Ministro da Educação ausente de debate no parlamento para ir à Rússia ver jogo de Portugal
Ministro da Educação ausente de debate no parlamento para ir à Rússia ver jogo de Portugal
Ana Petronilho 20/06/2018 17:56
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Há duas semanas que decorre a maior greve de professores enfrentada por este governo. Desde que arrancou o protesto, a única vez que o ministro da Educação falou sobre o assunto foi no parlamento há cinco dias. Há 15 dias que não é enviada aos órgãos de comunicação social nota de agenda oficial de Tiago Brandão Rodrigues
Numa altura em que o governo está num braço de ferro com os professores, sendo este o momento mais tenso que se vive na pasta da Educação, o ministro Tiago Brandão Rodrigues decidiu rumar a Moscovo para assistir ao jogo de Portugal, ausentado-se do país.
Esta foi também a razão para que o ministro não tivesse marcado presença no debate quinzenal que hoje decorreu na presença do primeiro-ministro e de todos os restantes membros do governo.
Desta vez, o Ministério da Educação decidiu contrariar a prática habitual e não enviou qualquer comunicado oficial sobre a viagem do ministro a Moscovo.
No entanto, fonte oficial da tutela confirmou ao i a deslocação do ministro a Moscovo, fazendo-se acompanhar da sua assessora. Recorde-se que o ministro Tiago Brandão Rodrigues tutela o desporto existindo no ministério um secretário de Estado com responsabilidades exclusivas no desporto e na juventude, que não se deslocou à Rússia.
A deslocação do ministro acontece ainda numa altura em que está em curso, desde há duas semanas, o maior protesto de professores desde que este governo tomou posse: a greve às avaliações dos alunos.
A única vez que o ministro fez declarações públicas sobre a greve foi no parlamento, durante um debate em plenário, há cinco dias.
Um dia antes do início da primeira greve, a 4 de junho, o ministro falou à imprensa no final da última reunião negocial com os sindicatos que terminou sem qualquer acordo sobre o descongelamento das carreiras para os professores. Desde então que o ministro se tem remetido ao silêncio.
Questionado pelo i sobre os motivos de ausência e o silêncio do ministro, o Ministério da Educação diz que “o ministro esteve visível e falou publicamente no final das reuniões com os sindicatos, o que nem é comum porque se tratam de reuniões regulares de trabalho”. A tutela argumenta ainda que “depois a agenda seguiu normalmente, com idas a escolas, eventos públicos e não públicos e ao parlamento”.
No entanto, há 15 dias que a tutela não envia aos órgãos de comunicação social qualquer nota de agenda pública do ministro. A última nota de agenda de Tiago Brandão Rodrigues que chegou à comunicação social tem a data de 5 de junho e diz respeito a uma visita realizada pelo ministro ao Conservatório de Lisboa para a apresentação da reabilitação do edifício. Para esse evento o ministro foi acompanhado do primeiro-ministro.
Desde que arrancou o protesto que o único membro da tutela a fazer declarações e a prestar esclarecimentos tem sido o secretário de Estado da Educação, João Costa, que já veio a público explicar as orientações enviadas às escolas, onde constam as regras a adotar durante a greve. Ontem, João Costa participou ainda num debate da TSF sobre o tema das greves e reuniu na semana passada, no norte do país, com as escolas.
Hoje no parlamento foi a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, a representar o Ministério da Educação.
Tudo isto tem feito com que os professores tenham vindo a questionar a existência de um ministro da Educação.
Esta já não é a primeira vez que, em momentos tensos da sua tutela, o ministro Tiago Brandão Rodrigues se ausenta e se remete ao silêncio. Já em 2016, quando o ministério enfrentou o primeiro momento de forte contestação, com os colégio a manifestarem-se contra o corte dos contratos de associação, Tiago Brandão Rodrigues decidiu rumar ao Brasil para assistir aos Jogos Olímpicos, fazendo-se acompanhar da sua assessora.
Nessa altura, coube à secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, tomar as rédeas do conflito, por parte do governo.
Outra situação de ausência foi quando os professores agendaram uma manifestação à porta do parlamento enquanto decorria o debate do Orçamento do Estado. Nesse dia, Tiago Brandão Rodrigues foi internado no Hospital de Sta. Maria por tempo indeterminado com vertigens agudas.
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Ministro da Educação ausente de debate no parlamento para ir à Rússia ver jogo de Portugal
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Há duas semanas que decorre a maior greve de professores enfrentada por este governo. Desde que arrancou o protesto, a única vez que o ministro da Educação falou sobre o assunto foi no parlamento há cinco dias. Há 15 dias que não é enviada aos órgãos de comunicação social nota de agenda oficial de Tiago Brandão Rodrigues
Numa altura em que o governo está num braço de ferro com os professores, sendo este o momento mais tenso que se vive na pasta da Educação, o ministro Tiago Brandão Rodrigues decidiu rumar a Moscovo para assistir ao jogo de Portugal, ausentado-se do país.
Esta foi também a razão para que o ministro não tivesse marcado presença no debate quinzenal que hoje decorreu na presença do primeiro-ministro e de todos os restantes membros do governo.
Desta vez, o Ministério da Educação decidiu contrariar a prática habitual e não enviou qualquer comunicado oficial sobre a viagem do ministro a Moscovo.
No entanto, fonte oficial da tutela confirmou ao i a deslocação do ministro a Moscovo, fazendo-se acompanhar da sua assessora. Recorde-se que o ministro Tiago Brandão Rodrigues tutela o desporto existindo no ministério um secretário de Estado com responsabilidades exclusivas no desporto e na juventude, que não se deslocou à Rússia.
A deslocação do ministro acontece ainda numa altura em que está em curso, desde há duas semanas, o maior protesto de professores desde que este governo tomou posse: a greve às avaliações dos alunos.
A única vez que o ministro fez declarações públicas sobre a greve foi no parlamento, durante um debate em plenário, há cinco dias.
Um dia antes do início da primeira greve, a 4 de junho, o ministro falou à imprensa no final da última reunião negocial com os sindicatos que terminou sem qualquer acordo sobre o descongelamento das carreiras para os professores. Desde então que o ministro se tem remetido ao silêncio.
Questionado pelo i sobre os motivos de ausência e o silêncio do ministro, o Ministério da Educação diz que “o ministro esteve visível e falou publicamente no final das reuniões com os sindicatos, o que nem é comum porque se tratam de reuniões regulares de trabalho”. A tutela argumenta ainda que “depois a agenda seguiu normalmente, com idas a escolas, eventos públicos e não públicos e ao parlamento”.
No entanto, há 15 dias que a tutela não envia aos órgãos de comunicação social qualquer nota de agenda pública do ministro. A última nota de agenda de Tiago Brandão Rodrigues que chegou à comunicação social tem a data de 5 de junho e diz respeito a uma visita realizada pelo ministro ao Conservatório de Lisboa para a apresentação da reabilitação do edifício. Para esse evento o ministro foi acompanhado do primeiro-ministro.
Desde que arrancou o protesto que o único membro da tutela a fazer declarações e a prestar esclarecimentos tem sido o secretário de Estado da Educação, João Costa, que já veio a público explicar as orientações enviadas às escolas, onde constam as regras a adotar durante a greve. Ontem, João Costa participou ainda num debate da TSF sobre o tema das greves e reuniu na semana passada, no norte do país, com as escolas.
Hoje no parlamento foi a secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, a representar o Ministério da Educação.
Tudo isto tem feito com que os professores tenham vindo a questionar a existência de um ministro da Educação.
Esta já não é a primeira vez que, em momentos tensos da sua tutela, o ministro Tiago Brandão Rodrigues se ausenta e se remete ao silêncio. Já em 2016, quando o ministério enfrentou o primeiro momento de forte contestação, com os colégio a manifestarem-se contra o corte dos contratos de associação, Tiago Brandão Rodrigues decidiu rumar ao Brasil para assistir aos Jogos Olímpicos, fazendo-se acompanhar da sua assessora.
Nessa altura, coube à secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, tomar as rédeas do conflito, por parte do governo.
Outra situação de ausência foi quando os professores agendaram uma manifestação à porta do parlamento enquanto decorria o debate do Orçamento do Estado. Nesse dia, Tiago Brandão Rodrigues foi internado no Hospital de Sta. Maria por tempo indeterminado com vertigens agudas.