poesia: jaime garcia-maíquez / a lua

03-09-2020
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É outra vez a lua, a de sempre

a de toda a vida:

a lua dos séculos vindouros,

a lua medieval, a que brindava

com a sombra de Li-po,

a que pisou o homem,

a de prata, a vermelha, a amarela,

a deusa dos ritos ancestrais,

o templo do silêncio,

                                     
o espelho da alma.

Também a lua desta mesma noite

diária e cambiante,

ou aquela aterradora superfície

da primeira sombra, quando o sol

deu a luz à lua.

É outra vez a lua

                              e estes
versos

são outra vez o mesmo, o obstinado,

frenético e absurdo malefício

de lhe escrever um poema.

– que para ser sincero também não satisfez

o eterno objectivo de invocar essa luz –

No entanto, em muitas tentativas literárias

Que trago às costas, consegui

da lua um triunfo;

                                 fazer dela,

à força de fracassos,

o monumento que jamais um homem

ousara erguer à sua derrota.

jaime garcia-maíquez

tradução de josé colaço barreiros

canal nr. 2

revista de literatura

palha de abrantes

1998

É outra vez a lua, a de sempre

a de toda a vida:

a lua dos séculos vindouros,

a lua medieval, a que brindava

com a sombra de Li-po,

a que pisou o homem,

a de prata, a vermelha, a amarela,

a deusa dos ritos ancestrais,

o templo do silêncio,

                                     
o espelho da alma.

Também a lua desta mesma noite

diária e cambiante,

ou aquela aterradora superfície

da primeira sombra, quando o sol

deu a luz à lua.

É outra vez a lua

                              e estes
versos

são outra vez o mesmo, o obstinado,

frenético e absurdo malefício

de lhe escrever um poema.

– que para ser sincero também não satisfez

o eterno objectivo de invocar essa luz –

No entanto, em muitas tentativas literárias

Que trago às costas, consegui

da lua um triunfo;

                                 fazer dela,

à força de fracassos,

o monumento que jamais um homem

ousara erguer à sua derrota.

jaime garcia-maíquez

tradução de josé colaço barreiros

canal nr. 2

revista de literatura

palha de abrantes

1998

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