EXPRESSO: País

07-07-2001
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Independentes ao ataque

Em Vila Verde, já há recolha de assinaturas para uma candidatura autárquica. Amares vem a seguir

Sérgio Granadeiro Álvaro Santos antecipou-se às alterações à lei eleitoral para concorrer à Câmara de Vila Verde como independente. Mas com o apoio do PS e do PP

A RECOLHA de assinaturas para a primeira candidatura independente às autárquicas está já na rua, em Vila Verde, onde Álvaro Santos, ex-militante do PSD, decidiu correr fora da lógica partidária, inspirado numa das expressões preferidas de Cavaco Silva:. Mas o certo é que na lógica partidária de PS e PP está já o apoio a este «independente» para travar a continuidade do PSD à frente do município. Socialistas e populares estão em fase de sondagem das suas bases locais para participar no projecto, que os dois partidos acreditam ter espaço para criar consensos suprapartidários, contra a actual gestão do social-democrata José Manuel Fernandes, a cumprir o seu primeiro mandato.

Dentro do próprio PSD há, também, apoios a este cenário, cujos contornos começaram a ser definidos há dois anos, depois de os líderes da oposição local admitirem «o prestígio» do potencial candidato.

Numa altura em que procuram, ainda, reunir consensos e diluir focos de oposição a esta solução, os presidentes das concelhias do PP e PS mantêm os elogios e estão de acordo quanto ao perfil «profissional, sério e credível» de Álvaro Santos, até porque no passado a aproximação entre as duas forças políticas na Câmara sempre foi mais fácil do que com o PSD, dizem.

O segundo confronto

«Numa terra com poucos profissionais da política, como Vila Verde, as coisas funcionam mais o nível da amizade e das relações pessoais», refere Francisco Marques, do PP, salientando que o seu partido não reúne mais de 100 militantes em Vila Verde.

Bento Faria, do PS, diz mesmo que «as referências são boas, esta pode ser uma opção enriquecedora para o concelho e, casa haja apoio dos militantes, não será difícil obter um bom entendimento entre todos».

Falta apenas formalizar os apoios oficiais para lançar as bases de uma candidatura que promete repetir à escala municipal o polémico confronto protagonizado por Álvaro Santos e José Manuel Fernandes ao nível da concelhia do PSD.

Na altura, Álvaro Santos perdeu por uma margem pequena, depois de um arrombamento à sede local. Recorreu para o conselho de jurisdição distrital, que anulou a votação por suspeita de fraude, mas o processo acabou por ser encerrado na sequência de um recurso da lista vencedora para o conselho de jurisdição nacional.

Foi então que se afastou da actividade política, «desiludido com a vida interna partidária, mas empenhado em continuar a contribuir para o desenvolvimento da democracia, contra o monopólio dos partidos», afirma ao EXPRESSO.

Aos 36 anos, quando decidiu concorrer «fora das lógicas partidárias, mas sem excluir apoios» à Câmara de Vila Verde, escolheu um grupo de independentes para o núcleo duro da sua candidatura e avançou para o terreno, sem esperar a definição do novo quadro na Assembleia da República.

Admirador do estilo «prático e decidido» de Cavaco Silva, em especial depois de uma passagem pelo Governo como adjunto da secretária de Estado da Juventude, Maria do Céu Ramos, definiu ele próprio como meta a recolha de oito mil assinaturas, o correspondente a 20% dos eleitores do concelho, e pediu audiências aos grupos parlamentares para pressionar.

Assistente da Universidade do Minho e secretário-geral do Conselho Científico e Pedagógico da Formação Contínua, Álvaro Santos prefere, no entanto, adiar a resposta a questões como o financiamento da sua campanha, a negociação de equilíbrios na formação das listas à Câmara e à Assembleia Municipal e o seu próprio programa.

Polémica em Amares

Num concelho onde o PP controlou durante 20 anos as eleições autárquicas, apesar de ser a terceira força política nas legislativas, ninguém parece surpreender-se com o facto de uma pessoa, individualmente, poder contrariar as lógicas partidárias.

«Em Moure o PP tem 60 votos nas eleições legislativas e 600 nas autárquicas e é assim em todo o concelho», afirma Francisco Marques para explicar as escolhas da sua terra, onde o PSD só chegou à presidência da Câmara depois de António Cerqueira (PP) ser afastado da gestão autárquica, na sequência de um processo por abuso de poder e peculato.

Logo ao lado, no concelho vizinho de Amares, o debate político-partidário é mais aceso e alguns autarcas do PP admitem uma «revolução de independentes», caso venha a confirmar-se o acordo de incidência partidário entre o seu partido e o PS para apresentação de listas cruzadas à Câmara e à Assembleia Municipal. Em causa, está o apoio à candidatura do independente José Barbosa à Câmara, onde já é vereador pelo PS.

Enquanto o líder da concelhia diz que só assim é possível ganhar força no concelho, os opositores, como José Carlos Macedo, criticam o que dizem ser uma «aliança contra-natura» e, caso não consigam reverter a situação e impor uma lista própria, podem avançar para recandidaturas independentes de presidentes de junta eleitos pelo partido.

Independentes ao ataque

Em Vila Verde, já há recolha de assinaturas para uma candidatura autárquica. Amares vem a seguir

Sérgio Granadeiro Álvaro Santos antecipou-se às alterações à lei eleitoral para concorrer à Câmara de Vila Verde como independente. Mas com o apoio do PS e do PP

A RECOLHA de assinaturas para a primeira candidatura independente às autárquicas está já na rua, em Vila Verde, onde Álvaro Santos, ex-militante do PSD, decidiu correr fora da lógica partidária, inspirado numa das expressões preferidas de Cavaco Silva:. Mas o certo é que na lógica partidária de PS e PP está já o apoio a este «independente» para travar a continuidade do PSD à frente do município. Socialistas e populares estão em fase de sondagem das suas bases locais para participar no projecto, que os dois partidos acreditam ter espaço para criar consensos suprapartidários, contra a actual gestão do social-democrata José Manuel Fernandes, a cumprir o seu primeiro mandato.

Dentro do próprio PSD há, também, apoios a este cenário, cujos contornos começaram a ser definidos há dois anos, depois de os líderes da oposição local admitirem «o prestígio» do potencial candidato.

Numa altura em que procuram, ainda, reunir consensos e diluir focos de oposição a esta solução, os presidentes das concelhias do PP e PS mantêm os elogios e estão de acordo quanto ao perfil «profissional, sério e credível» de Álvaro Santos, até porque no passado a aproximação entre as duas forças políticas na Câmara sempre foi mais fácil do que com o PSD, dizem.

O segundo confronto

«Numa terra com poucos profissionais da política, como Vila Verde, as coisas funcionam mais o nível da amizade e das relações pessoais», refere Francisco Marques, do PP, salientando que o seu partido não reúne mais de 100 militantes em Vila Verde.

Bento Faria, do PS, diz mesmo que «as referências são boas, esta pode ser uma opção enriquecedora para o concelho e, casa haja apoio dos militantes, não será difícil obter um bom entendimento entre todos».

Falta apenas formalizar os apoios oficiais para lançar as bases de uma candidatura que promete repetir à escala municipal o polémico confronto protagonizado por Álvaro Santos e José Manuel Fernandes ao nível da concelhia do PSD.

Na altura, Álvaro Santos perdeu por uma margem pequena, depois de um arrombamento à sede local. Recorreu para o conselho de jurisdição distrital, que anulou a votação por suspeita de fraude, mas o processo acabou por ser encerrado na sequência de um recurso da lista vencedora para o conselho de jurisdição nacional.

Foi então que se afastou da actividade política, «desiludido com a vida interna partidária, mas empenhado em continuar a contribuir para o desenvolvimento da democracia, contra o monopólio dos partidos», afirma ao EXPRESSO.

Aos 36 anos, quando decidiu concorrer «fora das lógicas partidárias, mas sem excluir apoios» à Câmara de Vila Verde, escolheu um grupo de independentes para o núcleo duro da sua candidatura e avançou para o terreno, sem esperar a definição do novo quadro na Assembleia da República.

Admirador do estilo «prático e decidido» de Cavaco Silva, em especial depois de uma passagem pelo Governo como adjunto da secretária de Estado da Juventude, Maria do Céu Ramos, definiu ele próprio como meta a recolha de oito mil assinaturas, o correspondente a 20% dos eleitores do concelho, e pediu audiências aos grupos parlamentares para pressionar.

Assistente da Universidade do Minho e secretário-geral do Conselho Científico e Pedagógico da Formação Contínua, Álvaro Santos prefere, no entanto, adiar a resposta a questões como o financiamento da sua campanha, a negociação de equilíbrios na formação das listas à Câmara e à Assembleia Municipal e o seu próprio programa.

Polémica em Amares

Num concelho onde o PP controlou durante 20 anos as eleições autárquicas, apesar de ser a terceira força política nas legislativas, ninguém parece surpreender-se com o facto de uma pessoa, individualmente, poder contrariar as lógicas partidárias.

«Em Moure o PP tem 60 votos nas eleições legislativas e 600 nas autárquicas e é assim em todo o concelho», afirma Francisco Marques para explicar as escolhas da sua terra, onde o PSD só chegou à presidência da Câmara depois de António Cerqueira (PP) ser afastado da gestão autárquica, na sequência de um processo por abuso de poder e peculato.

Logo ao lado, no concelho vizinho de Amares, o debate político-partidário é mais aceso e alguns autarcas do PP admitem uma «revolução de independentes», caso venha a confirmar-se o acordo de incidência partidário entre o seu partido e o PS para apresentação de listas cruzadas à Câmara e à Assembleia Municipal. Em causa, está o apoio à candidatura do independente José Barbosa à Câmara, onde já é vereador pelo PS.

Enquanto o líder da concelhia diz que só assim é possível ganhar força no concelho, os opositores, como José Carlos Macedo, criticam o que dizem ser uma «aliança contra-natura» e, caso não consigam reverter a situação e impor uma lista própria, podem avançar para recandidaturas independentes de presidentes de junta eleitos pelo partido.

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