Xaringado: NOTÍCIAS À ESQUERDA 8

14-12-2019
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Parece que se anda mas marca-se passo. Os últimos episódios à direita com o Menezes, o Passos mais o Jardim evidencia o estado de podridão a que se chegou.
Entretanto continua a destruição sistemática da saúde, do ensino e da justiça e o abocanhar desse espaço pela ganância privada.
E o que faz a oposição?
O PS em campanha para ver quem será o candidato a Primeiro-ministro, à americana, por vezes com a campanha a cair em ataques baixos e fratricidas. O Bloco a caminho do seu congresso, o LIVRE a convidar os outros para assistirem ao seu congresso e mesmo poderem lá botar discurso. Os grupos dissidentes do Bloco a convidar para encontros e conversas e o PCP que não vai em conversas.
Temos mais um congresso em marcha,  o das alternativas para  de Outubro. Saiu um Apelo para que a esquerda se una e mais um Manifesto. E pronto, mais uns papéis para lerem.

Apelo a
unidade da esquerda enviado a nove partidos

Por 22/09/2014

Um
movimento “pré-eleitoral de unidade ampla e concorrente às próxima s eleições
legislativas” com todas as forças de esquerda é o desafio lançado por um grupo
de 15 cidadãos não conhecidos publicamente e enviado a nove forças partidárias
há alguns dias.

O texto
do apelo, dirigido “à esquerda e a todos os que se abstiveram” - e a que o
PÚBLICO teve acesso -, diz que nas eleições de Maio a “derrocada dos partidos
de direita não foi compensada com a hegemonia eleitoral do PS” e que está mesmo
ameaçada a alternância entre PS e PSD.

“Que
ninguém duvide: esta é a oportunidade histórica para que a esquerda se una”,
defendem os subscritores. E desafiam: “Formemos um movimento comum de esquerda,
sem temer a diluição de cada força partidária dentro de uma acção mais vasta.”
A intenção é formar um movimento pré-eleitoral que traga uma “real alternativa
de governação” que cuide do “bem comum e da justiça” – o objectivo da política
que a esquerda deveria reivindicar.

O apelo
foi enviado às direcções do PS, PCP, PEV, BE, Livre, PCTP/MRPP, MAS, POUS e PH
e é encabeçado por Pedro Ferreira e Tomás Maia.

Para além
dos partidos políticos de matriz de esquerda, o chamamento estende-se aos
abstencionistas. “A unidade da esquerda dirige-se [também] à maioria da
população que se tem abstido: quando já pouco resta de democracia em Portugal,
o direito de votar tornou-se num dever.”

O tempo
urge, lembram os subscritores. “Não há muitas abertas na história para que um
movimento popular dê voz a si mesmo pacificamente e com os meios vigentes. Não
hesitemos – antes que seja tarde para a democracia. E está a ficar tarde em
Portugal e na Europa.”

  

Manifesto por um
país

26/09/2014

Urge efectuar uma ruptura em relação às
actuais orientações e práticas políticas europeias e nacionais.

Quem assina este Manifesto expressa a
sua indignação, seguramente partilhada por tanta mais gente, perante o
aviltamento de Portugal e o empobrecimento da esmagadora maioria dos
portugueses ao longo dos três anos da troika, e de então para cá. Esse
aviltamento traduz-se no ousado enriquecimento de alguns, à custa da dignidade,
dos direitos e do valor do trabalho, e consequente fragilidade e miséria na
exploração de tantos.

Quem na(s) última(s) legislatura(s)
governou e impôs as medidas de austeridade, na Europa e em Portugal,
desfrutando de um aumento exponencial da dívida pelos altos juros lucrativos
com que foi negociada, levou os povos a uma austeridade e precariedade sem
precedentes que atingiu a maioria, permitindo um abuso sem controlo por parte
das elites financeiras nacionais e internacionais bem como das instâncias
financiadoras.

São evidentes as consequências:
desrespeito pelas regras constitucionais, enfraquecimento da democracia nas
suas responsabilidades sociais (justiça tributária, Segurança Social, escola
pública, Serviço Nacional de Saúde, etc.) e ameaças ao próprio exercício dos
direitos democráticos.

Depois destes três anos angustiantes
para a maioria dos portugueses, há que recuperar o país. Há que descartar as
dissensões de Esquerda desnecessárias, de modo a ser viabilizada uma
convergência quanto ao rumo de Portugal e ao seu lugar na União Europeia. Há
que combater todo o conformismo e subserviência para, em vez disso, serem
desenhadas alternativas concretizáveis que respondam aos múltiplos problemas do
país, que são alarmantes.

Da parte de todos os homens e mulheres,
cidadãos e cidadãs conscientes do que significa a dignidade humana, impõe-se,
pois, um levantamento de carácter ético e cultural, que afirme antes de mais em
Portugal e na Europa uma democracia de alta intensidade: criticamente
participada, socialmente mais justa, culturalmente mais criativa e aberta ao
pluralismo, politicamente democrática no sentido próprio da palavra, ou seja,
em que a cidadania seja efectivamente exercida. Tudo isto a substituir a
fictícia União actual, que é, afinal, União a mando de um só país, e os
interesses de empresas e bancos nacionais, com o poder de impor aos países mais
frágeis um Tratado Orçamental que mantém nessas sociedades uma austeridade sem
fim à vista.

Ora com um milhão de desempregadas e
desempregados, com a finança a cobrar a Portugal um resgate galopante, com o
enfraquecimento da contratação colectiva, e ainda com um novo risco, já
anunciado, o da imposição de círculos uninominais (que por via administrativa
perpetuarão o bloco central), não é possível ficarmos apáticos numa
irresponsabilidade fácil perante o presente e o futuro de tanta gente. Urge
mudar a vida. E, porque mudar a vida significa mudar o rumo, urge efectuar uma
ruptura em relação às actuais orientações e práticas políticas europeias e
nacionais.

Em Portugal, esta ruptura só poderá ser
iniciada com um pólo do vontades que mostre uma alternativa concreta, um leque
de governantes capazes de cumprir um compromisso para refundar a política em
termos do bem comum, com uma governação plural na sua composição, partidária e
também independente, com pessoas livres de interesses pessoais e de grupo, mas
convergindo nesse compromisso.

De forma a poder pôr fim a esta forma de
austeridade que atinge os mais frágeis e simultaneamente permite a poucos
beneficiarem da crise (enriquecendo ainda mais), sugere-se que sejam tomadas
medidas neste sentido:

- reestruturar a dívida em termos dos
seus juros, prazos ou montantes, para alcançar o resultado útil de uma redução
drástica da dívida externa de modo a que a actual situação de protectorado
termine;

- definir como propósito governamental
central a qualidade de vida e a resposta às necessidades básicas de todos, para
isso implementando as medidas necessárias (na saúde, na habitação, na educação,
no emprego, na recuperação do valor real dos salários e pensões de reforma, no
acesso de todos à cultura, etc.);

- dar prioridade a programas para a
eliminação da pobreza e da marginalização étnica;

- tributar os fluxos financeiros e, pelo
menos nos próximos 10 anos, tributar os lucros que não sejam reinvestidos em
áreas do bem comum e criação de emprego, sancionando por isso a fuga de
capitais e o enriquecimento ilícito;

- punir todo o crime financeiro de forma
efectiva e com resultados visíveis para o bem da comunidade nacional;

- imaginar e modelar outras formas de
vida em sociedade que tomem em conta o desgaste do eco-sistema, a exaustão dos
recursos não-renováveis, reduzindo drasticamente a produção de bens supérfluos
e o desperdício;

- identificar o rumo e a rota para
Portugal dentro da UE, recusando o Tratado Orçamental e discutindo se Portugal
deve ou não manter-se no euro;

- fazer do bem comum o critério maior:
conciliando a abertura e o investimento nas ciências e nas tecnologias de ponta
(energias renováveis, robótica com aplicação na saúde, na investigação, no
bem-estar e cultura de todos) com uma crescente frugalidade de vida;

- proporcionar um quotidiano em que –
satisfeitas as necessidades básicas de todos – haja espaço para a elevação do
sentido estético, da dimensão cultural, do pensamento, da sensibilidade e da
alegria de todos.

Algo novo requer uma política
nova. É exactamente isto que exigimos: uma refundação da política para
responder aos problemas do país. Sem perdas de tempo, sem divisões, sem
demagogia. Queremos soluções e contribuiremos activamente para o seu debate.

Queremos que a próxima governação seja
uma frente plural de esquerda com um programa contratual (com o país) para a
recuperação nacional. Veremos quem poderá dar sinais nesse sentido, de modo a
merecer a confiança da maioria de aqueles e aquelas que aqui habitam.

Yvette K. Centeno. Lisboa. Escritora,
prof. jubilada UNL

Teresa Vasconcelos. Lisboa. Prof. ESE

Teresa Toldy. Porto. Teóloga. Prof. U.
Fernando Pessoa. Inv. CES

Teresa Sousa de Almeida. Lisboa. Prof.
UNL

Teresa Sá e Melo. Lisboa. Investigadora
IST

Teresa Cadete. Lisboa. Prof. FLUL

Rui Vieira Nery. Lisboa. Musicólogo,
prof. UNL

Rui Namorado Rosa. Évora. Investigador,
prof. jubilado U. Évora

Rodrigo Meireles. Caminha/Porto.
Economista

Rita Bastos. Lisboa. Prof.

Richard Zimler. Porto. Escritor

Paulo Cruz. Aveiro. Economista

Patrícia Fernandes. Viseu. Jornalista

Padre João Rodrigues. Viseu

Olímpia Fonseca. Lisboa. Func. pública

Norberta Pinho. Lisboa. Engenheira,
prof. IST

Marta Lima Basto. Lisboa. Enfermeira

Mário Brochado Coelho. Porto. Advogado

Maria Vitória Vaz Pato. Lisboa.
Ex-investigadora IN de Saúde

Maria Velho da Costa. Lisboa. Escritora

Maria Teresa Castro Laranjeiro.
Guimarães. Médica.

Maria José Magalhães. Porto. Prof. FC
Edu-UP

Maria Isabel Barreno. Caparica.
Escritora, ensaísta

Maria Irene Ramalho. Coimbra. Prof.
jubilada FLUC

Maria Helena Mira Mateus. Lisboa.
Linguista, prof. jubilada FLUL

Maria Florinda Gouveia da Costa. Lisboa.
Prof.

Maria Fernanda Rodrigues. Coimbra. Prof.

Maria do Rosário Pericão. Coimbra.
Bibliotecária FEUC

Maria do Carmo Mourão Lito. Lisboa.
Terapeuta ocupacional

Maria do Carmo Vieira. Lisboa. Prof.

Maria da Graça Marques Pinto. Viseu.
Prof.

Maria da Conceição Moita. Lisboa. Prof.
ESEL

Maria Benedicta P. Bastos Monteiro.
Lisboa. Prof. jubilada ISCTE-IUL

Maria Andresen. Lisboa. Poeta, prof.
FLUL

Maria Alzira Seixo. Lisboa. Ensaísta,
prof. FLUL

Margarida Martins. Lisboa. Pres. Junta
Freguesia Arroios

Margarida Gil. Lisboa. Cineasta

Manuela Silva. Lisboa. Economista, prof.
jubilada ISEG

Manuela Franco. Coimbra. Prof. Português

Manuel Silva Carvalho. Lisboa. Médico

Manuel Carvalho da Silva. Lisboa.
Investigador do CES, prof. U. Lusófona

Manuel Brandão Alves. Lisboa.
Economista, prof. ISEG-UL

Luís Quintais. Coimbra. Antropólogo,
poeta

Luís Moita. Lisboa. Prof. U. Autónoma

Luís Lucas. Lisboa. Actor

Luís Filipe Rocha. Ericeira. Cineasta

Lídia Martins. Coimbra. Graal, CCDRC

Lídia Jorge. Lisboa. Escritora

Lídia Costa. Vila Real. Economista

Lucy Wainewright. Lisboa. ESE

José Ricardo Nunes. Caldas da Rainha.
Jurista, escritor

José Reis. Coimbra. Economista, prof.
FEUC

José Mattoso. Lisboa. Historiador, prof.
jubilado UNL

José João Abrantes. Lisboa. Prof. FD-UNL

José Gabriel Pereira Bastos. Lisboa.
Antropólogo, psicanalista. Invest. FCSH-UNL. UNL

José Castro Caldas. Coimbra.
Investigador CES (Núcl. Ciência Econ. Sociedade; Observ.º Crises e
Alternativas)

Jorge Bateira. Coimbra. Economista,
prof. FEUC

Joaquim Osório. Lisboa

Joaquim Louro. Vila Nova de Famalicão.
Advogado

João Sollari Lopes. Lisboa.
Bio-informático

João Sedas Nunes. Lisboa. Sociólogo,
prof. UNL

João Maria André. Coimbra. Prof UC;
encenador teatral

João Fernandes. Porto / Madrid.
Subdirector Museu Reina Sofía

João Duarte Rodrigues. Lisboa. Editor

João Cutileiro. Escultor

João Barrento. Lisboa. Ensaísta e
tradutor

Joana Rigato. Lisboa. Prof. e doutoranda

Isabel Sousa Pinto. Porto. Prof. FCUP

Isabel Sollari Allegro. Lisboa. Prof.

Isabel Matos Dias. Lisboa. Prof. FLUL

Isabel Keating. Coimbra. Psicóloga

Isabel Hub Faria. Cascais, Prof. FLUL

Isabel do Carmo. Lisboa. Médica SNS

Isabel Allegro de Magalhães. Lisboa.
Graal, UNL

Irene Flunser Pimentel. Lisboa.
Historiadora

Hermano Carmo. Lisboa. Prof. ISCSP-UL

Helena Neves. Lisboa. Prof.
universitária

Helder Costa. Lisboa. Encenador, actor

Guilherme Fonseca. Lisboa. Ex-juiz
Supremo Tribunal Administrativo

Graciosa Veloso. Lisboa. Prof. ESE

Graça Morais. Bragança / Lisboa. Pintora

Gastão Cruz. Lisboa. Poeta, ensaísta

Frei Bento Domingues O.P. Lisboa

Filomena Cravo. Linda-a-Velha. Prof.

Filomena Barros. Lisboa. Prof. U. Évora

Fernando Pereira Bastos. Lisboa.
(Estudos de mercado e opinião)

Fernando Martinho. Lisboa. Prof. FLUL

Fernando Gomes da Silva. Lisboa. Engº
Agrónomo

Fernanda Rodrigues. Coimbra. Prof.

Fernanda Henriques. Vila Franca de Xira.
Prof. U. Évora

Fernanda Branco. Vila Franca de Xira.
Prof.

Fátima Proença. Lisboa. ACEP

Fátima Grácio. Lisboa. Graal, ex-pres.
Fundação Cuidar o Futuro

Eugénia Vasques. Lisboa. Prof. Escola
Superior Teatro

Elsa Lechner. Coimbra. Investigadora CES

D, Januário Torgal Ferreira. Bispo
emérito

Cristina Loureiro. Lisboa. ESE

Constança Providência. Coimbra. Dirª.
Dep.º Física FCTUC

Conceição Amaral. Lisboa. Dirª. Museu
Artes Decorativas

Cláudio Torres. Mértola. Arqueólogo

Cláudio Teixeira. Almada. Prof. ISCTE-IUL

Clara Keating. Coimbra. Linguista, prof. FLUC

Celso Araújo. Lisboa. Engenheiro do ISQ

Celeste Lameira. Almalaguês.
Ex-dirigente Sindicato Calçado Aveiro / Coimbra

Carmo Bica. Viseu. Engenheira agrícola

Carlos Albino. Lisboa. Jornalista

Bernardo Colaço. Lisboa. Juiz
conselheiro jubilado

Assunção Folque. Lisboa. CNE. Prof. U.
Évora

Armando Silva Carvalho. Peniche.
Escritor

António Vieira. Lisboa. Escritor

António Pereira Bica. Lisboa. Advogado

António Neto Brandão. Aveiro. Advogado

António Machado Lopes. Lisboa.
Economista

Ana Vidigal. Lisboa. Artista plástica

Ana Maria Pereirinha. Lisboa. Editora

Ana Maria Almeida Serôdio. Lisboa. Prof.

Ana Luísa Amaral. Porto. Escritora. FLUP

Ana Henriques. Alverca. Médica SNS

Ana Drago. Lisboa. Socióloga

Almerinda Teixeira. Almada. Geógrafa

Alice Caldeira Cabral. Évora.
Trabalhadora Social

Alfreda Ferreira da Fonseca. Lisboa.
Prof.

Alda Maria Sucena Couceiro. Coimbra.
Farmacêutica

Alexandre Quintanilha. Porto. Cientista
IBCM-UP

Adel Sidarus. Évora. Orientalista. Prof.
jubilado U, Évora. MPPM, Metanoia

Alberto Melo. Faro. Associação in Loco.
U. Algarve

Alan Stoleroff. Lisboa. Prof. ISCTE-IUL

Adelino Gomes. Lisboa. Jornalista

Abdool Magid Vakil. Lisboa. Economista


Parece que se anda mas marca-se passo. Os últimos episódios à direita com o Menezes, o Passos mais o Jardim evidencia o estado de podridão a que se chegou.
Entretanto continua a destruição sistemática da saúde, do ensino e da justiça e o abocanhar desse espaço pela ganância privada.
E o que faz a oposição?
O PS em campanha para ver quem será o candidato a Primeiro-ministro, à americana, por vezes com a campanha a cair em ataques baixos e fratricidas. O Bloco a caminho do seu congresso, o LIVRE a convidar os outros para assistirem ao seu congresso e mesmo poderem lá botar discurso. Os grupos dissidentes do Bloco a convidar para encontros e conversas e o PCP que não vai em conversas.
Temos mais um congresso em marcha,  o das alternativas para  de Outubro. Saiu um Apelo para que a esquerda se una e mais um Manifesto. E pronto, mais uns papéis para lerem.

Apelo a
unidade da esquerda enviado a nove partidos

Por 22/09/2014

Um
movimento “pré-eleitoral de unidade ampla e concorrente às próxima s eleições
legislativas” com todas as forças de esquerda é o desafio lançado por um grupo
de 15 cidadãos não conhecidos publicamente e enviado a nove forças partidárias
há alguns dias.

O texto
do apelo, dirigido “à esquerda e a todos os que se abstiveram” - e a que o
PÚBLICO teve acesso -, diz que nas eleições de Maio a “derrocada dos partidos
de direita não foi compensada com a hegemonia eleitoral do PS” e que está mesmo
ameaçada a alternância entre PS e PSD.

“Que
ninguém duvide: esta é a oportunidade histórica para que a esquerda se una”,
defendem os subscritores. E desafiam: “Formemos um movimento comum de esquerda,
sem temer a diluição de cada força partidária dentro de uma acção mais vasta.”
A intenção é formar um movimento pré-eleitoral que traga uma “real alternativa
de governação” que cuide do “bem comum e da justiça” – o objectivo da política
que a esquerda deveria reivindicar.

O apelo
foi enviado às direcções do PS, PCP, PEV, BE, Livre, PCTP/MRPP, MAS, POUS e PH
e é encabeçado por Pedro Ferreira e Tomás Maia.

Para além
dos partidos políticos de matriz de esquerda, o chamamento estende-se aos
abstencionistas. “A unidade da esquerda dirige-se [também] à maioria da
população que se tem abstido: quando já pouco resta de democracia em Portugal,
o direito de votar tornou-se num dever.”

O tempo
urge, lembram os subscritores. “Não há muitas abertas na história para que um
movimento popular dê voz a si mesmo pacificamente e com os meios vigentes. Não
hesitemos – antes que seja tarde para a democracia. E está a ficar tarde em
Portugal e na Europa.”

  

Manifesto por um
país

26/09/2014

Urge efectuar uma ruptura em relação às
actuais orientações e práticas políticas europeias e nacionais.

Quem assina este Manifesto expressa a
sua indignação, seguramente partilhada por tanta mais gente, perante o
aviltamento de Portugal e o empobrecimento da esmagadora maioria dos
portugueses ao longo dos três anos da troika, e de então para cá. Esse
aviltamento traduz-se no ousado enriquecimento de alguns, à custa da dignidade,
dos direitos e do valor do trabalho, e consequente fragilidade e miséria na
exploração de tantos.

Quem na(s) última(s) legislatura(s)
governou e impôs as medidas de austeridade, na Europa e em Portugal,
desfrutando de um aumento exponencial da dívida pelos altos juros lucrativos
com que foi negociada, levou os povos a uma austeridade e precariedade sem
precedentes que atingiu a maioria, permitindo um abuso sem controlo por parte
das elites financeiras nacionais e internacionais bem como das instâncias
financiadoras.

São evidentes as consequências:
desrespeito pelas regras constitucionais, enfraquecimento da democracia nas
suas responsabilidades sociais (justiça tributária, Segurança Social, escola
pública, Serviço Nacional de Saúde, etc.) e ameaças ao próprio exercício dos
direitos democráticos.

Depois destes três anos angustiantes
para a maioria dos portugueses, há que recuperar o país. Há que descartar as
dissensões de Esquerda desnecessárias, de modo a ser viabilizada uma
convergência quanto ao rumo de Portugal e ao seu lugar na União Europeia. Há
que combater todo o conformismo e subserviência para, em vez disso, serem
desenhadas alternativas concretizáveis que respondam aos múltiplos problemas do
país, que são alarmantes.

Da parte de todos os homens e mulheres,
cidadãos e cidadãs conscientes do que significa a dignidade humana, impõe-se,
pois, um levantamento de carácter ético e cultural, que afirme antes de mais em
Portugal e na Europa uma democracia de alta intensidade: criticamente
participada, socialmente mais justa, culturalmente mais criativa e aberta ao
pluralismo, politicamente democrática no sentido próprio da palavra, ou seja,
em que a cidadania seja efectivamente exercida. Tudo isto a substituir a
fictícia União actual, que é, afinal, União a mando de um só país, e os
interesses de empresas e bancos nacionais, com o poder de impor aos países mais
frágeis um Tratado Orçamental que mantém nessas sociedades uma austeridade sem
fim à vista.

Ora com um milhão de desempregadas e
desempregados, com a finança a cobrar a Portugal um resgate galopante, com o
enfraquecimento da contratação colectiva, e ainda com um novo risco, já
anunciado, o da imposição de círculos uninominais (que por via administrativa
perpetuarão o bloco central), não é possível ficarmos apáticos numa
irresponsabilidade fácil perante o presente e o futuro de tanta gente. Urge
mudar a vida. E, porque mudar a vida significa mudar o rumo, urge efectuar uma
ruptura em relação às actuais orientações e práticas políticas europeias e
nacionais.

Em Portugal, esta ruptura só poderá ser
iniciada com um pólo do vontades que mostre uma alternativa concreta, um leque
de governantes capazes de cumprir um compromisso para refundar a política em
termos do bem comum, com uma governação plural na sua composição, partidária e
também independente, com pessoas livres de interesses pessoais e de grupo, mas
convergindo nesse compromisso.

De forma a poder pôr fim a esta forma de
austeridade que atinge os mais frágeis e simultaneamente permite a poucos
beneficiarem da crise (enriquecendo ainda mais), sugere-se que sejam tomadas
medidas neste sentido:

- reestruturar a dívida em termos dos
seus juros, prazos ou montantes, para alcançar o resultado útil de uma redução
drástica da dívida externa de modo a que a actual situação de protectorado
termine;

- definir como propósito governamental
central a qualidade de vida e a resposta às necessidades básicas de todos, para
isso implementando as medidas necessárias (na saúde, na habitação, na educação,
no emprego, na recuperação do valor real dos salários e pensões de reforma, no
acesso de todos à cultura, etc.);

- dar prioridade a programas para a
eliminação da pobreza e da marginalização étnica;

- tributar os fluxos financeiros e, pelo
menos nos próximos 10 anos, tributar os lucros que não sejam reinvestidos em
áreas do bem comum e criação de emprego, sancionando por isso a fuga de
capitais e o enriquecimento ilícito;

- punir todo o crime financeiro de forma
efectiva e com resultados visíveis para o bem da comunidade nacional;

- imaginar e modelar outras formas de
vida em sociedade que tomem em conta o desgaste do eco-sistema, a exaustão dos
recursos não-renováveis, reduzindo drasticamente a produção de bens supérfluos
e o desperdício;

- identificar o rumo e a rota para
Portugal dentro da UE, recusando o Tratado Orçamental e discutindo se Portugal
deve ou não manter-se no euro;

- fazer do bem comum o critério maior:
conciliando a abertura e o investimento nas ciências e nas tecnologias de ponta
(energias renováveis, robótica com aplicação na saúde, na investigação, no
bem-estar e cultura de todos) com uma crescente frugalidade de vida;

- proporcionar um quotidiano em que –
satisfeitas as necessidades básicas de todos – haja espaço para a elevação do
sentido estético, da dimensão cultural, do pensamento, da sensibilidade e da
alegria de todos.

Algo novo requer uma política
nova. É exactamente isto que exigimos: uma refundação da política para
responder aos problemas do país. Sem perdas de tempo, sem divisões, sem
demagogia. Queremos soluções e contribuiremos activamente para o seu debate.

Queremos que a próxima governação seja
uma frente plural de esquerda com um programa contratual (com o país) para a
recuperação nacional. Veremos quem poderá dar sinais nesse sentido, de modo a
merecer a confiança da maioria de aqueles e aquelas que aqui habitam.

Yvette K. Centeno. Lisboa. Escritora,
prof. jubilada UNL

Teresa Vasconcelos. Lisboa. Prof. ESE

Teresa Toldy. Porto. Teóloga. Prof. U.
Fernando Pessoa. Inv. CES

Teresa Sousa de Almeida. Lisboa. Prof.
UNL

Teresa Sá e Melo. Lisboa. Investigadora
IST

Teresa Cadete. Lisboa. Prof. FLUL

Rui Vieira Nery. Lisboa. Musicólogo,
prof. UNL

Rui Namorado Rosa. Évora. Investigador,
prof. jubilado U. Évora

Rodrigo Meireles. Caminha/Porto.
Economista

Rita Bastos. Lisboa. Prof.

Richard Zimler. Porto. Escritor

Paulo Cruz. Aveiro. Economista

Patrícia Fernandes. Viseu. Jornalista

Padre João Rodrigues. Viseu

Olímpia Fonseca. Lisboa. Func. pública

Norberta Pinho. Lisboa. Engenheira,
prof. IST

Marta Lima Basto. Lisboa. Enfermeira

Mário Brochado Coelho. Porto. Advogado

Maria Vitória Vaz Pato. Lisboa.
Ex-investigadora IN de Saúde

Maria Velho da Costa. Lisboa. Escritora

Maria Teresa Castro Laranjeiro.
Guimarães. Médica.

Maria José Magalhães. Porto. Prof. FC
Edu-UP

Maria Isabel Barreno. Caparica.
Escritora, ensaísta

Maria Irene Ramalho. Coimbra. Prof.
jubilada FLUC

Maria Helena Mira Mateus. Lisboa.
Linguista, prof. jubilada FLUL

Maria Florinda Gouveia da Costa. Lisboa.
Prof.

Maria Fernanda Rodrigues. Coimbra. Prof.

Maria do Rosário Pericão. Coimbra.
Bibliotecária FEUC

Maria do Carmo Mourão Lito. Lisboa.
Terapeuta ocupacional

Maria do Carmo Vieira. Lisboa. Prof.

Maria da Graça Marques Pinto. Viseu.
Prof.

Maria da Conceição Moita. Lisboa. Prof.
ESEL

Maria Benedicta P. Bastos Monteiro.
Lisboa. Prof. jubilada ISCTE-IUL

Maria Andresen. Lisboa. Poeta, prof.
FLUL

Maria Alzira Seixo. Lisboa. Ensaísta,
prof. FLUL

Margarida Martins. Lisboa. Pres. Junta
Freguesia Arroios

Margarida Gil. Lisboa. Cineasta

Manuela Silva. Lisboa. Economista, prof.
jubilada ISEG

Manuela Franco. Coimbra. Prof. Português

Manuel Silva Carvalho. Lisboa. Médico

Manuel Carvalho da Silva. Lisboa.
Investigador do CES, prof. U. Lusófona

Manuel Brandão Alves. Lisboa.
Economista, prof. ISEG-UL

Luís Quintais. Coimbra. Antropólogo,
poeta

Luís Moita. Lisboa. Prof. U. Autónoma

Luís Lucas. Lisboa. Actor

Luís Filipe Rocha. Ericeira. Cineasta

Lídia Martins. Coimbra. Graal, CCDRC

Lídia Jorge. Lisboa. Escritora

Lídia Costa. Vila Real. Economista

Lucy Wainewright. Lisboa. ESE

José Ricardo Nunes. Caldas da Rainha.
Jurista, escritor

José Reis. Coimbra. Economista, prof.
FEUC

José Mattoso. Lisboa. Historiador, prof.
jubilado UNL

José João Abrantes. Lisboa. Prof. FD-UNL

José Gabriel Pereira Bastos. Lisboa.
Antropólogo, psicanalista. Invest. FCSH-UNL. UNL

José Castro Caldas. Coimbra.
Investigador CES (Núcl. Ciência Econ. Sociedade; Observ.º Crises e
Alternativas)

Jorge Bateira. Coimbra. Economista,
prof. FEUC

Joaquim Osório. Lisboa

Joaquim Louro. Vila Nova de Famalicão.
Advogado

João Sollari Lopes. Lisboa.
Bio-informático

João Sedas Nunes. Lisboa. Sociólogo,
prof. UNL

João Maria André. Coimbra. Prof UC;
encenador teatral

João Fernandes. Porto / Madrid.
Subdirector Museu Reina Sofía

João Duarte Rodrigues. Lisboa. Editor

João Cutileiro. Escultor

João Barrento. Lisboa. Ensaísta e
tradutor

Joana Rigato. Lisboa. Prof. e doutoranda

Isabel Sousa Pinto. Porto. Prof. FCUP

Isabel Sollari Allegro. Lisboa. Prof.

Isabel Matos Dias. Lisboa. Prof. FLUL

Isabel Keating. Coimbra. Psicóloga

Isabel Hub Faria. Cascais, Prof. FLUL

Isabel do Carmo. Lisboa. Médica SNS

Isabel Allegro de Magalhães. Lisboa.
Graal, UNL

Irene Flunser Pimentel. Lisboa.
Historiadora

Hermano Carmo. Lisboa. Prof. ISCSP-UL

Helena Neves. Lisboa. Prof.
universitária

Helder Costa. Lisboa. Encenador, actor

Guilherme Fonseca. Lisboa. Ex-juiz
Supremo Tribunal Administrativo

Graciosa Veloso. Lisboa. Prof. ESE

Graça Morais. Bragança / Lisboa. Pintora

Gastão Cruz. Lisboa. Poeta, ensaísta

Frei Bento Domingues O.P. Lisboa

Filomena Cravo. Linda-a-Velha. Prof.

Filomena Barros. Lisboa. Prof. U. Évora

Fernando Pereira Bastos. Lisboa.
(Estudos de mercado e opinião)

Fernando Martinho. Lisboa. Prof. FLUL

Fernando Gomes da Silva. Lisboa. Engº
Agrónomo

Fernanda Rodrigues. Coimbra. Prof.

Fernanda Henriques. Vila Franca de Xira.
Prof. U. Évora

Fernanda Branco. Vila Franca de Xira.
Prof.

Fátima Proença. Lisboa. ACEP

Fátima Grácio. Lisboa. Graal, ex-pres.
Fundação Cuidar o Futuro

Eugénia Vasques. Lisboa. Prof. Escola
Superior Teatro

Elsa Lechner. Coimbra. Investigadora CES

D, Januário Torgal Ferreira. Bispo
emérito

Cristina Loureiro. Lisboa. ESE

Constança Providência. Coimbra. Dirª.
Dep.º Física FCTUC

Conceição Amaral. Lisboa. Dirª. Museu
Artes Decorativas

Cláudio Torres. Mértola. Arqueólogo

Cláudio Teixeira. Almada. Prof. ISCTE-IUL

Clara Keating. Coimbra. Linguista, prof. FLUC

Celso Araújo. Lisboa. Engenheiro do ISQ

Celeste Lameira. Almalaguês.
Ex-dirigente Sindicato Calçado Aveiro / Coimbra

Carmo Bica. Viseu. Engenheira agrícola

Carlos Albino. Lisboa. Jornalista

Bernardo Colaço. Lisboa. Juiz
conselheiro jubilado

Assunção Folque. Lisboa. CNE. Prof. U.
Évora

Armando Silva Carvalho. Peniche.
Escritor

António Vieira. Lisboa. Escritor

António Pereira Bica. Lisboa. Advogado

António Neto Brandão. Aveiro. Advogado

António Machado Lopes. Lisboa.
Economista

Ana Vidigal. Lisboa. Artista plástica

Ana Maria Pereirinha. Lisboa. Editora

Ana Maria Almeida Serôdio. Lisboa. Prof.

Ana Luísa Amaral. Porto. Escritora. FLUP

Ana Henriques. Alverca. Médica SNS

Ana Drago. Lisboa. Socióloga

Almerinda Teixeira. Almada. Geógrafa

Alice Caldeira Cabral. Évora.
Trabalhadora Social

Alfreda Ferreira da Fonseca. Lisboa.
Prof.

Alda Maria Sucena Couceiro. Coimbra.
Farmacêutica

Alexandre Quintanilha. Porto. Cientista
IBCM-UP

Adel Sidarus. Évora. Orientalista. Prof.
jubilado U, Évora. MPPM, Metanoia

Alberto Melo. Faro. Associação in Loco.
U. Algarve

Alan Stoleroff. Lisboa. Prof. ISCTE-IUL

Adelino Gomes. Lisboa. Jornalista

Abdool Magid Vakil. Lisboa. Economista

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