A Endesa Portugal considerou esta terça-feira que a suspensão, durante este ano, da garantia de potência paga às centrais elétricas “desincentiva a futuros investimentos”, e acusou o Governo de estar de “barriga cheia, com água e vento”.
O Governo decidiu suspender, pelo menos em 2018, a garantia de potência paga às centrais elétricas (da Endesa e da EDP) para estarem sempre disponíveis para produzir, sustentando a medida na garantia da REN – Redes Energéticas Nacionais, de que não existem riscos para a segurança de abastecimento. Reagindo a esta decisão, o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, disse à Lusa que esta “é uma situação que desincentiva a futuros investimentos, nomeadamente quanto à não reconversão do parque de centrais”, o que pode pôr em causa “os objetivos da descarbonização”.
Além disso, “temos de ter em conta que se agora estamos de barriga cheia, com água e vento [para produzir eletricidade], tivemos a barriga vazia durante praticamente todo o ano de 2017”, destacou o responsável.
"Temos de ter em conta que se agora estamos de barriga cheia, com água e vento [para produzir eletricidade], tivemos a barriga vazia durante praticamente todo o ano de 2017.” Nuno Ribeiro da Silva Presidente da Endesa
Em declarações à Lusa, o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, explicou que “não faz sentido” no atual quadro da capacidade do sistema elétrico nacional manter “o subsídio” que era dado às centrais elétricas, o que resulta “num contributo positivo para a fatura dos portugueses”. Falando sobre estas afirmações, Nuno Ribeiro da Silva argumentou que “hoje o secretário de Estado pôde fazer estes comentários porque [o país] vive uma situação de desafogo”.
“No ano passado, se não existissem centrais elétricas, tínhamos ficado à luz das velas quando não havia água e vento”, apontou. Por isso, o responsável reforçou que, “se não existir uma valorização das centrais elétricas pelo serviço de segurança que é prestado – tendência que se verifica no sistema energético e elétrico europeu -, mais ninguém investe em nova potência”.
O presidente da Endesa recusou também que este seja um subsídio: “Este não é um subsídio. Eu estou obrigado a, durante 24 horas, ter lá uma equipa disponível e a ter lá combustível. Eu estou a ter um conjunto largo de encargos para atuar em qualquer momento, em caso de necessidade. Não é um subsídio”.
"Este não é um subsídio. Eu estou obrigado a, durante 24 horas, ter lá uma equipa disponível e a ter lá combustível. Eu estou a ter um conjunto largo de encargos para atuar em qualquer momento, em caso de necessidade. Não é um subsídio.” Nuno Ribeiro da Silva Presidente da Endesa
Como exemplo, questionou se “só se paga a um polícia quando ele prende uma pessoa”, frisando que isso não acontece “porque há um papel de prevenção e de segurança”, que comparou ao das centrais elétricas.
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A Endesa Portugal considerou esta terça-feira que a suspensão, durante este ano, da garantia de potência paga às centrais elétricas “desincentiva a futuros investimentos”, e acusou o Governo de estar de “barriga cheia, com água e vento”.
O Governo decidiu suspender, pelo menos em 2018, a garantia de potência paga às centrais elétricas (da Endesa e da EDP) para estarem sempre disponíveis para produzir, sustentando a medida na garantia da REN – Redes Energéticas Nacionais, de que não existem riscos para a segurança de abastecimento. Reagindo a esta decisão, o presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, disse à Lusa que esta “é uma situação que desincentiva a futuros investimentos, nomeadamente quanto à não reconversão do parque de centrais”, o que pode pôr em causa “os objetivos da descarbonização”.
Além disso, “temos de ter em conta que se agora estamos de barriga cheia, com água e vento [para produzir eletricidade], tivemos a barriga vazia durante praticamente todo o ano de 2017”, destacou o responsável.
"Temos de ter em conta que se agora estamos de barriga cheia, com água e vento [para produzir eletricidade], tivemos a barriga vazia durante praticamente todo o ano de 2017.” Nuno Ribeiro da Silva Presidente da Endesa
Em declarações à Lusa, o secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, explicou que “não faz sentido” no atual quadro da capacidade do sistema elétrico nacional manter “o subsídio” que era dado às centrais elétricas, o que resulta “num contributo positivo para a fatura dos portugueses”. Falando sobre estas afirmações, Nuno Ribeiro da Silva argumentou que “hoje o secretário de Estado pôde fazer estes comentários porque [o país] vive uma situação de desafogo”.
“No ano passado, se não existissem centrais elétricas, tínhamos ficado à luz das velas quando não havia água e vento”, apontou. Por isso, o responsável reforçou que, “se não existir uma valorização das centrais elétricas pelo serviço de segurança que é prestado – tendência que se verifica no sistema energético e elétrico europeu -, mais ninguém investe em nova potência”.
O presidente da Endesa recusou também que este seja um subsídio: “Este não é um subsídio. Eu estou obrigado a, durante 24 horas, ter lá uma equipa disponível e a ter lá combustível. Eu estou a ter um conjunto largo de encargos para atuar em qualquer momento, em caso de necessidade. Não é um subsídio”.
"Este não é um subsídio. Eu estou obrigado a, durante 24 horas, ter lá uma equipa disponível e a ter lá combustível. Eu estou a ter um conjunto largo de encargos para atuar em qualquer momento, em caso de necessidade. Não é um subsídio.” Nuno Ribeiro da Silva Presidente da Endesa
Como exemplo, questionou se “só se paga a um polícia quando ele prende uma pessoa”, frisando que isso não acontece “porque há um papel de prevenção e de segurança”, que comparou ao das centrais elétricas.