Inquérito: Como é o seu presépio?

23-02-2001
marcar artigo

Inquérito: Como É o Seu Presépio?

Por CARLOS CÂMARA LEME

Domingo, 24 de Dezembro de 2000 AGUSTINA BESSA-LUÍS: "Gostava de ter um Machado de Castro" A romancista Agustina Bessa-Luís não faz presépio mas tem um que basta ser montado. "É muito grande mas não como o do Machado de Castro" que a autora de "Os Meninos de Oiro" confessa que "gostava de ter". "Até porque tenho espaço em minha casa para ele", diz entre uma sonora gargalhada. ANTÓNIO ALÇADA BAPTISTA: Um presépio que veio da Guiné O escritor António Alçada Baptista monta com os seus catorze netos um presépio que há muitos anos lhe ofereceram na Guiné. "As figuras, em madeira, são muito bonitas", sublinha o romancista. "Além de S. José, a Virgem o Menino, há a vaquinha, o burrinho, os três Reis Magos e dois pastores." MARIA DO ROSÁRIO CARNEIRO: "Temos 49 presépios" A família Carneiro tem presépios espalhados por toda a casa, incluindo a cozinha, onde este ano existem três. Ao todo são... quarenta e nove! Maria do Rosário Carneiro, deputada independente do Partido Socialista, recorda que a colecção começou quando ela nasceu: "É uma lapinha madeirense, feita de caixote e cortiça, em sucalcos como se um pedaço da ilha representasse, cheia de vilões e com as suas casas características, e dois Meninos Jesus: um nas palhinhas, outro num patamar, no topo do presépio, sinalizando um mundo de promessas." Desde então cresceu e tornou-se no maior de todos. "Todos os anos é renovado por musgo, muito musgo, e em cada Natal fica um pouco diferente porque pastores, reis, camponesas, crianças, meninos do bombo, ocupam lugares diferentes para chegar à lapinha. Este é, sem dúvida, 'O Presépio'." Depois, há todos os outros: alguns de pano, muitos de barro, outros de cerâmica e de porcelana, de madeira, de latão e um de marfinite. "São tradicionais ou supermodernaços. Uns são de Portugal, muitos são de todo o mundo. Todos são 'belíssimos', cheios de significados e recordações. Porque todos têm uma razão para estarem em nossa casa: a recordação de uma viagem, a surpresa num canto escondido de uma montra, a diversidade, um presente muito apreciado", explica a mulher do ex-ministro da Educação. E porque é que são tantos? "Talvez porque quisesse muito ter um mais pequeno que coubesse na sala, depois porque devia estar um em cada compartimento, depois porque cada um dos meus filhos devia ter um e depois, porque sim..." Mas também "porque é um deslumbramento encontrar formas tão diversas e criativas, de representar o Natal - uma promessa de renovação permanente". MARIA CAVACO SILVA: "O meu marido é tão entusiasta como eu" "Sem presépio não há Natal" diz Maria Cavaco Silva. "A árvore faço-a por causa dos meus netos que gostam do colorido das luzes." A família Cacavo Silva tem, também, sempre muitos presépios espalhados pela casa: desde populares, de Barcelos ou do nordeste brasileiro - "que são lindíssimos por causa das cores garridas" - mas também de artistas plásticos como Cristina Leiria, Dorita Castelo Branco ou Clara Menez. Este ano, Aníbal e Maria Cavaco Silva vão passar o Natal ao Algarve, por isso "o número de presépios vai ser menor", justifica a mulher do ex-primeiro-ministro, que recorda que, mesmo quando viveram em S. Bento, existiam imensos presépios. "O meu marido é tão entusiasta como eu." DIOGO FREITAS DO AMARAL: "Todos os anos puxamos pela imaginação" O ex-candidato à Presidência da República, Diogo Freitas do Amaral, ainda vai com a mulher e os seus filhos à procura de musgo na Quinta da Marinha, onde vive. "Aqui, ainda é fácil apanhar musgo." Depois, o presépio é construído com pedras. As figuras são em barro, mas "todos os anos, cada um de nós, puxa pela sua imaginação para mudar o sítio onde vamos colocar as figuras. Apenas os Reis Magos ficam sempre à distância e vêm a cavalo". O presépio tem cerca de vinte peças - "além da Sagrada Família, há os pastorinhos, o anjo, a estrela, enfim, todas as figuras obrigatórias de um presépio", diz Freitas do Amaral. MARIA BARROSO: "Despojado, mas igualmente bonito" A família Soares faz um presépio muito simples. "Junto do pinheiro", diz Maria Barroso, "põem-se sempre as três figuras da Sagrada Família. É um presépio despojado, com figuras em pedra, mas igualmente muito bonito". Mas como noutras casas, a mulher do ex-presidente da República, Mário Soares, tem também vários pequenos presépios. "O último comprei-o em Roma, por ocasião do Jubileu. Já o coloquei na minha secretária de trabalho." FERNANDA FRAGATEIRO: "Uma paisagem romântica em miniatura" A artista Fernanda Fragateiro faz um presépio com bastante requinte. Com figuras de barro pintadas, é de origem popular, mas é pequeno: além da Sagrada Família há uma pastora, a vaca, o burro, um pato e diversas ovelhas. "As figuras", explica, "são dispostas dentro da gruta" - um tronco de sobreiro, forrado com musgos, líquenes, cogumelos e outras pequenas plantas que estão nos troncos, nas pedras e nos muros da quinta onde vive - "com excepção da pastora e das ovelhas que deambulam estáticas pelo espaço exterior". "O divertido deste projecto é o de construir minuciosamente e ir observando, uma paisagem romântica em miniatura, com elementos vegetais que vão crescendo ao longo do tempo em que o presépio dura", refere Fernanda Fragateiro. Quando chega a altura de desmontar o presépio "os elementos vegetais regressam à terra e as figuras são colocadas numa caixa de madeira eguardadas no sótão". Para o ano, o ritual repetir-se-á. LILI CANEÇAS: "Ainda hei-de fazer um presépio fantástico" Há muito tempo que Lili Caneças, figura do "jet set" português, não faz um presépio, embora guarde na sua memória a magia e a tradição do que, em pequena, se fazia casa dos seus avós, na Guarda. "Existia todo um ritual que começava com o ir apanhar o musgo e pedras para construir a cabana." A última vez que fez um grande presépio foi em 1975, ainda vivia na Quinta da Marinha e, como quando era pequena, foi apanhar musgo à Lagoa Azul. "Esse, tinha toda a iconografia e era enorme - como todos os presépios deviam ser: com muitos pastores, os Reis Magos, as estrelas, os animais que aquecem o Menino Jesus, o pequeno riacho com água, as flores campestres." Lili Caneças lamenta que a tradição de se fazerem presépios tenha desaparecido e que, em sua vez, tenham sido substituídos pela árvore de Natal. "Morando, actualmente, num apartamento não tenho espaço para fazer um presépio de grandes dimensões. Mas quando puder, sobretudo quando o meu neto crescer, ainda hei-de fazer um presépio fantástico." Carlos Câmara Leme OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE Os presépios que fazemos

Seis tesouros históricos

Estremoz: Miniaturas dentro de uma caixa

Porto: A Adoração dos Magos

Portalegre: No espólio de José Régio

Lisboa: As 500 figuras da Estrela

Lisboa: Com Jesus ao colo

Lisboa: Uma orquestra de anjos

O primeiro presépio

Inquérito: Como é o seu presépio?

"Cumprir um desejo divino"

Inquérito: Como É o Seu Presépio?

Por CARLOS CÂMARA LEME

Domingo, 24 de Dezembro de 2000 AGUSTINA BESSA-LUÍS: "Gostava de ter um Machado de Castro" A romancista Agustina Bessa-Luís não faz presépio mas tem um que basta ser montado. "É muito grande mas não como o do Machado de Castro" que a autora de "Os Meninos de Oiro" confessa que "gostava de ter". "Até porque tenho espaço em minha casa para ele", diz entre uma sonora gargalhada. ANTÓNIO ALÇADA BAPTISTA: Um presépio que veio da Guiné O escritor António Alçada Baptista monta com os seus catorze netos um presépio que há muitos anos lhe ofereceram na Guiné. "As figuras, em madeira, são muito bonitas", sublinha o romancista. "Além de S. José, a Virgem o Menino, há a vaquinha, o burrinho, os três Reis Magos e dois pastores." MARIA DO ROSÁRIO CARNEIRO: "Temos 49 presépios" A família Carneiro tem presépios espalhados por toda a casa, incluindo a cozinha, onde este ano existem três. Ao todo são... quarenta e nove! Maria do Rosário Carneiro, deputada independente do Partido Socialista, recorda que a colecção começou quando ela nasceu: "É uma lapinha madeirense, feita de caixote e cortiça, em sucalcos como se um pedaço da ilha representasse, cheia de vilões e com as suas casas características, e dois Meninos Jesus: um nas palhinhas, outro num patamar, no topo do presépio, sinalizando um mundo de promessas." Desde então cresceu e tornou-se no maior de todos. "Todos os anos é renovado por musgo, muito musgo, e em cada Natal fica um pouco diferente porque pastores, reis, camponesas, crianças, meninos do bombo, ocupam lugares diferentes para chegar à lapinha. Este é, sem dúvida, 'O Presépio'." Depois, há todos os outros: alguns de pano, muitos de barro, outros de cerâmica e de porcelana, de madeira, de latão e um de marfinite. "São tradicionais ou supermodernaços. Uns são de Portugal, muitos são de todo o mundo. Todos são 'belíssimos', cheios de significados e recordações. Porque todos têm uma razão para estarem em nossa casa: a recordação de uma viagem, a surpresa num canto escondido de uma montra, a diversidade, um presente muito apreciado", explica a mulher do ex-ministro da Educação. E porque é que são tantos? "Talvez porque quisesse muito ter um mais pequeno que coubesse na sala, depois porque devia estar um em cada compartimento, depois porque cada um dos meus filhos devia ter um e depois, porque sim..." Mas também "porque é um deslumbramento encontrar formas tão diversas e criativas, de representar o Natal - uma promessa de renovação permanente". MARIA CAVACO SILVA: "O meu marido é tão entusiasta como eu" "Sem presépio não há Natal" diz Maria Cavaco Silva. "A árvore faço-a por causa dos meus netos que gostam do colorido das luzes." A família Cacavo Silva tem, também, sempre muitos presépios espalhados pela casa: desde populares, de Barcelos ou do nordeste brasileiro - "que são lindíssimos por causa das cores garridas" - mas também de artistas plásticos como Cristina Leiria, Dorita Castelo Branco ou Clara Menez. Este ano, Aníbal e Maria Cavaco Silva vão passar o Natal ao Algarve, por isso "o número de presépios vai ser menor", justifica a mulher do ex-primeiro-ministro, que recorda que, mesmo quando viveram em S. Bento, existiam imensos presépios. "O meu marido é tão entusiasta como eu." DIOGO FREITAS DO AMARAL: "Todos os anos puxamos pela imaginação" O ex-candidato à Presidência da República, Diogo Freitas do Amaral, ainda vai com a mulher e os seus filhos à procura de musgo na Quinta da Marinha, onde vive. "Aqui, ainda é fácil apanhar musgo." Depois, o presépio é construído com pedras. As figuras são em barro, mas "todos os anos, cada um de nós, puxa pela sua imaginação para mudar o sítio onde vamos colocar as figuras. Apenas os Reis Magos ficam sempre à distância e vêm a cavalo". O presépio tem cerca de vinte peças - "além da Sagrada Família, há os pastorinhos, o anjo, a estrela, enfim, todas as figuras obrigatórias de um presépio", diz Freitas do Amaral. MARIA BARROSO: "Despojado, mas igualmente bonito" A família Soares faz um presépio muito simples. "Junto do pinheiro", diz Maria Barroso, "põem-se sempre as três figuras da Sagrada Família. É um presépio despojado, com figuras em pedra, mas igualmente muito bonito". Mas como noutras casas, a mulher do ex-presidente da República, Mário Soares, tem também vários pequenos presépios. "O último comprei-o em Roma, por ocasião do Jubileu. Já o coloquei na minha secretária de trabalho." FERNANDA FRAGATEIRO: "Uma paisagem romântica em miniatura" A artista Fernanda Fragateiro faz um presépio com bastante requinte. Com figuras de barro pintadas, é de origem popular, mas é pequeno: além da Sagrada Família há uma pastora, a vaca, o burro, um pato e diversas ovelhas. "As figuras", explica, "são dispostas dentro da gruta" - um tronco de sobreiro, forrado com musgos, líquenes, cogumelos e outras pequenas plantas que estão nos troncos, nas pedras e nos muros da quinta onde vive - "com excepção da pastora e das ovelhas que deambulam estáticas pelo espaço exterior". "O divertido deste projecto é o de construir minuciosamente e ir observando, uma paisagem romântica em miniatura, com elementos vegetais que vão crescendo ao longo do tempo em que o presépio dura", refere Fernanda Fragateiro. Quando chega a altura de desmontar o presépio "os elementos vegetais regressam à terra e as figuras são colocadas numa caixa de madeira eguardadas no sótão". Para o ano, o ritual repetir-se-á. LILI CANEÇAS: "Ainda hei-de fazer um presépio fantástico" Há muito tempo que Lili Caneças, figura do "jet set" português, não faz um presépio, embora guarde na sua memória a magia e a tradição do que, em pequena, se fazia casa dos seus avós, na Guarda. "Existia todo um ritual que começava com o ir apanhar o musgo e pedras para construir a cabana." A última vez que fez um grande presépio foi em 1975, ainda vivia na Quinta da Marinha e, como quando era pequena, foi apanhar musgo à Lagoa Azul. "Esse, tinha toda a iconografia e era enorme - como todos os presépios deviam ser: com muitos pastores, os Reis Magos, as estrelas, os animais que aquecem o Menino Jesus, o pequeno riacho com água, as flores campestres." Lili Caneças lamenta que a tradição de se fazerem presépios tenha desaparecido e que, em sua vez, tenham sido substituídos pela árvore de Natal. "Morando, actualmente, num apartamento não tenho espaço para fazer um presépio de grandes dimensões. Mas quando puder, sobretudo quando o meu neto crescer, ainda hei-de fazer um presépio fantástico." Carlos Câmara Leme OUTROS TÍTULOS EM DESTAQUE Os presépios que fazemos

Seis tesouros históricos

Estremoz: Miniaturas dentro de uma caixa

Porto: A Adoração dos Magos

Portalegre: No espólio de José Régio

Lisboa: As 500 figuras da Estrela

Lisboa: Com Jesus ao colo

Lisboa: Uma orquestra de anjos

O primeiro presépio

Inquérito: Como é o seu presépio?

"Cumprir um desejo divino"

marcar artigo