Nos Jerónimos, a situação ainda é mais grave: os fumos dos escapes das centenas de autocarros que ali estacionam durante o dia estão a afectar a pedra do monumento. O presidente do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR), Luís Calado, disse ao EXPRESSO que «os estragos podem ser enormes». Calado critica o responsável pelo pelouro dos Transportes da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Machado Rodrigues, por não «desbloquear a situação». Nos últimos meses, desde os Jogos sem Fronteiras às comemorações do 10 de Junho, comícios e a volta à Espanha, todo o tipo de eventos tomou de assalto aquela zona ribeirinha.
A directora da Torre de Belém e do Mosteiro dos Jerónimos, Isabel Cruz Almeida, está «indignada» com a situação. Diz que, «à excepção da SIC, que tem uma equipa de peritos a acompanhar a organização da festa, raramente somos ouvidos» pela CML e pela Administração do Porto de Lisboa (APL), as entidades que tutelam a zona envolvente dos dois monumentos.
CML e a APL disputam quase ao milímetro a gestão dos espaços daquela área, e a responsabilidade da protecção da zona fica presa num autêntico emaranhado de tutelas. Só na Câmara há cinco vereadores diferentes a cuidarem de diversos aspectos da área.
Nuno Baltazar Mendes, dos Mercados e Abastecimentos, passa as licenças aos vendedores ambulantes que se encontram na frente da Torre de Belém. Victor Costa, do Ambiente, autoriza a ocupação da via pública. Rêgo Mendes, da Intervenção Local, também tem de dar o seu aval para alguns eventos. Machado Rodrigues, do Trânsito é quem autoriza o estacionamento frente aos Jerónimos.
«Situação normal»
Rui Godinho, o vereador dos Espaços Verdes, é quem autoriza tudo o que acontece no relvado frente à Torre. Em Outubro de 96, Godinho tinha a convicção de que era preciso impedir naqueles jardins a realização de «comícios, festas ou circos». No entanto, tal não aconteceu. Segundo um porta-voz do seu Gabinete, «o vereador continua com a mesma convicção. Mas, sendo aquele terreno um espaço público, não se pode impedir que o público ou as entidades partidárias ou sindicais usufruam dele». No entanto, «estamos a estudar uma forma de restringir o o acesso à zona».
Os Jogos Sem Fronteiras, que se realizaram há cerca de dois meses, num terreno entre a Torre de Belém e o monumento das Descobertas, da jurisdição da APL, deixaram o chão transformado numa autêntica lixeira, que ainda ontem podia ser observada. A APL não se incomoda com a situação: «Quem está preocupado que escreva. Sem isso consideramos a situação normal».
VALENTINA MARCELINO
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Nos Jerónimos, a situação ainda é mais grave: os fumos dos escapes das centenas de autocarros que ali estacionam durante o dia estão a afectar a pedra do monumento. O presidente do Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico (IPPAR), Luís Calado, disse ao EXPRESSO que «os estragos podem ser enormes». Calado critica o responsável pelo pelouro dos Transportes da Câmara Municipal de Lisboa (CML), Machado Rodrigues, por não «desbloquear a situação». Nos últimos meses, desde os Jogos sem Fronteiras às comemorações do 10 de Junho, comícios e a volta à Espanha, todo o tipo de eventos tomou de assalto aquela zona ribeirinha.
A directora da Torre de Belém e do Mosteiro dos Jerónimos, Isabel Cruz Almeida, está «indignada» com a situação. Diz que, «à excepção da SIC, que tem uma equipa de peritos a acompanhar a organização da festa, raramente somos ouvidos» pela CML e pela Administração do Porto de Lisboa (APL), as entidades que tutelam a zona envolvente dos dois monumentos.
CML e a APL disputam quase ao milímetro a gestão dos espaços daquela área, e a responsabilidade da protecção da zona fica presa num autêntico emaranhado de tutelas. Só na Câmara há cinco vereadores diferentes a cuidarem de diversos aspectos da área.
Nuno Baltazar Mendes, dos Mercados e Abastecimentos, passa as licenças aos vendedores ambulantes que se encontram na frente da Torre de Belém. Victor Costa, do Ambiente, autoriza a ocupação da via pública. Rêgo Mendes, da Intervenção Local, também tem de dar o seu aval para alguns eventos. Machado Rodrigues, do Trânsito é quem autoriza o estacionamento frente aos Jerónimos.
«Situação normal»
Rui Godinho, o vereador dos Espaços Verdes, é quem autoriza tudo o que acontece no relvado frente à Torre. Em Outubro de 96, Godinho tinha a convicção de que era preciso impedir naqueles jardins a realização de «comícios, festas ou circos». No entanto, tal não aconteceu. Segundo um porta-voz do seu Gabinete, «o vereador continua com a mesma convicção. Mas, sendo aquele terreno um espaço público, não se pode impedir que o público ou as entidades partidárias ou sindicais usufruam dele». No entanto, «estamos a estudar uma forma de restringir o o acesso à zona».
Os Jogos Sem Fronteiras, que se realizaram há cerca de dois meses, num terreno entre a Torre de Belém e o monumento das Descobertas, da jurisdição da APL, deixaram o chão transformado numa autêntica lixeira, que ainda ontem podia ser observada. A APL não se incomoda com a situação: «Quem está preocupado que escreva. Sem isso consideramos a situação normal».
VALENTINA MARCELINO