Maré de investimentos ibéricos

28-06-2001
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Fábrica da Citroën de Mangualde funciona como complemento das fábricas espanholas do Grupo PSA

Maré de Investimentos Ibéricos

Por ANÍBAL RODRIGUES

Segunda-feira, 23 de Abril de 2001

O grupo PSA definiu uma estratégia ibérica para o seu novo plano de investimentos. A unidade portuguesa de Mangualde, considerada a mais produtiva de todo o grupo, beneficia dos projectos para a fábrica de Vigo e prepara-se para 1,5 milhões de contos de investimento.

O Grupo PSA (Peugeot-Citroën) vai investir este ano 1,5 milhões de contos na fábrica da Citroën Lusitânia, situada em Mangualde, no distrito de Viseu. O investimento divide-se por 380 mil contos na secção de pintura, 100 mil contos na soldadura, 400 mil contos na montagem, 150 mil contos em ambiente, 100 mil contos na melhoria das condições de trabalho e 370 mil contos catalogados como diversos.

É a primeira vez que um investimento em Mangualde é marcadamente resultante de uma estratégia ibérica, tal como reconhecem os seus responsáveis, ligando-o a um investimento de 100 mil milhões de pesetas, anunciado na semana passada, para as duas fábricas da PSA em Espanha (Vigo e Madrid). A referida estratégia traduz-se, por exemplo, em "utilizar" a unidade de Mangualde, que já é a mais produtiva de todo o grupo, como "bombeiro", ou seja, dar-lhe capacidade de resposta a picos de produção exigidos ao grupo.

Pelo menos a curto prazo, não estão previstas alterações no número de trabalhadores da fábrica, admitindo-se que, no próximo ano, o efectivo poderá baixar ligeiramente, conforme explicou José Leitão, director financeiro da Citroën Lusitânia. Um dado que se reflectirá num provável aumento da produtividade da fábrica portuguesa.

Mangualde produz diariamente 220 Citroën Berlingo e Peugeot Partner, funcionando como complemento da fábrica de Vigo, que comparticipa com 880 destes modelos - um total de um milhar de veículos/dia, portanto. As unidades saídas de Mangualde têm como destino o mercado português, mas também França, Itália, Grécia e alguns mercados da Europa Central e de Leste.

Depois do encerramento em Portugal de fábricas emblemáticas, como foram os casos da Renault, em Setúbal, e da Ford, na Azambuja, José Leitão elege a versatilidade da infra-estrutura - que irá comemorar 40 anos já em 2004 - como a grande responsável pela sua manutenção em actividade. "É fácil conseguirmos mudar de um modelo para outro. Essa é a nossa grande vantagem", diz.

Melhor produtividade e três turnos

A situação actual em Mangualde, fábrica onde foi produzido o último dos Citroën 2CV, não podia ser melhor. "A nossa produtividade é de 144 por cento, estamos a trabalhar em três turnos e temos o melhor nível de produtividade de todas as fábricas PSA", resume José Leitão.

Quanto ao futuro, as perspectivas parecem ser também animadoras, já que o grupo liderado por Jean-Martin Folz atingiu em 2000 o melhor ano de vendas de sempre (efeito Peugeot 206), reafirmando o seu líder o firme propósito de chegar a uma produção anual de 3,5 milhões de viaturas até 2005.

O actual plano de actividade daquela unidade fabril estende-se até 2005, sempre com os Citroën Berlingo e Peugeot Partner, depois de no final de 2000 ter encerrado a produção do modelo Citroën Saxo. Estes dois veículos "gémeos", conhecidos internamente com o nome de código M49, passarão a ser designados como M59 daqui a dois anos. A nova denominação tem a ver com o "restyling" que ambos sofrerão nessa altura.

No contexto ibérico, onde Mangualde ocupa uma função de complementaridade, bem vincada por José Leitão, também dificilmente se poderia atravessar melhor momento. Na última quinta-feira, a ministra da Ciência e Tecnologia espanhola, Anna Birulés, o director industrial e de fabrico do Grupo PSA, Roland Vardanega, e os directores das fábricas de Vigo e de Madrid, respectivamente Javier Riera e José Salis, anunciaram um investimento de 100.000 milhões de pesetas nas duas fábricas espanholas durante os próximos três anos.

Segundo a imprensa espanhola, uma parte significativa deste valor destina-se ao lançamento de cinco novos modelos Citroën e Peugeot. Três deles começarão a ser produzidos em Vigo no final de 2002. A fábrica a que Mangualde está mais ligada é nesta altura a maior do Grupo PSA, com uma produção de 1900 veículos diários. Para além dos 880 Berlingo/Partner já referidos, o pólo galego produz também os modelos Xsara Picasso e o "velhinho" comercial C15.

Para Madrid, está prevista a produção de dois modelos Citroën baseados na plataforma mais pequena do grupo. Esta informação coincide com o recente anúncio, por parte da Citroën, de que o citadino Saxo teria não um, mas dois substitutos.

Fábrica da Citroën de Mangualde funciona como complemento das fábricas espanholas do Grupo PSA

Maré de Investimentos Ibéricos

Por ANÍBAL RODRIGUES

Segunda-feira, 23 de Abril de 2001

O grupo PSA definiu uma estratégia ibérica para o seu novo plano de investimentos. A unidade portuguesa de Mangualde, considerada a mais produtiva de todo o grupo, beneficia dos projectos para a fábrica de Vigo e prepara-se para 1,5 milhões de contos de investimento.

O Grupo PSA (Peugeot-Citroën) vai investir este ano 1,5 milhões de contos na fábrica da Citroën Lusitânia, situada em Mangualde, no distrito de Viseu. O investimento divide-se por 380 mil contos na secção de pintura, 100 mil contos na soldadura, 400 mil contos na montagem, 150 mil contos em ambiente, 100 mil contos na melhoria das condições de trabalho e 370 mil contos catalogados como diversos.

É a primeira vez que um investimento em Mangualde é marcadamente resultante de uma estratégia ibérica, tal como reconhecem os seus responsáveis, ligando-o a um investimento de 100 mil milhões de pesetas, anunciado na semana passada, para as duas fábricas da PSA em Espanha (Vigo e Madrid). A referida estratégia traduz-se, por exemplo, em "utilizar" a unidade de Mangualde, que já é a mais produtiva de todo o grupo, como "bombeiro", ou seja, dar-lhe capacidade de resposta a picos de produção exigidos ao grupo.

Pelo menos a curto prazo, não estão previstas alterações no número de trabalhadores da fábrica, admitindo-se que, no próximo ano, o efectivo poderá baixar ligeiramente, conforme explicou José Leitão, director financeiro da Citroën Lusitânia. Um dado que se reflectirá num provável aumento da produtividade da fábrica portuguesa.

Mangualde produz diariamente 220 Citroën Berlingo e Peugeot Partner, funcionando como complemento da fábrica de Vigo, que comparticipa com 880 destes modelos - um total de um milhar de veículos/dia, portanto. As unidades saídas de Mangualde têm como destino o mercado português, mas também França, Itália, Grécia e alguns mercados da Europa Central e de Leste.

Depois do encerramento em Portugal de fábricas emblemáticas, como foram os casos da Renault, em Setúbal, e da Ford, na Azambuja, José Leitão elege a versatilidade da infra-estrutura - que irá comemorar 40 anos já em 2004 - como a grande responsável pela sua manutenção em actividade. "É fácil conseguirmos mudar de um modelo para outro. Essa é a nossa grande vantagem", diz.

Melhor produtividade e três turnos

A situação actual em Mangualde, fábrica onde foi produzido o último dos Citroën 2CV, não podia ser melhor. "A nossa produtividade é de 144 por cento, estamos a trabalhar em três turnos e temos o melhor nível de produtividade de todas as fábricas PSA", resume José Leitão.

Quanto ao futuro, as perspectivas parecem ser também animadoras, já que o grupo liderado por Jean-Martin Folz atingiu em 2000 o melhor ano de vendas de sempre (efeito Peugeot 206), reafirmando o seu líder o firme propósito de chegar a uma produção anual de 3,5 milhões de viaturas até 2005.

O actual plano de actividade daquela unidade fabril estende-se até 2005, sempre com os Citroën Berlingo e Peugeot Partner, depois de no final de 2000 ter encerrado a produção do modelo Citroën Saxo. Estes dois veículos "gémeos", conhecidos internamente com o nome de código M49, passarão a ser designados como M59 daqui a dois anos. A nova denominação tem a ver com o "restyling" que ambos sofrerão nessa altura.

No contexto ibérico, onde Mangualde ocupa uma função de complementaridade, bem vincada por José Leitão, também dificilmente se poderia atravessar melhor momento. Na última quinta-feira, a ministra da Ciência e Tecnologia espanhola, Anna Birulés, o director industrial e de fabrico do Grupo PSA, Roland Vardanega, e os directores das fábricas de Vigo e de Madrid, respectivamente Javier Riera e José Salis, anunciaram um investimento de 100.000 milhões de pesetas nas duas fábricas espanholas durante os próximos três anos.

Segundo a imprensa espanhola, uma parte significativa deste valor destina-se ao lançamento de cinco novos modelos Citroën e Peugeot. Três deles começarão a ser produzidos em Vigo no final de 2002. A fábrica a que Mangualde está mais ligada é nesta altura a maior do Grupo PSA, com uma produção de 1900 veículos diários. Para além dos 880 Berlingo/Partner já referidos, o pólo galego produz também os modelos Xsara Picasso e o "velhinho" comercial C15.

Para Madrid, está prevista a produção de dois modelos Citroën baseados na plataforma mais pequena do grupo. Esta informação coincide com o recente anúncio, por parte da Citroën, de que o citadino Saxo teria não um, mas dois substitutos.

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