crónicas on the rocks: Passaram dias, passaram meses, passou mais um ano

22-12-2019
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Felizmente, Dezembro já lá vai. Dias curtos, frios e chuvosos significam, para mim, a antítese da felicidade. Diria mesmo, a antítese da Vida...

 Dezembro é um mês “sui generis”. As ruas aparecem iluminadas e assistimos à chegada dos Pais Natal, como aves de arribação anunciando a chegada do Inverno. Começa a azáfama das compras natalícias, com pessoas atarantadas nas lojas à procura da inutilidade mais barata ou do presente mais sofisticado. Corpos vergados ao peso de sacos, arfando como se a morte lhes estivesse a bater à porta, desaguam na noite do dia 24 em casa de familiares que – não raras vezes- são “obrigados a aturar” uma vez por ano, em nome da “Festa da Família”.

Dezembro significa também horas a discutir o local ideal para passar o “reveillon”, doze passas às doze badaladas da meia -noite, listas imensas de intenções a realizar no ano seguinte, alegria tão falsa como um par de mamas de silicone, uma festa abrilhantada por uma banda que se reúne anualmente para tocar música brasileira do tempo da“Maria Cachucha”, grandes “bezanas” e ressacas no dia seguinte, acalmadas à custa de “Guronsan”. 

Mesmo para aqueles que se escapam a mais uma reunião familiar no primeiro dia do ano, Janeiro não deixa de ser patético. Cortes no orçamento para compensar os gastos do mês anterior, lamentos pelo aumento dos transportes, da luz, da água, do salário da empregada de limpeza , do seguro do carro, da prestação da casa, da bica e do rissol com que aconchegam o estômago num qualquer "come em pé"de ocasião. Idas ao médico para vigiar o colesterol que subiu graças aos excessos gastronómicos, escapadelas até aos saldos para “compras de ocasião” e a promessa de que é esta semana que finalmente vamos deixar de comprar “O Expresso” .

No final do mês, constatamos que as promessas feitas entre dois golos de “champagne made in Mealhada” não foram mais uma vez cumpridas. A Odete não fez dieta e está cada vez mais gorda e parecida com um elefante de Jardim Zoológico, as idas ao ginásio ficaram mais uma vez adiadas por incompatibilidades financeiras, ou falta de vontade, e a promessa de que finalmente iríamos trocar o carro pelos transportes públicos ou uma caminhada a pé até ao local de trabalho, fica aprazada para quando a Primavera se fizer anunciar com os seus retemperadores raios de sol.

Dezembro, felizmente, já lá vai! Confortemo-nos com a ideia de que este ano, no final de Janeiro, voltamos a não cumprir as promessas da noite de reveillon. É sinal de que o mundo pula e avança mas, no essencial, tudo se mantém na mesma ao fim de cada ciclo de 365(ou 366 em anos bissextos). E se no final de 2013 pudermos dizer que pelo menos o ano não foi pior do que o anterior, já não é nada mau!

Felizmente, Dezembro já lá vai. Dias curtos, frios e chuvosos significam, para mim, a antítese da felicidade. Diria mesmo, a antítese da Vida...

 Dezembro é um mês “sui generis”. As ruas aparecem iluminadas e assistimos à chegada dos Pais Natal, como aves de arribação anunciando a chegada do Inverno. Começa a azáfama das compras natalícias, com pessoas atarantadas nas lojas à procura da inutilidade mais barata ou do presente mais sofisticado. Corpos vergados ao peso de sacos, arfando como se a morte lhes estivesse a bater à porta, desaguam na noite do dia 24 em casa de familiares que – não raras vezes- são “obrigados a aturar” uma vez por ano, em nome da “Festa da Família”.

Dezembro significa também horas a discutir o local ideal para passar o “reveillon”, doze passas às doze badaladas da meia -noite, listas imensas de intenções a realizar no ano seguinte, alegria tão falsa como um par de mamas de silicone, uma festa abrilhantada por uma banda que se reúne anualmente para tocar música brasileira do tempo da“Maria Cachucha”, grandes “bezanas” e ressacas no dia seguinte, acalmadas à custa de “Guronsan”. 

Mesmo para aqueles que se escapam a mais uma reunião familiar no primeiro dia do ano, Janeiro não deixa de ser patético. Cortes no orçamento para compensar os gastos do mês anterior, lamentos pelo aumento dos transportes, da luz, da água, do salário da empregada de limpeza , do seguro do carro, da prestação da casa, da bica e do rissol com que aconchegam o estômago num qualquer "come em pé"de ocasião. Idas ao médico para vigiar o colesterol que subiu graças aos excessos gastronómicos, escapadelas até aos saldos para “compras de ocasião” e a promessa de que é esta semana que finalmente vamos deixar de comprar “O Expresso” .

No final do mês, constatamos que as promessas feitas entre dois golos de “champagne made in Mealhada” não foram mais uma vez cumpridas. A Odete não fez dieta e está cada vez mais gorda e parecida com um elefante de Jardim Zoológico, as idas ao ginásio ficaram mais uma vez adiadas por incompatibilidades financeiras, ou falta de vontade, e a promessa de que finalmente iríamos trocar o carro pelos transportes públicos ou uma caminhada a pé até ao local de trabalho, fica aprazada para quando a Primavera se fizer anunciar com os seus retemperadores raios de sol.

Dezembro, felizmente, já lá vai! Confortemo-nos com a ideia de que este ano, no final de Janeiro, voltamos a não cumprir as promessas da noite de reveillon. É sinal de que o mundo pula e avança mas, no essencial, tudo se mantém na mesma ao fim de cada ciclo de 365(ou 366 em anos bissextos). E se no final de 2013 pudermos dizer que pelo menos o ano não foi pior do que o anterior, já não é nada mau!

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