16/09/95
Carvalhas no Alto Minho
Traz outro amigo também
Carlos Carvalhas andou anteontem em campanha pelo Alto Minho. O líder comunista começou por visitar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, subiu até Vilar de Mouros, freguesia de maioria absoluta CDU, passou por Caminha, jantou em Vila Praia de Âncora e foi a principal figura do comício da noite em Viana. Uma jornada marcada por constantes apelos aos "desiludidos" e aos "indecisos".
"Vamos dar a volta a isto", repetiu vezes sem conta o secretário-geral do PCP nos seus contactos directos com os eleitores. "Estamos sempre ao lado do povo, nas boas e nas más horas, nas pequenas e nas grandes lutas", lembrou Carvalhas em todas as intervenções do dia.
O apoio à luta dos trabalhadores dos estaleiros navais contra a privatização e a obra feita em Vilar de Mouros, onde um pequeno industrial da construção civil conquistou a confiança da população, servem para reforçar a votação na CDU. Mas Carvalhas sabe que estas pequenas vitórias não são suficientes para levar Honório Novo ao Parlamento. Além de fixar o eleitorado tradicional, a CDU precisa de alargar a sua base de apoio no distrito.
Carvalhas acena aos indecisos com o trabalho dos comunistas nas empresas e nas autarquias. Diz por todo o lado que é preciso defender a produção nacional e fazer ouvidos de mercador às exigências de Bruxelas. Recorda aos agricultores, sufocados com os juros dos empréstimos, que andam a trabalhar para a banca. Revela aos pescadores que o país importa hoje o triplo de pescado, enquanto prossegue o abate da frota.
O líder do PCP lembra ainda aos jovens que a destruição do tecido produtivo tem como contrapartida o aumento do desemprego. Namora os reformados com a ideia de que as pensões podem e devem ser imediatamente aumentadas. E explica aos trabalhadores que a subida dos salários incrementa a procura interna. Lastima, no entanto, que o PS não queira abandonar a política do escudo forte e se prepare para seguir as pisadas do PSD no que respeita à política económica.
No comício de Viana, Honório Novo começa por se dirigir aos militantes, aos simpatizantes e, sobretudo, aos eleitores que votaram PSD e PS. "Os quatro deputados do PSD e os dois deputados do PS intervieram quatro vezes sobre problemas da região na última legislatura, o que dá uma intervenção por ano!" Aos militantes, sobretudo aos jovens, Honório deixa um apelo: "Traz outro amigo também."
Jorge Santos
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16/09/95
Carvalhas no Alto Minho
Traz outro amigo também
Carlos Carvalhas andou anteontem em campanha pelo Alto Minho. O líder comunista começou por visitar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, subiu até Vilar de Mouros, freguesia de maioria absoluta CDU, passou por Caminha, jantou em Vila Praia de Âncora e foi a principal figura do comício da noite em Viana. Uma jornada marcada por constantes apelos aos "desiludidos" e aos "indecisos".
"Vamos dar a volta a isto", repetiu vezes sem conta o secretário-geral do PCP nos seus contactos directos com os eleitores. "Estamos sempre ao lado do povo, nas boas e nas más horas, nas pequenas e nas grandes lutas", lembrou Carvalhas em todas as intervenções do dia.
O apoio à luta dos trabalhadores dos estaleiros navais contra a privatização e a obra feita em Vilar de Mouros, onde um pequeno industrial da construção civil conquistou a confiança da população, servem para reforçar a votação na CDU. Mas Carvalhas sabe que estas pequenas vitórias não são suficientes para levar Honório Novo ao Parlamento. Além de fixar o eleitorado tradicional, a CDU precisa de alargar a sua base de apoio no distrito.
Carvalhas acena aos indecisos com o trabalho dos comunistas nas empresas e nas autarquias. Diz por todo o lado que é preciso defender a produção nacional e fazer ouvidos de mercador às exigências de Bruxelas. Recorda aos agricultores, sufocados com os juros dos empréstimos, que andam a trabalhar para a banca. Revela aos pescadores que o país importa hoje o triplo de pescado, enquanto prossegue o abate da frota.
O líder do PCP lembra ainda aos jovens que a destruição do tecido produtivo tem como contrapartida o aumento do desemprego. Namora os reformados com a ideia de que as pensões podem e devem ser imediatamente aumentadas. E explica aos trabalhadores que a subida dos salários incrementa a procura interna. Lastima, no entanto, que o PS não queira abandonar a política do escudo forte e se prepare para seguir as pisadas do PSD no que respeita à política económica.
No comício de Viana, Honório Novo começa por se dirigir aos militantes, aos simpatizantes e, sobretudo, aos eleitores que votaram PSD e PS. "Os quatro deputados do PSD e os dois deputados do PS intervieram quatro vezes sobre problemas da região na última legislatura, o que dá uma intervenção por ano!" Aos militantes, sobretudo aos jovens, Honório deixa um apelo: "Traz outro amigo também."
Jorge Santos