quadro comunitário para 2027 “que prejudica Portugal”.
“Alguém tem de denunciar a passividade, o conformismo, a complacência com que o Governo do PS e o seu ministro do planeamento estão a negociar os fundos de 2020-2027”, insistiu o eurodeputado. A negociação do próximo pacote de apoios europeus foi, de resto, um dos bombos do discurso, assim como a posição nacional perante a hipótese de um exército único europeu ou o lançamento de impostos europeus. “O contraste entre o realismo e pragmatismo do PSD e a utopia demagógica do PS fica bem claro numa bandeira do PSD com mais de 20 anos: a rejeição dos impostos europeus”, frisou Rangel.
O candidato resumiu a posição do PSD sobre a Europa como “europeista e realista”.
Objetivo: ganhar as eleições
Tanto Rio como Rangel colocaram como objetivo para as eleições europeias a vitória. “Pensamos sempre naturalmente na vitória”, assumiu o líder do PSD. “Essa luta começa hoje e vai ser ganha, ao contrário do que muitos entendem”, assegurou o cabeça de lista, no final da sua declaração.
Antes que os jornalistas pudessem fazer perguntas, foi projectado um vídeo, com banda sonora alta, enquanto Rio e Rangel posavam para a fotografia e deixavam o palco onde se lia “Europeias 2019. Primeiro Portugal”.