PSP de Guimarães investigada por suspeita de discriminação

20-08-2001
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PSP de Guimarães Investigada por Suspeita de Discriminação

Por EMÍLIA MONTEIRO

Sábado, 4 de Agosto de 2001

Polícia expulsou família cigana

IGAI pede esclarecimentos e Alto Comissariado para as Minorias Étnicas quer transformar o caso numa "acção pedagógica"

A Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) vai apurar as circunstâncias em que a Polícia de Segurança Pública de Guimarães (PSP) vigiou e expulsou uma família cigana que, durante algumas semanas, acampou num terreno privado na zona de Creixomil, à entrada daquela cidade. A iniciativa da IGAI surge após uma recomendação feita pelo alto comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, José Leitão. Alegadamente alertado pela União Romani (União de Todos os Ciganos Portugueses) e pelos meios de informação, Leitão encaminhou o processo para a IGAI, "com vista ao apuramento das circunstâncias" que terão motivado a acção da PSP.

Em causa estão, alegadamente, alguns "excessos" cometidos pela polícia de Guimarães, entre eles a vigilância permanente ao acampamento e o controlo (sobretudo, durante a noite) das entradas e saídas de pessoas e de viaturas. Contudo, o que mais parece ter preocupado os responsáveis pela União Romani e o alto comissário foi mesmo a identificação, nas instalações da PSP, de alguns membros daquela comunidade. Um reconhecimento que terá passado também pela recolha de fotografias dos "responsáveis" pela família Gonzalez, o clã que, alojado em cerca de vinte caravanas, passou uns dias em Guimarães.

O facto de a polícia ter apontado uma data para que o grupo abandonasse a cidade (que expirou no passado sábado e que acabou por ser cumprida), que parece levantar muitas dúvidas a José Leitão, é outro dos pormenores confirmados ao PÚBLICO por Andrés Gonzalez, um dos filhos do "patriarca". De resto, na exposição enviada ao Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, Vítor Marques, em nome da União Romani, questionou mesmo se o tratamento dispensado pela PSP vimaranense à família em causa seria o mesmo "se as pessoas acampadas não fossem de etnia cigana".

Comissário nega acusações

Com o alto comissário ausente, a condução do processo está a agora nas mãos de Paulo Albernaz, chefe de gabinete de José Leitão. E, em declarações ao PÚBLICO, Albernaz referiu mesmo que, em último caso, "a situação da comunidade cigana de Guimarães terá uma acção pedagógica". "Há uma lei antidiscriminação que tem que ser cumprida por toda a gente", salienta o chefe de gabinete, que referiu ainda estar à espera de uma resposta "eficaz" da IGAI.

Em Guimarães, à PSP ainda não chegou qualquer pedido de esclarecimento. Contudo, o comissário Teles referiu já que a acção da polícia se ficou a dever a solicitações feitas "pelo Governo Civil de Braga, pela Câmara de Guimarães e por diversos moradores na freguesia de Creixomil". Em vez de "vigilância cerrada", o responsável pela Polícia de Segurança Pública admite apenas que os agentes "passavam pelo acampamento várias vezes ao dia". Quanto ao prazo dado pela força de segurança para que a comunidade abandonasse o local onde estava acampada, o comissário Teles refere que foi o próprio dono dos terrenos que "pediu" para que a PSP "tirasse de lá os ciganos".

"É verdade que chamámos à esquadra o chefe da comunidade", salienta ainda o mesmo responsável. E esclarece que o patriarca foi tratado "com todo o respeito" e que, apenas, lhe foi pedida a identificação enquanto lhe informavam que tinha que abandonar o local onde se encontrava com a família. "Não foi tirada qualquer fotografia", finaliza o comissário Teles, refutando assim as declarações de alguns elementos da comunidade que garantem ter sido fotografados.

PSP de Guimarães Investigada por Suspeita de Discriminação

Por EMÍLIA MONTEIRO

Sábado, 4 de Agosto de 2001

Polícia expulsou família cigana

IGAI pede esclarecimentos e Alto Comissariado para as Minorias Étnicas quer transformar o caso numa "acção pedagógica"

A Inspecção-Geral da Administração Interna (IGAI) vai apurar as circunstâncias em que a Polícia de Segurança Pública de Guimarães (PSP) vigiou e expulsou uma família cigana que, durante algumas semanas, acampou num terreno privado na zona de Creixomil, à entrada daquela cidade. A iniciativa da IGAI surge após uma recomendação feita pelo alto comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, José Leitão. Alegadamente alertado pela União Romani (União de Todos os Ciganos Portugueses) e pelos meios de informação, Leitão encaminhou o processo para a IGAI, "com vista ao apuramento das circunstâncias" que terão motivado a acção da PSP.

Em causa estão, alegadamente, alguns "excessos" cometidos pela polícia de Guimarães, entre eles a vigilância permanente ao acampamento e o controlo (sobretudo, durante a noite) das entradas e saídas de pessoas e de viaturas. Contudo, o que mais parece ter preocupado os responsáveis pela União Romani e o alto comissário foi mesmo a identificação, nas instalações da PSP, de alguns membros daquela comunidade. Um reconhecimento que terá passado também pela recolha de fotografias dos "responsáveis" pela família Gonzalez, o clã que, alojado em cerca de vinte caravanas, passou uns dias em Guimarães.

O facto de a polícia ter apontado uma data para que o grupo abandonasse a cidade (que expirou no passado sábado e que acabou por ser cumprida), que parece levantar muitas dúvidas a José Leitão, é outro dos pormenores confirmados ao PÚBLICO por Andrés Gonzalez, um dos filhos do "patriarca". De resto, na exposição enviada ao Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas, Vítor Marques, em nome da União Romani, questionou mesmo se o tratamento dispensado pela PSP vimaranense à família em causa seria o mesmo "se as pessoas acampadas não fossem de etnia cigana".

Comissário nega acusações

Com o alto comissário ausente, a condução do processo está a agora nas mãos de Paulo Albernaz, chefe de gabinete de José Leitão. E, em declarações ao PÚBLICO, Albernaz referiu mesmo que, em último caso, "a situação da comunidade cigana de Guimarães terá uma acção pedagógica". "Há uma lei antidiscriminação que tem que ser cumprida por toda a gente", salienta o chefe de gabinete, que referiu ainda estar à espera de uma resposta "eficaz" da IGAI.

Em Guimarães, à PSP ainda não chegou qualquer pedido de esclarecimento. Contudo, o comissário Teles referiu já que a acção da polícia se ficou a dever a solicitações feitas "pelo Governo Civil de Braga, pela Câmara de Guimarães e por diversos moradores na freguesia de Creixomil". Em vez de "vigilância cerrada", o responsável pela Polícia de Segurança Pública admite apenas que os agentes "passavam pelo acampamento várias vezes ao dia". Quanto ao prazo dado pela força de segurança para que a comunidade abandonasse o local onde estava acampada, o comissário Teles refere que foi o próprio dono dos terrenos que "pediu" para que a PSP "tirasse de lá os ciganos".

"É verdade que chamámos à esquadra o chefe da comunidade", salienta ainda o mesmo responsável. E esclarece que o patriarca foi tratado "com todo o respeito" e que, apenas, lhe foi pedida a identificação enquanto lhe informavam que tinha que abandonar o local onde se encontrava com a família. "Não foi tirada qualquer fotografia", finaliza o comissário Teles, refutando assim as declarações de alguns elementos da comunidade que garantem ter sido fotografados.

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