Fernando Medina: balanço de mandato em 97 minutos e 64 slides

09-07-2017
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Foi uma verdadeira maratona, o balanço do atual mandato da Câmara de Lisboa, feito por quem lidera a cidade desde há pouco mais de dois anos (na primeira metade foi António Costa quem esteve ao leme).

Foi um jogo de futebol completo, sem intervalo e com descontos, pois durou 97 ininterruptos minutos (precedido da intervenção de Helena Roseta, a presidente da Assembleia Municipal). Não teve vídeo-árbitro, mas teve muitas imagens, desde gráficos a fotografias, com as quais Fernando Medina pretendeu exibir as provas irrefutáveis da transformação operada nos últimos quatro anos em Lisboa – a cidade "onde todos querem estar", como se apregoava no vídeo mostrado antes da entrada em cena do autarca.

O renovado Capitólio, no ainda longe-de-estar-completamente-requalificado-Parque-Mayer, foi o local escolhido para o futuro cabeça de lista do PS à Câmara de Lisboa fazer o balanço do mandato em curso.

Ao longo da longa intervenção, Medina esforçou-se por mostrar as diferenças registadas em Lisboa. "Há quatro anos a cidade era muito diferente da do vídeo que acabámos de ver", disse logo a abrir.

No período de mais de hora e meia que iria seguir-se, o autarca, em mangas de camisa, falou no palco, em cujo ecrã ia passando ora imagens de Lisboa (desde a antevisão de determinados projetos a planos das obras já realizadas) ora gráficos e esquemas com os resultados da governação da cidade ao longo dos últimos anos.

Se o jornalista não se enganou na contagem (grande parte dos diapositivos estava numerada, o que facilitou a tarefa), foram 64 os slides projetados.

Uma maratona, mas a descer

Foi, assim, uma sessão épica de 97 minutos. Mas pela sucessão de realizações e de performances debitadas por Medina é como se tivesse sido uma maratona mas feita sempre a descer, sem esforços de maior, pois cada balanço ou indicador era melhor ou pelo menos tão bom quanto o anterior.

Foram quatro os "eixos" (ou "pilares", como lhes Medina chamou noutra altura) em que o autarca estruturou o balanço da sua atividade: dar força à economia; melhorar a qualidade de vida dos lisboetas; afirmar os direitos sociais e o combate à exclusão; e afirmar Lisboa como cidade global.

Do conjunto de dados revelados por Medina houve poucas novidades. Ainda assim, anunciou a contratação, já no próximo mês, de 100 novos bombeiros para o Regimento de Sapadores, e revelou a colocação ao serviço dos lisboetas, ainda neste verão, da primeira rede de bicicletas partilhadas.

Em todo o caso, da vasta quantidade de informação prestada por Medina (que no final da sessão fez subir ao palco todos os seus vereadores, também acompanhados por Helena Roseta), há números que ajudam a balizar, na ótica do atual Executivo, o desempenho da cidade nestes quatro anos.

A alavanca do turismo

O turismo como "grande força motora" de Lisboa, responsável pela criação de "80 mil empregos", foi um fatores mais destacados pelo autarca, ao esmiuçar as razões do desenvolvimento económico da cidade. Antes, lembrara que em 2013, quando se inicou o mandato, a taxa de desemprego na Grande Lisboa era de 18,5% (afetando assim praticamente uma em cada cinco pessoas da população ativa).

"O plano de governo para Lisboa em 2013 tinha uma ideia estratégica: vencer a crise e mostrar que a partir de Lisboa era possível fazer uma política anticíclica", afirmou Fernando Medina, que logo depois lembrou não ter sido ele o rosto principal dessa cartada: "[Foi] uma ação presidida magistralmente por António Costa, uma extraordinário presidente de Câmara que Lisboa teve", disse.

Ainda no campo da economia, Medina destacou mais alíneas-chave deste mandato: a "política fiscal competitiva" do município (como lhe chamou), que apostou também na redução da dívida e do passivo. E, sobretudo, a autarquia passou a pagar a tempo e horas aos fornecedores, que "hoje recebem em 48 horas", garantiu.

A importância do transporte público

No eixo da "melhoria da qualidade de vida" dos lisboetas, o presidente da Câmara sublinhou, sobretudo, a importância do programa "Uma Praça em cada bairro". Salientou também o reforço, de meios financeiros e humanos, nos campos da proteção civil e do policiamento da cidade (com as novas competências da Política Municipal). Medina defendeu igualmente a passagem da Carris para autarquia e fez uma inequívoca defesa, até no plano político-ideológio, do transporte público: "Linhas que não são rentáveis devem ser pagas com o orçamento da Câmara", afirmou, o que arrancou palmas na plateia.

No pilar da qualidade de vida, o político socialista referiu ainda a importância do plano geral de drenagem (também pelo volume do investimento, de €185 milhões) e deu uma noção da escala que as hortas urbanas (que já são 750) têm já hoje em Lisboa: ocupam 13 hectares!

Na afirmação dos direitos sociais e do combate à exclusão, o autarca sublinhou a aposta feita na habitação social (que atingiu €67 milhões neste mandato) e, para o futuro, deixou vincado que uma prioridade da sua política será "assegurar habitação para a classe média".

Ainda no terceiro "pilar", em que destacou a requalificação de escolas e a construção de creches, Medina fez uma nova declaração de cariz político bem vincado: "A escola pública é o garante de igualdade de oportunidades para muitas famílias".

O sonho de concluir a Ajuda

Ao abordar o último eixo ("Afirmar Lisboa como cidade global"), Medina referiu vários dos exemplos de recuperação do "património histórico e afetivo". Foi o caso, entre outros, do Museu do Aljube, dos Terraços do Carmo, do Pavilhão Carlos Lopes, do Capitólio (agora também denominado Teatro Raul Solnado), da estação Sul e Sueste ou da Nova Feira Popular.

E foi neste ponto, já a conversa ía em hora e meia - e entre quem lotava o Capitólio (desde os altos quadros do município a elementos da estrutura local do PS, e representantes de muitas associações de Lisboa, entre outros) alguns olhavam para o relógio, que já dava quase oito e meia da noite –, que Medina deu um sinal inequívoco sobre o seu futuro.

Minutos depois, já a sessão havia terminado, o autarca acedeu a responder aos jornalistas, mas fez da sua recandidatura uma espécie de tabu. Escusou-se a responder quando e se avançará para as próximas autárquicas, com o argumento que de nesta segunda-feira estava apenas a "cumprir a obrigação de qualquer político, que é a de prestar contas".

Só que pouco antes, quando ainda estava no palco, mesmo ao finalizar a intervenção, Medina falara como se já estivesse no futuro.

Para último slide projetado, escolheu uma imagem que é a antevisão do Palácio Nacional da Ajuda, quando estiver finalmente pronto (uma tarefa a que a Câmara meteu mãos no ano passado). "A recuperação [do palácio] estará concluída no próximo mandato. Nem todos podem dizer que vão concluir uma obra que há 200 anos está inacabada", disse.

Seguidamente, fez uma breve incursão pela História Contemporânea de Portugal, para salientar como nem durante a ditadura, nem durante as quatro décadas de democracia alguém quis ou consegiu colocar a última pedra na Ajuda.

"O que ficará para sempre é que foi em 2016 que a Câmara de Lisboa decidiu iniciar a reabilitação de um palácio da República Portuguesa", lembrou.

Para isso ser possível, há uma conjugação de fatores, explicou Medina: "É a combinação do aproveitamento das verbas do turismo com uma vontade política".

O turismo, uma espécie de novo ouro lisboeta, permite; o homem quer; e a obra ficará finalmente pronta. Assim o garante Medina, na versão 2017-2021.

Foi uma verdadeira maratona, o balanço do atual mandato da Câmara de Lisboa, feito por quem lidera a cidade desde há pouco mais de dois anos (na primeira metade foi António Costa quem esteve ao leme).

Foi um jogo de futebol completo, sem intervalo e com descontos, pois durou 97 ininterruptos minutos (precedido da intervenção de Helena Roseta, a presidente da Assembleia Municipal). Não teve vídeo-árbitro, mas teve muitas imagens, desde gráficos a fotografias, com as quais Fernando Medina pretendeu exibir as provas irrefutáveis da transformação operada nos últimos quatro anos em Lisboa – a cidade "onde todos querem estar", como se apregoava no vídeo mostrado antes da entrada em cena do autarca.

O renovado Capitólio, no ainda longe-de-estar-completamente-requalificado-Parque-Mayer, foi o local escolhido para o futuro cabeça de lista do PS à Câmara de Lisboa fazer o balanço do mandato em curso.

Ao longo da longa intervenção, Medina esforçou-se por mostrar as diferenças registadas em Lisboa. "Há quatro anos a cidade era muito diferente da do vídeo que acabámos de ver", disse logo a abrir.

No período de mais de hora e meia que iria seguir-se, o autarca, em mangas de camisa, falou no palco, em cujo ecrã ia passando ora imagens de Lisboa (desde a antevisão de determinados projetos a planos das obras já realizadas) ora gráficos e esquemas com os resultados da governação da cidade ao longo dos últimos anos.

Se o jornalista não se enganou na contagem (grande parte dos diapositivos estava numerada, o que facilitou a tarefa), foram 64 os slides projetados.

Uma maratona, mas a descer

Foi, assim, uma sessão épica de 97 minutos. Mas pela sucessão de realizações e de performances debitadas por Medina é como se tivesse sido uma maratona mas feita sempre a descer, sem esforços de maior, pois cada balanço ou indicador era melhor ou pelo menos tão bom quanto o anterior.

Foram quatro os "eixos" (ou "pilares", como lhes Medina chamou noutra altura) em que o autarca estruturou o balanço da sua atividade: dar força à economia; melhorar a qualidade de vida dos lisboetas; afirmar os direitos sociais e o combate à exclusão; e afirmar Lisboa como cidade global.

Do conjunto de dados revelados por Medina houve poucas novidades. Ainda assim, anunciou a contratação, já no próximo mês, de 100 novos bombeiros para o Regimento de Sapadores, e revelou a colocação ao serviço dos lisboetas, ainda neste verão, da primeira rede de bicicletas partilhadas.

Em todo o caso, da vasta quantidade de informação prestada por Medina (que no final da sessão fez subir ao palco todos os seus vereadores, também acompanhados por Helena Roseta), há números que ajudam a balizar, na ótica do atual Executivo, o desempenho da cidade nestes quatro anos.

A alavanca do turismo

O turismo como "grande força motora" de Lisboa, responsável pela criação de "80 mil empregos", foi um fatores mais destacados pelo autarca, ao esmiuçar as razões do desenvolvimento económico da cidade. Antes, lembrara que em 2013, quando se inicou o mandato, a taxa de desemprego na Grande Lisboa era de 18,5% (afetando assim praticamente uma em cada cinco pessoas da população ativa).

"O plano de governo para Lisboa em 2013 tinha uma ideia estratégica: vencer a crise e mostrar que a partir de Lisboa era possível fazer uma política anticíclica", afirmou Fernando Medina, que logo depois lembrou não ter sido ele o rosto principal dessa cartada: "[Foi] uma ação presidida magistralmente por António Costa, uma extraordinário presidente de Câmara que Lisboa teve", disse.

Ainda no campo da economia, Medina destacou mais alíneas-chave deste mandato: a "política fiscal competitiva" do município (como lhe chamou), que apostou também na redução da dívida e do passivo. E, sobretudo, a autarquia passou a pagar a tempo e horas aos fornecedores, que "hoje recebem em 48 horas", garantiu.

A importância do transporte público

No eixo da "melhoria da qualidade de vida" dos lisboetas, o presidente da Câmara sublinhou, sobretudo, a importância do programa "Uma Praça em cada bairro". Salientou também o reforço, de meios financeiros e humanos, nos campos da proteção civil e do policiamento da cidade (com as novas competências da Política Municipal). Medina defendeu igualmente a passagem da Carris para autarquia e fez uma inequívoca defesa, até no plano político-ideológio, do transporte público: "Linhas que não são rentáveis devem ser pagas com o orçamento da Câmara", afirmou, o que arrancou palmas na plateia.

No pilar da qualidade de vida, o político socialista referiu ainda a importância do plano geral de drenagem (também pelo volume do investimento, de €185 milhões) e deu uma noção da escala que as hortas urbanas (que já são 750) têm já hoje em Lisboa: ocupam 13 hectares!

Na afirmação dos direitos sociais e do combate à exclusão, o autarca sublinhou a aposta feita na habitação social (que atingiu €67 milhões neste mandato) e, para o futuro, deixou vincado que uma prioridade da sua política será "assegurar habitação para a classe média".

Ainda no terceiro "pilar", em que destacou a requalificação de escolas e a construção de creches, Medina fez uma nova declaração de cariz político bem vincado: "A escola pública é o garante de igualdade de oportunidades para muitas famílias".

O sonho de concluir a Ajuda

Ao abordar o último eixo ("Afirmar Lisboa como cidade global"), Medina referiu vários dos exemplos de recuperação do "património histórico e afetivo". Foi o caso, entre outros, do Museu do Aljube, dos Terraços do Carmo, do Pavilhão Carlos Lopes, do Capitólio (agora também denominado Teatro Raul Solnado), da estação Sul e Sueste ou da Nova Feira Popular.

E foi neste ponto, já a conversa ía em hora e meia - e entre quem lotava o Capitólio (desde os altos quadros do município a elementos da estrutura local do PS, e representantes de muitas associações de Lisboa, entre outros) alguns olhavam para o relógio, que já dava quase oito e meia da noite –, que Medina deu um sinal inequívoco sobre o seu futuro.

Minutos depois, já a sessão havia terminado, o autarca acedeu a responder aos jornalistas, mas fez da sua recandidatura uma espécie de tabu. Escusou-se a responder quando e se avançará para as próximas autárquicas, com o argumento que de nesta segunda-feira estava apenas a "cumprir a obrigação de qualquer político, que é a de prestar contas".

Só que pouco antes, quando ainda estava no palco, mesmo ao finalizar a intervenção, Medina falara como se já estivesse no futuro.

Para último slide projetado, escolheu uma imagem que é a antevisão do Palácio Nacional da Ajuda, quando estiver finalmente pronto (uma tarefa a que a Câmara meteu mãos no ano passado). "A recuperação [do palácio] estará concluída no próximo mandato. Nem todos podem dizer que vão concluir uma obra que há 200 anos está inacabada", disse.

Seguidamente, fez uma breve incursão pela História Contemporânea de Portugal, para salientar como nem durante a ditadura, nem durante as quatro décadas de democracia alguém quis ou consegiu colocar a última pedra na Ajuda.

"O que ficará para sempre é que foi em 2016 que a Câmara de Lisboa decidiu iniciar a reabilitação de um palácio da República Portuguesa", lembrou.

Para isso ser possível, há uma conjugação de fatores, explicou Medina: "É a combinação do aproveitamento das verbas do turismo com uma vontade política".

O turismo, uma espécie de novo ouro lisboeta, permite; o homem quer; e a obra ficará finalmente pronta. Assim o garante Medina, na versão 2017-2021.

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