Franco-argelino Estabelece Elo com Bin Laden
Por ANA NAVARRO PEDRO, Paris
Quarta-feira, 03 de Outubro de 2001
Exortado pelas autoridades religiosas, deu pormenores de como lhe foi entregue a missão de destruir alvos americanos em Paris
Djamel Beghal, um franco-argelino de 35 anos, preso em Julho último nos Emirados Árabes Unidos e extraditado para França no domingo, confessou às autoridades francesas que recebeu ordens para preparar um atentado contra a embaixada dos EUA em Paris e contra o centro cultural americano na capital francesa.
A ordem teria emanado directamente do quartel-geral de Osama bin Laden, no Afeganistão, e teria sido dada pessoalmente pelo braço direito de Bin Laden, o egípcio Abu Zubeida. Estas revelações foram recolhidas pelo juiz anti-terrorista Jean-Louis Bruguière, que interrogou Djamel Beghal na segunda-feira, durante 11 horas.
Segundo a rádio Europe 1, que deu a notícia em primeira mão, lendo largos excertos do processo verbal do interrogatório feito pela justiça dos Emirados Árabes Unidos, Beghal teria aceitado falar graças a um estratagema das autoridades de Dubai. Estas teriam pedido aos mais altos dignitários islâmicos dos Emirados Árabes Unidos que dessem uma ordem religiosa ao prisioneiro para que este revelasse tudo o que sabia. Os religiosos disseram-lhe que não estava a seguir o bom caminho do Islão e que devia falar para ganhar o perdão de Alá.
Djamel Beghal teria, assim, afirmado que concluiu um pacto com Abu Zubeida (de seu verdadeiro nome Mohamed Zine el Abidine), em Março de 2001: "Estava em Kandahar e fui convidado por Abu Zubeida a ir à casa de Bin Laden. Zubeida disse-me então que a hora da acção chegara e perguntou-me se eu estava pronto. Respondi que sim e perguntei qual era a acção. 'Fazer explodir a embaixada dos Estados-Unidos em Paris', respondeu-me Zubeida."
A validade jurídica destas primeiras declarações às autoridades de Dubai, traduzidas em francês e entregues a Paris, e das quais a Europe 1 tirou este excerto, não foi ainda apurada. Mas, ainda segundo a rádio francesa, o prisioneiro teria repetido as mesmas declarações às autoridades francesas. Na primeira versão, Beghal teria acrescentado que, no fim da reunião, Zubeida lhe deu três presentes, afirmando que eram da parte de Bin Laden.
Os planos elaborados por Djamel Beghal previam que um antigo futebolista profissional, Nizar Trabesli (actualmente preso na Bélgica), deveria entrar na embaixada dos EUA com um cinto de explosivos à volta do corpo e que um segundo kamikaze atirasse um camião cheio de explosivos contra o centro cultural americano, perto da praça da Madalena, no centro de Paris. Mas o comando organizado por Beghal deveria primeiro levar a cabo uma operação de levantamento de informações sobre o sistema de vigilância electrónico da embaixada dos EUA, fazer fotos e filmar os edifícios visados. Estava também previsto ir buscar uma verba importante a um banco de Marrocos, para financiar a operação.
Djamel Beghal seria membro do "Takfir", um grupo integrista islâmico egípcio, e teria feito alguns "estágios" de treino de guerrilha urbana no Afeganistão. Foi preso em Dubai, por razões desconhecidas, no regresso de uma estadia no Afeganistão, em Julho.
Franco-argelino Estabelece Elo com Bin Laden
Por ANA NAVARRO PEDRO, Paris
Quarta-feira, 03 de Outubro de 2001
Exortado pelas autoridades religiosas, deu pormenores de como lhe foi entregue a missão de destruir alvos americanos em Paris
Djamel Beghal, um franco-argelino de 35 anos, preso em Julho último nos Emirados Árabes Unidos e extraditado para França no domingo, confessou às autoridades francesas que recebeu ordens para preparar um atentado contra a embaixada dos EUA em Paris e contra o centro cultural americano na capital francesa.
A ordem teria emanado directamente do quartel-geral de Osama bin Laden, no Afeganistão, e teria sido dada pessoalmente pelo braço direito de Bin Laden, o egípcio Abu Zubeida. Estas revelações foram recolhidas pelo juiz anti-terrorista Jean-Louis Bruguière, que interrogou Djamel Beghal na segunda-feira, durante 11 horas.
Segundo a rádio Europe 1, que deu a notícia em primeira mão, lendo largos excertos do processo verbal do interrogatório feito pela justiça dos Emirados Árabes Unidos, Beghal teria aceitado falar graças a um estratagema das autoridades de Dubai. Estas teriam pedido aos mais altos dignitários islâmicos dos Emirados Árabes Unidos que dessem uma ordem religiosa ao prisioneiro para que este revelasse tudo o que sabia. Os religiosos disseram-lhe que não estava a seguir o bom caminho do Islão e que devia falar para ganhar o perdão de Alá.
Djamel Beghal teria, assim, afirmado que concluiu um pacto com Abu Zubeida (de seu verdadeiro nome Mohamed Zine el Abidine), em Março de 2001: "Estava em Kandahar e fui convidado por Abu Zubeida a ir à casa de Bin Laden. Zubeida disse-me então que a hora da acção chegara e perguntou-me se eu estava pronto. Respondi que sim e perguntei qual era a acção. 'Fazer explodir a embaixada dos Estados-Unidos em Paris', respondeu-me Zubeida."
A validade jurídica destas primeiras declarações às autoridades de Dubai, traduzidas em francês e entregues a Paris, e das quais a Europe 1 tirou este excerto, não foi ainda apurada. Mas, ainda segundo a rádio francesa, o prisioneiro teria repetido as mesmas declarações às autoridades francesas. Na primeira versão, Beghal teria acrescentado que, no fim da reunião, Zubeida lhe deu três presentes, afirmando que eram da parte de Bin Laden.
Os planos elaborados por Djamel Beghal previam que um antigo futebolista profissional, Nizar Trabesli (actualmente preso na Bélgica), deveria entrar na embaixada dos EUA com um cinto de explosivos à volta do corpo e que um segundo kamikaze atirasse um camião cheio de explosivos contra o centro cultural americano, perto da praça da Madalena, no centro de Paris. Mas o comando organizado por Beghal deveria primeiro levar a cabo uma operação de levantamento de informações sobre o sistema de vigilância electrónico da embaixada dos EUA, fazer fotos e filmar os edifícios visados. Estava também previsto ir buscar uma verba importante a um banco de Marrocos, para financiar a operação.
Djamel Beghal seria membro do "Takfir", um grupo integrista islâmico egípcio, e teria feito alguns "estágios" de treino de guerrilha urbana no Afeganistão. Foi preso em Dubai, por razões desconhecidas, no regresso de uma estadia no Afeganistão, em Julho.