TEATRO Do movimento em abstracto Dois dias de desporto de alta competição no palco do Rivoli: entrada livre para «ver» o movimento A FÁBRICA DO CORPO HUMANO direcção de Alberto Lopes e João Garcia Miguel (Rivoli Teatro Municipal, hoje e amanhã, 21h30) C.P.
«A Fábrica do Corpo Humano» reúne no Rivoli nomes como Rosa Mota, António Pinto, Carlos Caldas, Fernando Gomes, Katia Barbosa, Cláudia Teixeira, Andreia Silva, Mário Barbosa e Quintino Responsável pelos pelouros do pensamento, ciência, literatura e projectos transversais no Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, Paulo Cunha e Silva imaginou que poderia encher um teatro de atletas de alta competição ou, dito de outra maneira, que poderia propor aos atletas de alta competição que «praticassem» as suas modalidades num espaço de espectáculo e... o resultado é A Fábrica do Corpo Humano. Para quê? Os dois dias de apresentação deste espectáculo permitirão equacionar uma série de questões pertinentes relativamente ao corpo e ao movimento, por meio, essencialmente, da descontextualização da prática das actividades desportivas trasladada para uma sala de espectáculos. Responsável pelos pelouros do pensamento, ciência, literatura e projectos transversais no Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, Paulo Cunha e Silva imaginou que poderia encher um teatro de atletas de alta competição ou, dito de outra maneira, que poderia propor aos atletas de alta competição que «praticassem» as suas modalidades num espaço de espectáculo e... o resultado é. Para quê? Os dois dias de apresentação deste espectáculo permitirão equacionar uma série de questões pertinentes relativamente ao corpo e ao movimento, por meio, essencialmente, da descontextualização da prática das actividades desportivas trasladada para uma sala de espectáculos. Será indiferente que Rosa Mota corra a maratona no palco do Rivoli? Como escreve Paulo Cunha e Silva, A Fábrica do Corpo Humano «é um projecto que pretende reflectir sobre a natureza do movimento humano através do recurso a autores (especialistas) com determinados ''skills'' (aptidões motoras) - atletas de alta competição. Nesta perspectiva, incorpora desportistas conhecidos do grande público por forma a que os personagens em palco sejam identificados como autores e não como actores. A verdade do movimento, por oposição à sua teatralização, foi convocada». Alberto Lopes e João Garcia Miguel foram os encenadores encarregues de dirigir os atletas. E perguntar-nos-emos se o terão feito do ponto de vista do movimento ou do dos seus agentes já que, como continua Paulo Cunha e Silva, este projecto equaciona «a reflexão sobre a natureza do teatro». «A sua capacidade de transformação da vida em múltiplas vidas (as sete vidas do actor) é reforçada por este movimento de sentido inverso que agora pretendemos praticar: não fazer do palco a vida, mas fazer da vida o palco.» É nesta perspectiva que se pergunta se Rosa Mota, normalmente identificada com a maratona, passará «a ser actriz/performer». E se avalia, por outro lado, «a natureza performativa do desporto». «Será que ele é uma ''arte do corpo'' ou ainda uma ''arte do palco''?» Alberto Lopes e João Garcia Miguel foram os encenadores encarregues de dirigir os atletas. E perguntar-nos-emos se o terão feito do ponto de vista do movimento ou do dos seus agentes já que, como continua Paulo Cunha e Silva, este projecto equaciona «a reflexão sobre a natureza do teatro». «A sua capacidade de transformação da vida em múltiplas vidas (as sete vidas do actor) é reforçada por este movimento de sentido inverso que agora pretendemos praticar: não fazer do palco a vida, mas fazer da vida o palco.» É nesta perspectiva que se pergunta se Rosa Mota, normalmente identificada com a maratona, passará «a ser actriz/performer». E se avalia, por outro lado, «a natureza performativa do desporto». «Será que ele é uma ''arte do corpo'' ou ainda uma ''arte do palco''?» A Fábrica do Corpo Humano tem como princípio fundador «a verdade motora, ou seja, um princípio de natureza científica para o qual remete a obra que inspira o título: A Fábrica do Corpo Humano do anatomista André Vesálio (1514-1564), uma obra central na construção do pensamento morfológico ocidental», refere ainda P. Cunha e Silva. Para João Garcia Miguel, «o desafio proposto por este projecto confronta-nos com uma dimensão relevante do nosso objecto/percurso de pesquisa, investigação e experimentação, e impede-nos o risco de nos tornarmos demasiado abstractos. Metaforizando, o corpo representa para nós uma espécie de umbigo sobre o qual temos o receio de nos debatermos, sem nos tornarmos redondos». Participam nesta aventura mais de 30 atletas, entre os quais nomes como Rosa Mota, Fernando Gomes, António Pinto, Mário Barbosa, Teresa Machado, João Rocha ou Quintino Rodrigues. nas modalidades de atletismo, basquetebol, boxe, ciclismo, culturismo, futebol, ginástica acrobática, artística e rítmica, judo, karaté, natação, trampolim, prova de esforço. 6
ENVIAR COMENTÁRIO
Categorias
Entidades
TEATRO Do movimento em abstracto Dois dias de desporto de alta competição no palco do Rivoli: entrada livre para «ver» o movimento A FÁBRICA DO CORPO HUMANO direcção de Alberto Lopes e João Garcia Miguel (Rivoli Teatro Municipal, hoje e amanhã, 21h30) C.P.
«A Fábrica do Corpo Humano» reúne no Rivoli nomes como Rosa Mota, António Pinto, Carlos Caldas, Fernando Gomes, Katia Barbosa, Cláudia Teixeira, Andreia Silva, Mário Barbosa e Quintino Responsável pelos pelouros do pensamento, ciência, literatura e projectos transversais no Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, Paulo Cunha e Silva imaginou que poderia encher um teatro de atletas de alta competição ou, dito de outra maneira, que poderia propor aos atletas de alta competição que «praticassem» as suas modalidades num espaço de espectáculo e... o resultado é A Fábrica do Corpo Humano. Para quê? Os dois dias de apresentação deste espectáculo permitirão equacionar uma série de questões pertinentes relativamente ao corpo e ao movimento, por meio, essencialmente, da descontextualização da prática das actividades desportivas trasladada para uma sala de espectáculos. Responsável pelos pelouros do pensamento, ciência, literatura e projectos transversais no Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura, Paulo Cunha e Silva imaginou que poderia encher um teatro de atletas de alta competição ou, dito de outra maneira, que poderia propor aos atletas de alta competição que «praticassem» as suas modalidades num espaço de espectáculo e... o resultado é. Para quê? Os dois dias de apresentação deste espectáculo permitirão equacionar uma série de questões pertinentes relativamente ao corpo e ao movimento, por meio, essencialmente, da descontextualização da prática das actividades desportivas trasladada para uma sala de espectáculos. Será indiferente que Rosa Mota corra a maratona no palco do Rivoli? Como escreve Paulo Cunha e Silva, A Fábrica do Corpo Humano «é um projecto que pretende reflectir sobre a natureza do movimento humano através do recurso a autores (especialistas) com determinados ''skills'' (aptidões motoras) - atletas de alta competição. Nesta perspectiva, incorpora desportistas conhecidos do grande público por forma a que os personagens em palco sejam identificados como autores e não como actores. A verdade do movimento, por oposição à sua teatralização, foi convocada». Alberto Lopes e João Garcia Miguel foram os encenadores encarregues de dirigir os atletas. E perguntar-nos-emos se o terão feito do ponto de vista do movimento ou do dos seus agentes já que, como continua Paulo Cunha e Silva, este projecto equaciona «a reflexão sobre a natureza do teatro». «A sua capacidade de transformação da vida em múltiplas vidas (as sete vidas do actor) é reforçada por este movimento de sentido inverso que agora pretendemos praticar: não fazer do palco a vida, mas fazer da vida o palco.» É nesta perspectiva que se pergunta se Rosa Mota, normalmente identificada com a maratona, passará «a ser actriz/performer». E se avalia, por outro lado, «a natureza performativa do desporto». «Será que ele é uma ''arte do corpo'' ou ainda uma ''arte do palco''?» Alberto Lopes e João Garcia Miguel foram os encenadores encarregues de dirigir os atletas. E perguntar-nos-emos se o terão feito do ponto de vista do movimento ou do dos seus agentes já que, como continua Paulo Cunha e Silva, este projecto equaciona «a reflexão sobre a natureza do teatro». «A sua capacidade de transformação da vida em múltiplas vidas (as sete vidas do actor) é reforçada por este movimento de sentido inverso que agora pretendemos praticar: não fazer do palco a vida, mas fazer da vida o palco.» É nesta perspectiva que se pergunta se Rosa Mota, normalmente identificada com a maratona, passará «a ser actriz/performer». E se avalia, por outro lado, «a natureza performativa do desporto». «Será que ele é uma ''arte do corpo'' ou ainda uma ''arte do palco''?» A Fábrica do Corpo Humano tem como princípio fundador «a verdade motora, ou seja, um princípio de natureza científica para o qual remete a obra que inspira o título: A Fábrica do Corpo Humano do anatomista André Vesálio (1514-1564), uma obra central na construção do pensamento morfológico ocidental», refere ainda P. Cunha e Silva. Para João Garcia Miguel, «o desafio proposto por este projecto confronta-nos com uma dimensão relevante do nosso objecto/percurso de pesquisa, investigação e experimentação, e impede-nos o risco de nos tornarmos demasiado abstractos. Metaforizando, o corpo representa para nós uma espécie de umbigo sobre o qual temos o receio de nos debatermos, sem nos tornarmos redondos». Participam nesta aventura mais de 30 atletas, entre os quais nomes como Rosa Mota, Fernando Gomes, António Pinto, Mário Barbosa, Teresa Machado, João Rocha ou Quintino Rodrigues. nas modalidades de atletismo, basquetebol, boxe, ciclismo, culturismo, futebol, ginástica acrobática, artística e rítmica, judo, karaté, natação, trampolim, prova de esforço. 6
ENVIAR COMENTÁRIO