Realizou-se ontem em Lisboa a conferência internacional Risk Revealed, organizada pela Thomson Reuters, com enfoque na análise de risco, cumprimento da regulação e prevenção ou combate ao branqueamento de capitais. Entre os oradores, destaque para João Paulo Batalha (presidente da Transparência e Integridade, Associação Cívica), Heike Jennewein (presales senior consultant da FICO Tonbeller), além de especialistas da Thomson Reuters como Nicola Pasariello e Daria Wilkosz que analisam riscos de terceiros e a 4ª Diretiva europeia sobre branqueamento de capitais.
[frames-chart src=”https://s.frames.news/cards/branqueamento-de-capitais/?locale=pt-PT&static” width=”300px” id=”412″ slug=”branqueamento-de-capitais” thumbnail-url=”https://s.frames.news/cards/branqueamento-de-capitais/thumbnail?version=1505212121182&locale=pt-PT&publisher=www.jornaleconomico.pt” mce-placeholder=”1″]Na intervenção de abertura, Batalha salientou que “enquanto as empresas, sobretudo as PME, tendem a ver a gestão de riscos como uma questão de compliance que as obriga a correr atrás da nova regulação, para se adaptarem às obrigações que lhes vão sendo impostas, os reguladores e as autoridades públicas impõem cada vez mais requisitos de due dilligence. Na prática vão passando às empresas custos de prevenção de riscos, de corrupção e outros”.
“Após sucessivos escândalos como os SwissLeaks, LuxLeaks, Panama Papers, etc., e de atentados terroristas como os de Paris, acelerou-se a regulação em matérias como o branqueamento de capitais, identificação de beneficiários efetivos ou as obrigações de diligência devida sobre clientes e parceiros de negócios”, prosseguiu Batalha. “Pouco depois de adotada, a 4ª Diretiva europeia sobre branqueamento de capitais, transposta por Portugal no ano passado, já estava em preparação a 5ª Diretiva, entretanto adotada em julho e que terá de ser transposta até 2020. Aliás, já se discute a 6ª Diretiva. Há uma aceleração da regulação que será o novo paradigma nos tempos futuros”.
O presidente da TIAC realçou também “a existência de fenómenos de acumulação de riscos: aos riscos operacionais, de segurança, financeiros, etc., com que as empresas, mal ou bem, se habituaram a lidar, somam-se hoje riscos políticos relacionados com a promiscuidade entre decisores públicos e alguns players de negócios. Esta promiscuidade cria distorções no mercado que significam que não é pela inovação ou pela qualidade que as empresas triunfam, mas pela influência e acesso aos decisores públicos”.
Analisando a nova diretiva de proteção de denunciantes que está em preparação na União Europeia, Batalha disse que “consagrará obrigações muito específicas para as organizações públicas e privadas, no que diz respeito à existência de canais de reporte de irregularidades e de procedimentos de proteção a quem denuncia. Portugal já sai atrasado nesta questão, na medida em que já há vários países europeus com normativos bastante mais avançados do que o nosso e que, como tal, terão menos custos de adaptação à Diretiva que vier a sair”.
Concluindo, “a atitude das empresas não pode ser a do mero compliance de checklist. É necessária liderança para, antecipando as evoluções regulatórias, criar verdadeiros sistemas de integridade nas organizações que tornam também a adaptação à nova regulação mais fácil, se as empresas já interiorizarem valores de transparência, integridade e responsabilidade”.
“Inteligência Artificial terá um papel essencial”
A assistir à conferência estava João Dias, consultor, o qual questionámos sobre o que motivou a sua participação. “Curiosidade e interesse profissional”, começou por responder. “Tanto a análise de risco, como as práticas de compliance, ou as novas ferramentas de dados, obtive informações relevantes a partir das várias intervenções e que serão úteis no meu trabalho. A permanente atualização de conhecimento nestas áreas é fundamental”.
Por sua vez, Maria Inês Mendes, advogada, explicou que se trata de “uma área de interesse pessoal e profissional, relativamente à qual tenho desenvolvido competências pelo estudo e aprofundamento da mesma, sendo ainda uma área indespensável para quem lida profissionalmente com a contratação em sede de direito comercial, nomeadamente em transações internacionais”.
Que intervenção, informação específica ou ideia é que destaca a partir do que ouviu? “Mais do que uma intervenção, informação ou ideia resulta do todo desta conferência que o compliance é um ‘ramo’ do direito que crescerá em importância e relativamente ao qual a Inteligência Artificial (IA) terá um papel essencial . Aliás, a IA, já hoje, em jurisdições como a dos EUA tem um papel determinante no acesso dos cidadãos ao direito, na perspetiva da obtenção de informação e respostas às suas dúvidas quotidianas”, realçou Mendes.
Para Dias, a intervenção mais interessante foi a de Jennewein, sobre a base de dados World-Check. “É uma ferramenta que pode ser muito útil na prevenção de riscos, ao possibilitar a consulta de dados compilados, informações sobre determinados agentes ou empresas. Para quem trabalha com mercados financeiros, esta informação organizada e sistematizada é muito valiosa”, enalteceu.
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Realizou-se ontem em Lisboa a conferência internacional Risk Revealed, organizada pela Thomson Reuters, com enfoque na análise de risco, cumprimento da regulação e prevenção ou combate ao branqueamento de capitais. Entre os oradores, destaque para João Paulo Batalha (presidente da Transparência e Integridade, Associação Cívica), Heike Jennewein (presales senior consultant da FICO Tonbeller), além de especialistas da Thomson Reuters como Nicola Pasariello e Daria Wilkosz que analisam riscos de terceiros e a 4ª Diretiva europeia sobre branqueamento de capitais.
[frames-chart src=”https://s.frames.news/cards/branqueamento-de-capitais/?locale=pt-PT&static” width=”300px” id=”412″ slug=”branqueamento-de-capitais” thumbnail-url=”https://s.frames.news/cards/branqueamento-de-capitais/thumbnail?version=1505212121182&locale=pt-PT&publisher=www.jornaleconomico.pt” mce-placeholder=”1″]Na intervenção de abertura, Batalha salientou que “enquanto as empresas, sobretudo as PME, tendem a ver a gestão de riscos como uma questão de compliance que as obriga a correr atrás da nova regulação, para se adaptarem às obrigações que lhes vão sendo impostas, os reguladores e as autoridades públicas impõem cada vez mais requisitos de due dilligence. Na prática vão passando às empresas custos de prevenção de riscos, de corrupção e outros”.
“Após sucessivos escândalos como os SwissLeaks, LuxLeaks, Panama Papers, etc., e de atentados terroristas como os de Paris, acelerou-se a regulação em matérias como o branqueamento de capitais, identificação de beneficiários efetivos ou as obrigações de diligência devida sobre clientes e parceiros de negócios”, prosseguiu Batalha. “Pouco depois de adotada, a 4ª Diretiva europeia sobre branqueamento de capitais, transposta por Portugal no ano passado, já estava em preparação a 5ª Diretiva, entretanto adotada em julho e que terá de ser transposta até 2020. Aliás, já se discute a 6ª Diretiva. Há uma aceleração da regulação que será o novo paradigma nos tempos futuros”.
O presidente da TIAC realçou também “a existência de fenómenos de acumulação de riscos: aos riscos operacionais, de segurança, financeiros, etc., com que as empresas, mal ou bem, se habituaram a lidar, somam-se hoje riscos políticos relacionados com a promiscuidade entre decisores públicos e alguns players de negócios. Esta promiscuidade cria distorções no mercado que significam que não é pela inovação ou pela qualidade que as empresas triunfam, mas pela influência e acesso aos decisores públicos”.
Analisando a nova diretiva de proteção de denunciantes que está em preparação na União Europeia, Batalha disse que “consagrará obrigações muito específicas para as organizações públicas e privadas, no que diz respeito à existência de canais de reporte de irregularidades e de procedimentos de proteção a quem denuncia. Portugal já sai atrasado nesta questão, na medida em que já há vários países europeus com normativos bastante mais avançados do que o nosso e que, como tal, terão menos custos de adaptação à Diretiva que vier a sair”.
Concluindo, “a atitude das empresas não pode ser a do mero compliance de checklist. É necessária liderança para, antecipando as evoluções regulatórias, criar verdadeiros sistemas de integridade nas organizações que tornam também a adaptação à nova regulação mais fácil, se as empresas já interiorizarem valores de transparência, integridade e responsabilidade”.
“Inteligência Artificial terá um papel essencial”
A assistir à conferência estava João Dias, consultor, o qual questionámos sobre o que motivou a sua participação. “Curiosidade e interesse profissional”, começou por responder. “Tanto a análise de risco, como as práticas de compliance, ou as novas ferramentas de dados, obtive informações relevantes a partir das várias intervenções e que serão úteis no meu trabalho. A permanente atualização de conhecimento nestas áreas é fundamental”.
Por sua vez, Maria Inês Mendes, advogada, explicou que se trata de “uma área de interesse pessoal e profissional, relativamente à qual tenho desenvolvido competências pelo estudo e aprofundamento da mesma, sendo ainda uma área indespensável para quem lida profissionalmente com a contratação em sede de direito comercial, nomeadamente em transações internacionais”.
Que intervenção, informação específica ou ideia é que destaca a partir do que ouviu? “Mais do que uma intervenção, informação ou ideia resulta do todo desta conferência que o compliance é um ‘ramo’ do direito que crescerá em importância e relativamente ao qual a Inteligência Artificial (IA) terá um papel essencial . Aliás, a IA, já hoje, em jurisdições como a dos EUA tem um papel determinante no acesso dos cidadãos ao direito, na perspetiva da obtenção de informação e respostas às suas dúvidas quotidianas”, realçou Mendes.
Para Dias, a intervenção mais interessante foi a de Jennewein, sobre a base de dados World-Check. “É uma ferramenta que pode ser muito útil na prevenção de riscos, ao possibilitar a consulta de dados compilados, informações sobre determinados agentes ou empresas. Para quem trabalha com mercados financeiros, esta informação organizada e sistematizada é muito valiosa”, enalteceu.