Mendes revela novo défice, critica Rui Rio e alerta Costa: "Corremos o risco de não fazer o mais importante"

16-08-2020
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Uma queda do PIB de 9% este ano, em vez dos 6,9% previstos no Orçamento Suplementar que acaba de entrar em vigor. E uma recuperação gradual de 4% em 2021 e 5% em 2022. Estas são, diz Luís Marques Mendes, as novas estimativas do Governo que vão ser apresentadas em breve - e representam a maior queda do PIB de sempre do país. Os números apresentados pelo comentador da SIC apontam ainda para um défice de 7,1% (2020), 3,9% (2021) e 2,6% (2022).

No seu comentário na SIC, no Jornal da Noite, Mendes elogiou António Costa pelo acordo europeu (“conduziu as negociações muito bem. E o resultado é muito bom”), mas alertou para os “muitos riscos” que se seguem. E apontou três: “O risco de gastarmos mal este dinheiro; O risco de fazermos o que é urgente, mas não o que é estruturalmente importante: requalificação; reforma da administração pública para a rejuvenescer e moderrnizar; E o risco da ilusão: pensar que resolve tudo. No passado tivemos muito dinheiro e andamos sempre a perder lugares na Europa”.

Nesse sentido, o também conselheiro de Estado alertou para a situação de difícil governabilidade do país nos próximos anos. Chamou “jogada tática” ao convite que Costa fez a PCP e BE para que assinassem um novo acordo (“se o convite tiver resultado positivo, Costa ganha em toda a linha. Não tendo, passa a culpa para cima do PCP e BE e fica com mais folga para fazer acordo à direita. Se quiser criar uma crise política, já ensaia a vitalização.”) E antecipou que os dois partidos à esquerda “em conjunto, não estão disponíveis para assinar um papel. E é pena. Ter um governo minoritário, nesta fase, é precário”, assinalou Mendes.

Os próximos tempos serão, assim, de governação em “geometria variável. E o país corre o risco de o tal plano de recuperação ficar uma manta de retalhos, sem fazermos o que é estrutural”. Mais ainda com um centro-direita que considerou em problemas: “O crescimento do Chega é uma preocupação para o PSD. Cresce com os descontentes do PSD e do CDS. E abre um problema novo: o PSD ganha eleições, mas se não tiver maioria como é que faz?”.

Também o fim dos debates quinzenais mereceu críticas do comentador (e ex-líder do partido), considerando que “saem todos enfraquecidos, sobretudo a democracia e os portugueses. É um abuso”, afirmou, acrescentando que se essa era a intenção devia ter “dito aos portugueses antes das eleições.” De resto, Mendes considerou a “explicação de Rui Rio um absurdo”. E chamou a atenção para a posição frágil do PSD nas sondagens: “Os portugueses acham que a oposição se estivesse no Governo não faria melhor. É a pior coisa que podia acontecer. Se criarem uma crise política só ajudam o PS”

Uma queda do PIB de 9% este ano, em vez dos 6,9% previstos no Orçamento Suplementar que acaba de entrar em vigor. E uma recuperação gradual de 4% em 2021 e 5% em 2022. Estas são, diz Luís Marques Mendes, as novas estimativas do Governo que vão ser apresentadas em breve - e representam a maior queda do PIB de sempre do país. Os números apresentados pelo comentador da SIC apontam ainda para um défice de 7,1% (2020), 3,9% (2021) e 2,6% (2022).

No seu comentário na SIC, no Jornal da Noite, Mendes elogiou António Costa pelo acordo europeu (“conduziu as negociações muito bem. E o resultado é muito bom”), mas alertou para os “muitos riscos” que se seguem. E apontou três: “O risco de gastarmos mal este dinheiro; O risco de fazermos o que é urgente, mas não o que é estruturalmente importante: requalificação; reforma da administração pública para a rejuvenescer e moderrnizar; E o risco da ilusão: pensar que resolve tudo. No passado tivemos muito dinheiro e andamos sempre a perder lugares na Europa”.

Nesse sentido, o também conselheiro de Estado alertou para a situação de difícil governabilidade do país nos próximos anos. Chamou “jogada tática” ao convite que Costa fez a PCP e BE para que assinassem um novo acordo (“se o convite tiver resultado positivo, Costa ganha em toda a linha. Não tendo, passa a culpa para cima do PCP e BE e fica com mais folga para fazer acordo à direita. Se quiser criar uma crise política, já ensaia a vitalização.”) E antecipou que os dois partidos à esquerda “em conjunto, não estão disponíveis para assinar um papel. E é pena. Ter um governo minoritário, nesta fase, é precário”, assinalou Mendes.

Os próximos tempos serão, assim, de governação em “geometria variável. E o país corre o risco de o tal plano de recuperação ficar uma manta de retalhos, sem fazermos o que é estrutural”. Mais ainda com um centro-direita que considerou em problemas: “O crescimento do Chega é uma preocupação para o PSD. Cresce com os descontentes do PSD e do CDS. E abre um problema novo: o PSD ganha eleições, mas se não tiver maioria como é que faz?”.

Também o fim dos debates quinzenais mereceu críticas do comentador (e ex-líder do partido), considerando que “saem todos enfraquecidos, sobretudo a democracia e os portugueses. É um abuso”, afirmou, acrescentando que se essa era a intenção devia ter “dito aos portugueses antes das eleições.” De resto, Mendes considerou a “explicação de Rui Rio um absurdo”. E chamou a atenção para a posição frágil do PSD nas sondagens: “Os portugueses acham que a oposição se estivesse no Governo não faria melhor. É a pior coisa que podia acontecer. Se criarem uma crise política só ajudam o PS”

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