JORNAL PUBLICO: Esvaziar o PSD e obrigar o PS...

12-10-1999
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30/08/95

Carvalhas aposta no "duelo" esquerda/direita

Esvaziar o PSD e obrigar o PS...

Colocar o PSD e o PP em minoria e "obrigar" o PS a assumir uma política de esquerda, com a participação da CDU, é a receita eleitoral traçada por Carlos Carvalhas, que não acredita em "partidos mais votados", mas sim "nas maiorias que se formam". Esta ideia foi ontem explanada pelo líder do PCP durante uma deslocação a Sines.

A tese de Carvalhas reside no facto de ser necessário "esvaziar" à direita e promover um governo de esquerda, que "não só mude de caras como fundamentalmente de políticas". E isso só é possível, segundo Carvalhas, com a participaçao da CDU. "Não é o partido mais votado que está em causa, mas sim com quem o partido mais votado poderá governar. E se precisarem (socialistas) dos nossos votos têm que vir à nossa mão", frisou o líder do PCP.

E ao PÚBLICO fez mesmo um esboço numérico de um dos hipotéticos resultados em 1 de Outubro: 114 deputados para a direita (100 PSD e 14 PP) e 116 deputados para a esquerda (90 PS e 26 CDU). "A CDU fará sempre parte dos 116 deputados necessários para viabilizar um governo", afirmou.

Depois, em contacto directo com os trabalhadores dos estaleiros da Omba, que estão a construir aquela que será a "maior ponte do mundo", com uma extensão de cerca de 12 quilómetros, que fará a ligação entre as ilhas dinamarquesas de Halsskov e Sprogo, Carlos Carvalhas alertou para o facto de cada abstenção ser um voto na direita. "A direita procura dar a ideia de que todos os partidos são iguais, para promover a abstenção e fortalecer o seu eleitorado, porque a direita vota sempre."

A deslocação de Carvalhas aos estaleiros da Omba, que viveram recentemente momentos de grande instabilidade laboral, visou, segundo disse ao PÚBLICO, mostrar que "o trabalho com direitos, longe de ser um entrave ao desenvolvimento é um factor de desenvolvimento e de produtividade". Para o líder do PCP, vale a pena lutar para que a força do trabalho seja entendida como "o motor da economia".

"Nesta empresa os trabalhadores não tinham direitos, o trabalho era precário, não havia normas de segurança; houve luta dos trabalhadores e hoje a satisfação dessas reivindicações fez aumentar a produtividade e a sindicalização de mais de 90 por cento dos operários", explicou.

O líder do PCP quis também passar a mensagem de que a industrialização desta zona, a par da agricultura e do turismo, é uma das vias para o desenvolvimento do Alentejo.

Raul Tavares

30/08/95

Carvalhas aposta no "duelo" esquerda/direita

Esvaziar o PSD e obrigar o PS...

Colocar o PSD e o PP em minoria e "obrigar" o PS a assumir uma política de esquerda, com a participação da CDU, é a receita eleitoral traçada por Carlos Carvalhas, que não acredita em "partidos mais votados", mas sim "nas maiorias que se formam". Esta ideia foi ontem explanada pelo líder do PCP durante uma deslocação a Sines.

A tese de Carvalhas reside no facto de ser necessário "esvaziar" à direita e promover um governo de esquerda, que "não só mude de caras como fundamentalmente de políticas". E isso só é possível, segundo Carvalhas, com a participaçao da CDU. "Não é o partido mais votado que está em causa, mas sim com quem o partido mais votado poderá governar. E se precisarem (socialistas) dos nossos votos têm que vir à nossa mão", frisou o líder do PCP.

E ao PÚBLICO fez mesmo um esboço numérico de um dos hipotéticos resultados em 1 de Outubro: 114 deputados para a direita (100 PSD e 14 PP) e 116 deputados para a esquerda (90 PS e 26 CDU). "A CDU fará sempre parte dos 116 deputados necessários para viabilizar um governo", afirmou.

Depois, em contacto directo com os trabalhadores dos estaleiros da Omba, que estão a construir aquela que será a "maior ponte do mundo", com uma extensão de cerca de 12 quilómetros, que fará a ligação entre as ilhas dinamarquesas de Halsskov e Sprogo, Carlos Carvalhas alertou para o facto de cada abstenção ser um voto na direita. "A direita procura dar a ideia de que todos os partidos são iguais, para promover a abstenção e fortalecer o seu eleitorado, porque a direita vota sempre."

A deslocação de Carvalhas aos estaleiros da Omba, que viveram recentemente momentos de grande instabilidade laboral, visou, segundo disse ao PÚBLICO, mostrar que "o trabalho com direitos, longe de ser um entrave ao desenvolvimento é um factor de desenvolvimento e de produtividade". Para o líder do PCP, vale a pena lutar para que a força do trabalho seja entendida como "o motor da economia".

"Nesta empresa os trabalhadores não tinham direitos, o trabalho era precário, não havia normas de segurança; houve luta dos trabalhadores e hoje a satisfação dessas reivindicações fez aumentar a produtividade e a sindicalização de mais de 90 por cento dos operários", explicou.

O líder do PCP quis também passar a mensagem de que a industrialização desta zona, a par da agricultura e do turismo, é uma das vias para o desenvolvimento do Alentejo.

Raul Tavares

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