Bom dia!
Greta Thunberg já não mora aqui. A ativista sueca partiu ontem para Madrid, de comboio, após três dias em Lisboa. Esta sexta-feira à tarde participa numa marcha (que se prevê multitudinária), no âmbito de uma cimeira do clima alternativa à COP25, a Cimeira das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, reunida na capital espanhola desde segunda-feira e até ao próximo dia 13. Terá ao lado o ator Javier Bardem e, escreve “El Español”, milhares de outros. Tanta gente foi para Madrid (depois de a conferência ter sido para ali desviada pelos tumultos no Chile) que cada sofá madrileno está hoje bastante valorizado, como conta “El País”.
A jovem dará uma conferência de imprensa e, enquanto aguardamos pela mesma, sugiro que leia esta peça do diário espanhol “El País”. Estou longe de embarcar no endeusamento desta intrigante miúda de 16 anos e parece-me válido questionar os efeitos para a mesma da fama que granjeou, mas preocupa-me mais o estado do planeta e repugna-me ainda mais a violência dos ataques de que é alvo. Para lá da crueldade e do trocadilho alarve (esta gente lembrar-se-á da idade do seu alvo?), acaba por ser um bocadinho pouco usar a chacota para matar o mensageiro sem ir à substância da coisa. A própria mostrou desarmante simplicidade ao dizer à Carla Tomás, do Expresso, que não se vê como pop star.
O certo é que Thunberg tem despertado para um problema real muita gente nova que, em todo o mundo, jamais se tinha interessado por uma causa ou assunto político. Inegáveis que são as alterações climáticas (isto é, com muita vontade consegue-se negar tudo, recordem o ministro da Informação do Iraque em 2003 ou o Presidente dos Estados Unidos em 2019), dizer que é preciso fazer alguma coisa é quase uma obviedade e parece pouco reagir dizendo “então ela que resolva” ou tentando desacreditá-la. Até porque o problema se agrava.
Se não, veja-se o que sucede em paragens menos afortunadas, pelo menos para já, do que este nosso luso recanto (ou saiba-se o que pode vir a calhar-nos, pela pena do camarada Paulo Paixão). “Hoje, é sete vezes mais provável ser-se internamente deslocado por ciclones, inundações e fogos florestais do que por terramotos e erupções vulcânicas, e três vezes mais provável do que por conflitos”, excreve a Oxfam num estudo intitulado “Forçados a sair de casa”. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados aborda o mesmo tema neste tweet. Já cantava Sérgio Godinho que “Isto anda tudo ligado”. E se o refrão dessa canção é “Ainda não vi a bomba H / ainda não vi a de neutrões / ainda não vi os meus travões / a ver se para antes de chegar lá”, estejamos cientes de que há coisas difíceis de travar, sequer de abrandar, como a bomba-relógio climática que vai tiquetaqueando sob o nosso assento.
Thunberg tem sido figura incontornável este ano e é por isso que foi incluída com Donald Trump, Boris Johnson ou Ursula von der Leyen na lista de candidatos a figura internacional do ano, na tradicional votação promovida pelo Expresso. Esta seleciona a figura e o acontecimento do ano, no plano nacional e internacional. A redação do jornal fez as suas quatro escolhas, democraticamente, na quarta-feira. Anunciaremos quais foram atempadamente. Enquanto espera, o leitor pode participar aqui na votação online. Veremos se coincidimos.
Outras Notícias
SAI UM IMPEACHMENT A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos vai mesmo votar a impugnação do Presidente, anunciou ontem a speaker da instituição, Nancy Pelosi (mulher que será desavisado menosprezar, como mostra este vídeo do Politico.com). Os membros desta câmara baixa do Congresso consideram que Donald Trump cometeu crimes passíveis de destituição ao pressionar o Presidente da Ucrânia a investigar negócios do antigo vice-presidente Joe Biden, um dos pré-candidatos do Partido Democrata às presidenciais do próximo ano. “O que está em causa é a nossa democracia. O Presidente deixa-os sem opção senão agir, porque está a tentar corromper a eleição, uma vez mais, em seu benefício”, acusou Pelosi, para quem as ações de Trump atingem “o próprio coração da Constitução”.
A oposição tem maioria na Câmara dos Representantes, pelo que é possível que a moção passe. Mas o caminho não termina aí: segue-se um julgamento no Senado, onde os republicanos são 53, contra 45 democratas e dois independentes próximos destes últimos. Ou seja, para alcançar os dois terços de votos indispensáveis para demitir o chefe de Estado teria de haver 20 dissidentes no seu partido. Talvez seja isso que dá confiança a Trump. Ou isto. Já agora: os negócios de Biden e do seu filho têm que se lhe diga, como admite o próprio. Um Presidente chantagear um aliado (suspendendo-lhe a ajuda militar) para se aproveitar deles é que é… grave.
SAIRÁ UM ORÇAMENTO? Por cá, uma auditoria do Tribunal de Contas critica o ministro Mário Centeno pela demora na reforma das Finanças Públicas. O homem forte do Governo de António Costa ouve, entretanto, exigências dos parceiros da artista-outrora-conhecida-como-geringonça para viabilizarem o orçamento de Estado para 2020. A procissão ainda vai no adro.
LE PEUPLE SAI À RUA Desfiles não faltarão, nos próximos dias, em França, depois de ontem – dia de greve geral – terem saído à rua quase um milhão de cidadãos descontentes com os planos do Presidente Emmanuel Macron para reformar o sistema de pensões. Leia a reportagem do Daniel Ribeiro, correspondente do Expresso em Paris. O diário “Le Monde” assegura que “há qualquer coisa no ar” e dá conta, já hoje, de perturbações no transporte aéreo e ferroviário.
SAI SEMPRE DO BOLSO Subindo agora à Velha Albion, Boris Johnson atrapalhou-se ontem com as contas dos seus planos fiscais e chegou a falar de equações quadráticas para resolver uma trapalhada de aritmética básica: são os números do programa eleitoral conservador que indicam que a diferença entre aumentos de impostos e reduções de impostos previstos pelo seu Governo é de 125 milhões de libras a favor do fisco. O primeiro-ministro não quis reconhecê-lo e tampouco se presta a ser interrogado por Andrew Neil. O respeitado jornalista da BBC diz ter uma entrevista “pronta para o forno”, retomando a expressão que Johnson usa para elogiar o seu acordo para o Brexit. Mas o governante foge dele e de outra profissional, Julie Etchingham, da ITV.
As legislativas são dentro de menos de uma semana e no Expresso a camarada Ana França e yours truly temos contado, dia a dia, os principais momentos da campanha, acrescidos de curiosidades, sondagens e medidas propostas pelos partidos. É o Mind the Vote, que sai todos os dias às 19h. Não perca. Hoje, by the way, decorre o último frente a frente Corbyn-Johnson na BBC.
Este ano a disputa pelos votos é marcada por acusações recíprocas de racismo. Vários deputados trabalhistas deixaram o partido acusando o líder, Jeremy Corbyn, de tolerar manifestações antissemitas, quando não de sê-lo ele próprio. Do lado conservador, o espelho não mesmos repugnante dessa repugnante atitude chama-se islamofobia.
SAI, JORNALISTA! Por falar em antissemitismo, foi um dos assuntos do encontro entre os primeiros-ministros israelita e português, em Lisboa, no qual Benjamin Netanyahu defendeu o direito do Estado hebraico a anexar território que o direito internacional atribui à Palestina. Seguiu-se à reunião de ‘Bibi’ com o secretário de Estado americano Mike Pompeo, sem lugar para a imprensa. Num limbo jurídico e político, Netanyahu está acusado de corrupção e o país tenta formar Governo após duas eleições inconclusivas este ano.
SAI OU FICA? Contenda mais comezinha do que todas as referidas acimas é a que decorre em Portugal para liderar o maior partido da oposição. Miguel Pinto Luz, visto como o terceiro aspirante à chefia do PSD (depois do líder Rui Rio e de Luís Montenegro), mas cuja participação no debate de quarta-feira foi elogiada, negou apoio a qualquer dos adversários caso haja uma segunda volta para a qual ele próprio não se qualifique.
SAI, FASCISTA! Em Espanha prosseguem esforços para formar o próximo Executivo. O rei já ouviu os partidos e o debate de investidura do socialista Pedro Sánchez até pode acontecer antes do Natal. Até lá, fique a saber que as forças políticas estão hoje mais preocupadas em proteger a Constituição de 1978 da extrema-direita do que em revê-la. Atempado este comentário do ex-presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. On related matters, lembra-se de Jo Cox? Era uma deputada inglesa, inimiga de todos os extremismos. Foi assassinada há três anos e meio, durante a campanha para o referendo do Brexit, por um ultranacionalista. Ler sobre isso e ganhar consciência é uma bonita forma de homenagear a sua memória.
SAI, MARCO! Vamos ao desporto, porque há crónica do Diogo Pombo sobre o David-Golias, digo, Casa Pia-Porto de ontem. Na Tribuna Expresso, o mesmo camarada dá conta do despedimento de Marco Silva do Everton.
FRASES
“Vão ser dados passos importantes para 2020 e propostas para o horizonte até 2023”, promete o Presidente da República no que toca aos sem-abrigo. Marcelo Rebelo de Sousa falava no Porto, ao lado da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, para anunciar que os que não têm casa vão receber apoio em rede, independentemente do local onde se encontrem registados
“Conheço muita gente que não gosta de Trump, mas não importa quem somos, pá: todos nós conhecemos o sentimento de descobrir que todos os miúdos fixes da escola estão a gozar connosco.” Resumo, pelo humorista Trevor Noah, da rixa da cimeira da NATO, em que dirigentes mundiais foram filmados a fazer troça do Presidente americano
“Não devem ser consumidos” é a sentença da Direção-Geral da Saúde sobre cigarros eletrónicos e tabaco aquecido
O QUE ANDO A LER
A sugestão será invulgar para esta newsletter, mas adequada à época. Christmas junkie me declaro, fã do tempo dos Tudors em Inglaterra também. Este ano tem-me deliciado um pequeno volume chamado “Tudor Christmas”, sobre o Natal inglês no tempo de monarcas como Henrique VIII ou Isabel I. As divulgadoras de história Alison Weir (de quem sou fiel leitor) e Siobhan Clarke desfazem a ideia de que as tradições da quadra foram todas criadas na era vitoriana. E contam tudo em minúcia, das iguarias (vai uma cabeça de javali recheada, pintada a ouro?) aos costumes (sabe, por exemplo, que nos palácios e mesmo conventos, durante umas semanas, servos viravam patrões e vice-versa?), das cantorias que dou por mim a reproduzir na rua aos antepassados pagãos do Pai Natal (sabe o nome dos seus doze filhos?). A obra é um deleite, o Natal, para este vosso escriba, também. Boas festas a todos!
Para quem preferir coisas menos açucaradas, aconselho esta interessante reflexão do editor de Economia do Expresso, João Silvestre, sobre meritocracia. E este 2:59 preparado pelos camaradas Liliana Coelho, Joana Beleza, Carlos Paes e Jaime Figueiredo, sobre os melhores países para se fazer negócio.
Disse acima que gosto de música de Natal, seja ela cantarolável ou mais erudita (às vezes acumula). Esta semana deliciei-me a ouvir esta interpretação da oratória de Natal de Johann Sebastian Bach, dirigida por Nikolaus Harnoncourt há 37 anos. Para a semana a obra sobe ao palco da Gulbenkian, com a orquestra e o coro da casa e a direção do veterano Michel Corboz.
Adenda sobre artes performativas: o NOS Alive cresceu um dia.
E com renovados votos de bom fim de semana, excelente Natal e feliz 2020 vos deixo, recordando que amanhã há semanário nas bancas e que até lá estaremos em cima do acontecimento nos sites do Expresso, Blitz, Tribuna e Vida Extra. Às 18h há Expresso Diário. Sejam felizes.
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Bom dia!
Greta Thunberg já não mora aqui. A ativista sueca partiu ontem para Madrid, de comboio, após três dias em Lisboa. Esta sexta-feira à tarde participa numa marcha (que se prevê multitudinária), no âmbito de uma cimeira do clima alternativa à COP25, a Cimeira das Nações Unidas para as Alterações Climáticas, reunida na capital espanhola desde segunda-feira e até ao próximo dia 13. Terá ao lado o ator Javier Bardem e, escreve “El Español”, milhares de outros. Tanta gente foi para Madrid (depois de a conferência ter sido para ali desviada pelos tumultos no Chile) que cada sofá madrileno está hoje bastante valorizado, como conta “El País”.
A jovem dará uma conferência de imprensa e, enquanto aguardamos pela mesma, sugiro que leia esta peça do diário espanhol “El País”. Estou longe de embarcar no endeusamento desta intrigante miúda de 16 anos e parece-me válido questionar os efeitos para a mesma da fama que granjeou, mas preocupa-me mais o estado do planeta e repugna-me ainda mais a violência dos ataques de que é alvo. Para lá da crueldade e do trocadilho alarve (esta gente lembrar-se-á da idade do seu alvo?), acaba por ser um bocadinho pouco usar a chacota para matar o mensageiro sem ir à substância da coisa. A própria mostrou desarmante simplicidade ao dizer à Carla Tomás, do Expresso, que não se vê como pop star.
O certo é que Thunberg tem despertado para um problema real muita gente nova que, em todo o mundo, jamais se tinha interessado por uma causa ou assunto político. Inegáveis que são as alterações climáticas (isto é, com muita vontade consegue-se negar tudo, recordem o ministro da Informação do Iraque em 2003 ou o Presidente dos Estados Unidos em 2019), dizer que é preciso fazer alguma coisa é quase uma obviedade e parece pouco reagir dizendo “então ela que resolva” ou tentando desacreditá-la. Até porque o problema se agrava.
Se não, veja-se o que sucede em paragens menos afortunadas, pelo menos para já, do que este nosso luso recanto (ou saiba-se o que pode vir a calhar-nos, pela pena do camarada Paulo Paixão). “Hoje, é sete vezes mais provável ser-se internamente deslocado por ciclones, inundações e fogos florestais do que por terramotos e erupções vulcânicas, e três vezes mais provável do que por conflitos”, excreve a Oxfam num estudo intitulado “Forçados a sair de casa”. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados aborda o mesmo tema neste tweet. Já cantava Sérgio Godinho que “Isto anda tudo ligado”. E se o refrão dessa canção é “Ainda não vi a bomba H / ainda não vi a de neutrões / ainda não vi os meus travões / a ver se para antes de chegar lá”, estejamos cientes de que há coisas difíceis de travar, sequer de abrandar, como a bomba-relógio climática que vai tiquetaqueando sob o nosso assento.
Thunberg tem sido figura incontornável este ano e é por isso que foi incluída com Donald Trump, Boris Johnson ou Ursula von der Leyen na lista de candidatos a figura internacional do ano, na tradicional votação promovida pelo Expresso. Esta seleciona a figura e o acontecimento do ano, no plano nacional e internacional. A redação do jornal fez as suas quatro escolhas, democraticamente, na quarta-feira. Anunciaremos quais foram atempadamente. Enquanto espera, o leitor pode participar aqui na votação online. Veremos se coincidimos.
Outras Notícias
SAI UM IMPEACHMENT A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos vai mesmo votar a impugnação do Presidente, anunciou ontem a speaker da instituição, Nancy Pelosi (mulher que será desavisado menosprezar, como mostra este vídeo do Politico.com). Os membros desta câmara baixa do Congresso consideram que Donald Trump cometeu crimes passíveis de destituição ao pressionar o Presidente da Ucrânia a investigar negócios do antigo vice-presidente Joe Biden, um dos pré-candidatos do Partido Democrata às presidenciais do próximo ano. “O que está em causa é a nossa democracia. O Presidente deixa-os sem opção senão agir, porque está a tentar corromper a eleição, uma vez mais, em seu benefício”, acusou Pelosi, para quem as ações de Trump atingem “o próprio coração da Constitução”.
A oposição tem maioria na Câmara dos Representantes, pelo que é possível que a moção passe. Mas o caminho não termina aí: segue-se um julgamento no Senado, onde os republicanos são 53, contra 45 democratas e dois independentes próximos destes últimos. Ou seja, para alcançar os dois terços de votos indispensáveis para demitir o chefe de Estado teria de haver 20 dissidentes no seu partido. Talvez seja isso que dá confiança a Trump. Ou isto. Já agora: os negócios de Biden e do seu filho têm que se lhe diga, como admite o próprio. Um Presidente chantagear um aliado (suspendendo-lhe a ajuda militar) para se aproveitar deles é que é… grave.
SAIRÁ UM ORÇAMENTO? Por cá, uma auditoria do Tribunal de Contas critica o ministro Mário Centeno pela demora na reforma das Finanças Públicas. O homem forte do Governo de António Costa ouve, entretanto, exigências dos parceiros da artista-outrora-conhecida-como-geringonça para viabilizarem o orçamento de Estado para 2020. A procissão ainda vai no adro.
LE PEUPLE SAI À RUA Desfiles não faltarão, nos próximos dias, em França, depois de ontem – dia de greve geral – terem saído à rua quase um milhão de cidadãos descontentes com os planos do Presidente Emmanuel Macron para reformar o sistema de pensões. Leia a reportagem do Daniel Ribeiro, correspondente do Expresso em Paris. O diário “Le Monde” assegura que “há qualquer coisa no ar” e dá conta, já hoje, de perturbações no transporte aéreo e ferroviário.
SAI SEMPRE DO BOLSO Subindo agora à Velha Albion, Boris Johnson atrapalhou-se ontem com as contas dos seus planos fiscais e chegou a falar de equações quadráticas para resolver uma trapalhada de aritmética básica: são os números do programa eleitoral conservador que indicam que a diferença entre aumentos de impostos e reduções de impostos previstos pelo seu Governo é de 125 milhões de libras a favor do fisco. O primeiro-ministro não quis reconhecê-lo e tampouco se presta a ser interrogado por Andrew Neil. O respeitado jornalista da BBC diz ter uma entrevista “pronta para o forno”, retomando a expressão que Johnson usa para elogiar o seu acordo para o Brexit. Mas o governante foge dele e de outra profissional, Julie Etchingham, da ITV.
As legislativas são dentro de menos de uma semana e no Expresso a camarada Ana França e yours truly temos contado, dia a dia, os principais momentos da campanha, acrescidos de curiosidades, sondagens e medidas propostas pelos partidos. É o Mind the Vote, que sai todos os dias às 19h. Não perca. Hoje, by the way, decorre o último frente a frente Corbyn-Johnson na BBC.
Este ano a disputa pelos votos é marcada por acusações recíprocas de racismo. Vários deputados trabalhistas deixaram o partido acusando o líder, Jeremy Corbyn, de tolerar manifestações antissemitas, quando não de sê-lo ele próprio. Do lado conservador, o espelho não mesmos repugnante dessa repugnante atitude chama-se islamofobia.
SAI, JORNALISTA! Por falar em antissemitismo, foi um dos assuntos do encontro entre os primeiros-ministros israelita e português, em Lisboa, no qual Benjamin Netanyahu defendeu o direito do Estado hebraico a anexar território que o direito internacional atribui à Palestina. Seguiu-se à reunião de ‘Bibi’ com o secretário de Estado americano Mike Pompeo, sem lugar para a imprensa. Num limbo jurídico e político, Netanyahu está acusado de corrupção e o país tenta formar Governo após duas eleições inconclusivas este ano.
SAI OU FICA? Contenda mais comezinha do que todas as referidas acimas é a que decorre em Portugal para liderar o maior partido da oposição. Miguel Pinto Luz, visto como o terceiro aspirante à chefia do PSD (depois do líder Rui Rio e de Luís Montenegro), mas cuja participação no debate de quarta-feira foi elogiada, negou apoio a qualquer dos adversários caso haja uma segunda volta para a qual ele próprio não se qualifique.
SAI, FASCISTA! Em Espanha prosseguem esforços para formar o próximo Executivo. O rei já ouviu os partidos e o debate de investidura do socialista Pedro Sánchez até pode acontecer antes do Natal. Até lá, fique a saber que as forças políticas estão hoje mais preocupadas em proteger a Constituição de 1978 da extrema-direita do que em revê-la. Atempado este comentário do ex-presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk. On related matters, lembra-se de Jo Cox? Era uma deputada inglesa, inimiga de todos os extremismos. Foi assassinada há três anos e meio, durante a campanha para o referendo do Brexit, por um ultranacionalista. Ler sobre isso e ganhar consciência é uma bonita forma de homenagear a sua memória.
SAI, MARCO! Vamos ao desporto, porque há crónica do Diogo Pombo sobre o David-Golias, digo, Casa Pia-Porto de ontem. Na Tribuna Expresso, o mesmo camarada dá conta do despedimento de Marco Silva do Everton.
FRASES
“Vão ser dados passos importantes para 2020 e propostas para o horizonte até 2023”, promete o Presidente da República no que toca aos sem-abrigo. Marcelo Rebelo de Sousa falava no Porto, ao lado da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, para anunciar que os que não têm casa vão receber apoio em rede, independentemente do local onde se encontrem registados
“Conheço muita gente que não gosta de Trump, mas não importa quem somos, pá: todos nós conhecemos o sentimento de descobrir que todos os miúdos fixes da escola estão a gozar connosco.” Resumo, pelo humorista Trevor Noah, da rixa da cimeira da NATO, em que dirigentes mundiais foram filmados a fazer troça do Presidente americano
“Não devem ser consumidos” é a sentença da Direção-Geral da Saúde sobre cigarros eletrónicos e tabaco aquecido
O QUE ANDO A LER
A sugestão será invulgar para esta newsletter, mas adequada à época. Christmas junkie me declaro, fã do tempo dos Tudors em Inglaterra também. Este ano tem-me deliciado um pequeno volume chamado “Tudor Christmas”, sobre o Natal inglês no tempo de monarcas como Henrique VIII ou Isabel I. As divulgadoras de história Alison Weir (de quem sou fiel leitor) e Siobhan Clarke desfazem a ideia de que as tradições da quadra foram todas criadas na era vitoriana. E contam tudo em minúcia, das iguarias (vai uma cabeça de javali recheada, pintada a ouro?) aos costumes (sabe, por exemplo, que nos palácios e mesmo conventos, durante umas semanas, servos viravam patrões e vice-versa?), das cantorias que dou por mim a reproduzir na rua aos antepassados pagãos do Pai Natal (sabe o nome dos seus doze filhos?). A obra é um deleite, o Natal, para este vosso escriba, também. Boas festas a todos!
Para quem preferir coisas menos açucaradas, aconselho esta interessante reflexão do editor de Economia do Expresso, João Silvestre, sobre meritocracia. E este 2:59 preparado pelos camaradas Liliana Coelho, Joana Beleza, Carlos Paes e Jaime Figueiredo, sobre os melhores países para se fazer negócio.
Disse acima que gosto de música de Natal, seja ela cantarolável ou mais erudita (às vezes acumula). Esta semana deliciei-me a ouvir esta interpretação da oratória de Natal de Johann Sebastian Bach, dirigida por Nikolaus Harnoncourt há 37 anos. Para a semana a obra sobe ao palco da Gulbenkian, com a orquestra e o coro da casa e a direção do veterano Michel Corboz.
Adenda sobre artes performativas: o NOS Alive cresceu um dia.
E com renovados votos de bom fim de semana, excelente Natal e feliz 2020 vos deixo, recordando que amanhã há semanário nas bancas e que até lá estaremos em cima do acontecimento nos sites do Expresso, Blitz, Tribuna e Vida Extra. Às 18h há Expresso Diário. Sejam felizes.