expo

01-11-2000
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Três finalistas de Engenharia Aeroespacial ganham prémio Francisco da Holanda Os objectos da arte artificial DR Pedro Alves, um dos vencedores

do prémio António Granado Uns parecem-se com jarras, outros com candelabros, outros ainda com rosas. São objectos de arte artificial, criados por um programa de computador que valeu aos seus autores o prémio Francisco da Holanda, instituído pelo Pavilhão do Território. Paulo Tabuada, Pedro Alves e Jorge Gomes, finalistas de Engenharia Aeroespacial do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, venceram ontem o prémio Francisco da Holanda, no valor de 10 mil contos, pelo seu trabalho "Arte artificial através de algoritmos genéticos". O trabalho dos jovens investigadores consiste num programa de computador capaz de gerar objectos de arte de uma forma artificial, partindo de escolhas prévias determinadas pelo seu utilizador. Essas escolhas influenciam o resultado final do objecto a três dimensões que vai ser desenhado pelo computador. O processo de construção destes objectos é bastante simples, apesar da sua concepção utilizar complicados algoritmos matemáticos. Numa primeira fase, são apresentados ao utilizador quatro objectos diferentes para que escolha aquele de que gosta mais. Esse objecto escolhido vai depois ser "o pai" dos objectos seguintes, isto é, cruza-se com eles, num processo artificial que simula a reprodução nos animais. O processo é repetido quantas vezes for necessário até se conseguir um objecto de que se goste particularmente. Os objectos artificiais sobre os quais se aplica este processo de reprodução possuem um "cromossoma" com cinco genes (cinco características distintas), que serão alterados em gerações sucessivas, estando mesmo previsto no programa que, de vez em quando, haja mutações, capazes de dar formas distintas a alguns dos objectos resultantes do cruzamento. "Do ponto de vista da evolução dos objectos, é claro que a acção do utilizador é semelhante à acção de Deus que, inclusivamente, pode destruir as gerações que construiu a até um determinado momento", explica Pedro Alves, um dos vencedores do prémio. "Mas, do ponto de vista da construção do objecto, é um artista." 60 candidaturas O trabalho premiado reuniu, segundo Leonel Moura, director do Pavilhão do Território da Expo-98 que instituiu o prémio, as características consideradas ideais: "É algo criado e inventado por jovens investigadores portugueses, com ligação às novas tecnologias e à arte". Escolhido entre mais de 60 candidaturas, o projecto "Arte artificial através de algoritmos genéticos" "dignifica Portugal", disse Leonel Moura, que considerou o prémio Francisco da Holanda "bem atribuído". Para o futuro do projecto vencedor, os agora finalistas do Técnico têm algumas perspectivas: "Vamos melhorar o programa, introduzindo-lhe uma maior variabilidade nos genes, de forma a que haja maior diversidade nos objectos finais", disse Pedro Alves. "Depois, o ideal seria conseguir associar-lhe alguma forma de manufacturação, para que os objectos saíssem do mundo virtual e passassem ao mundo real." Esta associação de um processo de fabrico de objectos é um objectivo a longo prazo que, inclusivamente, pode ter "algum interesse comercial", refere Pedro Alves. Para já, os 10 mil contos do prémio serão assim divididos: cinco mil para continuação do projecto (como manda o regulamento) e os outros cinco mil para dividir pelos três membros da equipa que, entretanto, já pensam dar outros voos. "O Paulo [Tabuada] vai começar um projecto de doutoramento, eu vou entrar no mestrado e o Jorge talvez comece já a trabalhar numa empresa." O prémio Francisco da Holanda foi buscar o seu nome a um artista e escritor português nascido por volta de 1518, em Lisboa, tendo sido uma das primeiras figuras do Renascimento em Portugal. Instituído pelo Pavilhão do Território, o prémio não tem ainda futuro definido no período pós-Expo. O juri atribuiu ainda duas menções honrosas, sem qualquer valor monetário: ao projecto "Olho Global", uma nova aplicação multimédia para a Internet, da autoria de Luís Miguel Carriço e Rui Pedro Oliveira; e ao projecto "Algas Marinhas - Um Recurso para o Próximo Milénio", um trabalho que incluía a recolha, identificação e ilustração científica de algas da costa portuguesa, da autoria de Leonel Carlos Pereira. (c) Copyright PÚBLICO Comunicação Social, SA Email: publico@publico.pt

Três finalistas de Engenharia Aeroespacial ganham prémio Francisco da Holanda Os objectos da arte artificial DR Pedro Alves, um dos vencedores

do prémio António Granado Uns parecem-se com jarras, outros com candelabros, outros ainda com rosas. São objectos de arte artificial, criados por um programa de computador que valeu aos seus autores o prémio Francisco da Holanda, instituído pelo Pavilhão do Território. Paulo Tabuada, Pedro Alves e Jorge Gomes, finalistas de Engenharia Aeroespacial do Instituto Superior Técnico, em Lisboa, venceram ontem o prémio Francisco da Holanda, no valor de 10 mil contos, pelo seu trabalho "Arte artificial através de algoritmos genéticos". O trabalho dos jovens investigadores consiste num programa de computador capaz de gerar objectos de arte de uma forma artificial, partindo de escolhas prévias determinadas pelo seu utilizador. Essas escolhas influenciam o resultado final do objecto a três dimensões que vai ser desenhado pelo computador. O processo de construção destes objectos é bastante simples, apesar da sua concepção utilizar complicados algoritmos matemáticos. Numa primeira fase, são apresentados ao utilizador quatro objectos diferentes para que escolha aquele de que gosta mais. Esse objecto escolhido vai depois ser "o pai" dos objectos seguintes, isto é, cruza-se com eles, num processo artificial que simula a reprodução nos animais. O processo é repetido quantas vezes for necessário até se conseguir um objecto de que se goste particularmente. Os objectos artificiais sobre os quais se aplica este processo de reprodução possuem um "cromossoma" com cinco genes (cinco características distintas), que serão alterados em gerações sucessivas, estando mesmo previsto no programa que, de vez em quando, haja mutações, capazes de dar formas distintas a alguns dos objectos resultantes do cruzamento. "Do ponto de vista da evolução dos objectos, é claro que a acção do utilizador é semelhante à acção de Deus que, inclusivamente, pode destruir as gerações que construiu a até um determinado momento", explica Pedro Alves, um dos vencedores do prémio. "Mas, do ponto de vista da construção do objecto, é um artista." 60 candidaturas O trabalho premiado reuniu, segundo Leonel Moura, director do Pavilhão do Território da Expo-98 que instituiu o prémio, as características consideradas ideais: "É algo criado e inventado por jovens investigadores portugueses, com ligação às novas tecnologias e à arte". Escolhido entre mais de 60 candidaturas, o projecto "Arte artificial através de algoritmos genéticos" "dignifica Portugal", disse Leonel Moura, que considerou o prémio Francisco da Holanda "bem atribuído". Para o futuro do projecto vencedor, os agora finalistas do Técnico têm algumas perspectivas: "Vamos melhorar o programa, introduzindo-lhe uma maior variabilidade nos genes, de forma a que haja maior diversidade nos objectos finais", disse Pedro Alves. "Depois, o ideal seria conseguir associar-lhe alguma forma de manufacturação, para que os objectos saíssem do mundo virtual e passassem ao mundo real." Esta associação de um processo de fabrico de objectos é um objectivo a longo prazo que, inclusivamente, pode ter "algum interesse comercial", refere Pedro Alves. Para já, os 10 mil contos do prémio serão assim divididos: cinco mil para continuação do projecto (como manda o regulamento) e os outros cinco mil para dividir pelos três membros da equipa que, entretanto, já pensam dar outros voos. "O Paulo [Tabuada] vai começar um projecto de doutoramento, eu vou entrar no mestrado e o Jorge talvez comece já a trabalhar numa empresa." O prémio Francisco da Holanda foi buscar o seu nome a um artista e escritor português nascido por volta de 1518, em Lisboa, tendo sido uma das primeiras figuras do Renascimento em Portugal. Instituído pelo Pavilhão do Território, o prémio não tem ainda futuro definido no período pós-Expo. O juri atribuiu ainda duas menções honrosas, sem qualquer valor monetário: ao projecto "Olho Global", uma nova aplicação multimédia para a Internet, da autoria de Luís Miguel Carriço e Rui Pedro Oliveira; e ao projecto "Algas Marinhas - Um Recurso para o Próximo Milénio", um trabalho que incluía a recolha, identificação e ilustração científica de algas da costa portuguesa, da autoria de Leonel Carlos Pereira. (c) Copyright PÚBLICO Comunicação Social, SA Email: publico@publico.pt

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