À partida, poderá parecer escusado uma ilha da dimensão de São Miguel ter dois Museus direccionados à arte contemporânea. E esta é uma ideia que até poderá fazer algum sentido. No entanto, importa desconstruir as relações custo-benefício destas duas obras, para podermos melhor compreender, de facto, a utilidade de cada uma delas. Sobre o Centro de Arte Contemporânea, que ficará na Ribeira Grande, a informação divulgada ainda não é muita. Sabe-se apenas que terá um valor que ascenderá os 13 milhões de euros e será assinado pelos arquitectos João Mendes Ribeiro, Cristina Guedes e Francisco Campos. Em 2009, na apresentação da recandidatura à Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral apresentou o projecto para o Museu de Arte Contemporânea, que ficará situado na nova Avenida do Mar, na zona nascente da maior cidade dos Açores. O custo desta obra será de, aproximadamente, 7 milhões de euros e será assinado por Oscar Niemayer, provavelmente o arquitecto vivo mais famoso do mundo. É fundamental referir que Niemeyer é o único arquitecto que concebeu uma cidade do zero e que é Património Cultural da Humanidade, a capital do Brasil, Brasilia. Ademais, segundo informação da Câmara Municipal de Ponta Delgada, o Museu será comparticipado em 85% por fundos comunitários que são direccionados à cultura e que de outra forma, poderiam não ser utilizados. Por outro lado, o contrato assinado pela Presidente da Câmara de Ponta Delgada e o gabinete de Niemeyer engloba todo o projecto arquitectónico em si e de todos os estudos de especialidade necessários e garante ainda que o Museu ficará inserido no Caminho de Niemeyer, uma rota de cidades mundiais que contam com obras do arquitecto. Trata-se, portanto, de muito mais do que um simples projecto de arquitectura, é também uma medida que coloca Ponta Delgada no mapa da cultura internacional. A construção do Museu em Ponta Delgada irá, então, revitalizar a economia, criar emprego e será uma aposta séria para a dinamização do turismo em São Miguel. Sendo certo que existem muitas outras áreas seriam prioritárias, a aposta na Cultura nunca será excessiva. Basta ver que Ponta Delgada ficou a ganhar e muito com a co-existência do Teatro Micaelense e do Coliseu. Penso que o importante aqui é olhar às relações custo/benefício. Enquanto que o Museu de Ponta Delgada terá um custo irrisório para os contribuinte, apenas 15% dos 7 milhões do valor total da obra, mas com muitos benefícios, como vimos. O Museu da Ribeira Grande custará aos açorianos, pelo menos, 13 milhoes de euros e não se vislumbra grande mais valias, pelo menos, analisada a informação que o Governo libertou. No entanto, já se começam a ouvir e a ler muitas vozes, relacionadas com o Partido Socialista, incomodadas com a construção do Museu pela Câmara de Ponta Delgada. E depois de termos visto os custos a benefícios que ambas as obras terão, torna-se compreensível que fiquem incomodados. É que com metade do preço, e ainda por cima comparticipado em 85%, Berta Cabral consegue uma obra de muito maior dimensão e com muitos mais benefícios para São Miguel. Não basta ter dinheiro e atirar para cima dos problemas.É preciso trabalhar e saber gerir o bem público.
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À partida, poderá parecer escusado uma ilha da dimensão de São Miguel ter dois Museus direccionados à arte contemporânea. E esta é uma ideia que até poderá fazer algum sentido. No entanto, importa desconstruir as relações custo-benefício destas duas obras, para podermos melhor compreender, de facto, a utilidade de cada uma delas. Sobre o Centro de Arte Contemporânea, que ficará na Ribeira Grande, a informação divulgada ainda não é muita. Sabe-se apenas que terá um valor que ascenderá os 13 milhões de euros e será assinado pelos arquitectos João Mendes Ribeiro, Cristina Guedes e Francisco Campos. Em 2009, na apresentação da recandidatura à Câmara de Ponta Delgada, Berta Cabral apresentou o projecto para o Museu de Arte Contemporânea, que ficará situado na nova Avenida do Mar, na zona nascente da maior cidade dos Açores. O custo desta obra será de, aproximadamente, 7 milhões de euros e será assinado por Oscar Niemayer, provavelmente o arquitecto vivo mais famoso do mundo. É fundamental referir que Niemeyer é o único arquitecto que concebeu uma cidade do zero e que é Património Cultural da Humanidade, a capital do Brasil, Brasilia. Ademais, segundo informação da Câmara Municipal de Ponta Delgada, o Museu será comparticipado em 85% por fundos comunitários que são direccionados à cultura e que de outra forma, poderiam não ser utilizados. Por outro lado, o contrato assinado pela Presidente da Câmara de Ponta Delgada e o gabinete de Niemeyer engloba todo o projecto arquitectónico em si e de todos os estudos de especialidade necessários e garante ainda que o Museu ficará inserido no Caminho de Niemeyer, uma rota de cidades mundiais que contam com obras do arquitecto. Trata-se, portanto, de muito mais do que um simples projecto de arquitectura, é também uma medida que coloca Ponta Delgada no mapa da cultura internacional. A construção do Museu em Ponta Delgada irá, então, revitalizar a economia, criar emprego e será uma aposta séria para a dinamização do turismo em São Miguel. Sendo certo que existem muitas outras áreas seriam prioritárias, a aposta na Cultura nunca será excessiva. Basta ver que Ponta Delgada ficou a ganhar e muito com a co-existência do Teatro Micaelense e do Coliseu. Penso que o importante aqui é olhar às relações custo/benefício. Enquanto que o Museu de Ponta Delgada terá um custo irrisório para os contribuinte, apenas 15% dos 7 milhões do valor total da obra, mas com muitos benefícios, como vimos. O Museu da Ribeira Grande custará aos açorianos, pelo menos, 13 milhoes de euros e não se vislumbra grande mais valias, pelo menos, analisada a informação que o Governo libertou. No entanto, já se começam a ouvir e a ler muitas vozes, relacionadas com o Partido Socialista, incomodadas com a construção do Museu pela Câmara de Ponta Delgada. E depois de termos visto os custos a benefícios que ambas as obras terão, torna-se compreensível que fiquem incomodados. É que com metade do preço, e ainda por cima comparticipado em 85%, Berta Cabral consegue uma obra de muito maior dimensão e com muitos mais benefícios para São Miguel. Não basta ter dinheiro e atirar para cima dos problemas.É preciso trabalhar e saber gerir o bem público.