Faltava animação na ‘geringonça’, não faltava? Pois bem, acabou-se a estratégia de não-agressão do PS e os ataques aos parceiros de esquerda chegaram em doses redobradas e com especial violência. Na noite desta quarta-feira, em Setúbal, António Costa foi particularmente duro: "Lamento. O voto no protesto pode lavar a consciência, mas o voto do protesto não resolve nenhum problema”, criticou o socialista.
O tema já tinha animado o almoço dos socialistas, quando Pedro Marques aproveitou para desferir o primeiro ataque aos parceiros de esquerda nesta campanha. O pretexto foram as declarações de Marisa Matias, que sugeriu que o PS tem duas caras (uma para consumo interno, outra para consumo externo) e exigiu a António Costa que clarificasse a sua política de alianças na Europa. À noite, a resposta do líder socialista não se fez esperar. “Julgava que [BE e PCP] já tinham percebido que mais vale estarem comprometidos com uma solução de governo do que se manterem arredados numa mera posição de protesto. Infelizmente vejo que aprenderam em Portugal e não aprenderam na Europa”.
O líder socialista defendeu-se assim das críticas que vão sendo feitas por BE e PCP sobre a aproximação de Costa a Emmanuel Macron, Presidente francês, como parte de uma estratégia de construir uma “grande frente progressista” para travar o “crescimento da extrema-direita” na Europa.
António Costa não só assumiu esse desígnio (“sabemos que a vida se faz de construção de amizades e queremos uma grande frente que derrote a direita conservadora”), como recordou ao Bloco que também Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, apareceu na grande foto de família desta recém forjada aliança progressista. “O voto no protesto em nada contribuiu para derrotarmos a direita conservadora”, rematou António Costa.
Pedro Marques acusa Bloco de ser “ambíguo”
E, já diz o adágio popular, não há mesmo fome que não dê em fartura. Depois de tanto tempo em silêncio e a escutar as críticas da esquerda, Pedro Marques não só já responde aos parceiros parlamentares, como até os distingue: se o PCP tem sido coerente na defesa da saída de Portugal do euro, mesmo que "não explique a ninguém" as consequências dessa decisão, "o Bloco é mais ambíguo", comentou o cabeça de lista do PS. Dividir para conquistar.
"Afinal, [os bloquistas] estão disponíveis para fazer parte da coligação de europeístas, como Alexis Tsipras, ou está com um pé fora do euro como o PCP? Estão do lado do europeísmo ou do pessimismo? Não é tempo de ambiguidades", provocou o cabeça de lista do PS. "Nós sabemos onde estamos. Estamos do lado da Europa."
E Mário Centeno, convidado de honra deste jantar-comício e o sétimo ministro a vir a jogo nesta campanha? Bom, que o atual ministro das Finanças é e será um grande trunfo dos socialistas nestas e nas próximas eleições é um facto indesmentível. O presidente do Eurogrupo, aliás, tem estado na lapela de cada socialista (ministro ou não) que passou pela caravana do PS, como um pin que deve orgulhar todos os militantes. Mas antes na lapela do que no palco: apesar dos três anos e meio de Governo, Centeno continua longe de ser um galvanizador.
O discurso (loooongoo) do ministro das Finanças foi recebido com apatia pelos cerca de mil socialistas presentes. Enquanto Centeno discorria sobre a popularidade do euro, o “sucesso” do projeto europeu e a ideia da Europa da “solidariedade”, da “partilha” e da “paz”, contra a ideia da Europa dos “credores” e da “austeridade”, a indiferença era palpável. Até que o ministro das Finanças decidiu agitar as emoções dos socialistas e responder diretamente a Pedro Passos Coelho, que, dias antes, ao lado de Paulo Rangel, acusara o Governo de recorrer a “truques” e “ilusionismos”.
“O coro de penitentes mudou de tema: agora confundem trabalho e superação com truques e ilusionismo. Eles que nunca conseguiram atingir uma meta a que se tenham proposto. Provámos à exaustão que havia alternativa”, sentenciou Mário Centeno. Acabou aplaudido, quase um proforma. O ministro das Finanças é popular e fica bem na fotografia. Mas ainda não anima campanhas.
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Faltava animação na ‘geringonça’, não faltava? Pois bem, acabou-se a estratégia de não-agressão do PS e os ataques aos parceiros de esquerda chegaram em doses redobradas e com especial violência. Na noite desta quarta-feira, em Setúbal, António Costa foi particularmente duro: "Lamento. O voto no protesto pode lavar a consciência, mas o voto do protesto não resolve nenhum problema”, criticou o socialista.
O tema já tinha animado o almoço dos socialistas, quando Pedro Marques aproveitou para desferir o primeiro ataque aos parceiros de esquerda nesta campanha. O pretexto foram as declarações de Marisa Matias, que sugeriu que o PS tem duas caras (uma para consumo interno, outra para consumo externo) e exigiu a António Costa que clarificasse a sua política de alianças na Europa. À noite, a resposta do líder socialista não se fez esperar. “Julgava que [BE e PCP] já tinham percebido que mais vale estarem comprometidos com uma solução de governo do que se manterem arredados numa mera posição de protesto. Infelizmente vejo que aprenderam em Portugal e não aprenderam na Europa”.
O líder socialista defendeu-se assim das críticas que vão sendo feitas por BE e PCP sobre a aproximação de Costa a Emmanuel Macron, Presidente francês, como parte de uma estratégia de construir uma “grande frente progressista” para travar o “crescimento da extrema-direita” na Europa.
António Costa não só assumiu esse desígnio (“sabemos que a vida se faz de construção de amizades e queremos uma grande frente que derrote a direita conservadora”), como recordou ao Bloco que também Alexis Tsipras, primeiro-ministro grego, apareceu na grande foto de família desta recém forjada aliança progressista. “O voto no protesto em nada contribuiu para derrotarmos a direita conservadora”, rematou António Costa.
Pedro Marques acusa Bloco de ser “ambíguo”
E, já diz o adágio popular, não há mesmo fome que não dê em fartura. Depois de tanto tempo em silêncio e a escutar as críticas da esquerda, Pedro Marques não só já responde aos parceiros parlamentares, como até os distingue: se o PCP tem sido coerente na defesa da saída de Portugal do euro, mesmo que "não explique a ninguém" as consequências dessa decisão, "o Bloco é mais ambíguo", comentou o cabeça de lista do PS. Dividir para conquistar.
"Afinal, [os bloquistas] estão disponíveis para fazer parte da coligação de europeístas, como Alexis Tsipras, ou está com um pé fora do euro como o PCP? Estão do lado do europeísmo ou do pessimismo? Não é tempo de ambiguidades", provocou o cabeça de lista do PS. "Nós sabemos onde estamos. Estamos do lado da Europa."
E Mário Centeno, convidado de honra deste jantar-comício e o sétimo ministro a vir a jogo nesta campanha? Bom, que o atual ministro das Finanças é e será um grande trunfo dos socialistas nestas e nas próximas eleições é um facto indesmentível. O presidente do Eurogrupo, aliás, tem estado na lapela de cada socialista (ministro ou não) que passou pela caravana do PS, como um pin que deve orgulhar todos os militantes. Mas antes na lapela do que no palco: apesar dos três anos e meio de Governo, Centeno continua longe de ser um galvanizador.
O discurso (loooongoo) do ministro das Finanças foi recebido com apatia pelos cerca de mil socialistas presentes. Enquanto Centeno discorria sobre a popularidade do euro, o “sucesso” do projeto europeu e a ideia da Europa da “solidariedade”, da “partilha” e da “paz”, contra a ideia da Europa dos “credores” e da “austeridade”, a indiferença era palpável. Até que o ministro das Finanças decidiu agitar as emoções dos socialistas e responder diretamente a Pedro Passos Coelho, que, dias antes, ao lado de Paulo Rangel, acusara o Governo de recorrer a “truques” e “ilusionismos”.
“O coro de penitentes mudou de tema: agora confundem trabalho e superação com truques e ilusionismo. Eles que nunca conseguiram atingir uma meta a que se tenham proposto. Provámos à exaustão que havia alternativa”, sentenciou Mário Centeno. Acabou aplaudido, quase um proforma. O ministro das Finanças é popular e fica bem na fotografia. Mas ainda não anima campanhas.