Às dez da manhã, hora marcada para a tradicional arruada das campanhas socialistas em Moscavide, duas mulheres apreciam o movimento provocado pelo amontoado de gente e bandeiras do outro lado da rua. Trazem os sacos com as compras da manhã, mas ainda têm mãos para receber uma rosa vermelha, oferecida pela campanha.
“Quem é que vem cá? É o Costa? Ah, então espero mais um bocadinho para ver, porque eu gosto dele”, diz uma das idosas. A amiga concorda. “Se calhar hoje dou-lhe uma beijoca”, comenta, acrescentando que não gosta é “do Coelho”, lançando-se num rosário de queixas sobre o anterior governo. Uma queixa-se de que não recebe pensão nenhuma, a outra de que recebe pouco, mas tem a esperança de que “se calhar o Costa para o ano dá mais um eurito...” A conversa salta para os passes sociais, que “foi a coisa melhor que eles podiam ter feito”, e por essa altura já António Costa vai rua fora a distribuir beijinhos e passou-bem, precedido por uma banda que toca “Cheira bem, cheira a Lisboa”.
Moscavide não é Lisboa, é Loures, mas é uma freguesia onde o PS é historicamente forte. O presidente da junta, o socialista Ricardo Lima, vai ao lado de Costa e parece conhecer toda a gente com quem se cruzam.
As interações de Costa com os eleitores são rápidas, e normalmente de poucas palavras, mas aqui e ali a conversa prolonga-se para além do habitual “vamos ganhar” ou “vá em frente”.
Uma mulher que reclama pergaminhos socialistas deseja a Costa “que ganhe com maioria”, e recomenda-lhe que “deixe a geringonça para trás”. O primeiro-ministro que deve à 'geringonça' o facto de governar o país sorri, encolhe os ombros, mas não responde ao desafio. António Costa tinha dito, quando fechou o ciclo de debates pré-eleitorais, que tinha acabado a fase dos “políticos a falar uns para os outros” e que agora era a fase de “concentrar-se no diálogo direto com os portugueses”, sobre aquilo que “interessa às pessoas”.
Nas ruas de Moscavide, o que interessava às pessoas com quem Costa dialogou era o problema da habitação e das rendas acessíveis, mais transportes públicos, o valor das pensões e a oferta de saúde no SNS. Ao contrário das queixas do costume, uma idosa que se agarrou a Costa testemunhou-lhe longamente os bons cuidados que tem recebido nos hospitais públicos, com muitos elogios para os médicos que a atendem. “Tem de lhes dizer isso a eles, para os motivar”, sugeriu o primeiro-ministro, aparentemente também motivado.
No fim da arruada, terminado o diálogo com os portugueses, os jornalistas quiseram falar do caso de Tancos. Costa, de volta à conversa sobre política, repetiu o seu mantra “à justiça o que é da justiça”. Mas acrescentou, sobre os rumores que envolviam Marcelo Rebelo de Sousa no caso, que “o Presidente da República está acima de qualquer suspeita”.
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Às dez da manhã, hora marcada para a tradicional arruada das campanhas socialistas em Moscavide, duas mulheres apreciam o movimento provocado pelo amontoado de gente e bandeiras do outro lado da rua. Trazem os sacos com as compras da manhã, mas ainda têm mãos para receber uma rosa vermelha, oferecida pela campanha.
“Quem é que vem cá? É o Costa? Ah, então espero mais um bocadinho para ver, porque eu gosto dele”, diz uma das idosas. A amiga concorda. “Se calhar hoje dou-lhe uma beijoca”, comenta, acrescentando que não gosta é “do Coelho”, lançando-se num rosário de queixas sobre o anterior governo. Uma queixa-se de que não recebe pensão nenhuma, a outra de que recebe pouco, mas tem a esperança de que “se calhar o Costa para o ano dá mais um eurito...” A conversa salta para os passes sociais, que “foi a coisa melhor que eles podiam ter feito”, e por essa altura já António Costa vai rua fora a distribuir beijinhos e passou-bem, precedido por uma banda que toca “Cheira bem, cheira a Lisboa”.
Moscavide não é Lisboa, é Loures, mas é uma freguesia onde o PS é historicamente forte. O presidente da junta, o socialista Ricardo Lima, vai ao lado de Costa e parece conhecer toda a gente com quem se cruzam.
As interações de Costa com os eleitores são rápidas, e normalmente de poucas palavras, mas aqui e ali a conversa prolonga-se para além do habitual “vamos ganhar” ou “vá em frente”.
Uma mulher que reclama pergaminhos socialistas deseja a Costa “que ganhe com maioria”, e recomenda-lhe que “deixe a geringonça para trás”. O primeiro-ministro que deve à 'geringonça' o facto de governar o país sorri, encolhe os ombros, mas não responde ao desafio. António Costa tinha dito, quando fechou o ciclo de debates pré-eleitorais, que tinha acabado a fase dos “políticos a falar uns para os outros” e que agora era a fase de “concentrar-se no diálogo direto com os portugueses”, sobre aquilo que “interessa às pessoas”.
Nas ruas de Moscavide, o que interessava às pessoas com quem Costa dialogou era o problema da habitação e das rendas acessíveis, mais transportes públicos, o valor das pensões e a oferta de saúde no SNS. Ao contrário das queixas do costume, uma idosa que se agarrou a Costa testemunhou-lhe longamente os bons cuidados que tem recebido nos hospitais públicos, com muitos elogios para os médicos que a atendem. “Tem de lhes dizer isso a eles, para os motivar”, sugeriu o primeiro-ministro, aparentemente também motivado.
No fim da arruada, terminado o diálogo com os portugueses, os jornalistas quiseram falar do caso de Tancos. Costa, de volta à conversa sobre política, repetiu o seu mantra “à justiça o que é da justiça”. Mas acrescentou, sobre os rumores que envolviam Marcelo Rebelo de Sousa no caso, que “o Presidente da República está acima de qualquer suspeita”.