Radicais timorenses ameaçam Xanana Gusmão

18-04-2001
marcar artigo

Radicais Timorenses Ameaçam Xanana Gusmão

Por FRANCISCA GORJÃO HENRIQUES

Quarta-feira, 14 de Março de 2001

Sérgio Vieira de Mello, administrador da ONU, alvo de insultos

CDP-RDTL exige saída da UNTAET num comunicado que, para alguns, deve ser objecto de uma investigação

Um grupo de nacionalistas radicais de Timor-Leste ameaçou Xanana Gusmão, presidente do Conselho Nacional de Resistência Timorense (CNRT), e Sérgio Vieira de Mello, o administrador transitório das Nações Unidas (UNTAET), de estarem a "assinar as suas próprias sepulturas". Exigiram também a retirada dos membros da ONU do território.

Num documento enviado à agência Lusa, a liderança do Comité de Defesa Popular da República Democrática de Timor-Leste (CDP-RDTL) chama "colonialista" a Vieira de Mello e "ditador fascista" ao comissário da Civpol (a polícia civil da ONU), José Luis da Costa e Sousa. "Os dentre melhores filhos do mui querido e martirizado povo maubere sob a liderança do CDP-RDTL/FRETILIN dão um aviso bem claro ao senhor colonialista Sérgio Vieira de Mello e à camarilha de Xanana, que não venham com ameaças em tons de donos e deuses do nosso destino, porque as suas consequências poderão forçar-lhes a assinar as suas próprias sepulturas", lê-se no comunicado emitido esta semana.

O documento surge na sequência de uma tentativa de atentado contra Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak, responsável pela nova força de defesa timorense (FDTL). O golpe foi evitado pela polícia, mas as ameaças continuam. O texto critica as forças de segurança e lança "um aviso bem claro aos indivíduos da UNTAET com o seu pobretão chefe Sérgio Vieira de Mello".

Xanana Gusmão não ficou intimidado. Interrogado pela Lusa, o alvo das ameaças dos radicais garantiu estar "pouco preocupado" com estas "actuações estúpidas". "Podem começar a fazer o buraco para me enterrarem", afirmou.

O CDP-RDTL afirma ser um movimento nacionalista que defende "intransigentemente" a independência unilateral declarada pela Fretilin a 28 de Novembro de 1975 e tem sido a principal frente de oposição ao CNRT (a quem não reconhece legitimidade). Os seus militantes têm participado em alguns dos principais actos de violência praticados em Timor-Leste depois da entrada da UNTAET no território (há quem mencione ainda relações com as forças armadas indonésias).

E é também contra a administração das Nações Unidas que as críticas dos radicais são lançadas. "A CDP-RDTL exige a expulsão imediata de todas as forças da UNTAET que estiveram envolvidas vergonhosamente naquele acto tão selvático e animalesco contra os inocentes filhos timorenses [confrontos em Baucau], nomeadamente portugueses sob a chefia do comissário anti-democrático, ditador e fascista, José Luis da Costa e Sousa, brasileiros, americanos, australianos e jordanos", cita a Lusa. Se a retirada não acontecer, continua o comunicado, a CDP-RDTL promete "agir com toda a dureza contra a vida de tais soldadescos da UNTAET com o seu patrãozeco Sérgio Vieira de Mello sem piedade nenhuma".

Para o líder timorense Manuel Carrascalão é necessário criar uma comissão que investigue as ameaças. "Além da ameaça de morte existem insultos que ferem os sentimentos dos timorenses amantes da ordem, do respeito e da paz, e o bem estar deste povo martirizado pelos invasores e pelos conterrâneos embriagados pela ambição do poder e infelizmente por alguns que se venderam pelas rupias do inimigo", afirmou à Lusa.

Ontem, o Conselho Nacional (parlamento transitório), liderado por Xanana Gusmão, aprovou a proposta de lei eleitoral, deixando de fora uma artigo que fazia referância a quotas de participação de mulheres. Deixou prevista a criação de uma Assembleia Constituinte, com 88 membros, que deverá preparar e adoptar a constituição do novo país independente.

Radicais Timorenses Ameaçam Xanana Gusmão

Por FRANCISCA GORJÃO HENRIQUES

Quarta-feira, 14 de Março de 2001

Sérgio Vieira de Mello, administrador da ONU, alvo de insultos

CDP-RDTL exige saída da UNTAET num comunicado que, para alguns, deve ser objecto de uma investigação

Um grupo de nacionalistas radicais de Timor-Leste ameaçou Xanana Gusmão, presidente do Conselho Nacional de Resistência Timorense (CNRT), e Sérgio Vieira de Mello, o administrador transitório das Nações Unidas (UNTAET), de estarem a "assinar as suas próprias sepulturas". Exigiram também a retirada dos membros da ONU do território.

Num documento enviado à agência Lusa, a liderança do Comité de Defesa Popular da República Democrática de Timor-Leste (CDP-RDTL) chama "colonialista" a Vieira de Mello e "ditador fascista" ao comissário da Civpol (a polícia civil da ONU), José Luis da Costa e Sousa. "Os dentre melhores filhos do mui querido e martirizado povo maubere sob a liderança do CDP-RDTL/FRETILIN dão um aviso bem claro ao senhor colonialista Sérgio Vieira de Mello e à camarilha de Xanana, que não venham com ameaças em tons de donos e deuses do nosso destino, porque as suas consequências poderão forçar-lhes a assinar as suas próprias sepulturas", lê-se no comunicado emitido esta semana.

O documento surge na sequência de uma tentativa de atentado contra Xanana Gusmão e Taur Matan Ruak, responsável pela nova força de defesa timorense (FDTL). O golpe foi evitado pela polícia, mas as ameaças continuam. O texto critica as forças de segurança e lança "um aviso bem claro aos indivíduos da UNTAET com o seu pobretão chefe Sérgio Vieira de Mello".

Xanana Gusmão não ficou intimidado. Interrogado pela Lusa, o alvo das ameaças dos radicais garantiu estar "pouco preocupado" com estas "actuações estúpidas". "Podem começar a fazer o buraco para me enterrarem", afirmou.

O CDP-RDTL afirma ser um movimento nacionalista que defende "intransigentemente" a independência unilateral declarada pela Fretilin a 28 de Novembro de 1975 e tem sido a principal frente de oposição ao CNRT (a quem não reconhece legitimidade). Os seus militantes têm participado em alguns dos principais actos de violência praticados em Timor-Leste depois da entrada da UNTAET no território (há quem mencione ainda relações com as forças armadas indonésias).

E é também contra a administração das Nações Unidas que as críticas dos radicais são lançadas. "A CDP-RDTL exige a expulsão imediata de todas as forças da UNTAET que estiveram envolvidas vergonhosamente naquele acto tão selvático e animalesco contra os inocentes filhos timorenses [confrontos em Baucau], nomeadamente portugueses sob a chefia do comissário anti-democrático, ditador e fascista, José Luis da Costa e Sousa, brasileiros, americanos, australianos e jordanos", cita a Lusa. Se a retirada não acontecer, continua o comunicado, a CDP-RDTL promete "agir com toda a dureza contra a vida de tais soldadescos da UNTAET com o seu patrãozeco Sérgio Vieira de Mello sem piedade nenhuma".

Para o líder timorense Manuel Carrascalão é necessário criar uma comissão que investigue as ameaças. "Além da ameaça de morte existem insultos que ferem os sentimentos dos timorenses amantes da ordem, do respeito e da paz, e o bem estar deste povo martirizado pelos invasores e pelos conterrâneos embriagados pela ambição do poder e infelizmente por alguns que se venderam pelas rupias do inimigo", afirmou à Lusa.

Ontem, o Conselho Nacional (parlamento transitório), liderado por Xanana Gusmão, aprovou a proposta de lei eleitoral, deixando de fora uma artigo que fazia referância a quotas de participação de mulheres. Deixou prevista a criação de uma Assembleia Constituinte, com 88 membros, que deverá preparar e adoptar a constituição do novo país independente.

marcar artigo