André Luiz Gomes. Quem é o advogado "brilhante" por trás dos negócios de Berardo

21-11-2019
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Extrovertido, o futuro advogado fez na escola situada nas Amoreiras grandes amizades para o resto da sua vida. Entre elas estão, por exemplo, Miguel Esperança Pina (advogado, sócio do escritório CMS Rui Pena & Arnaut).

André Luíz Gomes era um bom aluno mas, para entrar da Faculdade de Direito de Lisboa, tinha de melhorar a média. Daí ter saído um ano mais cedo do Liceu Francês para se inscrever num liceu público (o Pedro Nunes), de forma a ‘levantar a nota’ — o que conseguiu sem grande dificuldade.

Enquanto uns amigos foram estudar Direito para a Universidade Católica, André e outros foram para a Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa.

Estávamos em 1984 e Portugal era o país das bandeiras pretas da fome que a CGTP e o PCP tinham desfraldado para combater o governo do Bloco Central e a segunda intervenção do FMI, iniciada em 1983. Na Faculdade de Direito de Lisboa, contudo, as batalhas ideológicas do PREC já pertenciam a um passado considerado longínquo.

Não há registo, por exemplo, que André Luíz Gomes se tenha aproximado do mundo associativo ou da política. Na ressaca dos anos quentes da revolução, ninguém ligava muito à política. Ferrenho, ferrenho só do Benfica.

André Luiz Gomes destacou-se em diversas cadeiras na universidade mas numa delas (História do Direito) foi mesmo eleito como o melhor aluno, ganhando o respetivo prémio. Acabou por terminar o curso com uma média de 14, em 1989.

O gosto pelas finanças e a entrada no escritório do pai

Se André Luiz Gomes sempre quis ser advogado, é igualmente certo dizer que, na faculdade, ganhou um especial gosto por finanças. A área da advocacia de negócios já estava na sua mira. Começou por fazer o estágio no escritório dos pais, a Luiz Gomes, Abecasis & Associados — um dos principais escritórios lisboetas dos anos 70 e 80. Na prática, o escritório era uma parceria entre o seu pai Joaquim e Henrique Abecassis — outro advogado conhecido da Lisboa do pré-CEE.

O seu pai Joaquim tinha um perfil forte e muito marcado — um pouco como André. E a sua marca era clara e inegável no escritório. Apesar de ter sido uma das primeiras sociedades de advogados nos anos 80, a Luiz Gomes, Abecassis & Associados começou a ver a sua influência a decair com a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia. A verdadeira economia capitalista começou então a surgir, com uma concorrência feroz entre os advogados e sem que a sociedade acertasse o passo com a modernização da economia portuguesa.

Primeiro, Joaquim Luiz Gomes e Henrique Abecassis desentenderam-se em 1992 e o escritório acabou, ficando apenas a designação Luiz Gomes & Associados. Pouco depois, o patriarca Joaquim começou a ter problemas de saúde, o que diminuiu a sua influência no dia a dia do escritório. André tornou-se sócio em 1995 e apostou todas as fichas na advocacia de negócios. Joe Berardo, esse, nunca mais o largou. Um autêntico tubarão da bolsa e com muita influência nos negócios da Madeira por via da sua proximidade a Horácio Roque e ao regime de Alberto João Jardim, Berardo foi contribuindo cada vez mais para a faturação da sociedade de advogados.

Foi precisamente Berardo que veio a ser importante como seu trunfo na negociação de entrada para sócio da Gonçalves Pereira, Castelo Branco & Associados. Estávamos em 2005, o escritório da família nada tinha a ver com o que tinha sido antes e surgiu uma hipótese de entrar para um dos principais escritórios de Lisboa na época — e logo um que rivalizava com a Morais Leitão, a Vieira de Almeida e a PLMJ na advocacia de negócios. Este era o local de trabalho ideal para um advogado que gostava de negociar aquisições (amigáveis ou hostis), mediando fusões ou ajudar a fazer crescer o negócio do seu cliente. Quase a fazer 40 anos, André sentia-se pronto para dar um salto na carreira.

Afilhado de discípulo de Marcello Caetano e a entrada na primeira liga da advocacia

André Luiz Gomes é afilhado de André Gonçalves Pereira, o discípulo de Marcello Caetano, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa e ex-ministro dos Negócios de Estrangeiros do Governo da AD liderado por Francisco Pinto Balsemão que fundou a sociedade com Castelo Branco. Mas não foi o seu padrinho que sugeriu o seu nome. Foi o seu grande amigo Diogo Perestrelo, que já era sócio do escritório.

“Muito vivo e aguerrido, esperto e com uma cultura acima da média” — é assim que é descrito por um antigo colega da Gonçalves Pereira, Castelo Branco & Associados. E foi com essas características que André Luíz Gomes não só consolidou a sua relação com Joe Berardo, como este o terá ajudado a chegar a Horácio Roque e ao Banif.

André, contudo, não se ficou por aqui. E começou a aprofundar relações com fundos de investimento. Uma dessas sociedades é a Explorer Investments, criada em 2003 por Rodrigo Guimarães e por Elisabeth Rothfield, da qual André Luiz Gomes foi presidente da Assembleia Geral. Especialista em capital de risco, a Explorer gere e assessora fundos com ativos superiores a mil milhões de euros no mercado português.

Extrovertido, o futuro advogado fez na escola situada nas Amoreiras grandes amizades para o resto da sua vida. Entre elas estão, por exemplo, Miguel Esperança Pina (advogado, sócio do escritório CMS Rui Pena & Arnaut).

André Luíz Gomes era um bom aluno mas, para entrar da Faculdade de Direito de Lisboa, tinha de melhorar a média. Daí ter saído um ano mais cedo do Liceu Francês para se inscrever num liceu público (o Pedro Nunes), de forma a ‘levantar a nota’ — o que conseguiu sem grande dificuldade.

Enquanto uns amigos foram estudar Direito para a Universidade Católica, André e outros foram para a Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa.

Estávamos em 1984 e Portugal era o país das bandeiras pretas da fome que a CGTP e o PCP tinham desfraldado para combater o governo do Bloco Central e a segunda intervenção do FMI, iniciada em 1983. Na Faculdade de Direito de Lisboa, contudo, as batalhas ideológicas do PREC já pertenciam a um passado considerado longínquo.

Não há registo, por exemplo, que André Luíz Gomes se tenha aproximado do mundo associativo ou da política. Na ressaca dos anos quentes da revolução, ninguém ligava muito à política. Ferrenho, ferrenho só do Benfica.

André Luiz Gomes destacou-se em diversas cadeiras na universidade mas numa delas (História do Direito) foi mesmo eleito como o melhor aluno, ganhando o respetivo prémio. Acabou por terminar o curso com uma média de 14, em 1989.

O gosto pelas finanças e a entrada no escritório do pai

Se André Luiz Gomes sempre quis ser advogado, é igualmente certo dizer que, na faculdade, ganhou um especial gosto por finanças. A área da advocacia de negócios já estava na sua mira. Começou por fazer o estágio no escritório dos pais, a Luiz Gomes, Abecasis & Associados — um dos principais escritórios lisboetas dos anos 70 e 80. Na prática, o escritório era uma parceria entre o seu pai Joaquim e Henrique Abecassis — outro advogado conhecido da Lisboa do pré-CEE.

O seu pai Joaquim tinha um perfil forte e muito marcado — um pouco como André. E a sua marca era clara e inegável no escritório. Apesar de ter sido uma das primeiras sociedades de advogados nos anos 80, a Luiz Gomes, Abecassis & Associados começou a ver a sua influência a decair com a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia. A verdadeira economia capitalista começou então a surgir, com uma concorrência feroz entre os advogados e sem que a sociedade acertasse o passo com a modernização da economia portuguesa.

Primeiro, Joaquim Luiz Gomes e Henrique Abecassis desentenderam-se em 1992 e o escritório acabou, ficando apenas a designação Luiz Gomes & Associados. Pouco depois, o patriarca Joaquim começou a ter problemas de saúde, o que diminuiu a sua influência no dia a dia do escritório. André tornou-se sócio em 1995 e apostou todas as fichas na advocacia de negócios. Joe Berardo, esse, nunca mais o largou. Um autêntico tubarão da bolsa e com muita influência nos negócios da Madeira por via da sua proximidade a Horácio Roque e ao regime de Alberto João Jardim, Berardo foi contribuindo cada vez mais para a faturação da sociedade de advogados.

Foi precisamente Berardo que veio a ser importante como seu trunfo na negociação de entrada para sócio da Gonçalves Pereira, Castelo Branco & Associados. Estávamos em 2005, o escritório da família nada tinha a ver com o que tinha sido antes e surgiu uma hipótese de entrar para um dos principais escritórios de Lisboa na época — e logo um que rivalizava com a Morais Leitão, a Vieira de Almeida e a PLMJ na advocacia de negócios. Este era o local de trabalho ideal para um advogado que gostava de negociar aquisições (amigáveis ou hostis), mediando fusões ou ajudar a fazer crescer o negócio do seu cliente. Quase a fazer 40 anos, André sentia-se pronto para dar um salto na carreira.

Afilhado de discípulo de Marcello Caetano e a entrada na primeira liga da advocacia

André Luiz Gomes é afilhado de André Gonçalves Pereira, o discípulo de Marcello Caetano, professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa e ex-ministro dos Negócios de Estrangeiros do Governo da AD liderado por Francisco Pinto Balsemão que fundou a sociedade com Castelo Branco. Mas não foi o seu padrinho que sugeriu o seu nome. Foi o seu grande amigo Diogo Perestrelo, que já era sócio do escritório.

“Muito vivo e aguerrido, esperto e com uma cultura acima da média” — é assim que é descrito por um antigo colega da Gonçalves Pereira, Castelo Branco & Associados. E foi com essas características que André Luíz Gomes não só consolidou a sua relação com Joe Berardo, como este o terá ajudado a chegar a Horácio Roque e ao Banif.

André, contudo, não se ficou por aqui. E começou a aprofundar relações com fundos de investimento. Uma dessas sociedades é a Explorer Investments, criada em 2003 por Rodrigo Guimarães e por Elisabeth Rothfield, da qual André Luiz Gomes foi presidente da Assembleia Geral. Especialista em capital de risco, a Explorer gere e assessora fundos com ativos superiores a mil milhões de euros no mercado português.

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