Abencerragem: microleituras

23-03-2020
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Sidónio Muralha é um dos nomes inaugurais da poesia neo-realista(Beco, 1941), autor do «Novo Cancioneiro» (Passagem de Nível, 1942),celebrado autor de muitos e bons livros para crianças, entre os quais Bichos, Bichinhos e Bicharocos (1950), Todas as Crianças da Terra (1978) e O Rouxinol e a Sua Namorada, 1983 -- maravilhosamente ilustrados por Júlio Pomar, o primeiro, e Fernando Lemos. Na década de 1950 sai do país e vai, na companhia de Alexandre Cabral, o futuro grande camilianista, para o então Congo Belga, emigrando mais tarde para o Brasil, onde virá a falecer, em Curitiba.

Os poemas mais interessantes desta colectânea são os que abordam a mágoa da longa ausência deste poeta lisboeta nascido na Madragoa e que soube ser um autor para todas as crianças da terra, tendo no Brasil um país que enquanto tal também o adoptou.

Deixo um dos meus preferidos, o primeiro dos «Dois Sonetos do Difícil Retorno»

Se fores a Portugal um dia, se

pisares aquele chão, diz-lhe que aguarde

o difícil retorno deste que

nunca pensou voltar assim tão tarde.

Mas houve temporais e lutas e

se a batalha foi ganha sem alarde,

nunca foi sem alarde a raiva de

um inimigo oculto, hostil, cobarde.

Atravessei os mares e os continentes,

conheci outras línguas, outras gentes,

mas a minha poesia é lá que vive.

É lá que sou poeta e na verdade

a minha volta é só formalidade.

-- Voltar não voltarei. Sempre lá estive.

ficha:

título: 26 Sonetos

autor: Sidónio Muralha

colecção: «Horizonte Poesia» #7

editora: Livros Horizonte

local: Lisboa

ano:1979

texto contracapa: José Manuel Mendes

págs.: 30

impressão: Tip. Minerva do Comércio, Lisboa

(também aqui)

Sidónio Muralha é um dos nomes inaugurais da poesia neo-realista(Beco, 1941), autor do «Novo Cancioneiro» (Passagem de Nível, 1942),celebrado autor de muitos e bons livros para crianças, entre os quais Bichos, Bichinhos e Bicharocos (1950), Todas as Crianças da Terra (1978) e O Rouxinol e a Sua Namorada, 1983 -- maravilhosamente ilustrados por Júlio Pomar, o primeiro, e Fernando Lemos. Na década de 1950 sai do país e vai, na companhia de Alexandre Cabral, o futuro grande camilianista, para o então Congo Belga, emigrando mais tarde para o Brasil, onde virá a falecer, em Curitiba.

Os poemas mais interessantes desta colectânea são os que abordam a mágoa da longa ausência deste poeta lisboeta nascido na Madragoa e que soube ser um autor para todas as crianças da terra, tendo no Brasil um país que enquanto tal também o adoptou.

Deixo um dos meus preferidos, o primeiro dos «Dois Sonetos do Difícil Retorno»

Se fores a Portugal um dia, se

pisares aquele chão, diz-lhe que aguarde

o difícil retorno deste que

nunca pensou voltar assim tão tarde.

Mas houve temporais e lutas e

se a batalha foi ganha sem alarde,

nunca foi sem alarde a raiva de

um inimigo oculto, hostil, cobarde.

Atravessei os mares e os continentes,

conheci outras línguas, outras gentes,

mas a minha poesia é lá que vive.

É lá que sou poeta e na verdade

a minha volta é só formalidade.

-- Voltar não voltarei. Sempre lá estive.

ficha:

título: 26 Sonetos

autor: Sidónio Muralha

colecção: «Horizonte Poesia» #7

editora: Livros Horizonte

local: Lisboa

ano:1979

texto contracapa: José Manuel Mendes

págs.: 30

impressão: Tip. Minerva do Comércio, Lisboa

(também aqui)

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