04/09/95
Mira Amaral
A "reserva estratégica"
Internamente, nunca ninguém lhe conheceu ligações a grupos ou sensibilidades partidárias. Pelo contrário, Luís Mira Amaral, 49 anos, fez sempre questão de seguir um percurso solitário, exibindo com desenvoltura uma espécie de cavaquismo não ortodoxo que encaixa perfeitamente na sua função de ministro da Indústria e Energia.
Este (quase) assumido distanciamento foi, no entanto, quebrado aquando do último Congresso. Mira apoiou Durão Barroso e esse apoio espantou muito boa gente, até porque o ministro nunca escondeu estar mais próximo das teses sociais-democratas - dessacralizadoras do papel do mercado e defensoras da função reguladora do Estado para corrigir as disfunções sociais - do que dos conceitos liberais menos atentos à ditadura das regras do mercado e aos seus efeitos perversos sobre a sociedade.
A derrota de Barroso impediu Mira Amaral de ascender, pela primeira vez, ao círculo mais restrito do poder "laranja" onde teria assento como vice-presidente do partido e assumiria de vez esse quase reprimido gosto pelo exercício da chamada "política pura", que só revela aos seus mais íntimos. Mas isso não impediu que o novo líder o reconduzisse depois no mesmo posto para o qual havia sido pela primeira vez convidado há quatro anos por Cavaco Silva: número um por Santarém. Nogueira sabe que agora, como então, Mira será o candidato esforçado, diligente e cumpridor que sempre foi e não ignora a influência que o ministro foi ganhando nos meios empresariais, onde se mexe como peixe na água. Um peso que, aliado a uma experiência de dez anos de Governo, faz deste engenheiro, que também é economista, uma espécie de "ultracongelado". Ou seja: o ministro da Indústria e Energia, que já foi ministro do Trabalho e da Segurança Social, será como que uma "reserva estratégica" da liderança do PSD em caso de vitória eleitoral. Até para pastas difíceis. Quem sabe a das Finanças?
Áurea Sampaio
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04/09/95
Mira Amaral
A "reserva estratégica"
Internamente, nunca ninguém lhe conheceu ligações a grupos ou sensibilidades partidárias. Pelo contrário, Luís Mira Amaral, 49 anos, fez sempre questão de seguir um percurso solitário, exibindo com desenvoltura uma espécie de cavaquismo não ortodoxo que encaixa perfeitamente na sua função de ministro da Indústria e Energia.
Este (quase) assumido distanciamento foi, no entanto, quebrado aquando do último Congresso. Mira apoiou Durão Barroso e esse apoio espantou muito boa gente, até porque o ministro nunca escondeu estar mais próximo das teses sociais-democratas - dessacralizadoras do papel do mercado e defensoras da função reguladora do Estado para corrigir as disfunções sociais - do que dos conceitos liberais menos atentos à ditadura das regras do mercado e aos seus efeitos perversos sobre a sociedade.
A derrota de Barroso impediu Mira Amaral de ascender, pela primeira vez, ao círculo mais restrito do poder "laranja" onde teria assento como vice-presidente do partido e assumiria de vez esse quase reprimido gosto pelo exercício da chamada "política pura", que só revela aos seus mais íntimos. Mas isso não impediu que o novo líder o reconduzisse depois no mesmo posto para o qual havia sido pela primeira vez convidado há quatro anos por Cavaco Silva: número um por Santarém. Nogueira sabe que agora, como então, Mira será o candidato esforçado, diligente e cumpridor que sempre foi e não ignora a influência que o ministro foi ganhando nos meios empresariais, onde se mexe como peixe na água. Um peso que, aliado a uma experiência de dez anos de Governo, faz deste engenheiro, que também é economista, uma espécie de "ultracongelado". Ou seja: o ministro da Indústria e Energia, que já foi ministro do Trabalho e da Segurança Social, será como que uma "reserva estratégica" da liderança do PSD em caso de vitória eleitoral. Até para pastas difíceis. Quem sabe a das Finanças?
Áurea Sampaio