Manchete do Jornal de Angola, reportagens de antecipação na TPA - a Televisão Pública de Angola -, a passadeira vermelha está estendida em Luanda para receber Marcelo Rebelo de Sousa, que aterra esta terça-feira de Carnaval na capital angolana para uma visita de Estado de quatro dias. É um sinal político, a juntar às declarações de João Lourenço, o presidente angolano, que disse à RTP que as relações entre os dois países estão “no pico da montanha”. Depois de terem batido no chão por causa do processo de Manuel Vicente, é suposto esta visita ser a celebração de uma amizade recuperada, mas com ingredientes económicos: Angola precisa de capital, de divisas e de investidores para gerar emprego e Portugal precisa de exportar.
O jornal do poder cujos editoriais foram em muitas circunstâncias duríssimos para Portugal dá quatro páginas à relação luso-angolana e titula assim: “Visita está à altura das relações especiais entre os dois países”, como afirmou ontem o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto - apesar de, na mesma conferência de imprensa, ter falado de um alegado pedido de desculpas do MNE português sobre os incidentes no bairro da Jamaica (entretanto desmentido por Augusto Santos Silva, o primeiro incidente antes mesmo de a visita ter começado).
A visita do Chefe de Estado português tem sobretudo significado político e antecipa-se a maior receção de sempre a um líder estrangeiro. O contexto é abrangente. Marcelo Rebelo de Sousa disse esta segunda-feira, em Cabo Verde (como já tinha referido ao Expresso), que o objetivo é “consolidar este novo ciclo a todos os níveis, económicos, financeiros, sociais, culturais, educativos e políticos", cujos dossiês foram trabalhados "em tempo recorde, isto é, cerca de seis meses, em todos os domínios”.
Para Angola e Portugal, na verdade, a componente das empresas é fundamental e não será por acaso que os ministros da Economia, Pedro Siza Vieira estará com o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, na comitiva: em cima da mesa está a recuperação das dívidas do Estado angolano às empresas portuguesas, possibilidades de investimento em áreas como o agroalimentar, mas também a questão das dívidas de companhias portuguesas ao fisco angolano.
Essa questão também foi levantada na conferência de imprensa do ministro das Relações Exteriores de Angola: “Quando falamos da dívida, não estamos só a falar da dívida de Angola com Portugal, mas também da regularização da dívida fiscal de empresas portuguesas para com o Estado angolano”, disse Manuel Augusto aos jornalistas, embora ressalvando que “a dívida já não constitui o assunto principal nas relações entre Angola e Portugal”. Mas não deixará de ser assunto.
O próprio Presidente angolano fez um apelo aos empresários portugueses na entrevista que deu à RTP esta terça-feira: "Gostaríamos de ver maior presença do empresariado português na agricultura, nas indústrias, na indústria transformadora, nas várias indústrias, não especificamente na indústria extrativa, mas sobretudo na indústria transformadora, no turismo. Sobretudo nessas áreas".
Do ponto de vista político e diplomático, o enfoque estará nos instrumentos de cooperação que os dois governos vão fechar, como disse Marcelo Rebelo de Sousa, que referiu a “assinatura" de "cerca de 50 acordos” que devem ter "resultados efetivos em termos financeiros para os empresários portugueses e angolanos” mas também envolvem "cooperação em formação dos professores, em matéria de saúde, em domínios que vão desde administração interna à justiça, um pouco de tudo”, acrescentou.
O programa oficial só começa na quarta-feira, apesar de o Presidente português ter sido convidado a estar hoje no 65º aniversario do presidente João Lourenço. Um convite pessoal, que acontece cerca de 20 anos depois de, por acaso, ter estado do aniversário da agora primeira-dama Ana Dias Lourenço. Amanhã, depois das cerimónias oficiais no Parlamento e no palácio presidencial, Marcelo fará uma palestra na Universidade Agostinho Neto, onde impulsionou a criação de cursos de mestrado e doutoramento. Segundo Evaristo Solano, vice-decano para os assuntos científicos da Faculdade de Direito, comentou com o Jornal de Angola a influência de Marcelo: “Hoje temos um número muito elevado de mestres e há um número muito elevado de mestres e há um número de inscritos no curso de doutoramento, devo dizer que o professor Marcelo Rebelo de Sousa tem impressão digital destes programas”.
A visita passará ainda pelas províncias da Huíla e Benguela. Rebelo de Sousa vai ao Lobito - terra natal de João Lourenço - e encerrará um fórum empresarial na quinta-feira. No último dia de visita, mais um marco simbólico: comemora em Luanda os três anos de mandato.
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Manchete do Jornal de Angola, reportagens de antecipação na TPA - a Televisão Pública de Angola -, a passadeira vermelha está estendida em Luanda para receber Marcelo Rebelo de Sousa, que aterra esta terça-feira de Carnaval na capital angolana para uma visita de Estado de quatro dias. É um sinal político, a juntar às declarações de João Lourenço, o presidente angolano, que disse à RTP que as relações entre os dois países estão “no pico da montanha”. Depois de terem batido no chão por causa do processo de Manuel Vicente, é suposto esta visita ser a celebração de uma amizade recuperada, mas com ingredientes económicos: Angola precisa de capital, de divisas e de investidores para gerar emprego e Portugal precisa de exportar.
O jornal do poder cujos editoriais foram em muitas circunstâncias duríssimos para Portugal dá quatro páginas à relação luso-angolana e titula assim: “Visita está à altura das relações especiais entre os dois países”, como afirmou ontem o ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto - apesar de, na mesma conferência de imprensa, ter falado de um alegado pedido de desculpas do MNE português sobre os incidentes no bairro da Jamaica (entretanto desmentido por Augusto Santos Silva, o primeiro incidente antes mesmo de a visita ter começado).
A visita do Chefe de Estado português tem sobretudo significado político e antecipa-se a maior receção de sempre a um líder estrangeiro. O contexto é abrangente. Marcelo Rebelo de Sousa disse esta segunda-feira, em Cabo Verde (como já tinha referido ao Expresso), que o objetivo é “consolidar este novo ciclo a todos os níveis, económicos, financeiros, sociais, culturais, educativos e políticos", cujos dossiês foram trabalhados "em tempo recorde, isto é, cerca de seis meses, em todos os domínios”.
Para Angola e Portugal, na verdade, a componente das empresas é fundamental e não será por acaso que os ministros da Economia, Pedro Siza Vieira estará com o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, na comitiva: em cima da mesa está a recuperação das dívidas do Estado angolano às empresas portuguesas, possibilidades de investimento em áreas como o agroalimentar, mas também a questão das dívidas de companhias portuguesas ao fisco angolano.
Essa questão também foi levantada na conferência de imprensa do ministro das Relações Exteriores de Angola: “Quando falamos da dívida, não estamos só a falar da dívida de Angola com Portugal, mas também da regularização da dívida fiscal de empresas portuguesas para com o Estado angolano”, disse Manuel Augusto aos jornalistas, embora ressalvando que “a dívida já não constitui o assunto principal nas relações entre Angola e Portugal”. Mas não deixará de ser assunto.
O próprio Presidente angolano fez um apelo aos empresários portugueses na entrevista que deu à RTP esta terça-feira: "Gostaríamos de ver maior presença do empresariado português na agricultura, nas indústrias, na indústria transformadora, nas várias indústrias, não especificamente na indústria extrativa, mas sobretudo na indústria transformadora, no turismo. Sobretudo nessas áreas".
Do ponto de vista político e diplomático, o enfoque estará nos instrumentos de cooperação que os dois governos vão fechar, como disse Marcelo Rebelo de Sousa, que referiu a “assinatura" de "cerca de 50 acordos” que devem ter "resultados efetivos em termos financeiros para os empresários portugueses e angolanos” mas também envolvem "cooperação em formação dos professores, em matéria de saúde, em domínios que vão desde administração interna à justiça, um pouco de tudo”, acrescentou.
O programa oficial só começa na quarta-feira, apesar de o Presidente português ter sido convidado a estar hoje no 65º aniversario do presidente João Lourenço. Um convite pessoal, que acontece cerca de 20 anos depois de, por acaso, ter estado do aniversário da agora primeira-dama Ana Dias Lourenço. Amanhã, depois das cerimónias oficiais no Parlamento e no palácio presidencial, Marcelo fará uma palestra na Universidade Agostinho Neto, onde impulsionou a criação de cursos de mestrado e doutoramento. Segundo Evaristo Solano, vice-decano para os assuntos científicos da Faculdade de Direito, comentou com o Jornal de Angola a influência de Marcelo: “Hoje temos um número muito elevado de mestres e há um número muito elevado de mestres e há um número de inscritos no curso de doutoramento, devo dizer que o professor Marcelo Rebelo de Sousa tem impressão digital destes programas”.
A visita passará ainda pelas províncias da Huíla e Benguela. Rebelo de Sousa vai ao Lobito - terra natal de João Lourenço - e encerrará um fórum empresarial na quinta-feira. No último dia de visita, mais um marco simbólico: comemora em Luanda os três anos de mandato.