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15-11-2016
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Saiba tudo sobre a Web Summit no especial da SÁBADO.

Tudo começou no Frágil. Bernardo Futscher Pereira era DJ na lendária discoteca do Bairro Alto. Paulo Portas passava por lá depois de fechar as edições de O Independente, o semanário do qual era diretor-adjunto. Eram amigos. Estávamos no início dos anos 90 – internet era ficção científica, empreendorismo uma palavra cara e todos sonhavam com uma invenção que fizesse os videojogos de Spectrum não encravar.

Um quarto de século mais tarde, em Março de 2015, um email perdido foi parar à caixa de Futscher Pereira, que se tornara embaixador de Portugal na Irlanda. Avisava que a equipa da Web Summit, a maior cimeira tecnológica do mundo, estava à procura de uma cidade para substituir Dublin como palco do evento. O antigo DJ remeteu a mensagem para o seu velho amigo, que entretanto se tornara vice-primeiro-ministro, com uma clara recomendação para ponderar a candidatura, Portas leu e anuiu: escreveu uma carta a formalizar o interesse do país na recepção da Web Summit. No fim de Abril, a primeira comitiva da empresa irlandesa aterrou em Lisboa para iniciar a negociação.

No Ministério da Economia, ninguém sabia bem o que era a Web Summit. "A primeira coisa que tínhamos em cima da mesa era wi-fi gratuito e a promessa de 50 mil euros", diz Leonardo Mathias, à época secretário de Estado da Economia. "Fiz uma pesquisa rápida e percebi imediatamente que a nossa oferta era descabida para a dimensão do evento. Entrei na reunião já decidido a não avançar com uma proposta e a perceber primeiro quais eram, da parte deles, os pontos críticos". As exigências eram as mesmas que haviam sido ignoradas pelo governo irlandês: controlo do tráfego rodoviário, eficiência dos transportes públicos, regulação do preços dos hóteis e uma conexão wireless fiável no recinto. Paddy Cosgrave, o diretor do evento, tinha perdido a paciência; apesar do crescimento colossal da conferência, que em 2014 ultrapassara os 30 mil visitantes, a última edição ficara marcada por graves deficiências na ligação à net e pelo preço incomportável do alojamento. Já tinha tomado uma decisão: a Web Summit ia sair da Irlanda em 2016. Assim que se soube, várias cidades entraram no concurso: Madrid, Barcelona, Paris, Cannes, Berlim e Amesterdão eram as principais adversárias. "Acho que, inicialmente, a nossa candidatura foi vista como voluntarista. Havia uma razoável ignorância sobre a realidade portuguesa, nomeadamente sobre a grande evolução que o país tinha feito ao nível da startup scene. Se conseguíssemos mostrar o novo Portugal empreendedor teríamos uma boa chance", diz João Cotrim de Figueiredo, então o homem forte do Turismo de Portugal. "Senti, mais tarde, que para a Web Summit, e para o Paddy era atractivo poder vir a ter um papel importante na ascensão de Lisboa na cena mundial do empreendedorismo".

Em Maio e Junho, o processo entrou numa segunda fase. O Governo, a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, o Turismo de Portugal e o Turismo de Lisboa montaram uma proposta, ao passo que a equipa da Web Summit ia avaliando as diversas ofertas. Madrid saiu de cena, Barcelona tinha tido problemas com a Internet no Fórum Mundial de Telecomunicações, Cannes não tinha aeroporto para tantas ligações internacionais e Paris era demasiado cara. "O Paddy disse-nos que a capital francesa era a preferida da sua namorada, que é manequim. Mas a Web Summit não traz apenas banqueiros e investidores, que podem ir para o Ritz, mas também empreendedores que chegam com a mochila às costas e alugam um apartamento pelo Airbnb", diz Mathias. Com a exclusão de Berlim, Amsterdão passou a ser o único concorrente.

Em finais de Julho, a comitiva portuguesa foi a Dublin fazer uma apresentação. "Fomos recebidos pelo Paddy, de t-shirt e de chanatas", recorda o ex-secretário de Estado da Economia. "O escritório deles tem um halfpipe para skate, sofás, uma grande máquina de cafés e refrigerantes, salas de reunião decoradas por temas, com a malta lá dentro a beber coca-colas, cafés e a entrar e sair no meio das reuniões. Era invulgar, mas adaptámo-nos rapidamente". Correu bem. O director da conferência mostrara-se entusiasmado, enquanto comunicava por chat com Mark Zuckerberg, o fundador e administrador do Facebook. Seguiram-se dezenas de reuniões, mas Paddy ainda não conhecia Lisboa.

Foi somente no final de Agosto que aterrou na Portela, pela primeira vez nos seus 32 anos de vida. Apareceu à porta do Ministério da Economia de chinelos, mochila às costas e uma t-shirt rota. "É um tipo tranquilo mas muito determinado em que o evento dele não seja apenas uma conferência, mas sim um acontecimento. É um verdadeiro democrata, faz questão de que a Summit receba tantos jornalistas de referência como regionais, pequenas empresas Alfa e os gigantes do sector", descreve Mathias. Nesse dia, foram debatidos temas nucleares, como o apoio aos jornalistas e a segurança. "Ele costuma fazer surpresas aos convidados e isso implica detalhes de segurança. Na última edição, entrou vestido de polícia num avião que transportava dez dos maiores investidores americanos e gritou: ‘Estão todos presos!’ Depois abriu garrafas de champanhe e deu as boas-vindas ".

Houve um almoço no Guincho, a comer peixe com vista para o mar, e uma reunião em que Cosgrave foi apresentado a Paulo Portas – falaram de James Joyce e da cultura irlandesa. Numa sexta-feira, o britânico informou a comitiva portuguesa de que ia ficar para o fim-de-semana: não pediu nada, alugou uma casa pela net e passeou calmamente pelo Chiado. Nesses dias de muito calor, publicou no Facebook várias fotos de Lisboa, com comentários sobre a incrível cidade que dizia ter descoberto. "Fiquei convencido de que a partir daí os temas negociais iriam ser os financeiros e os logísticos, que são mais fáceis de discutir", afirma Cotrim de Figueiredo.

A vitória não estava, contudo, garantida. Antes de partir para Amsterdão, Cosgrave fez o balanço da proposta portuguesa: estava muito satisfeito com o ambiente da cidade, com a localização da FIL e do MEO Arena, a dois passos do aeroporto, e com as garantias dadas pelas instituições, mas revelou preocupação pela falta de voos directos dos EUA, de onde são esperados 10 a 15 mil participantes. Lisboa apresentou-lhe como solução a utilização dos aeroportos do Montijo e de Beja e ainda o recurso a charters. Mas Amsterdão não precisava disso. Havia apreensão.

Nessa mesma altura, Maria Almeida, responsável pelos conteúdos da aceleradora Beta-i, lançou no Facebook a página Bring the Web Summit 2016 to Lisbon (Tragam a Web Summit 2016 para Lisboa), que chegou rapidamente aos 5.000 membros. "Havia pessoas que já discutiam pormenores logísticos como hotéis, sítios para as conferências e oradores", diz a autora. "Até que um dia o Paddy aceitou o nosso convite e passou a acompanhar as publicações". Primeiro, o irlandês estranhou o movimento: "Pensava que a página tinha sido criada por iniciativa governamental e tivemos de lhe mostrar que a autora até dizia mal de Passos Coelho e de Paulo Portas na sua página pessoal, pelo que não poderia ser nossa funcionária", conta Leonardo Mathias. No rescaldo da decisão, revelou que o movimento o tinha sensibilizado: "De 100 tweets que recebia, 95 pediam-me para mudar a Web Summit para Lisboa".

Os dados estavam lançados – Lisboa tinha o melhor recinto, as melhores condições logísticas, a comunidade mais activa e desafiante, propunha 1,3 milhões de investimento por edição e um wi-fi infalível. Os holandeses cobriram a proposta. Todos os pormenores, por mais bizarros, podiam fazer a diferença – Cosgrave contaria mais tarde que os influentes programadores ingleses e californianos, praticantes de surf, o pressionaram com um boicote "se a Web Summit ocorresse numa cidade sem ondas". Daí veio a ideia de organizar um campeonato de surf paralelo, a Surf Summit, que já tem 800 inscritos.

Para os últimos dias, estavam reservados os percalços Primeiro, descobriu-se que alguém tinha cometido o erro de marcar o Salão Automóvel na FIL exactamente para a mesma data da Web Summit (8 a 10 de Novembro). Leonardo Mathias viu-se obrigado a telefonar ao Comendador Rocha de Matos para pedir-lhe que adiasse o certame. A 20 de Setembro, os negociadores portugueses foram informados pessoalmente por Paddy de que Lisboa tinha sido a escolhida. Mas, na noite anterior à assinatura do acordo, às 23h, soaram as sirenes de emergência: o Turismo de Lisboa recusava-se a suportar os custos de IVA que lhe eram incubidos. Nessa madrugada, ninguém dormiu: Paulo Portas, o presidente da Câmara de Lisboa Fernando Medina, Leonardo Mathias, Cotrim de Figueiredo e Artur Ferreira (AICEP) desdobraram-se em telefonemas. Foi o Turismo de Portugal (TP) que se chegou à frente com uma solução imaginativa. Sem isso, não sei se haveria Web Summit em Portugal", diz Cotrim de Figueiredo. Ao que a SÁBADO apurou, o TP e a AICEP assumiram o pagamento da parte do Turismo de Lisboa,

No dia seguinte, ao assinar no gabinete do vice-primeiro-ministro, em Sete Rios, o protocolo que entregava a organização da Web Summit a Lisboa por um período de três anos, renovável por mais dois, Cosgrave nem deve ter reparado nas olheiras dos seus interlocutores. O irlandês não escondeu a satisfação: "Estou muito contente por podermos chamar a Lisboa a nossa casa em 2016." Portas sublinhou "a grande oportunidade para melhorarmos o ecossistema tecnológico português", E a Câmara de Comércio de Lisboa classificou o acontecimento como "o maior em Portugal desde o Euro 2004". Em Novembro, será a vez dos portugueses conhecerem a mais inovadora das assembleias.

Texto originalmente publicado na edição especial em parceria SÁBADO/New York Times, lançada a 26 de Março de 2016.

Saiba tudo sobre a Web Summit no especial da SÁBADO.

Tudo começou no Frágil. Bernardo Futscher Pereira era DJ na lendária discoteca do Bairro Alto. Paulo Portas passava por lá depois de fechar as edições de O Independente, o semanário do qual era diretor-adjunto. Eram amigos. Estávamos no início dos anos 90 – internet era ficção científica, empreendorismo uma palavra cara e todos sonhavam com uma invenção que fizesse os videojogos de Spectrum não encravar.

Um quarto de século mais tarde, em Março de 2015, um email perdido foi parar à caixa de Futscher Pereira, que se tornara embaixador de Portugal na Irlanda. Avisava que a equipa da Web Summit, a maior cimeira tecnológica do mundo, estava à procura de uma cidade para substituir Dublin como palco do evento. O antigo DJ remeteu a mensagem para o seu velho amigo, que entretanto se tornara vice-primeiro-ministro, com uma clara recomendação para ponderar a candidatura, Portas leu e anuiu: escreveu uma carta a formalizar o interesse do país na recepção da Web Summit. No fim de Abril, a primeira comitiva da empresa irlandesa aterrou em Lisboa para iniciar a negociação.

No Ministério da Economia, ninguém sabia bem o que era a Web Summit. "A primeira coisa que tínhamos em cima da mesa era wi-fi gratuito e a promessa de 50 mil euros", diz Leonardo Mathias, à época secretário de Estado da Economia. "Fiz uma pesquisa rápida e percebi imediatamente que a nossa oferta era descabida para a dimensão do evento. Entrei na reunião já decidido a não avançar com uma proposta e a perceber primeiro quais eram, da parte deles, os pontos críticos". As exigências eram as mesmas que haviam sido ignoradas pelo governo irlandês: controlo do tráfego rodoviário, eficiência dos transportes públicos, regulação do preços dos hóteis e uma conexão wireless fiável no recinto. Paddy Cosgrave, o diretor do evento, tinha perdido a paciência; apesar do crescimento colossal da conferência, que em 2014 ultrapassara os 30 mil visitantes, a última edição ficara marcada por graves deficiências na ligação à net e pelo preço incomportável do alojamento. Já tinha tomado uma decisão: a Web Summit ia sair da Irlanda em 2016. Assim que se soube, várias cidades entraram no concurso: Madrid, Barcelona, Paris, Cannes, Berlim e Amesterdão eram as principais adversárias. "Acho que, inicialmente, a nossa candidatura foi vista como voluntarista. Havia uma razoável ignorância sobre a realidade portuguesa, nomeadamente sobre a grande evolução que o país tinha feito ao nível da startup scene. Se conseguíssemos mostrar o novo Portugal empreendedor teríamos uma boa chance", diz João Cotrim de Figueiredo, então o homem forte do Turismo de Portugal. "Senti, mais tarde, que para a Web Summit, e para o Paddy era atractivo poder vir a ter um papel importante na ascensão de Lisboa na cena mundial do empreendedorismo".

Em Maio e Junho, o processo entrou numa segunda fase. O Governo, a AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, o Turismo de Portugal e o Turismo de Lisboa montaram uma proposta, ao passo que a equipa da Web Summit ia avaliando as diversas ofertas. Madrid saiu de cena, Barcelona tinha tido problemas com a Internet no Fórum Mundial de Telecomunicações, Cannes não tinha aeroporto para tantas ligações internacionais e Paris era demasiado cara. "O Paddy disse-nos que a capital francesa era a preferida da sua namorada, que é manequim. Mas a Web Summit não traz apenas banqueiros e investidores, que podem ir para o Ritz, mas também empreendedores que chegam com a mochila às costas e alugam um apartamento pelo Airbnb", diz Mathias. Com a exclusão de Berlim, Amsterdão passou a ser o único concorrente.

Em finais de Julho, a comitiva portuguesa foi a Dublin fazer uma apresentação. "Fomos recebidos pelo Paddy, de t-shirt e de chanatas", recorda o ex-secretário de Estado da Economia. "O escritório deles tem um halfpipe para skate, sofás, uma grande máquina de cafés e refrigerantes, salas de reunião decoradas por temas, com a malta lá dentro a beber coca-colas, cafés e a entrar e sair no meio das reuniões. Era invulgar, mas adaptámo-nos rapidamente". Correu bem. O director da conferência mostrara-se entusiasmado, enquanto comunicava por chat com Mark Zuckerberg, o fundador e administrador do Facebook. Seguiram-se dezenas de reuniões, mas Paddy ainda não conhecia Lisboa.

Foi somente no final de Agosto que aterrou na Portela, pela primeira vez nos seus 32 anos de vida. Apareceu à porta do Ministério da Economia de chinelos, mochila às costas e uma t-shirt rota. "É um tipo tranquilo mas muito determinado em que o evento dele não seja apenas uma conferência, mas sim um acontecimento. É um verdadeiro democrata, faz questão de que a Summit receba tantos jornalistas de referência como regionais, pequenas empresas Alfa e os gigantes do sector", descreve Mathias. Nesse dia, foram debatidos temas nucleares, como o apoio aos jornalistas e a segurança. "Ele costuma fazer surpresas aos convidados e isso implica detalhes de segurança. Na última edição, entrou vestido de polícia num avião que transportava dez dos maiores investidores americanos e gritou: ‘Estão todos presos!’ Depois abriu garrafas de champanhe e deu as boas-vindas ".

Houve um almoço no Guincho, a comer peixe com vista para o mar, e uma reunião em que Cosgrave foi apresentado a Paulo Portas – falaram de James Joyce e da cultura irlandesa. Numa sexta-feira, o britânico informou a comitiva portuguesa de que ia ficar para o fim-de-semana: não pediu nada, alugou uma casa pela net e passeou calmamente pelo Chiado. Nesses dias de muito calor, publicou no Facebook várias fotos de Lisboa, com comentários sobre a incrível cidade que dizia ter descoberto. "Fiquei convencido de que a partir daí os temas negociais iriam ser os financeiros e os logísticos, que são mais fáceis de discutir", afirma Cotrim de Figueiredo.

A vitória não estava, contudo, garantida. Antes de partir para Amsterdão, Cosgrave fez o balanço da proposta portuguesa: estava muito satisfeito com o ambiente da cidade, com a localização da FIL e do MEO Arena, a dois passos do aeroporto, e com as garantias dadas pelas instituições, mas revelou preocupação pela falta de voos directos dos EUA, de onde são esperados 10 a 15 mil participantes. Lisboa apresentou-lhe como solução a utilização dos aeroportos do Montijo e de Beja e ainda o recurso a charters. Mas Amsterdão não precisava disso. Havia apreensão.

Nessa mesma altura, Maria Almeida, responsável pelos conteúdos da aceleradora Beta-i, lançou no Facebook a página Bring the Web Summit 2016 to Lisbon (Tragam a Web Summit 2016 para Lisboa), que chegou rapidamente aos 5.000 membros. "Havia pessoas que já discutiam pormenores logísticos como hotéis, sítios para as conferências e oradores", diz a autora. "Até que um dia o Paddy aceitou o nosso convite e passou a acompanhar as publicações". Primeiro, o irlandês estranhou o movimento: "Pensava que a página tinha sido criada por iniciativa governamental e tivemos de lhe mostrar que a autora até dizia mal de Passos Coelho e de Paulo Portas na sua página pessoal, pelo que não poderia ser nossa funcionária", conta Leonardo Mathias. No rescaldo da decisão, revelou que o movimento o tinha sensibilizado: "De 100 tweets que recebia, 95 pediam-me para mudar a Web Summit para Lisboa".

Os dados estavam lançados – Lisboa tinha o melhor recinto, as melhores condições logísticas, a comunidade mais activa e desafiante, propunha 1,3 milhões de investimento por edição e um wi-fi infalível. Os holandeses cobriram a proposta. Todos os pormenores, por mais bizarros, podiam fazer a diferença – Cosgrave contaria mais tarde que os influentes programadores ingleses e californianos, praticantes de surf, o pressionaram com um boicote "se a Web Summit ocorresse numa cidade sem ondas". Daí veio a ideia de organizar um campeonato de surf paralelo, a Surf Summit, que já tem 800 inscritos.

Para os últimos dias, estavam reservados os percalços Primeiro, descobriu-se que alguém tinha cometido o erro de marcar o Salão Automóvel na FIL exactamente para a mesma data da Web Summit (8 a 10 de Novembro). Leonardo Mathias viu-se obrigado a telefonar ao Comendador Rocha de Matos para pedir-lhe que adiasse o certame. A 20 de Setembro, os negociadores portugueses foram informados pessoalmente por Paddy de que Lisboa tinha sido a escolhida. Mas, na noite anterior à assinatura do acordo, às 23h, soaram as sirenes de emergência: o Turismo de Lisboa recusava-se a suportar os custos de IVA que lhe eram incubidos. Nessa madrugada, ninguém dormiu: Paulo Portas, o presidente da Câmara de Lisboa Fernando Medina, Leonardo Mathias, Cotrim de Figueiredo e Artur Ferreira (AICEP) desdobraram-se em telefonemas. Foi o Turismo de Portugal (TP) que se chegou à frente com uma solução imaginativa. Sem isso, não sei se haveria Web Summit em Portugal", diz Cotrim de Figueiredo. Ao que a SÁBADO apurou, o TP e a AICEP assumiram o pagamento da parte do Turismo de Lisboa,

No dia seguinte, ao assinar no gabinete do vice-primeiro-ministro, em Sete Rios, o protocolo que entregava a organização da Web Summit a Lisboa por um período de três anos, renovável por mais dois, Cosgrave nem deve ter reparado nas olheiras dos seus interlocutores. O irlandês não escondeu a satisfação: "Estou muito contente por podermos chamar a Lisboa a nossa casa em 2016." Portas sublinhou "a grande oportunidade para melhorarmos o ecossistema tecnológico português", E a Câmara de Comércio de Lisboa classificou o acontecimento como "o maior em Portugal desde o Euro 2004". Em Novembro, será a vez dos portugueses conhecerem a mais inovadora das assembleias.

Texto originalmente publicado na edição especial em parceria SÁBADO/New York Times, lançada a 26 de Março de 2016.

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